domingo, 24 de dezembro de 2006

Mensagem Final de Ano - 2006 - da Família Jacareziana

Povo, Pova, Companheiros, Companheiras, Amigos,Amigas, Camaradas e Répteis do Mundo: Uní-vos, Por um Mundo Novo, Solidário e Fraterno. Que nós todos possamos lutar juntos e que façamos um amanhã melhor e diferente. Depende de Nós! Saudações de J Daniel, Noemi e Família.

NOTAS ESPECIAS DA FAMÍLIA:

NÃO dê presentes, como os modelos a seguir (matéria prima: couro de jacaré): Coleção 2007 Couro de Jacaré,

Nós RECOMENDAMOS, algo mais CULTURAL:,

E para passeios turísticos:Caraguatatuba(Pedra do Jacaré) Praia do Jacaré(PB-João Pessoa)Chapa dos Guimarães(Pedra do Jacaré)Pela NOSSA Agência de Viagem,

Para NÂO ser pego no GRAMPO: Vá de Grampos Jacaré, esse é confiável (e a fabrica da Família agradece),

Ou então, compre outros PRODUTOS de fabricação própria:Macacos Jacaré outors acessórios JACAREZIANOS: ENTRE OUTROS PRODUTOS PÂNTANOS AFORA,

E JAMAIS, JAMAIS...... COMA alguns tipos de comida indigesta (é Óbvio, que o prato principal é CARNE de JACARÉ):Crocodilo BolivianoJAVALI e JACARÉ no EspetoJacaré ao molho de Laranja

Em casa, o time do Coração é: e para todos você que chegaram até o fim desta mensagem, o nosso TROFÉU: E UM GRANDE ABRAÇO DA

NOSSA FAMÍLIA:

POR FIM, VEJAM MAIS UMA RECEITA INDIGESTA:

Receitas Jacaré (fonte: ochurrasqueiro.com.br)


Churrasco de Jacaré com Farofa de Maracujá


Ingredientes:

01 Kg. de carne jacaré
01 copo de vinho branco
01 Limão (suco)
02 Cebolas médias (picadas)
01 Colher (sopa) de azeite de oliva
02 Maracujás grandes (coma sementes
01 Xícará (chá) de fubá
01 Xicará de farinha de milho
Salsa e Cebolinha a gosto
Sal e pimenta a gosto

Preparo:

Carne de jacaré: bata no liquidificador o vinho branco com o suco de limão, a salsinha e a cebolinha verde, o sal e a pimenta. Espalhe esses temperos sobre a carne e deixe marinando por um dia. Enrole a carne em papel aluminio e leve assar em brasa por aproximadamente 45 minutos.

Farofa de maracujá: refogue as cebolas no azeite, adicione a polpa dos maracujás (com as sementes) e, em fogo baixo, vá colocando lemtamente o fibá e a farinha de milho, mexendo sempre com uma colher de pau. Tempere com o sal e retire do fogo. Corte a carne de jacaré em fatias grossas e sirva-a com a farofa.




sábado, 28 de outubro de 2006

Agora sabemos que eles fabricaram Alckmin, o medíocre

Obrigado a todos pelas matérias e mensagens enviadas. Em breve, postarei no BLOG http://dabocadojacare.blogspot.com

Agora sabemos que eles fabricaram Alckmin, o medíocre: 30 anos inexpressivos de vida pública, quem o conhecia?

Levaram-no ao 2o turno, graças ao golpe da mídia em geral. Vejam o documentário irlandês sobre o golpe na Venezuela: A revolução não será televisionada, e observem o papel da mídia. E é claro, dos estúpidos que praticaram o ato de tentar comprar um dossiê conhecido (ou não?).

No futuro, saberemos toda a verdade. Lembram o documentário: Brasil,Além do Cidadão Kane, da BBC de Londres? Pela mídia do GRUPO ABRIL nada saberemos, pois quem dá a diretriz agora é o PIETER BOTHA (lembram dele: presidente da Africa do SUL no APARTHEID). Noutras mídias, quem dá as cartas é CISNEROS,o mesmo do golpe venezuelano. Resumo da ópera: a grande maioria da mídia é TUCANA: até debaixo d'água, e da lama.

Trazem a irracionalidade do preconceito, racismo e covardia para eleição: camisetas, adesivos, panfletos e notas nos jornais: vide Jabour, Mainardes e outros jornalistas mensaleiros. E choro: vide as viúvas do FH e "meninas do Jô".

Pensam que a OPUS DEI tudo pode. Lêdo engano. O povo pode: é 13 nêles. É LULA de Novo, com a Força do POVO!

Muito trabalho e fiscalização neste dia 29 de outubro. O Brasil não pode ser privatizado, não queremos um Estado Mínimo. Queremos um Brasil Grande, Justo e Solidário.

Saudações Socialistas e Jacarezianas. Até a Vitória, sempre!

O manifesto oportunista de William Bonner e Ali Kamel em defesa da Globo

Eleição, indecência e o desespero dos jornalões

Toda a página 4 de "O Globo" ontem poderia ter sido assinada pelo comitê eleitoral que distribui a propaganda do tucano Geraldo Alckmin. Na verdade, bem no centro da página estava um anúncio sem esconder o pagador - a "Coligação por um Brasil Decente/PSDB-PFL". Ao menos teve a decência de declarar a origem. A indecência estava no alto, à esquerda, sob o nome de Merval Pereira.

Além dessa diatribe anti-Lula, havia ainda o texto da entrevista do coordenador da campanha do PT, Marco Aurélio Garcia, cujas declarações foram viradas pelo avesso nos títulos. Ele denunciou a tentativa adversária de desqualificar o eleitor do PT como ignorante e sem ética, além de expor propaganda apócrifa contra o candidato. O jornal transformou tudo em outro ataque ao candidato.

Mas o mais grotesco da edição estava no alto da página 32. Sob o patrocínio da Crefisa, Miriam Leitão, consternada, ofereceu uma oração fúnebre para a campanha tucana, no tom superior do "eu bem que avisei". Alega ela ter avisado que estava tudo errado: Alckmin foi bonzinho demais, devia ter baixado o sarrafo em Lula e exaltado o legado das privatizações do santo-padroeiro dos tucanos, FHC.


As trapalhadas e seus culpados

É assim a elite branca, com seus sacerdotes (e sacerdotisas) neoliberais. Para eles, não existe povo: Alckmin perdeu por ter deixado de fazer o que a sabedoria da Leitão ensinava, não porque foi repudiado pelo povo. Ela não leva em conta que a campanha do Globo (jornal e TV) começou muito antes da de Alckmin. Por um ano e meio martelou os mesmos bordões e slogans - e foi ignorada pelo povo.

Eu respeitaria mais o império Globo se tivesse declarado apoio ao candidato. Desonesto é fingir neutralidade e isenção até quando pilhado em flagrante, como foi o caso do diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. Ontem no Jardim Botânico, subordinados dele pediam assinaturas num manifesto "em defesa da honra" dos jornalistas que trabalham na Globo.

Ora, há meia dúzia de responsáveis pelo excessos da Globo e todos eles estão acima do nível intermediário. William Bonner uma vez comparou quem vê o "Jornal Nacional" a Homer Simpson - o perfeito idiota do cartum. Nem ele e nem Kamel têm o direito de sugerir que os culpados pelas malfeitorias encomendadas de cima são jornalistas, que às vezes até manifestam reservas pelo que se faz ali.


Aquele prontuário recheado

Guardo as melhores lembranças de profissionais competentes e dignos com os quais trabalhei em veículos do império Globo em quatro ocasiões diferentes, num total superior a 10 anos. Isso nunca impediu a confraternização promíscua da empresa com a ditadura militar, da qual a Rede Globo acabou transformada em órgão oficioso - se não oficial - durante mais de duas décadas.

Nenhum daqueles colegas costumava sentir-se ofendido em sua honra ao ouvir denúncias sobre o papel das organizações Globo - no apoio ao regime militar, na vilificação das campanhas salariais do ABC, no conluio para ocultar a verdade das duas bombas do Riocentro, na sabotagem das Diretas Já, na fraude da Proconsult, etc. Até porque os jornalistas sempre souberam de onde vinham as ordens para manipular e adulterar os fatos.

Se Kamel, Bonner & cia. acham que conseguirão, com manifesto oportunista e espertalhão, transferir a profissionais decentes a culpa de outros, bem menos dignos, candidatam-se ao título de mais idiotas do que o próprio Homer Simpson, que em momento infeliz foi adotado como paradigma dos milhões de brasileiros cujo único defeito é tropeçar no "Jornal Nacional" entre duas novelas


Falsa jornalista era do PSDB

Desta vez, claro, o império "O Globo" estava ao lado de toda a grande mídia do País - inclusive "Veja", "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Jornal do Brasil", etc. E talvez fiquem na história como capítulo final da articulação golpista de 2006 as primeiras páginas da sexta-feira com os jornais festejando (como fizera o JN na noite de quinta) uma suposta "jornalista" e um suposto "laranja".

Uma encaminhara o outro à Polícia Federal com a história fantasiosa de que levara R$ 250 mil a um petista para financiar o dossiê - o tal dossiê que "seria" comprado para prejudicar o candidato tucano, coisa que nunca se consumou mas que, graças à foto "plantada" por um delegado leviano e acolhida pela mídia, impedira a vitória de Lula no primeiro turno e passara um mês nas manchetes.

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso anunciou na tarde de ontem, mesmo dia das novas manchetes, que tudo não passou de grande farsa. Nem a mulher era jornalista e nem o homem, laranja. E, por uma dessas coincidências tão comuns em véspera de eleição, a mulher que não era jornalista é secretária-executiva do PSDB na cidade de Pouso Alegre e montou a farsa.

Deve haver mais versões. Na certa "O Globo", "Folha", "Estadão" etc. terão as suas hoje. Meu palpite é que ainda pode vir alguma bem cabeluda.

Sábado, Outubro 28, 2006 - http://www.portalmidiapetista.blogspot.com/

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

DELEGADO DA PF EXPLICA COMO DESMONTOU A "FARSA"

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Daniel Lorenz, afirmou em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 27, que o testemunho de Agnaldo Henrique Lima é uma farsa (clique aqui para ouvir e desative temporariamente o bloqueador de pop us para ouvir). Lima disse à PF ter levado R$ 250 mil para Hamilton Lacerda, então coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante, até o hotel Íbis, em São Paulo. Seria parte do dinheiro para a compra do "Dossiê Serra".

“Já no início da madrugada percebemos que o que ele havia nos contado era uma farsa e hoje pela manhã houve a comprovação de que ele não falava a verdade”, disse Lorenz.

O delegado explicou que Agnaldo foi levado por uma mulher, chamada Rosely Souza Pantaleão, a prestar esse testemunho. Rosely seria ligada a um partido político. “Ela inicialmente se apresentou como uma jornalista. Já sabemos que ela não é jornalista”, afirmou Lorenz.

Leia os principais pontos da entrevista com o delegado Daniel Lorenz:

O delegado concluiu que o depoimento de Agnaldo era falso após comprovar com o gerente do banco dele que não havia operações suspeitas na conta corrente de Agnaldo.

O gerente do Bradesco, sem quebrar o sigilo e sem entrar em detalhes da conta bancária de Agnaldo, disse à PF que não percebeu nenhuma movimentação suspeita e que não era necessário acionar o Coaf. Caiu por terra a versão de Agnaldo.

O delegado Daniel Dayer já abriu um inquérito específico para apurar o falso testemunho de Agnaldo. O crime é previsto no código penal e prevê prisão de um a três anos.

Questionada pela PF, Rosely disse ter avaliado o caso do Agnaldo, que lhe pareceu verossímil, e encaminhou a testemunha à polícia. A situação de Rosely será esclarecida com a investigação no inquérito do delegado Dayer.

Daniel Lorenz disse que não pode afirmar que há uma relação entre Rosely e o PSDB. Mas Lorenz lembrou que a imprensa já comenta que ela seria integrante de um partido político em Pouso Alegre.
IMPRENSA "COMEU A BARRIGA" DA FARSA DO LARANJA

A notícia do laranja que não era laranja e da jornalista que não era jornalista e dos dois que estavam a serviço do PSDB foi divulgada como verdadeira pelos principais orgãos da imprensa do Brasil. Se vê com a reprodução das primeiras páginas de hoje.

Clique aqui para ver como a imprensa repercutiu a notícia que foi desmentida pela PF.

Veja abaixo a íntegra do texto da matéria do Jornal Nacional nesta quinta-feira, dia 26/10.

Clique aqui para assistir a matéria em vídeo.

E agora, a imprensa marron vai dar mesma repercussão das mentiras que eles disseram ontem?? A farsa caiu, o JN vai noticiar essa??? o Jabour vai fazer seu depoimento no Jornal da Globo?? e Willian Wacc e a Christiane Pelajo vão noticiar essa??

Maurício
Por: Mauricio Andrade on 27 Outubro 2006 at Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Segundo turno revogou sorriso de Alckmin

Em reportagem, correspondente do francês Le Monde diz que segundo turno revogou sorriso de Alckmin

Texto publicado hoje e traduzido narra para o público da França como e porquê o presidente Lula abriu tamanha frente ante seu adversário tucano. É uma análise de nosso cenário sob a ótica francesa

Geraldo Alckmin mostra-se crispado antes do segundo turno frente a Lula
Pesam contra o candidato da oposição a sua falta de carisma e alguns erros de estratégia

Geraldo Alckmin perdeu o sorriso radiante que exibia na noite do
primeiro turno da eleição presidencial, em 1º de outubro. Desmentindo as previsões das pesquisas que, até a véspera do pleito, anunciavam a reeleição fácil do chefe do Estado, Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores, de esquerda), o candidato do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB, de centro-esquerda) causou surpresa ao receber 41,64% dos votos, contra 48,6% para o presidente em final de mandato.

Às vésperas do segundo turno, agendado para domingo, 29 de outubro, o
semblante tenso de Geraldo Alckmin revela o impacto das pesquisas
desfavoráveis. Ao longo das últimas três semanas, o antigo governador do Estado de São Paulo recuou de maneira constante nas sondagens. Na
terça-feira (24/10), o Instituto Datafolha lhe atribuía 39% das intenções de voto, contra 61% para o presidente Lula.

Logo no dia que se seguiu ao primeiro turno, Geraldo Alckmin cometeu um
"primeiro tropeço", segundo a imprensa brasileira, ao celebrar alianças com dois personagens polêmicos: o antigo governador do Estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, e a sua mulher Rosinha Matheus, que lhe sucedeu. Membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, de centro), eles vêm sendo acusados regularmente de corrupção e de populismo, a tal ponto que eles não puderam participar das eleições de 1º de outubro.

A despeito de uma orientação em contrário do seu partido, o PSDB, Geraldo Alckmin teria optado sozinho por firmar esta aliança, que deveria supostamente atrair votos para a sua candidatura num Estado onde o presidente em final de mandato o superou amplamente. O principal aliado do PSDB, o Partido da Frente Liberal (PFL, de direita), não economizou suas críticas contra a dupla Alckmin-Garotinho. O prefeito do Rio, César Maia (PFL), sublinhou o desentendimento da oposição diante a iniciativa de Alckmin.

Além disso, o candidato social-democrata não obteve o apoio dos principais candidatos eliminados no primeiro turno da presidencial, Heloisa Helena (Partido Socialismo e Liberdade, de extrema direita) e Cristóvam Buarque (Partido Democrático Trabalhista, de centro-esquerda), que haviam totalizado 9,5% dos votos. Apesar da inexistência de qualquer recomendação de voto, a maioria dos votos desses dois dissidentes do Partido dos Trabalhadores teria migrado para a candidatura do seu antigo camarada, o presidente Lula.

Defensor da ética


Nesse sentido, este médico anestesista de 53 anos, que não mais atua nesta profissão, comprometeu-se a vender o Airbus A-319 da Força Aérea Brasileira, reservado ao chefe do Estado, apresentado como um luxo, "o que permitirá construir cinco hospitais". Os militares não gostaram nem um pouco da idéia.

Acusado de dissimular projetos de privatização, os quais seguiriam o modelo das inúmeras vendas efetuadas pelo presidente social-democrata Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e por ele mesmo em São Paulo, Geraldo Alckmin desmentiu, mesmo correndo o risco com isso de aprofundar o seu desentendimento com a sua própria coalizão, PSDB-PFL. Para melhor convencer um eleitorado majoritariamente hostil às privatizações, ele se exibiu em público com emblemas de empresas públicas, tais como a Petrobras, afixados no seu blusão.

Quanto à "Bolsa Família", o benefício pago a 11,1 milhões de famílias
pobres, que por muito tempo foi chamada de "bolsa esmola" pelo PSDB, ele teve de admitir que ela seria "mantida e melhorada".

Apresentando-se como um defensor austero da ética, Geraldo Alckmin voltou incansavelmente ao ataque em relação à corrupção que vem manchando a imagem do governo Lula desde 2005. Na ausência de fatos novos, essas críticas, que haviam atraído parte do eleitorado, não provocaram a esperada reviravolta de uma opinião pública anestesiada por tantos escândalos.

Geraldo Alckmin foi até mesmo prejudicado pela agressividade que ele mostrou durante o primeiro debate televisivo que foi organizado no segundo turno. O seu tom surpreendeu de tal maneira que ele pareceu ter "vencido" o enfrentamento contra um adversário desnorteado. Mas as pesquisas de opinião revelaram mais tarde que os telespectadores tiveram uma apreciação desfavorável deste candidato sem qualquer carisma, desconhecido apesar dos seus 33 anos de vida pública.

Assim, Alckmin foi visto como uma pessoa autoritária que mostrou desrespeito para com um presidente da República considerado como mais simpático sob o fogo dos ataques.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006 - http://www.portalmidiapetista.blogspot.com/

sábado, 21 de outubro de 2006

Carta Aberta a Arnaldo Jabor - por Mauro Carrara

Quase perfeitíssimo truão,

Primeiramente, atente ao substantivo, e não desconfie de insulto. Os bobos
da corte são, historicamente, mais que promotores de fuzarca ou desvalidos
a serviço do entretenimento. Os realmente talentosos urdiam na teia das
anedotas a crítica a seus senhores monarcas, traduzindo pela ironia a
bronca popular.

Era o caso do ácido e desengonçado Triboulet, vosso patrono, uma espécie de
grilo falante capaz de estimular as consciências de Luís XII e Francisco I.
Tantos outros venceram no ofício, como o impagável Cristobal de Pernia, uma
espécie de conselheiro extra-oficial de Felipe IV.

Neste Brasil da pós-modernidade globalizante, el rei Dom Fernando Henrique
Cardoso reviveu a bufonaria. No entanto, empregou-a de modo diverso, quase
sempre como dissimulação hilariante para desviar atenções de sua ética de
conveniência mercantil, tão bem definida por Dom José A. Gianotti, seu
filósofo e encanador.

O ex-monarca utilizou ainda sua trupe de falastrões para promover a
alienante festa pública sugerida por Maquiavel. Portanto, nunca é exagero
te parabenizar pelo empenho profissional. Há anos, na ribalta televisiva,
te devotas a divertir e iludir os "psites do sofá", mesmo depois que o
tiranete a quem servias foi apeado do trono. Sempre diligente, conclamas e
incitas, rebolando patranhas tal qual histriônico cabo de esquadra do
restauracionismo.

Recentemente, contudo, causou-me espanto tua fúria salivante para edulcorar
a participação do embusteiro Geraldo Alckmin no embate contra o grisalho
herói de todos os sertões.

Como é próprio de teu ofício, fizeste rir ao embaralhar significados, ao
abusar das hipérboles, ao exceder-se nos adjetivos impróprios, ao viajar na
maionese das idéias desconexas.

No entanto, truão Jabor, prosperou aqui a dúvida. Que quiseste dizer com o
clichê "choque de capitalismo"? Seria referência ao rombo de R$ 1,2 bilhão
legado pelo embusteiro alquimista ao ressabiado governador Lembo? Ou seria
apenas ironia herdada de teus predecessores, na profecia zombeteira de um
novo "que comam brioches"?

Destacam-se também, como enigmas, tuas dupletas acres de escassa teoria.
São os casos de "socialismo degradado", "populismo estatista" e "getulismo
tardio". Eita, nóis! Que essas vigarices binárias nos viessem, ao menos,
com sal de fruta. Né? Ora, de qual "socialismo" tratas? Será que
resolveste, no supletivo dos sexagenários, estudar a industrial cultural e
as idéias de Adorno? Hum... Pouco provável.

No que tange ao termo "populismo", arrisco uma resposta. Tu o compraste na
escribaria de ordenança dos novos donatários. É coisa do bazar de tolices
de Civita e Frias Filho. Acertei? Diga aí...

Mas o que queres dizer com "getulismo"? Pelo que percebi, escapa-te o
fenômeno à compreensão histórica. Tratas daquele do Departamento de
Imprensa e Propaganda? Ou te referes àquele das necessárias justiças
trabalhistas?

Outros exageros me encafifaram em tua anedota de encomenda. Tratas
lisergicamente de um São Paulo "rico", como se construído dos empenhos da
malta quatrocentona. Em teus seminários de apedeuta, desapareceu o povo.
Evaporaram-se João Ramalho, Bartira, Tibiriçá, Anchieta, tantos mamelucos
arabizados, tantos avós europeus aqui remixados, tantos irmãos nordestinos
que ergueram nossos arranha-céus. Teu São Paulo mítico, tristemente, não
admite a antropofagia.

E tem mais... Em tua pregação, o embusteiro Alckmin surge como legítimo
herdeiro da alva elite construtora do progresso. Nesse delírio
pós-positivista e lombrosiano, não há rastro d a gestão criminosa dos
privateiros tucanos, dos sonegadores dasluzeiros, dos pedageiros corruptos
e dos sócios do marcolismo. Não te rendeste ao excesso? Ai, ai, ai...

Agitando guizos, executas tua prestidigitação. Empregas, em simultâneo, o
sapato pontudo para alojar sob o tapete o sacrifício juvenil na Febem, as
nove centenas de contratos irregulares e o estupendo assalto ao tesouro da
gente bandeirante. Não exageraste? És bufão ou advogado, truão Jabor?

Entre tuas deformações, tão valiosas ao ofício, suponho até mesmo a
cegueira de um olho. Ignoras o júbilo de milhões de vassalos não mais
famintos, agora metidos a escrever o próprio nome. Vê, quanto atrevimento!
Tampouco registras a voz de ameríndios e afro-descendentes, agora
perigosamente mais próximos de ti, a tomar lugar nos bancos da
universidades. Não enxergas a energia elétrica nos grotões nem o canto de
esperança dos humildes da terra, fortalecidos em cooperativas de produção.

Depois, qual demiurgo de botequim, dizes que o nasolongo Alckmin é
"incisivo", enquanto o outro te parece "evasivo". Ladino que és, julgas os
combatentes pelo aspecto cênico e não pela natureza das idéias. No caso do
embusteiro alquimista, excedes ao elogiar o espantalho bélico,
aplicadíssimo ao método de stanislavskiano. Ora, magnífico truão, todos
vimos que o herói de todos os sertões é adepto de outra técnica. Pisa o
palco de Brecht, revelando-se como realmente é, antes que se mistifique no
papel de fundeiro de microfone.

Cantaste, portanto, a vitória do "limpinho", do "sem barba", do malcriado
que imita Tyson. Como líder de torcida, vibraste na platéia, tuas pernas
flácidas saltitando de contentamento, as mãos agitando invisíveis fitas
coloridas. Ah, mas perdeste a razão...

Depois, destilaste teu parvo sarcasmo sobre o "povo", sobre a "mãe
analfabeta" do operário e sobre os "pobres", em suma, sobre esses todos do
"lado de cá". Na piada rancorosa, revelaste um desprezo moldado para a
auto-proteção.

Sabes o quanto é doloroso viver deste lado da linha, no território dos
anônimos, dos que sofrem e trabalham de verdade.

Se há dialética nesta missiva, agrego teus motivos. Sabes o valor de uma
adoção real, ainda que precises caminhar de quatro, atado à coleirinha de
el rei. Sabes o quanto é estratégica essa assepsia, esse descontato com o
ímpio das ruas, dos campos e das construções.

Assim, me permito uma visita a teu passado. Tua obra "séria" resultou, caro
truão, em enorme fracasso. E, disso, bem sabes. Por um tempo, tuas ventosas
de sanguessuga agarraram algumas tetas públicas. Desse modo, pudeste
alimentar teus espetáculos de terceira categoria, ainda que fizessem rir
quando a intenção era pretensiosamente induzir à reflexão.

Incerto dia, pobre de ti, todo o oportunismo de parasita foi castigado, de
modo que te encontraste novamente vadio, mergulhado na mais profunda
frustração. Naquele momento, julgo, buscaste inspiração em Triboulet...

Na Vênus Platinada do decrépito Marinho, iniciaste tua pândega panfletária,
calcada na manipulação marota de cacos de idéias. Nada por inteiro.
Coerente para quem, por natureza, carece de integridade.

Esse flashback permite, portanto, compreender melhor o roteiro cínico.
Tanto faz se teu senhor largou o reino às escuras, se destacou piratas para
pilhar o patrimônio público, se foi incompetente até mesmo para empreender
no capitalismo que tanto celebras. Às tuas costas, no tempo, estende-se a
terra arrasada pela peste do egoísmo, habitada de fariseus neoliberais e de
peruas ridículas e mesquinhas. Por meio da ruidosa retórica de falso
indignado, desvias o olhar público dessa paisagem da tragédia.

Para seguir o ato farsesco, fazes descer o pano da falácia sinistra do
golpismo lacerdista, da distorção, da maledicência e da espetacularização
do rito inquisitório. Simulas ver aqui, em alto grau, o que ignoras ali. Na
telinha da "Grobo", distribui sofismas, injetas no sangue de Otello a
desconfiança, patrocinas a intriga nacional.

Poder-se-ia encontrar em ti o personagem Sacripante. Uma observação
acurada, entretanto, revela mais um Silvério dos Reis das artes cênicas.
Certa vez, me disse Henfil: "o pior humorista é o que vende sua comédia aos
canalhas que fazem o povo chorar". Simples, didático, serve à elaboração de
um código de ética de tua categoria.

Pois, tua notícia deturpada do embate, devotado truão, mostrou-se cômico
engodo. Foi lá, teu embusteiro "truco-lento" dar com as fuças na parede.
Saiu do campo laureado e enganado, pior que Pirro. Este, menos imbecil,
admitiu que a vitória contra os romanos fora uma tragédia, o prólogo de sua
ruína.

Portanto, o exemplo da derrota também te serve. Decisivamente, ainda que te
gabes, jamais superaste Paulo Francis, o bobo da corte mais destro nessas
artes de sabujo-rabujo. E se cultivas alguma pretensão de hegemonia, te
sugiro mover o pescocinho atrofiado. Pilantrinhas peraltas, como Mainardi e
Azevedo, emparelham já contigo, disputam hidrofobicamente a suprema
magistratura da bufonaria.

E, percebe truão, que a dupla tonto-fascista não te fica a dever: são
também inescrupulosos, traiçoeiros e carregam a poderosa energia do
ressentimento, sem contar que igualmente migraram do fracasso profissional
para a aventura mercenária midiática.

Por fim, adorável truão, ajusta o relógio da tua soberba. Não é hora de
celebrar a ignomínia convertida em comédia. Nem é momento de levantar a
horda de rufiões da "ética" para cantar a vitória restauracionista. Para
além dos simulacros do teu moralismo cínico, lambuzado de paroxismos
impróprios, exercita-se o sabre do julgamento público, implacável, aquele
cuja lâmina é afiada pelo tempo. Subiram os letreiros... Perdeste o charme.
Perdeste a graça.

Mauro Carrara - Jornalista

Nota de Boca de Mídia sobre o autor:

Mauro Carrara é jornalista, nascido em 1939, no Brás, em São Paulo. É o
segundo filho de Giuseppe Carrara, professor de Filosofia em Bologna, e de
Grazia Benedetti, uma operária e militante comunista de Nápoli. O casal
chegou ao Brasil em 1934, fugindo da perseguição fascista. Mauro foi para a
Itália em 1959, por sugestão do amigo dramaturgo G. Guarnieri. Em Firenze,
estudou arte, ciências sociais e comunicação. De volta ao Brasil, passou
dois anos na Amazônia. Ao atuar na defesa dos povos indígenas, foi preso
pelo regime militar. Libertado, voltou à Itália. Como free-lancer, produziu
reportagens para jornais como L'Unita e Il Manifesto. Com o primo Antonino,
esteve no Vietnã, no início da década de 70. Em 1973, no Chile, juntou-se à
resistência ao golpe contra Allende. No Brasil, como clandestino,
aproximou-se do cartunista Henfil, cujos trabalhos traduziu para uma
revista alternativa italiana. Na década de 80, prestou serviços para a ONU
em países como China, Iraque e Marrocos. Nos anos 90, assessorou ONGs
brasileiras, especialmente na área de Direitos Humanos. Ainda atua na área
de comunicação e relações internacionais.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º? - por Paulo Henrique Amorim

Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista Carta Capital que está nas bancas (“A trama que levou ao segundo turno”), de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um sub-titulo: “A radiografia da imprensa brasileira”.

Fica ali demonstrado:

1) As equipes de campanha de Alckmin e de Serra (da empresa GW) chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;

2) O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e a distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;

3) O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;

4) O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: “Tem de sair à noite na tevê., Tem de sair no Jornal Nacional”;

5) Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;

6) No dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o avião da Gol e morreram 154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;

7) Ali Kamel, “uma espécie de guardião da doutrina da fé” da Globo, segundo a reportagem, recebeu a fita de audio e disse: “Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos”, diz Kamel, segundo a reportagem

8) A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70% das 891 ambulancias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri.

9) A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo (clique aqui) em que aparece Jose Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das ambulâncias com a fina flor dos sanguessugas;

10) A imprensa omitiu a informação de que o procurador da República Mario Lucio Avelar é o mesmo do “caso Lunus”, que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. ( A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral. Mas a campanha já tinha morrido.)

11) Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não deveria ter mandado prender;

12) Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em flagrante de delito.

13) Que o Procurador Avelar declarou: “Veja bem, estamos falando de um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais nada. Só o País. Pode sair de onde o dinheiro ?”

14) A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: “Os petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que possam ter cometido.”


Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: “ ... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu.”

Quer dizer: o golpe funcionou.

Mino Carta, o diretor de redação da Carta Capital, diz em seu blog, aqui no IG (http://blogdomino.blig.ig.com.br/), que houve uma reedição do golpe de 89, dado com a mão de gato da Globo, para beneficiar Collor contra Lula. “A trama atual tem sabor igual, é mais sutíl, porém. Mais velhaca,” diz Mino.

Permito-me acrescentar outro exemplo.

Em 1982, no Rio, quase tomaram a eleição para Governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Policia Federal (como o delegado Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?

O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião pública para a fraude gigantesca.

Que só não aconteceu, porque Brizola “ganhou a eleição duas vezes: na lei e na marra”, como, modestamente, escrevi no livro “Plim-Plim – a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral”, editora Conrad, em companhia da jornalista Maria Helena Passos.

Está tudo pronto para o segundo golpe.

O Procurador Avelar está lá.
Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São Paulo !).

A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: “Cadê o papelzinho ?”, que permite a recontagem do voto ?

E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro, nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da candidatura Alckmin.

E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem.



Leia também:

Delegado Bruno: "cadê o repórter do JN?"
PF acha que conclui processo contra Bruno em 90 dias
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Woile contesta informação do Conversa Afiada

OS FATOS OCULTOS

A mídia, em especial a Globo, omitiu informações cruciais na divulgação do dossiê e contribuiu para levar a disputa ao 2º turno - Por Raimundo Rodrigues Pereira

1.Pode-se começar a contar a história do famoso dossiê que os petistas teriam tentado comprar para incriminar os candidatos do PSDB José Serra e Geraldo Alckmin pela sexta-feira 15 de setembro, diante do prédio da Polícia Federal, em São Paulo. É uma construção pesada, com cerca de dez pavimentos, de cor cinza-escuro e como que decorada com uma espécie de coluna falsa, um revestimento de ladrilho azul brilhante, que vai do pé ao alto do edifício, à direita da grande porta de entrada. Dentro do prédio estão presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ligados ao Partido dos Trabalhadores e com os quais foi encontrado cerca de 1,7 milhão de reais, em notas de real e dólar, para comprar o tal dossiê. Mas essa notícia é ainda praticamente desconhecida do grande público.


Preocupação.

“Tem de sair no Jornal Nacional”, exigiu o delegado Bruno ao entregar as fotos do dinheiro. É por volta das 5 da tarde. A essa altura, mais ou menos à frente do prédio, que fica na rua Hugo Dantola, perto da Ponte do Piqueri, na Marginal do rio Tietê, na altura da Lapa de Baixo, estaciona uma perua da Rede Globo. Ela pára entre duas outras equipes de tevê: uma da propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin e outra da de José Serra.

Com o tempo vão chegando jornalistas de outras empresas: da CBN, da Folha, da TV Bandeirantes. E a presença das equipes de Serra e Alckmin provoca comentários. Que a Rede Globo fosse a primeira a chegar, tudo bem: ela tem uma enorme estrutura com esse objetivo. Mas como o pessoal do marketing político chegou antes? Cada uma das duas equipes tem meia dúzia de pessoas. A de Serra é chefiada por um homem e a de Alckmin, por uma mulher. As duas pertencem à GW, produtora de marketing político. Seus donos foram jornalistas: o G é de Luiz Gonzales, ex-TV Globo, e o W vem de Woile Guimarães, secretário de redação da famosa revista Realidade, do fim dos anos 1960. Entre os jornalistas, logo se sabe que foi Gonzales quem ligou para a Globo, avisando do que se passava na PF.

E quem avisou Gonzales? Foi alguém da Polícia Federal? Foi alguém do Ministério Público, de Cuiabá, de onde veio o pedido para a ação da PF? Uma fonte no Ministério da Justiça disse a CartaCapital que as equipes da GW chegaram à PF antes dos presos, que foram detidos no Hotel Ibis Congonhas por volta da 6 da manhã do dia 15 e demoraram a chegar à sede da polícia. Gente da equipe da GW diz que a empresa soube da história através de Cláudio Humberto, o ex-secretário de imprensa do ex-presidente Collor, que tem uma coluna de fofocas e escândalos na internet e que teria sido o primeiro a anunciar a prisão dos petistas.

Pode ser que sim, o que apenas leva à pergunta mais para a frente: quem avisou Cláudio Humberto? Mesmo sem ter a resposta, continuemos a pesquisar nessa mesma direção: a de procurar saber a quem interessava a divulgação da história do dossiê e como essa divulgação foi feita. Para isso, voltemos à região do prédio da PF duas semanas depois.

*Confira a íntegra da reportagem na edição impressa Carta Capital

DELEGADO DA PF: “O OBJETIVO É ... O LULA”

DELEGADO DA PF: “O OBJETIVO É ... O LULA” - 30/09/2006 17:32h - Paulo Henrique Amorim
(http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/392001-392500/392486/392486_1.html )

O Ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, acaba de informar que tem informações concretas de que o delegado Edmilson Bruno, da Policia Federal de São Paulo, ao distribuir as fotos do dinheiro à Jovem Pan, ao Estado de S. Paulo, ao Globo e à Folha de S. Paulo disse que seu objetivo era “... o Lula e o PT e acabar com a eleição”.

Imediatamente após, o delegado Bruno, segundo Genro, simulou um B.O. (Boletim de Ocorrência) em que dizia que o CD com as fotos tinha sido roubado de sua mesa.

Segundo Genro, essa é “uma operação política para construir um cenário parecido com o do seqüestro do empresário Abílio Diniz, em 89, em cima da eleição, quando Lula enfrentou Collor, e interferir na vontade popular, se aproveitando de um cerco da mídia à campanha de reeleição do presidente Lula”.

Segundo Genro, a mídia impediu que a população tivesse clareza de que foi o Governo Lula quem desbaratou as quadrilhas de vampiros e sanguessugas que estavam impunes desde o Governo anterior: “a população pensa, equivocadamente, que isso tudo foi montado no Governo Lula”, disse Genro.

Genro acredita que, dessa vez, porém, a população não vai se enganar. “Já foi enganada uma vez e agora está madura para fazer a opção”.

DELEGADO BRUNO: “CADÊ O REPÓRTER DO JN?”

Notícias - 13/10/2006 13:21h - DELEGADO BRUNO: “CADÊ O REPÓRTER DO JN?”


O diretor-adjunto da revista Carta Capital, Maurício Dias, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 13, que antes de divulgar as fotos do dinheiro apreendido para comprar o chamado “dossiê Serra”, o delegado da Polícia Federal de São Paulo Edmilson Bruno perguntou se algum repórter do “Jornal Nacional” estava na sede da PF. Ele queria repassar as fotos do dinheiro para esse repórter (clique aqui para ouvir). Edmilson Bruno divulgou as fotos do dinheiro apreendido com petistas


O caso está detalhado na edição desta sexta-feira da revista Carta Capital que já está nas bancas, com a manchete: “A trama que levou ao segundo turno”.

“Há várias outras informações que a matéria dá que mostram que a questão da foto foi utilizada politicamente e, se você pegar as informações da pesquisa Vox Populi, mostra que realmente foi fundamental para que a eleição viesse para o segundo turno”, explicou Maurício Dias.

Leia os principais pontos da entrevista com o jornalista Maurício Dias:

Segundo pesquisa Vox Populi divulgada nesta sexta-feira pela Carta Capital, o presidente Lula tem 56% dos votos válidos contra 44% de Alckmin.

A pesquisa mostra uma continuidade do primeiro turno. Maurício Dias disse que é uma balela dizer que o segundo turno é uma outra eleição.

Desse modo, o petista continua mais fraco no Sul e cresceu no Nordeste e no Rio de Janeiro.

A pesquisa mostra ainda que pela primeira vez na pesquisa, ricos e pobres se equivalem entre os 50% que consideram o governo do presidente Lula bom ou ótimo.

O Vox Populi mostrou também que 32% dos eleitores entrevistados acharam que Geraldo Alckmin foi mais agressivo que o Presidente Lula no debate do último domingo na TV Bandeirantes.

Maurício Dias disse que doutor Alckmin, formado em medicina, exagerou no remédio da agressividade. Quando o tucano transfere essa agressividade para frente do candidato, ele parece ultrapassar os limites do respeito ao presidente da República.

Maurício Dias citou ainda um estudo do diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, sobre 120 eleições. Em apenas um caso um candidato obteve menos votos no segundo turno do que no primeiro turno.

Clique aqui para acessar o site da Carta Capital.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

ÓDIO DE CLASSE: CAMPANHA ANTI-LULA DESTILA PRECONCEITO E RACISMO

( http://www.paulodavida.blogger.com.br/ )

Luiz Inácio Lula da Silva tem sido vítima e discursos preconceituosos desde que disputou pela primeira vez um cargo executivo (em 1982). Mas na atual disputa eleitoral, com o crescente protagonismo da internet na campanha, o nível de baixaria e preconceito contra Lula chegou a níveis nunca antes observados numa eleição presidencial.

O portal de relacionamentos Orkut foi alvo, recentemente, de processos judiciais que denunciam a utilização do site para a propagação de idéias racistas, preconceituosas e moralmente ofensivas.

Como reação às denúncias, a Google Inc., controladora do Orkut, determinou a retirada de todas as comunidades que contivessem conteúdo inapropriado.

Mas o que a Google não se deu conta ainda é que o "perigo" mora também em ambientes onde não se imagina que o preconceito e o racismo vão prosperar.

Comunidades criadas no rastro do processo eleitoral, como as que são dedicadas às candidaturas presidenciais, são diariamente bombardeadas com mensagens de ódio e preconceito.

Na comunidade "Nós votamos LULA Presidente 13", a todo momento são denunciadas mensagens de conteúdo racista e preconceituoso, em geral disparadas por pessoas que se autodeclaram anti-Lula e de alguns que se definem como apoiadores da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB).

É preciso ressaltar, porém, que o site oficial do candidato Geraldo Alckmin, em nenhum momento reproduziu, repercutiu ou incentivou qualquer mensagem deste tipo.

"Pobre", "nordestino" "ignorante"...

Um dos comentários mais polêmicos foi de um usuário do Orkut que proclamou que Alckmin "não irá precisar dos nordestinos" se for eleito presidente.

Um outro usuário chegou a espalhar uma imagem propondo a divisão do país em duas partes: o Norte e Nordeste ficaria sob a presidência de Lula e o Sul, Sudeste e Centro-Oeste sob o comando de Alckmin. Outro usuário, escreveu: "o pobre é burro por natureza, ele vota no Lula para continuar pobre"".

Devido à enorme quantidade, seria impossível listar todas as mensagens de cunho preconceituoso que percorrem o Orkut diariamente, mas o tom de todas elas é sempre muito parecido.

As "peças" de propaganda anti-Lula não ficam restritas ao Orkut. Elas se espalham pela Internet com uma velocidade espantosa. É difícil encontrar um usuário de internet que não tenha recebido em sua caixa postal eletrônica pelo menos uma mensagem que qualifica o presidente como "ignorante", "iletrado", "nordestino burro", "operário cachaceiro" e outras tantas de calão ainda mais baixo. E nos últimos tempos, esta adjetivação deplorável passou a ser estendida também aos eleitores do presidente.

Uma das mensagens que mais se propagaram através de e-mails foi uma falsa carta atribuída, também falsamente, a uma pessoa de nome Otacílio na qual se registrava: "Senhor Lula, o senhor foi colocado onde está por pessoas tão ignorantes quanto o senhor".

Mas a difamação é tamanha que a campanha de Lula precisou criar um boletim chamado "Boletim antivírus", destinado a desmentir e criticar as mensagens espalhadas pela Internet.

Segundo texto deste boletim, parte significativa das mensagens anti-Lula que circulam na Internet é constituída de charges, piadas, fotos e frases depreciativas contra o presidente da República. Há de tudo: de mentiroso a analfabeto, passando por bêbado.

"Claro que se trata de grosseria, pura e simples. Mas, no fundo, estamos diante de um velho e lamentável conhecido: o preconceito de classe. Numa de suas variantes, o trabalhador não teria condições de governar o país, porque não teria a "alta cultura" exigida para tanto", diz o boletim.

Deficiência vira motivo de piada e peças de campanha Fora da Internet (mas alimentada por ela) o preconceito ganha forma através de peças de campanha como adesivos e panfletos apócrifos.

Na região Sul, apoiadores de Alckmin distribuíram nas últimas semanas adesivos mostrando a figura de uma mão, com quatro dedos, dentro de um círculo cortado pela tarja símbolo de ""proibido"".

A militância pró-Lula reagiu à ofensa e criou um outro adesivo, que mostra o desenho de uma mão aberta em ""L"", símbolo das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado dos dizeres ""Sou contra o preconceito, sou Lula"".

A iniciativa foi do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que mantém em seu site modelos do adesivo e comentários sobre a campanha preconceituosa dos adversários de Lula.

O presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda num acidente de trabalho, quando era torneiro mecânico em fábrica do ABC paulista. Também a Associação Paranaense de Deficientes se mostrou indignada com a imagem, que incentivaria o preconceito.

Segundo o assessor da campanha de Lula no Paraná, Fernando César de Oliveira, o adesivo está disseminado em Curitiba e no interior do Estado. O material também foi visto em Goiânia e São Paulo.

Em Porto Alegre, o mesmo material foi apreendido no último domingo. Ele era distribuído por correligionários da coligação Rio Grande Afirmativo, de Yeda Crusius (PSDB).

A juíza eleitoral Ângela Maria Silveira determinou busca e apreensão dos adesivos por considerar que promoviam manifestação preconceituosa em relação ao presidente.

Um leitor do Vermelho que prefere não se identificar, enviou uma mensagem ao portal lamentando a campanha anti-Lula que explora a deficiência do presidente.

Ele afirma que, na empresa onde trabalha, recebeu um e-mail contendo uma imagem explorando de forma jocosa os quatro dedos de Lula.

"Além de confundir o eleitor mais simples, é extremamente preconceituoso. Recebi este e-mail do meu gerente e fiquei chateado, pois também perdi parte do indicador e médio da mão direita", protesta.

Lideranças derrapam em comentários polêmicos

Mas o discurso preconceituoso não está impregnado apenas na ""militância"" que faz a campanha de Alckmin acontecer.

Lideranças importantes do PSDB, como o recém-eleito governador de São Paulo, José Serra, e até o vice na chapa de Geraldo Alckmin, o senador José Jorge (PFL-PE), já foram flagrados em comentários polêmicos. Isso sem falar na já clássica frase do pefelista Jorge Bornhausen sobre "acabar com essa raça" de petistas.

No último dia 16 de agosto, durante uma entrevista ao programa SPTV, da Rede Globo, José Serra afirmou que parte da culpa pelos maus resultados da educação no estado de São Paulo seria dos migrantes.

""Diferentemente dos Estados do Sul [que foram os primeiros colocados na avaliação], São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando... Este é um problema"", afirmou Serra.

Já o vice de Alckmin, senador José Jorge, comentou que a votação de Lula no primeiro turno seria prejudicada por causa dos eleitores nordestinos que, segundo insinuação do senador, não sabem votar direito.

""No Nordeste, onde o Lula tem a maioria, o aproveitamento do voto é menor, porque as pessoas erram mais"", afirmou José Jorge.

E não apenas os tradicionais aliados apelam para o preconceito, mas também os novos aderentes da candidatura tucana, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, dão sua cota de contribuição para difamar o adversário a partir de comentários discriminatórios.

Em texto publicado nesta quarta-feira (11), Garotinho, que é evangélico, repudiou os rituais de religiões afro-brasileiras. Além da manjada tradição de citar os recentes escândalos no governo, Garotinho diz que o presidente Lula fez vodu na África e "tomou banho de pipoca na Bahia".

"Sempre fui um defensor da liberdade religiosa. Mas é inadmissível que um cristão renomado, que conheça a palavra de Deus, vote em Lula, sabendo o que ele faz para ganhar voto", cita Garotinho no texto.

Mídia grande também destila seu veneno

Setores da mídia conservadora também ajudam a colocar lenha nesta fogueira. Basta lembrar a lamentável reportagem da revista Veja, na qual o semanário estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: "Ela pode decidir a eleição".

A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: "Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro".

Segundo o jornalista Altamiro Borges, "o intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente"

Algum tempo depois, foi a vez do jornal O Estado de São Paulo alimentar o mesmo discurso. Em matéria do dia 25 de setembro, o Estadão afirma que "eleitor do Nordeste expressa maior tolerância com desvios do que o do Sudeste".

O tom preconceituoso da matéria chocou até mesmo profissionais da grande imprensa. O jornalista Franklin Martins escreveu em seu site um texto no qual afirma que "jogando com números de uma pesquisa do Ibope que não prova nada, a matéria tenta sustentar a tese de que os nordestinos, os pobres e os negros dão menor valor à questão ética do que os habitantes do "Sul Maravilha", os ricos e os pobres." ... "Mas há mais. O Estadão avalia também que a pesquisa do Ibope permite estabelecer relação entre cor de pele e rigor moral: 'Os que se autodeclaram brancos são mais implacáveis com a ética: 88% não votariam num corrupto; os que se autodeclaram pardos cobram menos e 85% não votariam em indiciados por corrupção; mas os que se autodeclaram pretos são os menos rígidos com a ética: só 82% negam o voto a corruptos'. Queira-se ou não, a idéia que se passa é de que, quanto mais escurinha for a cor da pele, maior será a frouxidão com valores éticos"... "Tenha a santa paciência...", protesta Martins, certamente externando uma indignação que é de todos os brasileiros de bom senso.

Já a Folha de S.Paulo é mais cuidadosa em relação a matérias que envolvem conceitos étnicos e raciais, mas é adepta de outro tipo de preconceito: o que atinge pessoas com pouca escolaridade.

Exemplo claro disso é a lista de perguntas que o jornal da família Frias havia preparado para o presidente Lula, caso ele tivesse aceitado participar da sabatina agendada pelo jornal durante o primeiro turno das eleições.

Entre as 50 perguntas que poderiam ser feitas, estavam algumas do tipo: "Como o Sr. responde aos que o consideram um deslumbrado com o poder?", "Qual o último livro que o Sr. leu? Poderia comentá-lo?" e "O Sr. é extremamente católico. Já foi criticado por uma espécie de discurso messiânico. O Sr. de fato considera que é melhor que seus antecessores, que é predestinado? Por quê?".

Desabafo de um eleitor

Em artigo publicado no site AfroPress, o cineasta Joel Zito de Araújo desabafa: "Para nós que temos sensibilidade e faro para o preconceito e o racismo, não será evidente o quanto de preconceito étnico (nordestino) e de classe está por trás da campanha anti-lula?

Confesso que, também por uma questão racial e de classe, sinto nojo do que leio na imprensa e ouço da classe média que circulam em torno de mim. Não sinto nenhuma intimidade e identidade com os articulistas da Folha, de O Globo, e com esse enorme clamor udenista da classe média pela punição ética do Lula.

Esse é o mesmo povo elitista de sempre, de mentalidade colonizada que odeia a nossa luta política, as proposições de cotas, o povo real que temos. E, que nos odeiam e nos vêem como porta-vozes do atraso e do ressentimento. Vejam onde estão os principais nomes que combatem as cotas?

É por tudo isto, e pelas coisas positivas que Lula fez no campo da cultura, no campo racial, na diminuição do sofrimento daqueles que são realmente pobres, na política de estreitamento de relações sul-sul, inclusive com a África, que decidi o meu voto. Embora tudo isto que nomeio como positivo seja passível de muita crítica. Nada foi feito de forma irretocável. Mas foi um avanço.

Essas são as razões que decidi pelo voto no Lula, e que me levaram a escrever este artigo, desejando ardorosamente que esta novela ridícula acabe no próximo domingo (o texto foi escrito antes do primeiro turno)."

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

ZIRALDO - Porque eu vou votar no Lula, por Ziraldo

Segundo o Mauro Santayana, que não nasceu em Minas - como o Itamar, que nasceu no mar -, mas é uma instituição mineira, a gente tem que ter muito cuidado com paulista.

É claro que estou tratando a coisa como uma brincadeira, somos todos brasileiros (meus seis netos nasceram em São Paulo, a esposa do meu filho e os maridos de minhas filhas são paulistas e estou muito feliz com essa arrumação).

Como em nossa História, porém, nós, mineiros, andamos de pinimba revolucionária com a paulistada, as lendas correm soltas. Os cariocas diziam que mineiros compravam bondes.

Compravam, sim, confirmam alguns mineiros mais espertos; mas pra vender pra paulistas. Conta-se também que mineiros nunca se importavam de ver seus times sempre perdendo para os times paulistas.

E explicavam: "Futebol nós perde; o que nós num perde é revolução." Segundo o Mauro, que explica como a frase que vou citar surgiu "história da qual me esqueci ", a rapaziada de Minas mais próxima da fronteira com São Paulo avisa pro resto da mineirada: "Paulista, nem à prazo nem à vista!"

Taí o Fernando Henrique Cardoso que não deixa a mineirada mentir, não é mesmo, Itamar? Bem, depois de ler esta introdução e ver lá em cima o título do artigo, os mineiros que me leêm neste instante e para quem um pingo é letra já perceberam onde quero chegar.

Pra simplificar, antes de entrar em considerações é só lembrar ao meu povo - mineiro, como vocês sabem, chama o povo lá de casa de povo - que nós, o Brasil inteiro, ficamos, a esta altura, entregues a duas possibilidades paulistas: ou entra o Álck¿min (cujo sobrenome é um desrespeito a Minas, terra dos alquimíns de Bocaiuva) ou entra o Lula que, no fundo, é um metalúrgico paulista que venceu na vida.

Nunca podemos nos esquecer de que, quando FHC assumiu, o projeto deles era o de ficar 20 anos no poder. Dentro do plano, tiveram a cachimônia (adoro esta palavra!) de inventar o acontecimento mais antiético da história da República brasileira: a reeleição.

Ela foi um sujo golpe às instituições, uma medida que nem os militares da ditadura tiveram a coragem de perpetrar, realizada em causa própria ¿ com o principal beneficiário no poder ¿ e conseguida da maneira mais desonesta de que se tem notícia: comprando, por preço nunca sabido, o voto dos deputados que, sem que a imprensa brasileira se escandalizasse ao nível do que se escandaliza hoje, começavam a desmoralizar mais ainda o nosso tão desmoralizado Congresso. Tudo começou com essa gente. E eles querem voltar ao poder.

"Non pasarán!" - os mineiros têm a obrigação de dizer. A trajetória política do Lula serviu para provar que a alma humana é que atrapalha todos os mais nobres planos de salvação de um povo. A verdade é que ninguém, mas ninguém mesmo, ama o povo. É tudo conversa.

As pessoas se movem em torno do poder e só depois é que descobrem uma causa para justificar sua luta por ele (o poder). Enquanto o ser humano, como indivíduo, mover-se em função do rancor, da carência afetiva e da inveja, não haverá possibilidade de êxito para qualquer causa coletiva.

Mas isso é outra história. O Luis Fernando Veríssimo descobriu a pólvora: Lula é o sertão - vejam sua vitória no Norte e Nordeste; na alma do povo ele é mais de lá do que de São Bernardo - e o Alckmin é da Daslu.

Delenda Daslu! Não é possível que nós, mineiros - depois de termos cometido o erro que o Itamar cometeu, este de inventar essa deletéria figura do Fernando Henrique - vamos agora eleger o Alckmin.

"Um erro, nós admitimos, dois, não." - como diria o macaco que não devolveu o troco a mais na primeira compra e exigiu o troco a menos na segunda.

Tenho certeza de que o Aécio está no palanque apoiando o Alckmin por uma questão de lealdade ao seu partido - onde ele me parece um estranho no ninho, mas já que está lá... - e não por convicção.

Ele sabe que Lula tem que ganhar disparado em Minas neste segundo turno para evitar que Alckmin assuma a presidência e mele o projeto nacional de ter o Aécio como presidente do Brasil no próximo pleito.

Então, é isto: o Aécio está falando que é pra gente de Minas votar no Alckmin. Mas, todo mineiro sabe que isto é como aquela velha anedota da rodoviária: "Ocê tá dizendo que vai pra Manhuaçu pra eu achar que ocê vai pra Manhumirim, mas, ocê vai é pra Manhuaçu, mesmo".

Ou seja, ele tá dizendo pra nós votá no Geraldo, mas é pra nós votá no Lula, mesmo. Para aplacar a consciência dos possíveis eleitores do Lula que não votarão nele com muita alegria, prestem atenção: independente das razões que dei até agora pra nós, mineiros, votarmos no Lula, tenho outras razões mais consistentes.

Todo mundo fala do escândalo da corrupção no governo Lula. É realmente assustador, nunca vimos pessoal mais incompetente, mais desastrado, mais canhestro e - vamos lá - mais desonesto.

Quer dizer, mais desonestos já vimos, sim. É só lembrar que a maioria dos escândalos que são atribuídos a estes melancólicos sindicalistas da tropa do Lula, esses peleguinhos de quinta ordem, sempre foram frequentes em administrações anteriores, só não tiveram tanta visibilidade como têm agora.

Muitos dos escândalos que se creditam à administração Lula começaram no governo anterior, como o escândalo dos sanguessugas - cujo teor de gravidade pode ser medido pelo valor atribuído ao dossiê que o denuncia - e a fabulosa aventura do Marcos Valério.

Agora tudo se denuncia, tudo se apura, ainda que tudo vá ficar por isso mesmo, mas vejam um detalhe: a turminha do Lula, meus amigos, é descartável! Eles são ladrõezinhos de m. dos quais o país pode se livrar com um peteleco. Vai ser fácil ficar livre deles.

O que nós nunca conseguiremos é livrarmo-nos da oligarquia brasileira, dos bornhauses da vida, dos jereissatis, dos ACMs, dos ricos paulistas que já tiveram a coragem de confessar: "Somos todos corruptos!"

É essa gente que herdou as capitanias hereditárias e que está montada no povo desde que os portugueses chegaram aqui. É essa gente que construiu a parte indecente da história do nosso país. É essa gente que fala em ética, mas acha que aceitar voto de qualquer um é correto.

É essa gente farisaica que pensa que é melhor do que o povo do Lula. Mas, não é. Temos que dar mais uma chance a este segmento da sociedade que chegou ao poder com o Lula.

Eles estão sendo minados o tempo todo, mas, pelo menos, são outra gente. Não quero de volta os hipócritas da paulicéia desvairada. Prefiro o messianismo sertanejo do Lula.

Para Que os Anos Tucanos Não Sejam Esquecidos

(texto de Altamiro Borges, um estudioso de São Paulo, e do Sociólogo Rogério Chaves que enxugou o texto.)

Caso SIVAM:Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM) derrubaram um ministro e dois assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.



PASTA ROSA: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (PROER), FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico, numa jogada política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou cinco meses, justificou o "socorro" aos bancos quebrados e nem sequer averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de 25 deputados subornados pelo Econômico.



PRECATÓRIOS: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (DNER). Os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de quase R$ 3 bilhões.A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.



COMPRA DE VOTOS: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido, mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.



DESVALORIZAÇÂO DO REAL: Num nítido estelionato eleitoral, o governo promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar, socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e Fonte Cidam - ambos com vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por pressão da bancada governista.



PRIVATARIA: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco. Eles articulavam o apoio a PREVI, Caixa de Previdência do Banco do Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Arida. A negociata teve valor estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a instalação da CPI.



CPI DA CORRUPÇÃO: Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção na esfera federal, que depois se concentraram nas falcatruas da SUDAM, da privatização do sistema Telebrás e no envolvimento do ex-ministro Eduardo Jorge. A imundície no ninho tucano novamente ficou impune.



EDUARDO JORGE: Secretário-geral do presidente, Eduardo Jorge foi alvo de várias denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa-dois para a reeleição de FHC; lobby para favorecer empresas de informática com contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Nada foi apurado e hoje o sinistro aparece na mídia para criticar a "falta de ótica" do governo Lula.



E apesar disto, FHC impediu qualquer apuração e sabotou todas as CPI’s. Ele contou ainda com a ajuda do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de "engavetador-geral". Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e outros 217 foram arquivados. Estes envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e em quatro o próprio FHC. Nada foi apurado, a mídia evitou o alarde e os tucanos ficaram intactos.



Diferente do reinado tucano, o que é uma importante marca distintiva do atual governo, hoje existe maior seriedade na apuração das denúncias de corrupção. Tanto que o Ministério da Justiça e sua Polícia Federal surgem nas pesquisas de opinião com alta credibilidade. Nesse curto período foram presas 1.234 pessoas, sendo 819 políticos, empresários,juízes, policiais e servidores acusados de vários esquemas de fraude - desde o superfaturamento na compra de derivados de sangue até a adulteração de leite em pó para escolas e creches. Ações de desvio do dinheiro público foram atacadas em 45 operações especiais da PF.



Já a Controladoria Geral da União, encabeçada pelo ministro Waldir Pires, fiscalizou até agora 681 áreas municipais e promoveu 6 mil auditorias em órgãos federais, que resultaram em 2.461 pedidos de apuração ao Tribunal de Contas da União. Apesar das bravatas de FHC, a Controladoria só passou a funcionar de fato no atual governo, que inclusive já efetivou 450 concursados para o trabalho de investigação. "A ação do governo do presidente Lula na luta decidida contra a corrupção marca uma nova fase na história da administração pública no país, porque ela é uma luta aberta contra a impunidade", garante Waldir Pires.



Diante de fatos irretocáveis, fica patente que a atual investida do PSDB-PFL não tem nada de ética. FHC, que orquestrou a recente eleição de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara, tem interesses menos nobres nesse embate. Através da CPI dos Correios, o tucanato visa imobilizar o governo Lula e desgastar sua imagem, preparando o clima para a sucessão presidencial. De quebra, pode ainda ter como subproduto a privatização dos Correios, acelerando a tramitação do projeto de lei 1.491/99, interrompida pelo atual governo, que acaba com o monopólio estatal dos serviços postais."



Conclusão:

O atual governo mostrou ao Brasil o que os governos anteriores, escondiam sobre corrupção, quem hoje evoca a "ética" para desgastar a imagem dos petistas, passou por vários escândalos de corrupção - e, importante: nenhum deles devidamente investigado. Quem mais está ganhando nesta crise, não é o Roberto Jefferson ou a corja do PFL, que já é reconhecidamente corrupta. Mas os tucanos, que estão saindo com a imagem de éticos, graças ao esquecimento geral da Nação.



Isso poderá se refletir nas eleições e Aécio Neves, Geraldo Alckmin, FHC, José Serra - ou qualquer outro que concorrer - poderá chegar à Presidência da República, com todo seu histórico de corrupção na bagagem.



Nunca devemos nos esquecer que a Cia. Vale do Rio Doce foi vendida por R$ 3 bilhões de Reais, financiados pelo BNDES, e hoje vale "somente": 48 bilhões de dólares.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

A DEMOCRACIA SANGRA, Por Paulo da Vida Athos.

Esse momento é hipnótico. Todos estão concentrados nele. Claro que ele é importante. Por ele muito se lutou. Alguns morreram e outros mais desapareceram, mas o importante é que chegamos.

Não olho para trás com amargor. Olho para o passado como quem olha para um Mestre e olho com carinho os meus mestres. Sempre tratei bem minhas dores, como hóspedes queridas; o melhor prato, a cama mais macia. Como retribuição, sempre se demoraram pouco e, quando se foram, em mim deixaram o perfume da experiência e não a essência amarga da revolta.

Todos estão inebriados por essa festa. Tão absorvidos que não se dão conta de que a Democracia sangra.

Quis assim o Destino, que as eleições para quem vai presidir a República ou governar alguns Estados fossem para o segundo turno; quis mais esse deus tresloucado e mitológico: que tal se desse no mesmo mês em que se comemora entre nós o Dia da Criança. Outubro começou trágico e não terminou ainda. E começou pior justamente com elas, as crianças.

Com o título de "Mais uma infância perdida", conforme noticiava O Globo em 2 de outubro de 2006, morre no dia anterior, 1.º de outubro, o pequeno Renan da Costa Ribeiro, de três anos, baleado no abdome durante uma "ação da Polícia Militar na Favela Nova Holanda", um dos guetos entre os muitos existentes no Rio de Janeiro e em outras capitais da República.

O histórico dessa barbárie, que está fazendo o controle de natalidade em nosso apartheid social, somente entre 20 de setembro até a presente data, ou seja, em menos de um mês, redundou na morte prematura e injustificável de cinco pequenas vítimas fatais: e isso sem contar adultos mortos ou feridos, de quem não falarei, pois afinal hoje é Dia da Criança e governos não gostam de misturar cadáveres.

Em 20 de setembro, na Favela Guarabu, no complexo do Dendê que fica na Ilha do Governador (onde se localiza o Aeroporto Tom Jobim, porta de entrada da cidade maravilhosa), Guilherme Custódio Morais, de oito anos, foi atingido na barriga quando saia de um jogo de futebol e a polícia investigava um suposto carregamento de armas ou drogas.

No mesmo dia 20 de setembro, ao tentar fugir de um tiroteio entre policiais e bandidos no bairro de Vigário Geral, também no Rio de Janeiro, Paulo Vinicius de Oliveira Chaves, com sete anos, é atropelado e morto por uma viatura do 16.º BPM que participava da operação.

Antes, no dia 16 de setembro Lohan de Souza Ramos, nove anos, morre com uma bala de fuzil na cabeça, no Morro do Borel, zona norte do Rio de Janeiro.

Em 2 de outrubro de 2006, o adolescente Moises Alves Tinim, com 16 anos é morto por um tiro de fuzil, no Morro da Esperança, Complexo do Alemão, zona suburbana do Rio de Janeiro.

Como sempre, inocentes estão sendo fulminados por essa política de confronto imposta por governantes que estão absolutamente deslocados da realidade. Para essas crianças, e tantas outras que já foram assassinadas nessa guerra sem quartel, assim como seus parentes, amigos, vizinhos e de qualquer pessoa de bom senso, quem determina ou cumpre tal política de extermínio de nossas crianças não são governantes: são bestas.

Não me venham abanar com a antiga história de que "a polícia tem que cumprir seu papel e quando chegou ao local foi recebida à bala". Não, senhoras e senhores, não vou legitimar essa chacina diária que se tornou para muitos uma banalidade. Vou lutar e gritar e espernear contra esse descaso com a vida.

Para mim não há confinamento, não há divisão, não demarquei local de confinamento ou de exclusão social. Muito menos de exclusão do Direito! Pelo contrário. Estou convencido de que essa prática de chegar, trocar tiros, ir embora, e depois discutir de quem foi a bala que matou o inocente ou quem atirou primeiro em quem, é que tem legitimado o morticínio nosso de cada dia. Essa política de segurança se não desejo para mim não posso legitimar para o próximo, ainda que o próximo esteja no distante apartheid social de nossa ilusão. Sim, ilusão. Se hoje não nos indignarmos contra as graves lesões ao Estado Democrático de Direito que representam tais mortes, amanhã, quando esse mesmo Direito reclamarmos será tarde demais. O que está em jogo, ao fim, senhoras e senhores: é a Democracia.

É preciso que todos se mobilizem para que se coloque um fim a essas práticas bárbaras de enfrentamento urbano. É preciso que cobremos de nossos governantes um compromisso com a Democracia e não com o extermínio, em suas políticas de segurança pública. Não se iludam: amanhã será tarde demais e tais confrontos chegarão à nossa porta.

Por mais que alguns queiram viver na cegueira e na ilusão de que estão seguros, não vou pagar para ver. Insulta-me como ser humano detectar essa inércia popular, essa aceitação, essa incapacidade crônica que a sociedade tem de se indignar diante de tamanha barbárie.

Surpreende-me essa ausência de preocupação com os limites do uso de armas de fogo em centros urbanos. Apenas se aceitar que a sociedade não veja nossos guetos como parte dela e as crianças que lá vivem como o que elas sã, crianças, não consigo compreender tamanha omissão. Maior até do que a praticada durante os anos mais duros para a nossa Democracia, talvez por que, naqueles idos, eram os filhos da classe média os que estavam morrendo.

Tão grande quanto o despropósito desses tiroteios em meio aos barcos de nossos guetos, é sua gritante ilegalidade. No entanto, tornou-se hábito. A polícia já não se preocupa com as mortes nem de seus membros, isso é patente. Volta e meia temos notícia de que um jovem policial, às vezes nem tão jovem assim, foi assassinado durante uma dessas ações de "invasão" às favelas. E se ela, a polícia enquanto instituição, não se preocupa com as mortes de seus integrantes, que dirá a dos "outros". E tome bala!

Mas essas não são aquelas coloridas, com açúcar e com afeto, que nossas crianças tanto gostam. Na verdade falo de munição pesada, de guerra, balas de fuzis que atravessam paredes de alvenaria e os corpos de nossas crianças e jovens. Isso não tem cabimento nem justificativa e desafio a quem quiser pregar o contrario com a seguinte pergunta: -"e se você morasse lá com sua família?" Aliás, pergunta até menos idiota do que fazem àqueles que são atacados por serem "defensores dos direitos humanos", que é mais ou menos do tipo: -"e se sua mãe fosse estuprada?"

Deixem a minha velhinha em paz e cuidemos de nossa infância, de nossos filhos e daqueles que poderiam ser nossos filhos.

Ninguém se ilude com a idéia de que essa política de terror recuperará o controle das áreas em que o Estado sempre se manteve omisso. Não se apaga a luz para ver o escuro nem se diminui a criminalidade com mais cadáveres.

Creio que o Rio de Janeiro, seu povo, não merece. Creio que passou da hora do governo parar de considerar os pobres como inimigos e a sociedade de agir como débil mental, e aceitar. Basta!

Que seja o ultimo Dia da Criança que eu tenha que escrever sobre o presente que governos distribuem para as crianças de nossos guetos: a morte.

Enquanto a Democracia, sangra...


Brasil, 12 de outubro de 2006.

Fonte:
http://www.paulodavida.blogger.com.br/

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Debate Presidencial, por Sirlei Fernades

Há bons motivos para duvidar da avaliação dos comentaristas da mídia grande, que falam em "empate" ou até "vitória de Geraldo Alckmin" no debate dos candidatos presidenciais neste domingo (8), na TV Bandeirantes. Pesquisas qualitativas que acompanharam o debate indicaram que os eleitores de Alckmin ficaram "desapontados", ao ver que seu candidato "não fazia proposta", que "só atacava" e "voltava aos mesmos pontos".

As pesquisas qualitativas cujo resultado chegou a este portal foram feitas em quatro capitais, com grupos mistos -- metade de eleitores de Lula e metade de Alckmin -- das classes "C" e "D", e um da "A" e "B" para efeito de monitoramento. Os grupos assistitam ao vivo o debate promovido pela Rede Bandeirantes, e depois comentaram o que viram.

"Passou do ponto"

As pesquisas registraram inclusive mudança de votos, sempre no sentido de Alckmin para Lula. Apareceram comentários como o de que o candidato do PSDB-PFL "destoou" e "passou do ponto" com o seu novo comportamento. No grupo de classe "A" e "B" a tendência foi a mesma, embora atenuada e sem mudanças nas intenções de voto.

Os eleitores pesquisados avaliaram Lula como "na defensiva" porém "firme". E o presidente ganhou pontos pelo simples fato de ter ido ao debate, já que sua ausência nos do primeiro turno provocou uma "carência" agora sanada.

Nova tática pode ser abandonada

A técnica das pesquisas qualitativas, que se generalizou nas últimas campanhas eleitorais, é empregada pelas equipes de ambos os candidatos e costumam chegar a resultados semelhantes. Um observador que comentou as qualitativas citadas acha "provável", inclusive, que nos próximos debates Alckmin mude novamente o comportamento, corrigindo o que "passou do ponto".

A conclusão da pesquisa qualitativa não dá razão ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que quatro semanas atrás pedia mais "ferocidade" do seu presidenciável e reclamava que "o PSDB não tem gosto de sangue na boca". Pelo contrário, abona o juizo do vice-presidente Alencar Furtado, para quem Esta mensagem foi enviada por Sirlei Fernandes.

domingo, 8 de outubro de 2006

Dines X Schwartsman - por Eduardo Guimarães

Em razão de troca de impressões que mantive com o editorialista do jornal Folha de São Paulo Hélio Schwartsman e de opiniões que vêm sendo manifestadas pelo "observador da imprensa" Alberto Dines no site Observatório da Imprensa, vejo-me na obrigação moral de manifestar de público, a quem possa interessar, meu inconformismo não só com o comportamento da imprensa no que tange a cobertura do processo eleitoral deste ano como também com a "observação" que tem feito o expoente mais importante do dito "observatório", o próprio Dines.

Dines elogia apaixonadamente a cobertura jornalística da corrida eleitoral e, como tantos outros articulistas do benevolente (com a imprensa) "Observatório da imprensa", nega-se terminantemente a aceitar a teoria de que ela (a imprensa) adotou como meta eleger Geraldo Alckmin presidente da República. Não se pode negar, no entanto, que o "Observatório" não impõe uma censura a quem pense coisa diferente da imprensa que o veículo diz "observar" (também criticamente?) que esta impõe aos que lhe fazem críticas. Porém, ao não criticar com firmeza o que essa imprensa tem feito em termos de parcialidade e de irresponsabilidade, Dines compactua com ela.

Dines diz que não há o que criticar. A imprensa não estaria sendo parcial. Os "petistas" é que estariam usando a tática do nazista Joseph Goebels, de repetirem insistentemente a "mentira" de que a imprensa é parcial na esperança de que ela se torne verdade. Discordo. E não sou só eu. O editorialista do jornal Folha de São Paulo Hélio Schwartsman, nas opiniões que trocou comigo por e-mail recentemente, admitiu-me que "a imprensa deu mal" a "inocentação" do ex-assessor do presidente Lula Freud Godoy, que o jornal para o qual escreve editoriais literalmente trucidou em textos opinativos como o do colunista da Folha Clóvis Rossi, intitulado "O abominável Freud" (19/9), que tenta vincular o presidente Lula à compra do dossiê contra tucanos por conta da então suposta participação do então assessor presidencial no processo de negociação dos documentos incriminatórios. Ou textos como o da colunista (também da Folha) Eliane Cantanhêde, em coluna intitulada "Só Freud não explica" (19/9 ), que foi na mesma linha. Aliás, o que não faltou na Folha, quando surgiu o nome de Freud na boca dos petistas envolvidos na compra do tal dossiê, foram trocadilhos associando o nome do assessor ao do famoso psicanalista Siegmund Freud, configurando, além de irresponsabilidade, uma atroz falta de imaginação.

Bem, mas ocorre que alguns dias depois do envolvimento do nome de Freud Godoy no escândalo - e, providencialmente, depois do primeiro turno da eleição presidencial - a Polícia Federal divulgou que não encontrou nada que incriminasse o ex-assessor do presidente Lula, que se demitiu do cargo no auge da execração pública de seu nome pela imprensa. E, como se não bastasse isso, o procurador da República Mário Lúcio Avelar, que pedira a prisão de Godoy na véspera do primeiro turno da eleição presidencial - o que, sabidamente, influiu no pleito -, concordou que não havia elementos nem sequer para indiciar Freud, quanto mais para prendê-lo.

O editorialista da Folha de São Paulo Hélio Schrwatsman não disse à toa que "a imprensa cobriu mal" a "inocentação" do ex-assessor do presidente Lula. As TVs, por exemplo, ou não deram ou deram muito escondido uma informação que mostraria ao público que foi injustificada a celeuma armada em torno do nome de Freud na véspera do primeiro turno. E a imprensa escrita foi na mesma linha. A própria Folha, que tanto destaque deu ao linchamento do ex-assessor em suas manchetes de primeira página e por seus colunistas, editorialistas e articulistas variados, soltou uma notinha escondida nas páginas internas sobre o que o editorialista Schwartsman chamou de "inocentação de Freud". Pode-se dizer até que Freud sofreu exatamente o mesmo que os donos da escola Base, que tiveram suas vidas destruídas por um noticiário apressado e virulento, o que deverá dar a ele possibilidade de propor dezenas de processos contra meios de comunicação no futuro, mas que gerou efeitos eleitorais que jamais serão revertidos, como a ocorrência de uma eleição presidencial em dois turnos.

Schwartsman argumentou comigo, no entanto, que Freud era "apenas um detalhe", porque é inegável que petistas envolveram-se na compra do dossiê contra tucanos. Meia verdade. Primeiro que Freud não é "apenas um detalhe". Seres humanos não podem ser tratados como "meros detalhes" sob pena de quem os trata assim poder ser chamado de tirano, para dizer o mínimo. Além disso, Freud foi um "detalhe" muito "útil" para a imprensa por sua proximidade com o presidente Lula, o que foi usado para incriminar este perante a parcela do eleitorado que desistiu de votar nele no primeiro turno, provocando o segundo.

Como brasileiro, como cidadão e, sobretudo, por não ter nem nunca ter tido vinculação político-partidária de qualquer espécie, manifesto aqui meu protesto veemente, indignado, enojado contra a conduta da imprensa brasileira. Peço a quem possa interessar e que tenha voz que espalhe para a comunidade das nações o que está acontecendo no Brasil. Este país está sendo submetido à ação antidemocrática, injusta, covarde e até criminosa de pessoas que se dizem "jornalistas" mas que agem como golpistas por buscarem interferir num processo eleitoral democrático por meio de meias verdades e, sobretudo, de mentiras inteiras, omissões, distorções e, pior do que tudo, de censura a todos os que se mostram indignados com esse processo hediondo, atentatório à democracia que tão duramente se procura construir neste país.


Escrito por Eduardo Guimarães - 07/10/2006 às 13h50 em cidadina.com - UOL Blog

FIQUE BEM INFORMADO.

Leia mais: Hoje é dia de que? Datas comemorativas • A arte da vida. Apon HP. Literatura para pensar e sentir http://www.aponarte.com.br/p/hoje-e-dia-de-que-e-amanha_09.html