domingo, 23 de abril de 2006

45 razões para não votar em Alckmin, por Altamiro Borges

Divulgado durante as eleições municipais de 2004, está circulando novamente pela internet um minucioso levantamento sobre os desastres causados pelos 12 anos de gestão tucana no Estado de São Paulo. É uma arma afiada que serve para quebrar a blindagem da mídia em torno de Geraldo Alckmin, que se gaba de ser um “administrador competente” e um “gerente eficiente”. Relembrando o número da legenda do PSDB, o texto lista 45 razões para não se votar no candidato da oposição liberal-conservadora no pleito presidencial de outubro. O artigo a seguir apenas sintetiza e atualiza esta poderosa peça acusatória:

1- Em 1995, quando o PSDB assumiu o governo do Estado de São Paulo, a participação paulista no PIB era de 37%. Em 2004, ela era apenas de 32,6% - ou seja, o Estado perdeu 12% de participação na riqueza nacional no tucanato. Isto significa menor crescimento econômico e menos geração de renda e empregos;

2- Segundo o Dieese, o declínio econômico explica a taxa de desemprego de 17,5% em 2004, que cresceu 33,6% ao longo do governo tucano. Ela é superior à média nacional - cerca de 10%. Para agravar o drama dos desempregos, Alckmin ainda reduziu em R$ 9 milhões o orçamento das frentes de trabalho;

3- Antes de virar governador, Alckmin conduziu todo processo de privatização das estatais, que arrecadou R$ 32,9 bilhões entre 1995-2000. Apesar da vultuosa soma arrecadada, o Balanço Geral do Estado mostra que a dívida paulista consolidada cresceu de R$ 34 bilhões, em 1994, para R$ 138 bilhões, em 2004;

4- No exercício financeiro de 2003, as contas do Estado atingiram um déficit (receita menos despesa) de mais de R$ 572 milhões. E Alckmin ainda se gaba de ser um “gerente competente”;

5- São Paulo perdeu R$ 5 bilhões na venda do Banespa, considerando o total da dívida do banco estatal com a União paga às pressas por Alckmin para viabilizar sua venda ao grupo espanhol Santander;

6- De 1998 a 2004, o orçamento estadual apresentou estimativas falsas de “excesso de arrecadação” no valor de R$ 20 bilhões. Boa parte deste dinheiro foi desviada para campanhas publicitárias;

7- Alckmin isentou os ricos de impostos. De 1998 a 2004, a arrecadação junto aos devedores de tributos caiu 52%, representando uma perda de quase R$ 1 bilhão que poderiam ser investidos nas áreas sociais;

8- Os investimentos também declinaram no desgoverno Alckmin. Sua participação percentual nos gastos totais caiu para 3,75%, em 2004 - bem inferior o montante de 1998, de 5,3% dos gastos;

9- Alckmin arrochou os salários dos servidores públicos. O gasto com ativos e inativos caiu de 42,51% das despesas totais do Estado, em 1998, para 40,95%, em 2004, resultado da política de arrocho e redução das contratações via concurso público. Já os cargos nomeados foram ampliados na gestão tucana;

10- Alckmin não cumpriu a promessa do desenvolvimento regional do Estado. Das 40 agências previstas em 2003, nenhuma foi criada. Os R$ 5,8 bilhões orçados para o desenvolvimento não foram aplicados;

11- Alckmin cortou os gastos nas áreas sociais. Apesar do excesso de arrecadação de R$ 12 bilhões, entre 2001-2004, o governo deixou de gastar os recursos previstos. No ano de 2004, a área de desenvolvimento social perdeu R$ 123 milhões;

12- Alckmin concedeu regime tributário especial às empresas, o que explica a fragilidade fiscalizatória na Daslu, que teve a sua proprietária presa por crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas. Vale lembrar que Alckmin esteve presente na abertura desta loja de luxo; ele até cortou a sua fita inaugural;

13- No desgoverno Alckmin, houve redução de 50% no orçamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que existe há 106 anos e é responsável por estudos sobre desenvolvimento econômico, geração de renda e fortalecimento da indústria paulista. Em julho passado, o IPT demitiu 10% dos seus funcionários;

14- Alckmin extinguiu o cursinho pré-vestibular gratuito (Pró-Universitário), eixando de investir R$ 3 milhões, o que impediu a matrícula de 5 mil alunos interessados na formação superior;

15- Alckmin vetou a dotação orçamentária de R$ 470 milhões para a educação. A “canetada” anulou a votação dos deputados estaduais. O ex-governador mentiu ao afirmar que investia 33% do orçamento em educação, quando só aplicava o mínimo determinado pela Constituição Estadual – 30%;

16- O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais avaliou que a qualidade do ensino paulista é o pior do Brasil. Segundo esta fonte oficial, a porcentagem de alunos que se encontram nos estágios crítico e muito crítico representava 41,8% do total de alunos - 86,6% pior do que a média nacional;

17- O programa de transferência de renda de Alckmin atendia 60 mil pessoas com um benefício médio de R$ 60. Durante a gestão da prefeita Marta Suplicy, o mesmo programa atendia 176 mil famílias com um complemento de renda de R$ 120;

18- Após 12 anos de reinado tucano, as escolas continuaram sem a distribuição gratuita de uniformes, material escolar e transporte, ao contrário da experiência na administração da prefeita Marta Suplicy;

19- Geraldo Alckmin, que na mídia se diz contra aumento de impostos, elevou a taxa de licenciamento dos veículos em mais de 200% (em valores reais) ao longo de seu desgoverno;

20- A Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa rejeitou as contas de Alckmin de 2004, após encontrar um saldo de R$ 209 milhões de recursos do Fundef que jamais foram investidos na educação e verificar que o aumento custo das internações hospitalares, apesar da diminuição do tempo de internação;

21- Alckmin vetou projeto de lei que instituía normas para democratizar a participação popular em audiências públicas e na elaboração do orçamento, o que revela seu caráter autoritário e antidemocrático;

22- O investimento em saúde no desgoverno Alckmin não atingiu sequer os 12% da receita de impostos, conforme determina a Lei. Para maquiar esta ilegalidade, o governo retirou da receita estadual os R$ 1,8 bilhão que o governo estadual recebeu pela lei Kandir, prejudicando a saúde pública;

23- Desafiando a Lei e o próprio Tribunal de Contas do Estado, Alckmin contabilizou nas contas da saúde programas que não guardam relação com o setor, como a assistência aos detentos nas penitenciárias;

24- A ausência de políticas públicas e a redução dos investimentos resultaram na flagrante precarização dos serviços de saúde. Muitos leitos ficaram desativados e desocupados por falta de pessoal e material. Só no Hospital Emílio Ribas, menos de 50% dos leitos ficaram desocupados e maioria deles foi desativada;

25- Devido à incompetência gerencial de Alckmin, o Hospital Sapopemba, que atende uma vasta parcela da população da periferia, ficou durante muito tempo com cerca de 90% dos seus leitos desocupados;

26- A média salarial dos servidores estaduais da saúde ficou 47% abaixo da rede municipal na gestão de Marta Suplicy. A ausência de contratações e os salários aviltados resultaram no aumento das filas, na demora para se marcar consultas e no abandono de postos de atendimento – como o de Várzea do Carmo;

27- O prometido Hospital da Mulher ficou mais de dez anos no papel. Alckmin ainda teve a desfaçatez de estender uma faixa no esqueleto do prédio com publicidade da inauguração da obra inacabada;

28- Alckmin fez alarde das unidades de computadores do Acessa-SP. O saldo de doze anos de tucanato foi de um Acessa para cada 158.102 habitantes. Em apenas quatro anos de gestão de Marta, a proporção foi de um Telecentro para cada 83.333 habitantes;

29- Alckmin foi responsável pelo maior déficit habitacional do Brasil, segundo a ONU. O déficit é de 1,2 milhão de moradias. Desde 2000, o governo não cumpre a lei estadual que determina, no mínimo, 1% do orçamento em investimentos na área de habitação. Os recursos não aplicados somaram R$ 548 milhões;

30- Alckmin fez com que São Paulo declinasse no ranking nacional do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o que atesta a brutal regressão social no Estado durante o reinado tucano;

31- Desde a construção do primeiro trecho do Metrô, em setembro de 1974, os tucanos foram os que menos investiram na ampliação das linhas - apenas 1,4 km de linhas/ano, abaixo da média de 1,9 km/ano da história da empresa. O Metrô de São Paulo é o mais caro do Brasil e um dos mais caros do mundo;

32- Ao deixar o governo, Alckmin voltou a atacar a educação ao vetar o aumento em 1% no orçamento, aprovado pela Assembléia Legislativa. Numa fraude contábil, ele ainda transferiu parte da receita do setor para a área de transporte, o que representou um corte de R$ 32 milhões na educação;

33- Apesar do silêncio da mídia, Alckmin esteve envolvido em várias suspeitas de corrupção. Um diálogo telefônico entre os deputados estaduais Romeu Tuma Jr. e Paschoal Thomeu revelou o flagrante esquema de compra de votos na eleição do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, em março passado;

34- Durante 12 anos de governo do PSDB, cerca de 60 mil professores foram demitidos. O valor da hora aula no Estado é uma vergonha; não passa de R$ 5,30! Alckmin também tem inaugurado Fatecs (escolas técnicas) de “fachada”, sem as mínimas condições de funcionamento;

35- O governo tucano expulsou mais do que assentou famílias no campo. Da promessa de assentar 8 mil famílias, apenas 557 foram contempladas. Outro descaso aconteceu na habitação: os tucanos prometeram construir 250 mil casas, mas, desde 1999, só foram erguidas 37.665 unidades;

36- Alckmin impôs a maior operação-abafa de Comissões Parlamentares de Inquérito no país para evitar a apuração das denúncias de corrupção. Ao todo, 65 pedidos de CPIs foram engavetados. Entre elas, as que investigariam ilícitos na Febem, nas obras de rebaixamento da Calha do Tietê, na CDHU e no Rodoanel;

37- Somente na obra de rebaixamento da calha do rio Tietê foram registrados aditivos que ultrapassaram o limite legal de 25%. O valor inicial da obra era de R$ 700 milhões, mas o custo efetivo ultrapassou R$ 1 bilhão. Além disso, o valor inicial do contrato de gerenciamento saltou de R$ 18,6 para R$ 59,3 milhões;

38- O Tribunal de Contas da União (TCU) também detectou irregularidades em 120 contratos da CDHU, que recebe 1% do ICMS arrecadado pelo Estado, ou seja, cerca de R$ 400 milhões. Mais uma evidência dos atos ilícitos cometidos pelo PSDB paulista de Geraldo Alckmin;

39- Alckmin também deve explicações sobre a privatização da Eletropaulo, ocorrida em 1998. A empresa acumulou uma dívida superior a R$ 5,5 bilhões, incluindo mais de R$ 1 bilhão com o BNDES, que foi bancado pelo Estado. Entre 1998-2001, a empresa privatizada remeteu US$ 318 milhões ao exterior;

40- Já na privatização dos pedágios, Alckmin doou à empresa Ecovias R$ 2,6 milhões ao reajustar a tarifa do sistema Anchieta-Imigrantes acima da inflação, o que feriu o Código de Proteção ao Consumidor. Em apenas um ano, a empresa privatizada arrecadou nas tarifas excorchantes R$ 2.675.808,00;

41- Alckmin vetou o estacionamento gratuito nos shoppings de São Paulo e o projeto de lei que garantia a liberação das vagas nos hipermercados, tudo para beneficiar os poderosos conglomerados comerciais;

42- Alckmin abusou da repressão no seu governo. Ele usou a tropa de choque da PM para reprimir os 500 estudantes e docentes que protestaram contra o veto às verbas para educação na Assembléia Legislativa, transformada numa praça de guerra. A PM também reprimiu duramente as ocupações de terra do MST;

43- Alckmin gastou R$ 5,5 milhões nas obras do aeroporto “fantasma” em Itanhaém, no litoral sul. Ele tem capacidade para receber um Boeing 737, com cem passageiros, mas até o ano passado foi usado, em média, por cinco pessoas ao dia. O aeroporto é motivo de justificadas suspeitas de irregularidades;

44- Alckmin reduziu os investimentos públicos, apesar dos excedentes de arrecadação entre 2001-2004. O Estado deixou de gastar cerca de R$ 1,5 bilhões na saúde; R$ 4 bilhões na educação; R$ 705 milhões na habitação; R$ 1,8 bilhão na segurança pública; e R$ 163 milhões na área de emprego e trabalho;

45- Em 2004, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de Alckmin deixou de aplicar R$ 51 milhões previstos no orçamento. Programas nas áreas de alimentação e nutrição devolveram a verba. Os recursos poderiam ser convertidos em 53.346 cestas básicas, 780.981 refeições e 670.730 litros de leite por mês.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da
revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas sindicalismo”
(Editora Anita Garibaldi).

sábado, 22 de abril de 2006

Contribuinte Cidadão – De olho no Imposto (21 de abril de 2006)

Contribuinte Cidadão – De olho no Imposto (21 de abril de 2006)

Fico pensando qual foi a evolução recente da carga tributária brasileira?

Encontrei uma resposta: "Praticamente desde 1990, a carga tributária brasileira vem aumentando ano a ano. Em 1991, ela era de 24,4% do PIB. Em 2000, atingiu 31,6% e continuou aumentando. Passou a 33,4%, em 2001, e a 34,9% em 2002. Em 2003, verificou-se uma pequena queda, a primeira desde 1997, e a carga tributária foi de 34%. Em 2004, atingiu 35,91% do PIB, uma variação positiva de 1,91 ponto percentual em relação a 2003. Essa variação resultou da combinação dos crescimentos, em termos reais, do PIB e da arrecadação nos três níveis de Governo. Para 2005, a estimativa é de que aumente 0,09 ponto percentual, para 36%do PIB."

PERGUNTO: Por quê só agora há este movimento liderado por liberais, que aumentaram a carga tributária na década passada? É para o retorno dos mesmos que deixaram esta herança? Dá para explicar?

E por quê o ataque é somente ao Governo federal, se a maior fatia é realizada nas outras esferas governamentais?

Ou é mais uma peça de campanha para eleger o seu candidato?

Ou é mais uma daquelas conversas, tipo na questão dos juros: o governo vem baixando (lentamente, mas num viés de baixa), mas os banqueiros e empresários em geral continuam aplicando juros e preços extorsivos nos seus produtos? E agora dizem que não podem baixar devido a inadimplência (sic).

Falam que o nosso crescimento foi abaixo de muitos países, mas não falam que foi maior por exemplo, do que o Japão que ficou em 2,8%. Ou da Itália, ou de tantas outras potências mundiais.
Mas, só querem mostrar a comparação com os Tigres e a China. Isto não é manipulação dos fatos, maniqueísmo e, provável, mais uma peça publicitária de campanha para ajudar o seu candidato?

O perfil da dívida tem modificado, e bastante, na troca das Letras, sem nenhum trocadilho. Mas é óbvio que os liberais querem ser credores de uma dívida baseada num índice tipo a SELIC que é propenso a intempéries provocadas. Dívida baseada numa "cesta" de índices, os liberais não querem conversa. E não adianta falarmos nesta hora do tal mercado. Aqui não interessa.

Eu humildemente também estou com um olho no imposto, mas, o outro, ... bem, fico de olho no GATO.

Com muita consciência e tranqüilidade de saber quem é quem. Sou um contribuinte cidadão, pago na fonte, e não sonego. Já fui pego na MALHA FINA, paguei multa e retifiquei meu erro.

Mas, sou apenas um simples brasileiro. Daqueles que o sigilo bancário é quebrado diariamente, sem autorização judicial, quando vendem meus dados para mala direta. Ou ainda, quando os Bancos terceirizam as tarefas que envolvem minhas informações.

Já tive meu sigilo telefônico quebrado, sem autorização judicial, e o grampeador procrastina na justiça até quando a “lei” assim o permitir.

Sou aquele brasileiro que precisou de dinheiro um dia para quitar uma pequena dívida,
para um Pobre Credor e depois percebi que fiquei devendo uma grande dívida, muitas vezes maior do que a outra, agora para o Rico Credor. Enfim, sou daqueles que não têm acesso às “benesses”.

Enquanto outros que se dizem defensores, são os que mais têm incentivos, subsídios, e se valem de várias artimanhas para Não PAGAR.

Têm gastos no Cartão de Crédito não compatível com seus rendimentos, têm movimentação em várias contas correntes, muito além dos seus rendimentos, têm contas no exterior, descarregam imposto a pagar de várias formas “criativas”, que não passam de outra conotação que a de “SONEGAÇÃO”. E, compram alguns servidores corruptos, como no caso da DRT/RJ.

São na realidade, raposas que querem cuidar do galinheiro. Pior, muitos recebem para fazer este papel, tipo aqueles jornalistas que recebem MENSALÃO para defender interesses, tal qual as ditas “meninas do Jô”, segundo dossiê divulgado pela própria imprensa.

Parabenizo pois, a iniciativa do SITE: http://www.contribuintecidadao.org.br/olhoImposto/contato.php

e aguardo ansiosamente respostas às minhas considerações? Obrigado e Saudações Socialistas. José Daniel Farias

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Da Boca do Jacaré – Nº 02 de 1557 – (21 de abril de 2006) - Contribuinte Cidadão – De olho no Imposto.

Navegando por ai, deparei com sítio ‘www.contribuintecidadao.org.br/olhonoimposto’;

Fiquei pensando qual foi a evolução recente da carga tributária brasileira?

Encontrei uma resposta: "Praticamente desde 1990, a carga tributária brasileira vem aumentando ano a ano. Em 1991, ela era de 24,4% do PIB. Em 2000, atingiu 31,6% e continuou aumentando. Passou a 33,4%, em 2001, e a 34,9% em 2002. Em 2003, verificou-se uma pequena queda, a primeira desde 1997, e a carga tributária foi de 34%. Em 2004, atingiu 35,91% do PIB, uma variação positiva de 1,91 ponto percentual em relação a 2003. Essa variação resultou da combinação dos crescimentos, em termos reais, do PIB e da arrecadação nos três níveis de Governo. Para 2005, a estimativa é de que aumente 0,09 ponto percentual, para 36%do PIB."

PERGUNTO: Por quê só agora há este movimento liderado por liberais, que aumentaram a carga tributária na década passada? É para o retorno dos mesmos que deixaram esta herança? Dá para explicar?

E por quê o ataque é somente ao Governo federal, se a maior fatia é realizada nas outras esferas governamentais?

Ou é mais uma peça de campanha para eleger o seu candidato?

Ou é mais uma daquelas conversas, tipo na questão dos juros: o governo vem baixando (lentamente, mas num viés de baixa), mas os banqueiros e empresários em geral continuam aplicando juros e preços extorsivos nos seus produtos. E agora dizem que não podem baixar devido a inadimplência (sic).

Falam que o nosso crescimento foi abaixo de muitos países, mas não falam que foi maior por exemplo, do que o Japão que ficou em 2,8%. Ou da Itália, ou de tantas outras potências mundiais. Mas, só querem mostrar a comparação com os Tigres e a China. Isto não é manipulação dos fatos, maniqueísmo e, provável, mais uma peça publicitária de campanha para ajudar o seu candidato?

O perfil da dívida tem modificado, e bastante, na troca das Letras, sem nenhum trocadilho. Mas é óbvio que os liberais querem ser credores de uma dívida baseada num índice tipo a SELIC que é propenso a intempéries provocadas. Dívida baseada numa "cesta" de índices, os liberais não querem conversa. E não adianta falarmos nesta hora do tal mercado. Aqui não interessa.

Eu humildemente também estou com um olho no imposto, mas, o outro, ... bem, fico de olho no GATO.

Com muita consciência e tranqüilidade de saber quem é quem. Sou um contribuinte cidadão, pago na fonte, e não sonego. Já fui pego na MALHA FINA, paguei multa e retifiquei meu erro.

Mas, sou apenas um simples brasileiro. Daqueles que o sigilo bancário é quebrado diariamente, sem autorização judicial, quando vendem meus dados para mala direta. Ou ainda, quando os Bancos terceirizam as tarefas que envolvem minhas informações.

Já tive meu sigilo telefônico quebrado, sem autorização judicial, e o grampeador procrastina na justiça até quando a “lei” assim o permitir. Até sugeri o “slogan” nas suas campanhas publicitárias:
“Banco ........., o Banco que Escuta VOCÊ”.

Sou aquele brasileiro que precisou de dinheiro um dia para quitar uma pequena dívida, para um Pobre Credor e depois percebi que fiquei devendo uma grande dívida, muitas vezes maior do que a outra, agora para o Rico Credor. Enfim, sou daqueles que não têm acesso às “benesses”.

Enquanto outros que se dizem defensores, são os que mais têm incentivos, subsídios, e se valem de várias artimanhas para Não PAGAR.

Têm despesa no Cartão de Crédito não compatível com seus rendimentos. Têm movimentação em várias contas correntes, muito além dos seus rendimentos. Têm contas no exterior, para despistar. Descarregam imposto a pagar utilizando várias formas “criativas”, que não passam de outra conotação que a de “SONEGAÇÃO”. E, compram alguns servidores corruptos, como no caso da DRT/RJ.

São na realidade, raposas que querem cuidar do galinheiro.

Pior, muitos recebem para fazer este papel, tipo aqueles jornalistas que recebem MENSALÃO para defender interesses, tal qual as ditas “meninas do Jô”, segundo dossiê divulgado pela própria imprensa.

Bem, no meio deste frio que está chegando, apareceu um “veranico” com um sol gostoso. Então, vou saindo, de fininho, para “lagartear”.

E tenho dito, direto da “BOCA do JACARÉ. Eu volto, mesmo sem “COURO”.

Em tempo: Imagina se ao invés de 400 vestidos, fossem 400 pares de sapato ou bolsas de madame. Deus me livre da madame LU, ..Nhac, Nhac....

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Dossiê *O GOLPE DE ESTADO E A CAIXA-PRETA DA IMPRENSA*** ASSASSINATO, CORRUPÇÃO E JORNALISMO ALUGADO

*O GOLPE DE ESTADO E A CAIXA-PRETA DA IMPRENSA*** ASSASSINATO, CORRUPÇÃO E JORNALISMO ALUGADO

Dossiê

Por Chico Nader, Morgana White e Alberto Salvador - Abril/2006

Em pouco mais de um ano de atividades, o JIBRA (Jornalistas Independentes do Brasil), com sede oficial em Londres (UK) vem divulgando uma série de *dossiês* que ajudam a explicar a *crise política brasileira*. Nosso trabalho se insere numa ação de cidadania responsável que se destina a vencer o bloqueio da censura imposta no Brasil pelos grandes veículos de comunicação, controlados por algumas famílias e por poderosas organizações multinacionais de mídia.

Nesse período, sofremos todo tipo de perseguições. No Brasil, nossos colaboradores tiveram suas vidas devassadas. Computadores foram apreendidos e contas de e-mail tiveram o sigilo quebrado, sempre com suporte dos serviços de inteligência dos Estados Unidos da América, especialmente dos funcionários "especiais" que trabalham em Brasília. Em Londres, recebemos por várias vezes as visitas de agentes policiais e nossos telefones foram grampeados. Talvez a exposição desses fatos ajude a explicar os episódios que descreveremos em seguida.

* A morte de Jean Charles e o Golpe contra Lula

* Em 22 de Junho de 2005, o JIBRA fez publicar no CMI - Centro Mídia Independente um relato sobre a primeira tentativa de golpe contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto está disponível até hoje em http://www.midiaindependente.org/es/red/2005/06/320821.shtml. O trabalho jornalístico narrava a origem do plano de desestabilização do governo Lula, articulado pelas elites nacionais, com apoio tático e estratégico do governo dos Estados Unidos da América. Todas as informações ali contidas foram, mais cedo ou mais tarde, comprovadas por investigações independentes. Nosso trabalho se tornou referência para estudos de outras conceituadas entidades e órgãos de imprensa.

* See quotes
*:
http://www.americas.org/item_22207
.
http://www.lautjournal.info/autjourarchives.asp?article=2410&noj=244

A revelação das atividades do *Grupo Rio* desencadeou imediata reação dos serviços de inteligência extra-nacionais, com violação de sigilos, escutas clandestinas e interceptação de mensagens. Profissionais de imprensa
brasileiros sofreram constrangimentos ao serem incluídos na lista de supostos informantes do JIBRA. Mesmo assim, em poucos dias, blogs e sites pessoais fizeram com que o material se espalhasse pelas infovias.

Entretanto, demorou mais do que imaginávamos para que sofrêssemos o impacto da reação. Em Lambeth (um dos London Boroughs), a jornalista Morgana White utilizava-se havia tempos dos serviços de um brasileiro, indicado por amigos, na realização de pequenos serviços em seu escritório doméstico. Seu nome era Jean Charles de Menezes.

Sabe-se, hoje, pelos protocolos de investigação da Comissão Independente de Investigação de Queixas da Polícia (CIIQ, in English), que a ação desencadeada dentro da estrutura da *Operation Kratos* tinha por objetivo
responder à ação de supostos terroristas de esquerda brasileiros com base no Reino Unido. A troca de mensagens entre as células de inteligência (US-UK) exibe a exigência americana de uma ação imediata, com prazo de 30 dias para a apresentação de resultados práticos.

* See more:

*
http://www.met.police.uk/foi/pdfs/policies/stop_and_search_s44_tact_2000_sop.pdf

Exatamente um mês depois de divulgado o texto do Jibra, em 22 de Julho de 2005, uma unidade mista de policiais e agentes anti-terrorismo britânicos, treinados por Israel, executou Jean Charles de Menezes. Cumpriam o prazo! Na avaliação equivocada dos IS britânicos, o brasileiro funcionava como operador estratégico das ações do JIBRA. Um engano trágico que custou a vida de um jovem honesto, sempre de bem com a vida, cheio de sonhos e aspirações.

Os depoimentos de Morgana White para seus companheiros jornalistas não deixa dúvidas sobre as razões do assassinato, um misto de brutalidade e incompetência. Ao mesmo tempo, suas explicações lançam luzes sobre os
mistérios que até hoje envolvem a morte do brasileiro (abaixo as contradições e mentiras que marcam a investigação do caso).

http://mrzine.monthlyreview.org/seymour100805.html

http://antagonise.blogspot.com/2005/08/jean-charles-de-menezes-murder-lies.html

Vale informar que a carta de Morgana White, escrita já na Irlanda, comprova seus contatos com Jean Charles e mostra que o rapaz *SABIA* que vinha sendo espionado. O documento foi enviado às redações dos principais jornais brasileiros, mas jamais foi divulgado.

Depois das primeiras manifestações do JIBRA sobre o assunto, em 29 de Março, ameaças resultaram no pedido de demissão de Susan Atkins, chefe da Comissão de Queixas contra a Polícia. Baixa na turma dos mocinhos; ponto para os bandidos. Outro profissional sério da comissão, Laurence Lutsgarten, também foi afastado de suas funções, vítima de uma armação da Polícia Metropolitana de Londres. Motivo oficial: comportamento sexual inadequado.

*Brasil: A República dos Jornalistas Corruptos*

Há tempos, pede-se a abertura da Caixa Preta da imprensa brasileira. Nenhum cidadão razoavelmente inteligente pode acreditar que a violenta campanha para derrubar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja realizada por
jornalistas somente seduzidos pela doutrina neoliberal e conservadora difundida pelos quadros intelectuais da elite brasileira.

Há muito dinheiro correndo nos túneis subterrâneos do Golpe de Estado em curso no Brasil. Boa parte desse dinheiro se destina a abastecer os jornalistas e formadores de opinião recrutados pelo Grupo Rio.

Investigações independentes, realizadas de Setembro de 2005 a Março de 2006, revelam que pelo menos 76 pessoas, entre jornalistas e outras personalidades, foram agraciados por suas contribuições ao Golpe de Estado.
Certamente, há os que nada cobram, que se juntam à sedição por motivos particulares ou por investirem em benefícios futuros.

Os bancos Nossa Caixa, Bank of Boston e Santander Banespa tem sido os principais canais de repasse para a maior parte desses profissionais de duplo emprego.

* Quem são os jornalistas empenhados em instaurar o terror no País

* A legião de colaboradores do Golpe de Estado se divide em três frentes diferentes na mídia: 1) Jornalistas da grande imprensa; 2) Blogueiros e articulistas "independentes"; 3) Formadores de opinião (analistas políticos,
artistas, etc...)

Os primeiros tratam de ecoar tudo que é supostamente negativo no governo do Presidente Lula. Exageram, ofendem, instauram suspeitas e, a todo custo, recorrem ao moralismo rasteiro para provocar indignação nos cidadãos. É o caso do jornalista Ricardo Noblat.

Os segundos são utilizados geralmente para divulgar informações falsas, parte da estratégia de terror utilizada na desestabilização do País. Por serem menos facilmente enquadráveis, realizam o trabalho sujo de poluição
informativa. É o caso de Claudio Humberto.

Os terceiros são cooptados dos mais diferentes formas, nem sempre presenteados com dinheiro. Na farsa midiática, servem para criar uma ilusão de caos institucional, de decepção geral e indignação contra o governo. É o caso do ator Lima Duarte, tradicionalmente ligado ao tucanismo; de um conhecido humorista; do deputado Fernando Gabeira; do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), de Roberto Busato, a quem foi prometido o cargo de Ministro da Justiça em eventual futuro governo do PSDB-PFL; do "oabista" Orlando Maluf Haddad, cuja má índole é equivalente a sua capacidade de acumular patrimônio; e da analista de assuntos políticos Lucia Hipólito.

* Como ganhar dinheiro fácil

* Para alguns desses jornalistas e formadores de opinião, o ofício sempre foi uma prática de comércio apartada de valores morais ou de condutas éticas. É o caso do "empoado" Augusto Nunes, do Jornal do Brasil, e de Eurípedes Alcântara, da revista Veja.

O segundo esteve inúmeras vezes nos Estados Unidos, sempre participando de simpósios do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa para jornalistas latino-americanos alinhados com as políticas de Washington. Logicamente, Alcântara sempre foi retribuído por suas ações no sentido de desmoralizar qualquer projeto ou personalidade da esquerda no Brasil.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos reproduz uma conversa telefônica entre Alcântara e Donald Rumsfeld.

http://www.defenselink.mil/transcripts/2005/tr20050405-secdef2581.html

Um pequeno e cômico trecho mostra o tipo de jornalismo produzido pelo escoteiro de Roberto Civita.

QUESTION (Alcântara): *Yeah, that would be my pleasure. I have been watching close your role in the United States and I must say that I admire you. You are so firm since the beginning. When they said they were going
there for the oil and then they said you were going there for your own interests, and then, well, we see democracy spreading throughout the Arab world. This is not a small thing, right?*
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Outros jornalistas têm servido com fidelidade aos articuladores do Golpe de Estado, como o blogueiro Fernando Rodrigues e o articulista Merval Pereira.

A norma é simples. Negar ou criticar qualquer sucesso da administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Os sucessos na Educação, como o Prouni, e na promoção social, como o Bolsa Família, devem ser ignorados ou tratados com
ironia ácida. Toda suspeita deve ser concebida como verdade. Tudo que representar dano à reputação do presidente e de seu partido deve ser ampliado, se possível em tom de indignação cívica. No plano das alianças,
referências à Venezuela e a Hugo Chávez devem ser sempre negativas.

Os comentaristas e analistas seguem a mesma cartilha (um conjunto informal de orientações conhecido como Bola7), produzida sob coordenação do publicitário *Paschoal Fabra Neto*. É o caso de *Luciano Dias*, do IBEP,
aluno obediente do Grupo Rio. Vale acompanhar seu torto pensamento, expresso no UOL (serviço do Internet do jornal Folha de S. Paulo).

* "De acordo com Dias, é irrelevante se o caseiro foi ou não comprado para desmentir Palocci."

*
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/entrevistas/2006/03/24/ult2614u447.jhtm

* O jogo das contas bancárias milagrosas

* Ricardo Noblat, Fernando Rodrigues, Claudio Humberto, Augusto Nunes, Merval Pereira, Otavio Cabral, Lucia Hipolito, Luciano Dias, Lilian Witte Fibe, Mauro Calliari, Eurípedes Alcântara, Mario Sabino, André Petry, Diogo
Mainardi, entre outros, não citados porque se beneficiam de nossas incertezas, figuram entre os alegres ganhadores da loteria do golpe. Cabe aos bons jornalistas, descobrir quem os tem premiado.

* Para facilitar o trabalho, apresentamos alguns dados fundamentais: R$ 76 mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 234 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 450 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 34 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 906 mil entre 06/2005 e 03/2006; R$ 54 mil (em 10 parcelas) entre 05/2006 e 02/2006; R$ 111 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 432 mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 454 mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 32 mil entre 08/2005 e 03/2006; R$ 321 mil em 12/2005; R$ 98 mil entre 07/2005 e 03/2006; R$ 132 mil entre 10/2005 e 03/2006; R$ 42 mil entre 10/2005 e 03/2006.

Interessante é que idêntico sistema de compra seletiva de jornalistas e comunicadores tem sido registrado na Venezuela, no Paraguai e, mais recentemente, no Peru. A comparação nas metodologias nos permite deduzir que
há uma inteligência operativa internacional por trás dos projetos de desestabilização de governos.

* *Dados obtidos sem conhecimento do governo federal, a partir de esforços de reportagem de ex-integrantes do Prime Suspectz, hoje voluntários do JIBRA.*
* *
* Como corromper um caseiro

* A primeira tentativa foi comprar um par de belas garotas de programa de Brasília. Como elas são decentes, negaram-se a servir ao Grupo Rio. A idéia seguinte foi instrumentalizar o caseiro Francenildo Costa. Mas de onde veio a inspiração? O senador *Antero Paes de Barros* (PSDB-MT) a recebeu de seu compadre e financiador, o mega gangster "Comendador João Arcanjo", que já havia se utilizado de expediente semelhante para destruir uma figura pública em seu Estado.

Líder do crime organizado no Centro-Oeste do Brasil, o "Comendador" é, desde 1994, um dos principais sócios do PSDB na região. O bolachudo Antero Paes de Barros, por exemplo, recebeu em 2002 pelo menos 84 cheques de uma factoring do bicheiro. O "Comendador" Arcanjo, sempre protegido pelo PSDB local, é acusado de ser o mandante do assassinato de mais de 30 pessoas e da mutilação punitiva de outras 50 pessoas.

* Crime e acobertamento: tradição do PSDB

* As ligações do "Comendador" com o PSDB não representam novidade. No Amazonas, o senador tucano Arthur Virgílio é conhecido por suas ligações excêntricas com a exploração de menores. Em Manaus, inúmeras testemunhas confirmaram as denúncias contra o senador. A imprensa do Brasil, no entanto, finge que nunca ouviu falar do assunto. Poucos sabem dos esforços de Virgílio para salvar Omar Aziz (PFL) na CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

* Quem compra os jornalistas

* O sistema criado pelo PSDB e pelo PFL para a compra de jornalistas é antigo. Seu idealizador foi o falecido ministro Sérgio Motta, o Serjão, responsável por enorme série de falcatruas no reinado de Fernando Henrique
Cardoso. Segundo ele, a imprensa "comia na mão se farto fosse o grão".

Serjão fez escola, gerando uma série de articuladores de "contratos" com a imprensa. Hoje, alguns militam nas fileiras de José Serra. Outros, no bando do ex-governador alquimista da Opus Dei.

Pode-se dizer que boa parte das compras de jornalistas efetuadas na grande imprensa teve como articulador o diretor financeiro do Instituto Sérgio Motta, *Vladimir Antonio Rioli*. Ex-sócio de José Serra, parceiro do
ex-prefeito na prática costumeira do delito, Rioli é conhecido por sua folha corrida.

See more:

http://www.terra.com.br/istoe/1704/brasil/1704_elo_perdido_capa.htm

Rioli, já condenado pela Justiça Federal, tem sido tradicional interlocutor tucano em negociações com a Editora Abril, de Roberto Civita, e o Grupo Folha, de Otávio Frias.

Details: Processo 2002.34.00.029731-6. Referência:
http://conjur.estadao.com.br/static/text/27803,1

Outro esforçado negociador tucano tem sido o jornalista *Reinaldo Azevedo*, da revista "Primeira Leitura", cuja meta particular tem sido qualificar-se como porta-voz da direita brasileira. Ainda que intelectualmente limitado e
dono de texto raso e confuso, Azevedo tem sido reverenciado pelos reacionários brasileiros, a ponto de merecer referência no site *Mídia Sem Máscara*, do filósofo "neonazista" Olavo de Carvalho. No mundo das transações subterrâneas, Azevedo é conhecido pela avareza. Espírito disciplinado de militante, procura pagar pouco por textos de interesse da cúpula tucana.

A ala dos alquimistas teve em *Roger Ferreira* seu mais destacado negociador. O ex-assessor de comunicação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, atuou às claras nas grandes redações, a ponto de ser chamado de
"trintinha", numa alusão ao preço padrão pago por matérias especiais do interesse de seu chefe.

Roger Ferreira, citado no dossiê elaborado pelo ex-gerente de marketing do banco Nossa Caixa Jaime de Castro Júnior, coordenava o esquema do Palácio dos Bandeirantes para beneficiar com verbas de publicidade uma série de emissoras de rádio e TV, além de jornais e revistas. Ferreira foi ainda interlocutor do governo paulista em tratativas com representantes do grupo *Cisneros* (Venezuela) no Brasil. A corporação mantém uma parceria comercial com o Grupo Abril, que publica *Veja*.

De acordo com o deputado estadual Afanásio Jazadji, do PFL, o governador Alckmin chegou a negociar pessoalmente projetos inescrupulosos para dourar sua imagem pública.

* Pelado na Marginal

*
Por fim, a ala alquimista conta também com o apoio do professor *Carlos Alberto Di Franco*, membro ativo da seita católica direitista Opus Dei. Di Franco, destacado para ministrar aulas ao candidato do PSDB à presidência da República, é conhecido por aliciar jovens profissionais de imprensa para a causa do grupo, conduzindo-os à Universidade de Navarra, na Espanha. Fora do mundo da política, Di Franco é conhecido pelos hábitos excêntricos. Há poucos anos, foi flagrado caminhando nu pela Marginal do Rio Pinheiros, uma importante via expressa da Capital de São Paulo. Abordado por políciais, o professor alegou que tinha sido assaltado e que os criminosos o haviam obrigado a nadar nas poluídas águas curso fluvial.

* A reação da cidadania

* Os fatos estão devidamente expostos, "mastigadinhos", como dizem os brasileiros. Cabe aos cidadãos de bem, especialmente aos jornalistas que escaparam da sedução criminosa, reagir e reinstaurar o paradigma da ética
nas relações triangulares entre governo, mídia e sociedade. O JIBRA, esteja onde estiver, continuará trabalhando para levar a informação exclusiva, nua e crua ao povo do Brasil.

* Jibra - April, 2006 - Kinsale, Ireland.
*

06/04/2006 - FHC destila preconceito e ódio de classe

Parlamentares e internautas reagiram nesta quinta-feira (6) às declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Programa do Jô, exibido pela Rede Globo. De acordo com o jornal O Globo, FHC teria dito: "Pobre quando chega lá em cima acha que é outra coisa".
O deputado Carlos Abicalil (PT-MT) criticou o comentário de FHC. "Isso só revela um ódio de classe que o ex-presidente não conseguiu superar, mesmo tendo governado um país plural e de maioria pobre como o nosso, durante oito anos. O comentário dele é da mesma categoria daquele proferido pelo senador e presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen (SC)", afirmou Abicalil. No ano passado, o senador pefelista afirmou: "Vamos ficar livres dessa raça pelos próximos 30 anos".
Para o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), as declarações do ex-presidente são "preconceituosas". "Esse setor, que quer retornar ao governo do Brasil, nutre um preconceito de classe pela população de baixa renda. E é contra esse preconceito, contra essa concepção de classe social que nos opomos", afirmou.
Os internautas brasileiros também reagiram às afirmações de FHC. O portal Terra abriu uma enquete sobre as declarações do ex-presidente, que conta já no início da tarde desta quinta-feira com mais de 1,1 mil acessos.
Para o internauta que se identifica como Carlos, "Fernando Henrique demonstra toda sua inveja e revolta contra o presidente Lula". Outra usuária, identificada como Sônia, disse que seria "desesperador ter de volta PSDB e PFL no poder. Nunca fizeram nada pelo povo, pelo social e pelo país. Doaram nossas maiores empresas, ratearam as verbas dos órgãos públicos, atolaram o país no FMI. Fora hipócritas".
Um internauta identificado como Marcus classifica FHC como "um burguês que se diz exilado". "Vendeu a Vale do Rio Doce, e o país não viu a cor do dinheiro. Sociólogo? Não. Demagogo". Para a usuária Cristina Tavares, o ex-presidente é um "cara de pau". "FHC teve oito anos para fazer alguma coisa em prol do Brasil, e não fez droga nenhuma. Nem ele nem o partido dele".
As críticas à afirmação do ex-presidente não param por aí. Um internauta que se identifica como "Somos pobres, mas limpinhos" afirma que "os anos FHC não tiveram planejamento". "Não houve política industrial, social, trabalhista, previdenciária, política, tributária, de Justiça. FHC não considerou as potencialidades de um país de 170 milhões de habitantes".
Para o usuário André, "só um avestruz mesmo para enfiar a cara na terra e fingir que nada aconteceu durante a era FHC". "Chega de permitir a destruição da Nação. Com Lula, o país cresceu o dobro que cresceu durante a era FHC. Somos o terceiro maior gerador absoluto de empregos no mundo e o maior relativo. A miséria recuou em quase 4 milhões de habitantes, e 10 milhões de famílias são assistidas por programas sociais transparentes".
Agência Informes (www.informes.org.br)

A verdade das manchetes, por Flávio Aguiar

CARTAS ÁCIDAS

A verdade das manchetes

Os grandes jornais paulistanos vêm exercendo com regularidade a função de exporem ao público leitor ora o conservadorismo exasperante, ora o conservadorismo exasperado. Dia 18, achei uma manchete original nas bancas. “Reforma agrária acelera desmatamento na Amazônia”. Opa, eu pensei, isso é muito grave. Se assim for, terei de rever meu apoio incondicional à reforma agrária em curso.

Flávio Aguiar
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Os grandes jornais paulistanos vêm exercendo com regularidade a função de exporem ao público leitor ora o conservadorismo exasperante, ora o conservadorismo exasperado. Seu exercício é eqüitativo, distribuído igualmente pelos editoriais, colunistas, manchetes, sobretudo as de capa, e até na redação das reportagens. E os jornais trocam de função entre si, pondo em evidência alternadamente ora o que exaspera, ora o que é exasperado.

Por dever de ofício, assino um deles, que me dá a dose diária e matutina de exasperação, de que já devo estar até quimiodependente. Em todo caso, isso me salva das doses cavalares de exasperação que me dariam as revistas semanais, quando então eu poderia morrer por overdose de desespero, e meu e o alheio.

Essa dose menor, mas constante, da exasperação ora me deixa de bom humor, quando devo estar na fase eufórica, por me divertir com a aflição dos outros; ora me deixa sem humor, quando devo estar na fase deprê, exasperado com a falta de senso ou até de elegância dos escritos, alguns histéricos, da nossa direita em ação. Confesso, com sentimento masoca, que tenho crises de saudade dos artigos de Gustavo Corção, que eu lia no “Correio do Povo”, em Porto Alegre, em que o ilustre escritor católico defendia todas as causas de direita, inclusive o golpe de 1964. Não sabia o que me exasperava mais, se a defesa de tudo o que era reacionário, ou se a elegância e a qualidade do estilo de Corção, com quem, confesso humildemente, também aprendi a ler e a escrever.

Como devo ter realmente algum cromossomo voltado para o meu mal, diariamente examino em alguma banca as manchetes e a capa do outro jornal, o que não assino, para ver se o compro ou não. Nem sempre isso é interessante, porque eles vão ficando muito parecidos do ponto de vista de reportagens e manchetes, apesar dos colunistas de um preferirem um conservadorismo claramente modernoso, enquanto os do outro advogam uma modernidade decididamente conservadora.

Mas no sábado, 18 de março de 2006, achei uma manchete original no jornal que busco nas bancas, cuja gravidade me chamou a atenção. Dizia ela: “Reforma agrária acelera desmatamento na Amazônia”. Opa, eu pensei, isso é muito grave. Se assim for, terei de rever meu apoio incondicional à reforma agrária em curso.

Comprado o jornal, os dizeres debaixo da manchete me deixaram em dúvida, pois assinalavam que o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) afirmava que “até 2004” os assentamentos do Incra eram responsáveis por 15% do desmatamento na Amazônia Legal. Nenhuma frase sobre os outros 85%; além disso, pensei, “15%” não acelera nem desacelera. E mais: logo depois vinha uma frase dizendo que o coordenador de Meio Ambiente do Incra declarava que neste ano o Instituto teria R$ 26 milhões para aplicar em recuperação ambiental.

Buenas, continuei pensando, hábito velho que tenho, vamos à página interna. Meu susto foi maior: “Assentamentos derrubam a floresta” era a manchete. Cáspite!, gritei de mim para mim. Estamos perdidos! Aquele “a”, artigo definido, universalizava a ameaça para toda a Amazônia, prestes a ser derrubada pelas enxadas dos assentados. Não era parte da floresta, nem do ecossistema, etc. Não! Era a Amazônia inteira que caía ante a sanha desabrida da reforma agrária! Havia, nos gráficos e mapas apresentados, uma ligeira contradição sobre se os tais de 15% do desmatamento se referiam a um período que ia até 2002, antes do começo do governo Lula, ou até 2004, já em pleno governo dele, mas isso, pensei, deve ser quezília minha, hábito também antigo, o de buscar rigor, precisão e investigação comprobatória nas denúncias. Hoje em dia, continuei pensando, com estas CPIs finis mundi e com os novos hábitos da imprensa de atirar para todo o lado e depois buscar provas, aliás, freqüentemente declaradas desnecessárias, tanto faz falar de 2002 ou de 2004. O importante é obter a manchete. Ela é a prova que prova a si mesma, mesmo que não tenha sustentação – já não digo nos fatos, mas sequer na matéria.

Esta enveredava por caminhos que semeavam dúvidas. O coordenador do estudo do Imazon dizia que era impossível afirmar que todo o desmatamento tivesse sido causado pelo assentamento de colonos, porque parte dos dados recolhidos era de informações obtidas por satélite a partir de 1997. Ou seja: pode ser que os assentamentos tivessem sido feitos em áreas já desmatadas. Mas prosseguia a matéria, e aqui vale a pena recorrer à citação para não incorrer em possível distorção:

“Ainda assim, os dados confirmam uma impressão disseminada de que os assentamentos da reforma agrária também têm um papel significativo na destruição da floresta – ainda que muito menos do que o dos latifúndios de soja e gado. Isso, sem contar o desmatamento praticado por invasores e outros pequenos agricultores em áreas não homologadas pelo Incra”.

De propósito não grifei nada no parágrafo citado: confio na inteligência dos leitores e leitoras, costume também já idoso que tenho e prezo. Mas assinalo que, problemas à parte, a base das manchetes assinaladas era “uma impressão disseminada”.

De todo modo, o estudo apontava um problema, afirmando que “a maior parte” dos assentamentos tinha sido feita em áreas de cobertura florestal, e que o percentual de floresta entre 1997 e 2004 tinha caído de 76% para 66%. Buenas, continuei pensando a sós com meu mate, isso é de fato um problema. Mas vai ver que o fato dos assentamentos terem sido feitos em áreas de floresta tenha a ver com a quantidade de terras devolutas, isto é, do Estado, na região, em comparação com áreas indevidamente deflorestadas pelo avanço das grandes plantações monoculturais ou de criação de gado, mas que permanecem inutilizáveis para fins de reforma agrária pela antigüidade da legislação que declara uma propriedade como improdutiva, que hoje deveria incluir o conceito de “produção negativa”, isto é, se o seu método de produção gera mais malefícios que exigem investimentos públicos compensatórios do que benefícios para a sociedade. Isso deveria ser investigado, pensei.

Procurei sinais de investigação na matéria: necas de pitibiribas. Deve ser besteira minha, pensei. No jornalismo moderno não se fazem perguntas correlatas, vai ver que é isso, e que sou de uma escola antiga. E vejam o tamanho da frase que tive de escrever para levantar a área de investigação! No jornalismo conservador hodierno tal tamanho de frase, cheia de orações subordinadas, é impensável. Esse jornalismo proclamou sua independência, a da autonomia do texto: subordinados, só os espíritos; jamais as orações! E eu dispunha apenas da pergunta. Para obter respostas, eu teria de ir atrás de quem estudou a questão. E provavelmente obteria respostas diferentes, de pessoas diferentes! E iria ao encontro de novas perguntas que eu, como leigo no assunto, não fui capaz de pensar! Nossa! Quantas orações subordinadas eu teria de escrever para reportar tudo isso! Bofé! Para o jornalista pós-moderno, de espírito macunaímico (Ai! Que preguiça!) é melhor sair logo desancando o governo e a reforma agrária na manchete, ao invés de pedir novas matérias. Os patrões ficam contentes e o expediente termina mais cedo.

Entretanto, medindo-se a área ocupada pela matéria no jornal, via-se que dois terços dela era ocupada por declarações daquele coordenador de Meio Ambiente do Incra, Marco Aurélio Pavarino. Dizia ele a seguir que a concepção de assentamento tinha mudado desde 2001. Olha só, me observou o pensamento, não é alguém que algum conservador pudesse acusar de estar fazendo uma defesa doentia do atual governo.

Prosseguia o coordenador dizendo que essa mudança tinha ocorrido a partir da introdução de conceitos sobre “o aproveitamento sustentável da floresta”. Já em 2005, 75% dos novos assentamentos feitos obedecia essa nova concepção mais sofisticada, exigindo inclusive o licenciamento ambiental dado por órgão estaduais, portanto, fora do âmbito federal. E que em 2006 há o tal de financiamento de 26 milhões para recuperação ambiental, o que é inteira novidade, segundo ele, que ressalta não ser essa verba “suficiente para tudo”, embora aponte para “o começo de uma nova visão sobre o impacto ambiental dos assentamentos”.

O restante da matéria é ocupado por declarações de Evaristo Miranda, chefe da Embrapa Monitoramento por Satélite, falando da história de um assentamento que ele acompanha há 20 anos, onde houve gente que deu certo e gente que não deu. Diz ele ainda que a preservação da floresta é garantida por uma área de reserva legal comum, nos fundos de cada lote, (que deve ocupar 80% da área para ter licenciamento ambiental). E que este é o modelo “defendido atualmente” pelo Incra.

Depois de ler a matéria, fiquei pensando que a manchete deveria ser “AÇÃO DO INCRA ACELERA REFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA”. E que deveria haver olhos e manchetes internas ressaltando a mudança conceitual, e a quantidade de trabalho que ainda resta planejar para que a situação de desmatamento seja revertida de modo sustentável. Mas em lugar disso, na matéria havia um único olho: “Em 7 anos assentamentos destruíram 10% da mata remanescente”.

O pior de tudo é que eu não soube dirimir minha dúvida sobre serem tais olhos e manchetes frutos do conservadorismo exasperante ou do exasperado, matéria com que o pensamento me azucrinou a paciência pelo resto do dia.

Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.

domingo, 16 de abril de 2006

Emir Sader: a importância da vitória de Lula para a América Latina

16 DE ABRIL DE 2006 - 22h21

Emir Sader: a importância da vitória de Lula para a América Latina

O ciclo eleitoral latino-americano, iniciado com as eleições de Evo Morales na Bolívia, de René Preval no Haiti e de Michele Bachelet no Chile, concluirá com a eleição argentina de abril de 2007. O continente sairá dessas eleições com a cara que ostentará por toda a primeira metade do século.
Por Emir Sader - Adital - do Rio de Janeiro

O ciclo eleitoral latino-americano, iniciado com as eleições de Evo Morales na Bolívia, de René Preval no Haiti e de Michele Bachelet no Chile, concluirá com a eleição argentina de abril de 2007. O continente sairá dessas eleições com a cara que ostentará por toda a primeira metade do século. Não é exagerada essa afirmação, porque uma série de projetos embrionários podem se consolidar e ganhar caráter quase irreversível - como a nova Constituição boliviana, o gasoduto continental, a Comunidade Sul-americana de Nações - ou podem ser estancados e revertidos, com a retomada do seu oposto - a Alca e a consolidação da hegemonia dos EUA sobre os destinos do continente.



As eleições peruana e equatoriana -esta em outubro- decidem não apenas a orientação do novo presidente desses países em crise prolongada, mas decidem se eles assinarão os acordos de livre comércio que os atuais mandatários prepararam com Washington. Daí as imensas manifestações do movimento indígena equatoriano, que por hora já impediu a assinatura do acordo, previsto para 24 de maio passado. Sua luta é por um plebiscito nacional, além da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, no estilo da decisão boliviana. A vitória do candidato nacionalista no Perú, mais além de outras polêmicas sobre sua trajetória passada, representaria a recusa a esse assinatura e a decisão de priorizar o processo em curso de integração regional. O mesmo pode vir a se dar no Equador, na dependência do enfrentamento ainda pendente entre os movimentos sociais e o governo de Alfredo Palácios.



A eleição provável do ex-governador do Distrito Federal, Lopez Obrador, como presidente do México, pode não representar a saída desse país da Alca, mas possibilitará acordos com o Mercosul e participação em outras iniciativas continentais - como a Petrosul, a Telesul - significando um duro golpe na influencia norte-americana sobre o seu vizinho do sul.



As reeleições de Nestor Kirchner e de Hugo Chávez podem ser dadas como muito prováveis, consolidando alguns dos eixos do atual processo de integração regional. Já a reeleição de Álvaro Uribe, na Colômbia, permitirá aos EUA manter seu único grande aliado na região, porém marcado pela guerra interna que não pode controlar. Eleições como a da Nicarágua, de difícil prognostico, pode somar um governante critico dos EUA à lista atualmente existente.



De todas as eleições, a que mais peso pode ter no futuro do continente é a brasileira. Isto se dá basicamente pelo lugar estratégico ocupado pela política externa brasileira nestes anos do governo Lula. Foi o Brasil que conseguiu inviabilizar o início da ALCA, previsto para janeiro do ano passado. O Brasil funciona como elo de articulação entre governos mais radicais como os de Cuba, da Venezuela e da Bolívia, com outros, mais moderados, como os do Uruguai e da Argentina.



A continuidade dessa política, agora em um marco regional muito mais favorável, representará um eixo seguro de articulação e de fortalecimento dos projetos de integração existentes e de muitos outros. Em compensação, caso retorne o bloco tucano-pefelista, os EUA voltariam a ter um aliado seguro na região, que trabalhará em função da retomada da Alca, do isolamento dos governos de Cuba, da Venezuela e da Bolívia, representando um retrocesso sem par no futuro da América Latina.



Este é apenas uma das questões que se jogam nas eleições deste ano e do próximo, mas que definirão a cara da América Latina e do Caribe por toda uma nova década.



Emir Sader é cientista político, UERJ

Fonte: Adital

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Um feito: PSDB ressuscita a Arena

O PSDB conseguiu um tento em São Paulo: patrocinou a volta da Arena – o partido de apoio à ditadura militar – à prefeitura e ao governo estadual. É um feito impressionante, celebrado em 31 de março, justamente o dia em que se comemoravam os 42 anos do golpe de 1964.
GilbertoMaringoni
O PSDB conseguiu um tento em São Paulo, estado e município: patrocinou a volta da Arena – o partido de apoio à ditadura militar – à prefeitura e ao governo. Deste último, ela havia sido escorraçada em 1982, e nunca mais voltara. Agora, Geraldo Alckmin e José Serra desincompatibilizaram-se de seus cargos e deixaram as respectivas cadeiras sob responsabilidade de seus vices, Claudio Lembo – ex-secretário do prefeito biônico de São Paulo, o banqueiro Olavo Setubal (1975-1979) – e Gilberto Kassab, direitista de nova cepa. Ambos são dirigentes do PFL, herdeiro da velha legenda.

É um feito impressionante, celebrado em 31 de março, justamente o dia em que se comemoravam os 42 anos do golpe de 1964. Viúvas do regime que desgraçou o país por 20 anos, saudosistas dos tempos da censura, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos devem estar radiantes.

O PFL (Partido da Frente Liberal) surgiu em fins de 1984, como um dos rachas do PDS (Partido Democrático Social), criado em 1979. Eleitoralmente sempre teve um desempenho desastroso em São Paulo. Voltemos a fita, para que tudo não acabe em sopa de letrinhas.

Uma derrota difícil de engolir

Em outubro de 1965, pouco mais de um ano após o golpe, são realizadas eleições para governadores em 11 estados. O regime é derrotado em cinco deles, entre os quais Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os setores mais duros pressionam o presidente Castello Branco a acabar com a festa. O Ato Institucional nº. 2 extingüe os partidos políticos. No início do ano seguinte, o AI-3 acaba com as eleições diretas para presidente, governadores e prefeitos das capitais. Nos meses seguintes são criados dois partidos, a Arena, governista, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), oposicionista, para dar uma fachada arejada à vida nos tempos de exceção. A Arena cumpriu seu roteiro, mas o MDB, por força de várias pressões, fugiu do script e começou a acolher os descontentes com a situação.

Herdeira do fisiologismo e do reacionarismo que sempre marcaram a vida nacional, a Arena nunca teve um bom desempenho nos grandes centros urbanos, mesmo nos períodos mais duros. Em 1974, a agremiação sofreu vexatória tunda em 16 estados, nas eleições para o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembléias Legislativas. O MDB, de Ulysses Guimarães, emerge como o grande vencedor e espinha dorsal da frente de oposições que acaba por derrotar a ditadura na década seguinte.

Panteão de reaças

Integraram a Arena, entre outros luminares da direita nacional, Plínio Salgado, líder integralista, Filinto Müller, temido chefe de polícia do Estado Novo (1937-1945) e responsável pelo envio de Olga Benário para a morte num campo de concentração nazista, Roberto Campos, economista modelo de gente como Pedro Malan e Antonio Palocci (e de tão entreguista era apelidado de Bob Fields), Paulo Maluf, Jorge Bornhausen, Antonio Carlos Magalhães e Delfim Netto.

Desacreditado, o regime resolve, em 1979, dar uma rasteira nas regras do jogo que seus ideólogos haviam estabelecido. Para dividir o MDB, incentiva a criação de vários partidos, enquanto tenta uma operação plástica em sua legenda. A Arena ressurge com o nome de Partido Democrático Social e as eleições municipais de 1980 são canceladas, como parte da manobra.

Inútil. Em 1982, as primeiras eleições para governador desde 1965, transformam-se em um claro plebiscito sobre a ditadura. Nova surra na Arena, que vê a oposição eleger dez mandatários em 22 estados. Detalhe: entre essa dezena estavam São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais,Paraná e Rio Grande do Sul, os mais importantes.

No estado de São Paulo, Franco Montoro, do PMDB, tem 5,2 milhões de votos e derrota Reynaldo de Barros, do PDS, com 2,7 milhões. Como não havia eleições diretas nas capitais, Montoro indica como prefeito Mario Covas, antes de sua conversão neoliberal. Anos depois, a direita ganharia uma sobrevida na cidade de São Paulo, com a eleição de Janio Quadros (1985-1988). Mas aí, o candidato do PMDB não ajudava. Era ninguém menos do que Fernando Henrique Cardoso.

A essa altura, após a campanha das Diretas-Já e com o fim da ditadura, o PDS divide-se em dois, para tentar salvar os cacos da representação política das várias nuances do reacionarismo pátrio. Uma de suas marcas-fantasia, o PPB (Partido do Povo Brasileiro) surpreende ao eleger Paulo Maluf (1992-1996) e Celso Pitta (1996-2000) prefeitos da capital. Mas no estado, os continuadores na Arena não tiveram mais vez.

É certo que o governo Lula, ao evitar a todo custo mostrar a existência de interesses econômicos diversos na sociedade e ao perpetuar a orientação econômica de seus antecessores, dá sua mãozinha para a criação de um ambiente propício à volta da velha Arena. Mas o mérito maior vai para Geraldo Alckmin e José Serra. Nas tumbas onde se encontram, Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo e golpistas de ontem e de hoje têm uma dívida de gratidão para com o PSDB de São Paulo.

GilbertoMaringoni - jornalista e cartunista da Agência Carta Maior, é autor de "A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez" (Editora Fundação Perseu Abramo) e observador, a convite do CNE, no processo do referendo revogatório na Venezuela.

domingo, 9 de abril de 2006

COMBATE A CORRUPÇÃO: CGU vai começar a investigar supostas irregularidades em contratos de Furnas

Cecília Jorge - Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Controladoria-Geral da União (CGU) vai começar a investigar a denúncia de irregularidades em contratos de Furnas Centrais Elétricas com empresas privadas. A investigação terá como base a lista de empresas que teriam doado recursos à estatal, supostamente assinada pelo ex-diretor de Planejamento e Engenharia, Dimas Toledo. A lista contém também nomes de mais de 150 políticos do PSDB, PFL, PTB e outros partidos, que teriam recebido dinheiro durante a campanha eleitoral de 2002.

De acordo com a assessoria de imprensa da CGU, 12 auditores serão responsáveis pela análise dos contratos. A auditoria deve começar pelos contratos que envolvem maior volume de recursos e os que apresentam maior possibilidade de irregularidade. A assessoria informou que, nesta semana, os auditores estão definindo com a Polícia Federal como será coordenado o trabalho de investigação. A PF investiga a autenticidade da carta, cujo original ainda não foi encontrado.

A denúncia de caixa 2 na estatal surgiu no ano passado, durante as investigações sobre o suposto esquema de repasse de recursos do PT para parlamentares da base governista. Furnas estaria entre as estatais usadas para financiar campanhas políticas.

Fonte: Agência Brasil

CAIXA DOIS TUCANO DE FURNAS

Relação completa de todos os políticos que fizeram campanha usando caixa dois de FURNAS.

Falsos moralistas são desmascarados

No caso Furnas, Monteiro mostrou o original do relatório, com firma reconhecida, a duas testemunhas e forneceu uma cópia do relatório e do atestado de autenticidade do famoso perito Ricardo Molina. Nilton Monteiro já confirmou ao delegado federal de Brasília, Dr Zampronha, que esteve com o original. A relação cita recursos financeiros para dois ministros, dois governadores, dezenas de deputados, vários lideres partidários e ex-ministros. A página 3 é encabeçada pelo próprio filho do autor do relatório, que é deputado estadual em Minas. Estão incluídos expoentes das CPIs como: Alberto Goldman (Psdb), Zulaiê Cobra (página 1), Eduardo Paes, Rodrigo Maia (página 2) e ACM Neto (página 4) como beneficiários. A lista de doadores mostra que fundos de pensão e empresas públicas financiaram as campanhas eleitorais, caracterizando crime de corrupção e formação de quadrilha. Logo após as páginas do documento, estão tabulados os dados por estado da federação e por partidos políticos.


PROVAS DOCUMENTAIS DO CAIXA DOIS TUCANO DE FURNAS

DOCUMENTO Nº DOIS

DOCUMENTO Nº TRES

DOCUMENTO Nº QUATRO

DOCUMENTO Nº CINCO

DOCUMENTO Nº SEIS

DOCUMENTO Nº SETE

CAIXA DOIS DE FURNAS - DIMAS TOLEDO - 39.910 MILHÕES DE REAIS

Os dados foram transpostos para a planilha, para facilitar a visualização e para tornar a compreensão mais didática, sendo a transcrição exata e fiel do conteúdo dos documentos.


PRESIDËNCIA


José Serra PSDB-SP 7.000.000,00



GOVERNADOR-SP


Geraldo Alckimin PSDB-SP 9.300.000,00



GOVERNADOR-MG



Aécio Neves PSDB-MG 5.500.000,00

SENADORES - RJ
Sérgio Cabral PMDB-RJ 500.000,00
Arthur da Távola PSDB-RJ 350.000,00
Marcelo Crivella PL-RJ 250.000,00
TOTAL DE SENADOR RJ 1.100.000 ,00

SENADOR-MG
Eduardo Azeredo PSDB-MG 550.000,00
Hélio Costa PMDB-MG 400.000,00
Zezé Perrella PFL-MG 350.000,00
TOTAL DE SENADOR MG 1.300.000 ,00

DEPUTADOS POR ESTADOS

DEPUTADOS-BA
Juthay Jr. PSDB-BA 270.000,00
Paulo Magalhães PFL-BA 250.000,00
Fábio Souto PFL-BA 200.000,00
ACM Neto PFL-BA 150.000,00
Luiz Carreira PFL-BA 100.000,00
Jairo Carneiro PFL-BA 100.000,00
João Almeida PSDB-BA 75.000,00
João Leão PL-BA 75.000,00
Rogério Nunes BA 75.000,00
José Carlos Aleluia PFL-BA 75.000,00
José Rocha PFL-BA 70.000,00
Aroldo Cedraz PFL-BA 50.000,00
Coriolano Sales PFL-BA 50.000,00
TOTAL DE BA 1.615.000 ,00

DEPUTADOS-ES
Luis Paulo Velloso Lucas PSDB-ES 350.000,00
José Carlos Fonseca PFL-ES 150.000,00
Nilton Baiano PPB-ES 50.000,00
TOTAL DE ES 550.000 ,00

DEPUTADOS-MA
Remi Trinta PL-MA 100.000,00
TOTAL DE MA 100.000 ,00

DEPUTADOS-MG
Dimas Fabiano Jr. PPB-MG 250.000,00
Danilo de Castro PSDB-MG 250.000,00
Mauro Lopes PMDB-MG 200.000,00
Anderson Adauto PL-MG 200.000,00
Saraiva Felipe PMDB-MG 150.000,00
Herculano Anghinetti PSDB-MG 150.000,00
Osmânio Pereira PSDB-MG 150.000,00
Toninho Andrada PSDB-MG 150.000,00
Márcio Reinaldo PPB-MG 150.000,00
Vanessa Lucas PSDB-MG 150.000,00
José Militão PTB-MG 150.000,00
Márcio Reinaldo Dias Moreira PPB-MG 150.000,00
João Leite PSB-MG 150.000,00
Gil Pereira PPB-MG 150.000,00
Agostinho Patrus PTB-MG 150.000,00
Ana Maria Vieira PSDB-MG 150.000,00
Antônio Júlio PSDB-MG 150.000,00
Alencar da Silveira Jr. PDT-MG 150.000,00
Carlos Melles PFL-MG 100.000,00
Roberto Brant PFL-MG 100.000,00
Ronaldo Vasconcelos PMDB-MG 100.000,00
Nárcio Rodrigues PSDB-MG 100.000,00
Odelmo Leão PPB-MG 100.000,00
Marcelino Siqueira MG 100.000,00
Jaiminho Martins PFL-MG 100.000,00
João Magalhães PMDB-MG 100.000,00
Júlio Delgado PPS-MG 100.000,00
Aracely de Paula PL-MG 100.000,00
José Santana PL-MG 100.000,00
Mário Assad Jr. PFL-MG 100.000,00
Sebastião Navarro PFL-MG 100.000,00
Djalma Diniz PSDB-MG 75.000,00
Luiz Humberto Carneiro PSDB-MG 75.000,00
Alberto Bejani PTB-MG 75.000,00
Jairo Lessa PTB-MG 75.000,00
Athos PPS-MG 75.000,00
Pastor George PTB-MG 75.000,00
Pinduca Ferreira PPB-MG 75.000,00
Bispo Gilberto PMDB-MG 75.000,00
Reminho Aloise PFL-MG 75.000,00
Domingos Sávio PSDB-MG 75.000,00
Ermano Batista PSDB-MG 75.000,00
Elbe Brandão PSDB-MG 75.000,00
Paulo Piau PPS-MG 75.000,00
Gustavo Valadares PSDB-MG 75.000,00
Custódio Mattos PSDB-MG 75.000,00
Paulo César DE Freitas PRTB-MG 75.000,00
Fábio Avelar PTB-MG 75.000,00
Leonardo Quintão PMDB-MG 75.000,00
Fahim Sawan PSDB-MG 55.000,00
Sebastião Costa da Silva PFL-MG 55.000,00
Amílcar Martins MG 55.000,00
Ermano Batista PSDB-MG 55.000,00
Romeu Anízio Jorge PPB-MG 55.000,00
Dilzon Melo PTB-MG 55.000,00
Maria Olívia PSDB-MG 55.000,00
Mário Rodrigues MG 40.000,00
Rafael Guerra PSDB-MG 40.000,00
Eduardo Barbosa PSDB-MG 35.000,00
TOTAL DE MG 6.155.000 ,00

DEPUTADOS-MT
Pedro Henry PPB-MT 100.000,00
TOTAL DE MT 100.000 ,00

DEPUTADOS-PE
Inocêncio de Oliveira PFL-PE 185.000,00 -PL
Severino Cavalcante PPB-PE 180.000,00
Joaquim Francisco PFL-PE 150.000,00
Ciro Nogueira PPB-PE 150.000,00
Armando Monteiro PTB-PE 150.000,00
Pedro Correa PPB-PE 150.000,00
Raul Jungmann PMDB-PE 150.000,00
José Múcio PTB-PE 150.000,00
TOTAL DE PE 1.265.000 ,00

DEPUTADOS-PR
José Janene PPB-PR 150.000,00
José Borba PMDB-PR 150.000,00
Francisco Luiz Gomide PR 100.000,00
Affonso Camargo PSDB-PR 75.000,00
Aberlardo Lupion PFL-PR 75.000,00
Ricardo Barros PPB-PR 75.000,00
Eduardo Sciarra PFL-PR 75.000,00 - PP
Affonso Camargo PSB-PR 50.000,00
TOTAL DE PR 750.000 ,00

DEPUTADOS-RJ
Paulo Feijó PSDB-RJ 150.000,00
Márcio Fortes PSDB-RJ 150.000,00
Alexandre Santos PSDB-RJ 100.000,00
Alice Tamborindeguy PSDB-RJ 100.000,00
Andréia Zito PSDB-RJ 70.000,00
Luiz Paulo PSDB-RJ 70.000,00
Eduardo Paes PSDB-RJ 250.000,00
Francisco Dornelles PPB-RJ 200.000,00
Rodrigo Maia PFL-RJ 200.000,00
Arold de Oliveira PFL-RJ 150.000,00
Bispo Rodrigues PL-RJ 150.000,00
Washinton Reis PMDB-RJ 100.000,00
Leonardo Picciane PMDB-RJ 100.000,00
Nelson Bornier PMDB-RJ 100.000,00
Eduardo Cunha PMDB-RJ 100.000,00
Roberto Jefferson PTB-RJ 75.000,00
Almerinda de Carvalho PMDB-RJ 75.000,00
Dr. Carlão PRONA-RJ 75.000,00
Jair Bolsonaro PPB-RJ 50.000,00
Simão Sessim PPB-RJ 50.000,00
Júlio Lopes PPB-RJ 50.000,00
Dr. Heleno PSC-RJ 50.000,00
Pastor Almir PL-RJ 50.000,00
TOTAL DE RJ 2.465.000 ,00

DEPUTADOS-SC
Gervásio Silva PFL-SC 75.000,00
Zonta PPB-SC 75.000,00 - PP
Paulo Bauer PFL-SC 75.000,00 - PSDB
Serafim Venzon PSDB-SC 75.000,00
João Pizzolatti PPB-SC 75.000,00 - PP
Fernando Coruja PPS-SC 75.000,00
TOTAL DE SC 450.000 ,00

DEPUTADOS-SP
Valdemar Costa Neto PL-SP 250.000.00
Vadão Gomes PPB-SP 150.000,00
Antonio Carlos Pannunzio PSDB-SP 150.000,00
Aberto Goldman PSDB-SP 150.000,00
Walter Feldman PSDB-SP 100.000,00
Gilberto Kassab PFL-SP 100.000,00
João Batista PFL-SP 100.000,00 - PP
Luis Antônio Fleury PTB-SP 100.000,00
Medeiros PTB-SP 100.000,00
Nelson Marquezelly PTB-SP 100.000,00
Robson Tuma PFL-SP 100.000,00
Arnaldo Faria de Sá PTB-SP 100.000,00
Zulaiê Cobra PSDB-SP 75.000,00
Chico Sardelli PFL-SP 75.000,00 - PP
Xico Graziano PSDB-SP 75.000,00
Dimas Ramalho PPS-SP 75.000,00
Antonio Carlos Mendes PSDB-SP 75.000,00
Luiz Carlos Santos PFL-SP 70.000,00
João Baptista PFL-SP 70.000,00 - PP
Aluízio Nunes Ferreira PSDB-SP 50.000,00
Carlos Sampaio PSDB-SP 50.000,00
Lobbe Neto PSDB-SP 50.000,00
Silvio Torres PSDB-SP 50.000,00
Walter Barelli PSDB-SP 50.000,00
TOTAL DE SP 2.265.000 ,00



DEPUTADOS POR PARTIDOS NÃO IDENTIFICADOS
Marcelino Siqueira MG 100.000,00
Francisco Luiz Gomide PR 100.000,00 - Ex-ministro de FHC
Amílcar Martins MG 55.000,00
Mário Rodrigues MG 40.000,00

DEPUTADOS-PDT
Alencar da Silveira Jr. PDT-MG 150.000,00
TOTAL DO PDT 150.000,00

DEPUTADOS-PFL
Paulo Magalhães PFL-BA 250.000,00
Fábio Souto PFL-BA 200.000,00
Rodrigo Maia PFL-RJ 200.000,00
Inocêncio de Oliveira PFL-PE 185.000,00 -PL
ACM Neto PFL-BA 150.000,00
Joaquim Francisco PFL-PE 150.000,00
José Carlos Fonseca PFL-ES 150.000,00
Arold de Oliveira PFL-RJ 150.000,00
Luiz Carreira PFL-BA 100.000,00
Jairo Carneiro PFL-BA 100.000,00
Carlos Melles PFL-MG 100.000,00
Roberto Brant PFL-MG 100.000,00
Jaiminho Martins PFL-MG 100.000,00
Sebastião Navarro PFL-MG 100.000,00
Gilberto Kassab PFL-SP 100.000,00
João Batista PFL-SP 100.000,00 - PP
Robson Tuma PFL-SP 100.000,00
Gerson Gabrielli PFL-BA 75.000,00
José Carlos Aleluia PFL-BA 75.000,00
Reminho Aloise PFL-MG 75.000,00
Gustavo Valadares PFL-MG 75.000,00
Aberlardo Lupion PFL-PR 75.000,00
Eduardo Sciarra PFL-PR 75.000,00
Gervásio Silva PFL-SC 75.000,00
Paulo Bauer PFL-SC 75.000,00 - PSDB
Robério Nunes PFL-BA 75.000,00
Chico Sardelli PFL-SP 75.000,00 - PV
José Rocha PFL-BA 70.000,00
Luiz Carlos Santos PFL-SP 70.000,00
João Baptista PFL-SP 70.000,00 - PP
Sebastião Costa da Silva PFL-MG 55.000,00
Aroldo Cedraz PFL-BA 50.000,00
Coriolano Sales PFL-BA 50.000,00
TOTAL DO PFL 3.450.000 ,00

DEPUTADOS-PL
Valdemar Costa Neto PL-SP 250.000.00
Anderson Adauto PL-MG 200.000,00
Bispo Rodrigues PL-RJ 150.000,00
Remi Trinta PL-MA 100.000,00
Aracely de Paula PL-MG 100.000,00
José Santana PL-MG 100.000,00
Mário Assad Jr. PL-MG 100.000,00
João Leão PL-BA 75.000,00 - PP
Jairo Lessa PL-MG 75.000,00
Pastor Almir PL-RJ 50.000,00
TOTAL DO PL 1.200.000 ,00

DEPUTADOS-PMDB
Mauro Lopes PMDB-MG 200.000,00
Saraiva Felipe PMDB-MG 150.000,00
Raul Jungmann PMDB-PE 150.000,00
José Borba PMDB-PR 150.000,00
Ronaldo Vasconcelos PMDB-MG 100.000,00
João Magalhães PMDB-MG 100.000,00
Washinton Reis PMDB-RJ 100.000,00
Leonardo Picciane PMDB-RJ 100.000,00
Nelson Bornier PMDB-RJ 100.000,00
Eduardo Cunha PMDB-RJ 100.000,00
Bispo Gilberto PMDB-MG 75.000,00
Almerinda de Carvalho PMDB-RJ 75.000,00
Leonardo Quintão PMDB-MG 55.000,00
TOTAL DO PMDB 1.455.000 ,00

DEPUTADOS-PPB
Dimas Fabiano Jr. PPB-MG 250.000,00 -PP
Francisco Dornelles PPB-RJ 200.000,00 -PP
Severino Cavalcante PPB-PE 180.000,00 -PP
Márcio Reinaldo PPB-MG 150.000,00 -PP
Márcio Reinaldo Dias Moreira PPB-MG 150.000,00 -PP
Gil Pereira PPB-MG 150.000,00 -PP
Ciro Nogueira PPB-PE 150.000,00 -PP
Pedro Correa PPB-PE 150.000,00 -PP
José Janene PPB-PE 150.000,00-PP
Vadão Gomes PPB-SP 150.000,00-PP
Odelmo Leão PPB-MG 100.000,00-PP
Pedro Henry PPB-MT 100.000,00-PP
Pinduca Ferreira PPB-MG 75.000,00 -PP
Ricardo Barros PPB-PR 75.000,00 -PP
Zonta PPB-SC 75.000,00 -PP
João Pizzolatti PPB-SC 55.000,00 -PP
Romeu Anízio Jorge PPB-MG 50.000,00 -PP
Nilton Baiano PPB-ES 50.000,00 -PP
Jair Bolsonaro PPB-RJ 50.000,00 -PP
Simão Sessim PPB-RJ 50.000,00 -PP
Júlio Lopes PPB-RJ 50.000,00 -PP
TOTAL DO PPB 1.455.000 ,00

DEPUTADOS-PPS
Júlio Delgado PPS-MG 100.000,00
Athos PPS-MG 75.000,00
Paulo Piau PPS-MG 75.000,00
Fernando Coruja PPS-SC 75.000,00
Dimas Ramalho PPS-SP 75.000,00
TOTAL DO PPS 400.000 ,00

DEPUTADOS-PRONA
Dr. Carlão PRONA-RJ 75.000,00
TOTAL DO PRONA 75.000 ,00

DEPUTADOS-PRTB
Paulo César de Freitas PRTB-mg 75.000,00
TOTAL DO PRTB 75.000 ,00

DEPUTADOS-PSB
João Leite PSB-MG 150.000,00
TOTAL DO PSB 150.000 ,00

DEPUTADOS-PSC
Dr. Heleno PSC-RJ 50.000,00
TOTAL DO PSC 50.000 ,00

DEPUTADOS-PSDB
Luis Paulo Velloso Lucas PSDB-ES 350.000,00
Juthay Jr. PSDB-BA 270.000,00
Danilo de Castro PSDB-MG 250.000,00
Eduardo Paes PSDB-RJ 250.000,00
Ana Maria Vieira PSDB-MG 150.000,00
Herculano Anghinetti PSDB-MG 150.000,00
Osmânio Pereira PSDB-MG 150.000,00
Toninho Andrada PSDB-MG 150.000,00
Vanessa Lucas PSDB-MG 150.000,00
Antônio Júlio PSDB-MG 150.000,00
Paulo Feijó PSDB-RJ 150.000,00
Márcio Fortes PSDB-RJ 150.000,00
Antonio Carlos Pannunzio PSDB-SP 150.000,00
Aberto Goldman PSDB-SP 150.000,00
Nárcio Rodrigues PSDB-MG 100.000,00
Djalma Diniz PSDB-MG 100.000,00
Alexandre Santos PSDB-RJ 100.000,00
Alice Tamborindeguy PSDB-RJ 100.000,00
Walter Feldman PSDB-SP 100.000,00
João Almeida PSDB-BA 75.000,00
Luiz Humberto Carneiro PSDB-MG 75.000,00
Domingos Sávio PSDB-MG 75.000,00
Ermano Batista PSDB-MG 75.000,00
Elbe Brandão PSDB-MG 75.000,00
Custódio Mattos PSDB-MG 75.000,00
Affonso Camargo PSDB-PR 75.000,00
Serafim Venzon PSDB-SC 75.000,00
Zulaiê Cobra PSDB-SP 75.000,00
Xico Graziano PSDB-SP 75.000,00
Antonio Carlos Mendes PSDB-SP 75.000,00
Andréia Zito PSDB-RJ 70.000,00
Luiz Paulo PSDB-RJ 70.000,00
Fahim Sawan PSDB-MG 55.000,00
Ermano Batista PSDB-MG 55.000,00
Maria Olívia PSDB-MG 55.000,00
Affonso Camargo PSDB-PR 50.000,00
Aluízio Nunes Ferreira PSDB-SP 50.000,00
Carlos Sampaio PSDB-SP 50.000,00
Lobbe Neto PSDB-SP 50.000,00
Silvio Torres PSDB-SP 50.000,00
Walter Barelli PSDB-SP 50.000,00
Rafael Guerra PSDB-MG 40.000,00
Eduardo Barbosa PSDB-MG 35.000,00
TOTAL DO PSDB 4.625.000 ,00

DEPUTADOS-PTB
José Militão PTB-MG 150.000,00
Agostinho Patrus PTB-MG 150.000,00
Armando Monteiro PTB-PE 150.000,00
José Múcio PTB-PE 150.000,00
Luis Antônio Fleury PTB-SP 100.000,00
Medeiros PTB-SP 100.000,00
Nelson Marquezelly PTB-SP 100.000,00
Arnaldo Faria de Sá PTB-SP 100.000,00
Pastor George PTB 75.000,00
Alberto Bejani PTB-MG 75.000,00
Fábio Avelar PTB-MG 75.000,00
Roberto Jefferson PTB-RJ 75.000,00
Dilzon Melo PTB-MG 75.000,00
TOTAL DO PTB 1.355.000 ,00

sábado, 8 de abril de 2006

O COMENDADOR E OS TUCANOS

As ligações entre o senador Antero Paes de Barros, o ex-governador Dante de Oliveira e o bicheiro João Arcanjo

Por Leandro Fortes, de Cuiabá

Na quarta-feira 8, a assessoria de imprensa do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) distribuiu um texto intitulado Velhacos e Bestalhões. O documento, um arrazoado de divagações e clichês sobre o governo do PT, conclama o Ministério Público Federal a uma “ação efetiva” contra o que o parlamentar chama de “desrespeito à lei eleitoral”, no caso, a declaração do presidente Lula de que todo político faz campanha eleitoral 365 dias por ano. Trata-se de uma relação dúbia do senador com o Ministério Público. Ao mesmo tempo em que urge providências na esfera federal, Antero vocifera contra outra ação do MP a nível estadual. Tem lá seus motivos.

Ueslei Marcelino/BGPress

Duas medidas.

Antero fala grosso em Brasília, mas não convence ao explicar como o dinheiro sujo foi parar na sua conta bancáriaUm inquérito aberto há pouco mais de dois anos pela Polícia Federal do Mato Grosso investiga as estranhas e lucrativas ligações da cúpula do PSDB regional com o crime organizado local. Não se trata, diga-se de passagem, de uma organização qualquer. O chefe da quadrilha é o banqueiro do jogo de bicho João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, acusado de ter ordenado o assassinato de mais de 30 pessoas em Mato Grosso, e o espancamento e mutilação de pelo menos outras 50. Entre 1994 e 2002, diversas empresas
ilegais de factoring (empresas que antecipam dinheiro de cheques pré-datados) montadas por Arcanjo serviram para irrigar dinheiro em campanhas eleitorais do PSDB. Apenas na campanha a governador de Antero Paes de Barros, em 2002, foram encontrados 84 cheques de uma factoring do bicheiro no valor total de 240 mil reais.

O assunto, obviamente, transtorna o senador. Em 16 de fevereiro, Antero teve um ataque de nervos em plena CPI dos Bingos, justamente quando era ouvido o juiz Julier Sebastião da Silva, titular da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Mato Grosso. Convidado pela comissão, Julier teve pouco tempo para explicar o que tem feito em Cuiabá. Na capital mato-grossense, com a ajuda dos procuradores da República Pedro Taques e Mário Lúcio de Avelar, o juiz desmantelou o império de Arcanjo e desnudou as relações do bicheiro com o ex-governador tucano Dante de Oliveira, o senador Antero, o comitê financeiro do PSDB, deputados estaduais e gente graúda da administração estadual.

“Mentiroso, mentiroso!”, berrava Antero Paes de Barros no plenário da CPI dos Bingos, irritado com a explanação constrangedoramente simples dada pelo juiz Julier da Silva, a quem o senador prometeu processar. Aos senadores da comissão, ele disse apenas que dava seqüência jurídica ao processo com base nas provas anexadas aos autos, todas obtidas em ações de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal. Sem saber, procuradores e policiais federais abriram uma Caixa de Pandora de onde saltaram transações de quase 1 bilhão de reais banhados com sangue.

A primeira descoberta dos investigadores foi que, a partir de 1994, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso colocou 81 milhões de reais em factorings do Comendador. Essa dinheirama foi transferida para as mãos de João Arcanjo Ribeiro, graças a uma ação direta do governo Dante de Oliveira. Ainda no governo do tucano, o Departamento de Viação e Obras Públicas de Mato Grosso depositou nas contas das empresas do bicheiro outros 9 milhões de reais.

O Ministério Público descobriu, ainda, que o ex-secretário de Segurança Pública do estado, Hilário Mozer Neto, nomeado por Dante, depositou 1,5 milhão de reais nos cofres de Arcanjo. Não bastasse isso, Mozer Neto, soube-se em seguida, era presidente da empresa offshore Gamza S.A., localizada no Uruguai, o mais importante paraíso fiscal ao sul do Equador. A Gamza, com capital social de 16 milhões de dólares (ou 34,7 milhões de reais), é de propriedade do Comendador.

Também se descobriu, ao longo das investigações, que uma empresa, a Amper – Construções Elétricas Ltda., movimentou mais de 6 milhões de dólares (13 milhões de reais), entre créditos e débitos, na factoring uruguaia de Comendador. Além disso, a Amper foi beneficiária de empréstimos fraudulentos obtidos no Uruguai junto à outra offshore do bicheiro, a Aveyron S.A., ponta-de-lança do esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado mato-grossense. Detalhe importante: o dono da Amper chama-se Armando Martins, e vem a ser irmão do ex-governador Dante Martins de Oliveira.

Os cheques da Vip Factoring colocados nas contas do PSDB foram descobertos a partir de um laudo preparado pela Polícia Federal. As informações estavam dentro de um computador apreendido pelos agentes na sede da empresa do Comendador, em Cuiabá. No disco rígido da máquina estavam todas as operações da empresa do bicheiro com o denominado “comitê financeiro único estadual do PSDB”. Os cheques encontrados, 240 mil reais ao todo, eram de doadores da campanha do senador Antero Paes de Barros à sucessão de Dante de Oliveira, este candidato ao Senado. Ambos, aliás, foram derrotados.

João Wainer/Folha Imagem

Família.

Dante e o irmão, Armando, estão na mira do Ministério Público Federal. O delegado Eliomar da Silva Pereira é o presidente do inquérito que investiga, na Polícia Federal, as ligações do PSDB com o crime organizado em Mato Grosso. Até hoje, ele ouviu apenas um envolvido, Paulo Ronan Ferraz Santos, presidente do comitê financeiro estadual do partido. Ao policial, Ronan afirmou que os 240 mil reais descobertos nas contas da campanha de Antero fazem parte de outros 750 mil reais arrecadados por ele em um jantar de adesão com empresários do estado. Os doadores teriam pago para ouvir um certo Luiz Martins, “consultor” de investimentos de Mato Grosso.

Eliomar Pereira não sabe o que foi feito com o resto do dinheiro, nem tem planos para ouvir o senador Antero Paes de Barros e o ex-governador Dante de Oliveira. Na sala onde trabalha, estão sete caixas de documentos, centenas de disquetes e outras dezenas de HDs de computadores das factorings de Arcanjo. Boa parte do material ainda precisa ser periciada. Quanto ao senador, ele afirma que vai ouvi-lo quando encerrar todas as perícias. Em relação a Dante, o delegado está equivocado. Acredita existir uma decisão judicial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o impede de investigar o ex-governador e acessar as provas colhidas contra ele. “Por enquanto, não posso mexer em nada que diga respeito ao ex-governador”, garante. Na verdade, o STJ rejeitou uma reclamação nesse sentido de Dante, em novembro
de 2005. O tucano queria foro especial em Brasília, longe dos olhos do juiz Julier Sebastião da Silva. CartaCapital /não conseguiu localizar Dante por meio do número de telefone fornecido pela PF.

Juiz federal há 11 anos, Julier vive sob proteção policial desde que remexeu no baú de maldades de José Arcanjo Ribeiro. Na sessão da CPI dos Bingos, realizada em fevereiro, foi praticamente impedido de falar, além de ter sido acusado por Antero Paes de Barros de ter montado a acusação porque era do PT. De fato, Julier foi militante do movimento estudantil pelo partido, na Universidade Federal de Mato Grosso, no fim dos anos 80. Desfiliou-se em 1995, quando se tornou juiz federal, uns poucos anos depois de outro companheiro petista e mato-grossense. O próprio Antero Paes de Barros. O senador, atual antipetista de carteirinha, foi deputado federal constituinte pelo PT, ao lado de Lula, entre 1986 e 1990.

Julier garante nunca ter sido incomodado pessoalmente, nem por tucanos, nem por bandidos do crime organizado local. Mas por causa de um plano de assassinato descoberto pela PF, vive, há dois anos, dentro de um aparato que inclui agentes federais e da Polícia Militar. “Não dá para brincar”, avalia. Ainda assim, não desiste da investigação e garante que superar o medo é parte do trabalho de quem, em nome do Estado, tem de tomar decisões. “Não
tem jeito, só sei fazer isto: ser juiz”.

Segundo ele, a participação na CPI dos Bingos, no mês passado, foi “um teatro” montado para partidarizar, deliberadamente, a discussão. “Aquilo foi montado para o senador se defender, mas fiquei quieto, porque estava na condição de convidado, e os fatos falam por si mesmos”, diz. Mesmo sob ataque, preferiu não comprar a briga. “Não perco a paciência nem me meto em
falsas polêmicas”, avisa. Segundo ele, não há paixão nem muito menos interferência política nas acusações. “Qualquer um que lê os autos e a sentença de condenação de Arcanjo pode entender isso.”

O procurador Pedro Taques, atualmente lotado na Procuradoria Regional de São Paulo, também estava na CPI dos Bingos, ao lado do juiz Julier, quando o senador Antero Paes de Barros disparou contra as investigações. Taques, um dos procuradores mais atuantes do País contra o crime organizado, já havia falado duas vezes na comissão, sempre sobre o problema de bingos e sempre de forma genérica. Naquela ocasião, queria discorrer sobre as ligações de
Arcanjo com o PSDB. Não teve tempo. Por causa do barraco armado por tucanos e governistas, o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), encerrou precocemente a sessão.

Pedro Taques foi convidado a voltar a Brasília, mas não sabe ainda quando será chamado, uma vez que a CPI do Bingo teve os trabalhos prorrogados por mais 60 dias. Espera, desta vez, ter chance de falar sobre as investigações. “Não adianta partidarizar a questão, porque os elementos de prova são todos técnicos”, diz Taques. “O Ministério Público não é nem posição, nem situação – é Constituição.” O procurador não quer somente mostrar as ligações entre o poder público e o crime organizado em Mato Grosso, mas demonstrar, também, como se processou a degradação decorrente dessa associação na sociedade mato-grossense.

Para se entender o que Taques quer dizer, é preciso compreender, antes, o perfil de João Arcanjo Ribeiro, um sociopata nascido em Luziânia (GO) que, em duas décadas, foi da condição de humilde policial civil a chefe de uma das maiores e mais violentas organizações criminosas do País. Banqueiro do jogo do bicho no início dos anos 80, foi só a partir de 1994, no primeiro governo de Dante de Oliveira, que Arcanjo começou a fazer negócios com factorings dentro da administração estadual. Antes, dominava o mercado de caça-níqueis e mantinha um concorrido cassino ilegal próximo a Cuiabá, o Estância 21.

Marcus Vaillant/A Gazeta de Cuiabá

Arcanjo.

30 mortes e 1 bilhão de reais na conta. Em pouco tempo, Arcanjo passou a dominar o mercado financeiro local, a ponto de, ilegalmente, transformar as empresas em bancos informais acessados e distribuídos por todo o estado. Pelos cálculos da Polícia Federal, entre 1994 e 2002, de 30% a 40% de todo o dinheiro de Mato Grosso circulou pelas contas do bicheiro. Cobrava juros menores, mas era um cobrador implacável. Para garantir os pagamentos, contratou torturadores da Polícia Civil e Militar, além de pistoleiros. O grupo quebrava as pernas e braços dos devedores, estuprava familiares e, em último caso, apelava para assassinatos à luz do dia, em ruas movimentadas de Cuiabá, apenas à guisa de exemplo.

Foi nesse período que José Arcanjo, já influente no estado, foi agraciado com duas comendas, uma da Assembléia Legislativa, outra da Câmara de Vereadores – esta cassada em 2005. A que foi concedida pelos deputados estaduais ainda permanece válida. Tornou-se, a partir de então, cidadão emérito de Cuiabá, ocasião em que ganhou o pomposo apelido de Comendador”. Passou a agir, depois disso, como caricatura de mafioso siciliano. Na igreja, aonde ia todos os domingos, rezava cercado de capangas. Nos restaurantes que freqüentava, chegava ao ponto de interditar o banheiro aos demais clientes, para poder, tranqüilamente, ocupá-lo sozinho. Em outra ocasião, mandou matar um desafeto, mas fez questão de manter o conforto da viúva, a quem deu um apartamento e garantiu o pagamento da taxa de condomínio do imóvel. Luiz Alberto Dondo Gonçalvez, contador das empresas de Arcanjo, foi a chave para o juiz Julier da Silva e o procurador Pedro Taques desvendarem alguns dos mecanismos utilizados pelo Comendador em suas negociatas em Mato Grosso. Em depoimento à Justiça Federal, ele revelou que uma das factorings do bicheiro, a Confiança, teria feito empréstimos ao Grupo de Comunicação Gazeta, de Cuiabá, para custear a campanha de Antero Paes de Barros, em 2002. O “empréstimo” de 5,7 milhões de reais teria sido intermediado pela Vip Factoring, também com auxílio de outro colaborador de Comendador, o gerente financeiro-Nilson Roberto Teixeira.

A quebra dos sigilos de Dorileo Leal, dono do Grupo Gazeta (um jornal, rádios e a emissora de TV afiliada da Record em Mato Grosso) revelou depósitos de 2,5 milhões de reais, em agosto de 2002, sem qualquer justificativa de prestação de serviço. O relatório entregue à Justiça Federal foi feito pelo Banco Central e cobre, justamente, o período mais crítico da eleição estadual. Envolve três factorings de Arcanjo: Confiança, Vip e Mundial.

O assassinato do jornalista Sávio Brandão Lima Júnior, em 30 de setembro de 2002, com vários tiros na cabeça, foi a gota d’água, mas as investigações começaram antes. Brandão, dono da Folha do Estado, teria fornecido informações sobre Arcanjo para jornalistas de fora do Mato Grosso e suscitado a fúria do bicheiro. O juiz Julier decretou a prisão temporária de Comendador em 2 de dezembro de 2004. Em seguida, foram expedidos mandados de busca e apreensão para dar suporte à Operação Arca de Noé, da PF, em 5 de dezembro.

João Arcanjo fugiu para o Uruguai, juntamente com a segunda mulher, Sílvia Shirato, manicure da primeira esposa do Comendador. Acabou preso pela Justiça uruguaia, após ter sido condenado, no Brasil, a 37 anos de cadeia por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, delitos tributários e formação de quadrilha. Responde, ainda, por mando de homicídios na Justiça de Mato Grosso. A mulher, Sílvia, foi condenada a 25 anos de cadeia por lavagem de dinheiro. Mas como esse crime não é tipificado no Uruguai, não corre o risco de ser extraditada.

A extradição do Comendador, no entanto, já está decidida. Faltam apenas trâmites burocráticos. Julier da Silva e Pedro Taques defendem a transferência dele para o presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá. Isso porque Arcanjo terá de comparecer a diversas audiências na Justiça comum, por conta das acusações de assassinato, e, mais tarde, levado a júri popular na capital mato-grossense.

Mas a Polícia Federal prefere levá-lo para Brasília até que o presídio federal de Campo Grande (MS) fique pronto, com previsão para novembro deste ano. Os delegados envolvidos nos inquéritos acham arriscado mantê-lo no presídio de Cuiabá, de onde um dos matadores do Comendador chegou a fugir pela porta da frente. A PF se dispôs a garantir o traslado do bicheiro para Mato Grosso toda vez que se fizer necessário.

Ao todo, 11 inquéritos foram abertos por conta da Operação Arca de Noé, mas ainda é preciso avaliar toda a documentação liberada pela Justiça do Uruguai. A PF está debruçada, agora, no que chama de “conexão americana”, alusão a um hotel comprado por Arcanjo em Orlando, na Flórida (EUA). O Comendador tem um patrimônio a descoberto, ou seja, jamais notificado à
Receita Federal, de mais de 800 milhões de reais no País, além de outros 40 milhões de dólares no Uruguai. “Pode ter muito mais no exterior, mas temos muita dificuldade de conseguir informações nos paraísos fiscais”, diz o delegado Aldair da Rocha, superintendente da PF em Mato Grosso. Ele lembra que, no Uruguai, por exemplo, não é possível identificar os nomes dos donos das empresas após mudanças societárias. Então, basta colocar laranjas para abrir a offshore e, em seguida, mudar o nome dos sócios.

Procurado por CartaCapital, o senador Antero Paes de Barros solicitou que as perguntas da revista fossem feitas via e-mail. Sobre as ligações com José Arcanjo, disse apenas que conhecia o Comendador “como todos em Cuiabá”, mas que jamais teve relações sociais e nem de negócios com ele. Segundo Antero, as acusações contra ele são “uma grande farsa”. Ele acusa o juiz Julier de ter usado os documentos apreendidos pela PF para invadir a sede do PSDB em Cuiabá e, assim, ajudar o candidato do PT a governador, Alexandre César, nas eleições de 2002.

Antero garante que os cheques, no total de 240 mil reais, arrecadados pelo comitê financeiro do PSDB, foram trocados na Vip Factoring por meio de uma operação de fomento mercantil – operação esta feita, diz o senador, sem o conhecimento dele. Ainda assim, garante, toda a transação foi declarada na prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. “Não houve doação de Arcanjo e de suas empresas à campanha do PSDB”, afirma.

Clique abaixo e confira:
O Ministério Público e a Justiça Federal não têm dúvidas da ligação dos tucanos com a máfia

O texto de Serraglio é parcial, omisso e não prova o mensalão

A edição da revista Carta Capital, nas bancas esta semana, publica uma série de perguntas não respondidas pelo relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), em seu relatório aprovado ontem (5) pelo Plenário da Câmara. Os questionamentos demonstram que o relatório foi parcial, omisso e não prova que tenha havido "mensalão".

Leia abaixo a íntegra da reportagem:


PERGUNTAS AO RELATOR
CPI DOS CORREIOS
O texto de Serraglio é parcial, omisso e não prova o mensalão

POR SERGIO LÍRIO

O relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDBPR) resistiu poucas horas. Enfático, mas vazio de provas, o trabalho desagradou a todo mundo. Na noite da mesma quarta-feira (29), parlamentares governistas e oposicionistas reuniram-se para achar pontos de acordo que não inviabilizem a aprovação do texto. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PTMS), disse que o prazo final para as sugestões termina na terça-feira, 4 de abril. Carta Capital relaciona algumas perguntas não respondidas por Serraglio.

ONDE ESTÃO AS PROVAS DO MENSALÃO?

O relatório de Serraglio chama de "farsa" o argumento de que as operações do PT com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza serviram para esconder o caixa 2 nas eleições de 2004. O texto é categórico ao defender a existência do mensalão, mas, de forma contraditória, em nenhum momento afirma que tenha havido compra de votos para aprovação de projetos de interesse do governo.

O deputado culpa a falta de provas à CPI da Compra de Votos, criada, entre outros motivos, para apurar a existência do mensalão e que acabou sem produzir relatório final. E remete ao Ministério Público Federal a responsabilidade de confirmar se houve ou não pagamento regular a parlamentares.

Após 287 dias, o trabalho de Serraglio continua com as mesmas incongruências apresentadas nos textos parciais. Dos 19 deputados acusados de receber o mensalão, sete são filiados ao PT. Por que parlamentares petistas precisariam receber dinheiro para votar com o governo? Serraglio não esclarece. Outro citado, Roberto Brant, integra o PFL, legenda que mais faz oposição a Lula no Congresso. Sem os petistas e Brant, sobram 11 parlamentares da base governista. É possível ganhar uma votação na Câmara pagando a tão pouca gente? Outra dúvida: se o relator confirma o mensalão, por que os parlamentares serão indiciados apenas por crime eleitoral, que pune caixa 2?

POR QUE O EX-DEPUTADO JOSÉ BORBA NÃO FOI INDlCIADO?

Nas vésperas da divulgação do relatório, circularam boatos de que 50 novos nomes seriam incluídos na lista de beneficiários do Valerioduto. A maioria seria do PMDB, partido do relator. Serraglio teria omitido a nova listagem por considerála inconfiável. O exlíder do partido na Câmara, deputado José Borba, paranaense como Serraglio, nem sequer chegou a figurar entre os possíveis indiciados. Detalhe: Borba renunciou depois de a imprensa divulgar que ele recebeu cerca de 2 milhões de reais das contas de Marcos Valério.

QUANDO O ARGUMENTO DE EMPRÉSTIMO VALE?

Segundo Serraglio, o PT e Marcos Valério inventaram os empréstimos de 55 milhões de reais para esconder os crimes cometidos. Quando se trata do argumento petista, o relator toma o correto cuidado de usar a palavra empréstimo entre aspas.

A mesma cautela não é utilizada no caso do senador tucano Eduardo Azeredo. Ao relatar a situação de Azeredo, Serraglio usa empréstimos sem aspas.

Para relembrar. Azeredo foi candidato à reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998. O então tesoureiro da campanha, Cláudio Mourão, admitiu em depoimento à CPI ter feito um caixa 2 de cerca de 12 milhões de reais. O dinheiro teria saído de empréstimos do Banco Rural avalizados por Marcos Valério. Mais tarde, um documento assinado por Mourão, cuja autenticidade foi confirmada por peritos da Polícia Federal, relaciona um caixa 2 de 92 milhões de reais na campanha tucana. Parte substancial dos recursos teria origem em contribuições ilegais de empresas estatais mineiras, entre elas a Cemig e a Copasa.

POR QUE NÃO HÁ REFERÊNCIAS AO CASO FUNDACENTRO?

O Ministério Público Federal comprovou desvios de 5,8 milhões de reais nas verbas publicitárias da Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho, controladas pela SMP&B. À época, Marcos Seabra de Abreu Rocha, funcionário do governo de Minas Gerais, era diretor financeiro da instituição. Segundo o MP, a maior parte dos desvios ocorreu em 1998, justamente no ano em que Azeredo concorreu à reeleição.

Por causa desses fatos, Azeredo pode ser considerado o "pai do Valerioduto". Essa linha temporal parece, porém, não ter interessado ao relator. Na descrição do funcionamento do esquema, Serraglio omite o histórico relacionado à campanha tucana de 1998. Azeredo, cujo processo acabou arquivado no Conselho de Ética do Senado, deve ser indiciado por crime eleitoral, já prescrito.

É O MAIOR CASO DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA?

Se é, o relatório não conseguiu provar. Serraglio diz que as fontes do Valerioduto foram empresas estatais e privadas. O texto final não consegue, porém, ir além do que havia sido apresentado em novembro de 2005. Em nove meses, a CPI avançou muito pouco na definição das fontes que abasteceram o esquema. O principal trunfo do relator é o repasse de 12 milhões de reais, sem serviços comprovados, às agências de Marcos Valério pela Visanet, empresa da qual o Banco do Brasil detém 33%. Outra companhia citada é a Usiminas, que teria feito uma doação via caixa 2 à campanha do deputado pefelista Roberto Brant. Valor da Contribuição: 125 mil reais.

Há omissões imperdoáveis. O relator esquece de detalhar o uso de verbas das operadoras Telemig Celular e Amazônia Celular. Técnicos da CPI identificaram movimentações de 122 milhões de reais da Telemig e de 36 milhões de reais da Amazônia para as agências DNA e SMP&B, mas o relatório deixa de informar se os pagamentos correspondem a serviços prestados. Quanto à Brasil Telecom, Serraglio esquece de citar os contratos de 50 milhões de reais fechados com Valério semanas antes de o exdeputado Roberto Jefferson dar a primeira entrevista à Folha de S.Paulo. Isso leva à próxima pergunta.

POR QUE O BANQUEIRO DANIEL DANTAS NEM SEQUER FOI CITADO NO RELATÓRIO?

A informação prestada pelo gabinete do senador Delcídio Amaral (PTMS) é de que a omissão foi um lapso do relator. Por meio de assessores, Amaral garantiu que a participação de Dantas na crise ficará explícita no texto final, a ser aprovado em meados de abril.

A omissão chama atenção, porque as referências ao banco Opportunity permeiam todo o relatório. A Brasil Telecom, operadora de telefonia administrada por Dantas até outubro de 2005, aparece como uma das principais fontes do Valerioduto.

À CPI, Marcos Valério e Delúbio Soares afirmaram que o publicitário intermediou reuniões de petistas com representantes do banqueiro. Em janeiro deste ano, CartaCapital revelou que Humberto Braz, lobista do Opportunity em Brasília, encontrouse diversas vezes com o publicitário e com emissários petistas em meados de 2004. Foi um período extremamente difícil para Daniel Dantas. Em junho, soubese que o orelhudo havia contratado a Kroll para bisbilhotar a vida de desafetos e concorrentes. Em outubro, a Polícia Federal apreendeu documentos na sede do banco e na casa de Dantas. Por pouco, o banqueiro não foi preso.

Chamado a depor na comissão, o banqueiro falou por 19 horas. Disse ter sido perseguido tanto pelo governo Fernando Henrique Cardoso quanto pelo de Lula. Auditoria da nova diretoria da BrT mostrou que Daniel Dantas mentiu várias vezes no depoimento à CPI e que sua ingerência na BrT era maior do que afirmava. Carla Cico, expresidente da operadora de telefonia, aliada do banqueiro, esteve diante dos parlamentares por oito horas.

COMO EXPLICAR A VIAGEM DE MARCOS VALÉRIO A PORTUGAL?

Para provar que José Dirceu era o "chefe do esquema", o exdeputado Roberto Jefferson mencionou uma viagem de Marcos Valério a Lisboa. Segundo Jefferson, o publicitário, acompanhado do petebista Emerson Palmieri, teria ido achacar empresários portugueses. Serraglio manteve essa versão no relatório, mas evitou aprofundar o assunto.

Em janeiro de 2005, Marcos Valério reuniuse com o presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa. Sabese que a Portugal Telecom queria comprar a Telemig Celular e que Dantas tentava uma maneira de convencer os fundos de pensão a aceitar o negócio, ruim para eles. Daniel Dantas contava com o apoio de integrantes do governo Lula para dobrar os diretores das fundações, em especial Sérgio Rosa, da Previ. O relator não se esforçou para tentar elucidar a principal questão: em troca de quê Miguel Horta e Costa aceitaria "doar" dinheiro ao PT e ao PTB?

O QUE FAZER COM O SUBRELATÓRIO DE ACM NETO?

A criação da subrelatoria de fundos de pensão foi uma reação da "bancada do orelhudo" no Congresso, a turma do PFL que desfruta do apoio e da amizade de Dantas. Quando aumentavam as evidências de que a disputa pelo controle da Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular estava na gênese da crise política, a bancada amiga arrumou uma forma de desviar o foco. O objetivo era descobrir se os maiores fundos, Previ, Petros e Funcef, em disputa com o Opportunity, financiaram o Valerioduto.

O trabalho de ACM Neto, apoiado por auditores da Ernst & Young, passa longe desse objetivo. A denúncia bombástica do deputado ficou menor. Depois que os auditores limparam o trabalho de vários erros grosseiros, os supostos prejuízos de 725 milhões de reais de 14 fundos viraram 300 milhões, a maior parte concentrada em pequenas instituições. A nova quantia continua passível de novos questionamentos.

Os alvos principais da investigação saíram ilesos. O subrelator sugere que o Ministério Público aprofunde a investigação para descobrir possíveis irregularidades na Previ e na Petros, mas não pede o indiciamento de nenhum diretor das duas instituições.

O QUE O BANCO SANTOS, A PRECE E A GEAP TÊM A VER COM O MENSALÃO?

ACM Neto propôs o indiciamento do diretorfinanceiro da Funcef, Demósthenes Marques, por conta de perda de 10 milhões de reais em aplicações no Banco Santos.

É uma sugestão curiosa. Nunca houve qualquer ilação de que as aplicações na falida instituição de Edemar Cid Ferreira tenham relação com o esquema de Marcos Valério. Além disso, o subrelator acha importante citar o prejuízo da Funcef, mas ignora o prejuízo da fundação dos empregados do Banco do Estado do Ceará, que perdeu quase 8 milhões de reais no Banco Santos. O Ceará é administrado pelo tucano Lúcio Alcântara, ligado ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati. Tucanos e pefelistas formarão uma chapa presidencial nas próximas eleições. O próprio Jereissati foi vítima da butique financeira de Cid Ferreira. Perdeu cerca de 2 milhões de reais.

Fosse a exclusão de fundos estaduais um critério, tudo bem. Mas não é. O subrelator sugere o indiciamento de seis dirigentes da Prece, dos empregados da companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro, e de dois da Geap, da fundação de seguridade social.

Ambos estão subordinados a Rosinha Garotinho, cujo marido sonha ser candidato à Presidência pelo PMDB. É até possível que as caixas de previdência tenham cometido irregularidades semfim. Só que, mais uma vez, é necessário perguntar: Por que investigar a Prece e o Geap? Qual a participação dos dois fundos estaduais no suposto pagamento de mensalão a deputados federais? Foi para engordar a soma dos prejuízos? O subrelatório não responde.


QUEM FINANCIOU A CORRUPÇÃO?

O deputado ACM Neto esforçouse para achar problemas, apesar de na parte principal do relatório do colega Serraglio não ter incluído os fundos entre os financiadores do Valerioduto. Mesmo sem chegar a qualquer conclusão, o subrelatório dedica seis páginas ao acordo que obriga os fundos a comprar as ações do Citibank na Brasil Telecom, caso as partes não consigam realizar uma venda conjunta da empresa até o fim de 2007. Na falta de provas mais concretas, abusa da acrobacia verbal. Anota, por exemplo: "A influência políticopartidária, na nomeação de diretores, não permite que se afastem as hipóteses de ingerência indevida nos interesses dos fundos de pensão. Operações atípicas como o contrato de Put das ações da Brasil Telecom, bem como o direcionamento, especialmente em 2004, na aquisição de créditos de instituições bancárias como o BMG e o Rural, e investimentos em empreendimentos como Umberto Primo e Costa do Sauípe".

Dito dessa maneira, parece que todos os negócios foram feitos pelos atuais dirigentes das fundações. O deputado omite que os investimentos da Previ no complexo hoteleiro Costa do Sauípe, na Bahia, são de 1999. Deixa de dizer também que a Fundação dos Empregados do Banco do Brasil contabiliza prejuízos de 900 milhões de reais, o triplo dos prejuízos de 14 fundos apontados em seu trabalho. Não há menção ao fato do avô, ACM, ter pressionado para que a Previ investisse em Sauípe, apesar de análises técnicas contrárias. Antonio Carlos Magalhães, defensor dos interesses baianos, afirmou, depois de CartaCapital revelar na edição 383 (de 8 de março de 2006) sua atuação no caso: "O investimento foi bom para a Bahia, mas se fosse diretor da Previ eu votaria contra". Fica como sugestão de epígrafe para o subrelatório do neto.

Aprendiz da manha política da família, ACM Neto conseguiu arrancar elogios de jornalistas que tiveram acesso a seu relatório com antecedência. É assim mesmo. Parte considerável dos repórteres de Brasília abre mão do espírito crítico em troca de migalhas. Houve, por isso, quem na imprensa elogiasse a proposta do deputado de criação de uma agência para fiscalizar os fundos.

CartaCapital relembra episódio narrado na reportagem "A orelha desponta", publicada na edição 353 (de 3 de agosto de 2005). Capitaneados por ACM e Jorge Bornhausen, a bancada do PFL no Senado derrubou a Medida Provisória que criava a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, apelidada Previc. A intenção do governo era fortalecer a fiscalização dos fundos.

O primeiro parecer sob responsabilidade da Previc dizia respeito ao uso da Fundação 14, ligada à Brasil Telecom, no interesse de Dantas. À época, a fundação patrocinou ações judiciais contra os sócios do Opportunity na BrT. Procuradores da Previc entenderam que a liminar obtida pelo fundo não tinha valor. Decidiu, portanto, contra Daniel Dantas. E foi extinta por ação dos senadores pefelistas.

Revista Carta Capital, 05/04/2006, edição nº 387

FIQUE BEM INFORMADO.

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