quarta-feira, 3 de maio de 2006

Lula: Brasil precisa de choque de inclusão - 01/05/2006

Num discurso contundente e recheado de bom-humor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o primeiro dia do 13º Encontro Nacional do PT ovacionado pelos cerca de 1.500 petistas que lotaram a quadra do Sindicato dos Bancários, no Centro de São Paulo, onde acontece o evento.

Durante 1 hora e 10 minutos, Lula arriscou brincadeiras em espanhol - aproveitando a presença de 16 delegações estrangeiras -, detalhou os avanços de seu governo em diversas áreas, fez duras críticas à oposição e cobrou "maturidade" do PT para a disputa política deste ano.

"O PT precisa se preparar para um enfrentamento bravo. Os adversários vão ser conosco muito mais duros do que nós fomos com eles", afirmou. Segundo Lula, o comportamento do PSDB e do PFL significa que não haverá limites no embate eleitoral. "Estão dizendo: vale tudo", condenou.

Para o presidente, a "saraivada de tiros" que ele, o governo e o PT enfrentam há um ano foi motivada pelo sucesso de sua administração. "Nossos adversários tinham a convicção de que nós não iríamos dar conta do recado e que o Brasil estaria quebrado no primeiro ano de governo",
lembrou.

Quando as coisas começaram a dar certo, disse Lula, a oposição decidiu ir "para cima" do governo. Segundo ele, as CPIs dos Correios e dos Bingos - que classificou de "duas coisas fantásticas" - tiveram o único objetivo de atacar o PT. "Porque eles sabem que, na disputa democrática, não nos
derrotarão".

Os adversários, disse o presidente, andam tão irritados que querem até proibir a Petrobras de anunciar a auto-suficiência brasileira em petróleo. "Isso é porque não sabem o sucesso que vai ser o biodiesel...", provocou.

Segundo Lula, o Brasil vai se transformar na maior matriz de bioenergia do mundo no curto espaço de tempo. "Não está longe o dia em que não precisaremos mais falar a palavra prospectar petróleo. Nós vamos plantar petróleo".

Modismo

O presidente aproveitou para ironizar o discurso que a direita já ensaia para as eleições deste ano.

"Eles não querem debater o econômico e o social. O que resta para eles? Viagem espacial? Fomos nós. Auto-suficiência de petróleo? Fomos nós... O que restará para eles? O que vamos debater? Já sei: choque de gestão!"

Para Lula, a expressão, que vem sido repetida pelo pré-candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin, não passa de modismo eleitoral. "Eu lembro que, em 1994, a moda era falar em química fina, novos materiais, fibra ótica. Tinha que falar isso em todo discurso. Muita gente nem sabia o que era", comparou, arrancando risos da platéia.

Segundo o presidente, por trás do discurso do "choque de gestão" está o corte nos investimentos sociais, o fim dos aumentos reais para o salário mínimo e a redução dos benefícios previdenciários. E arrematou: "O Brasil precisa é de choque de inclusão social, de política pública para cuidar do
povo pobre desse país".


Corinthians x Íbis
Lula disse estar preparado política, física e psicologicamente para percorrer o Brasil anunciando os muitos avanços de seu governo. "Tudo o que eu quero na vida é fazer comparação", afirmou.

Ele ressaltou, porém, que não quer comprar só com o governo passado. "Seria como comparar o Corinthians ao Íbis", alfinetou, relacionando FHC à equipe pernambucana que, há alguns anos, ganhou o título de pior time do mundo.

Depois completou: "Quero comparar com a História republicana do país". O presidente lembrou que nunca os trabalhadores estiverem tão próximos do poder, citando o diálogo permanente com os movimentos sociais, as políticas para mulheres, negros e índios e os ganhos salariais.

"Passei grande parte da vida fazendo greve e voltando ao trabalho sem nada além da reposição da inflação. Agora, em 24 meses, 90% dos acordos tiveram ganhos reais nos salários", disse.

Na seqüência, falou dos 39 meses de saldo positivo na geração de empregos. "Criamos 4 milhões de vagas com carteira assinada, sem contar setor público e agricultura familiar".

Expectativas

O crescimento econômico com inflação baixa, bem com os recordes das exportações com fortalecimento do mercado interno, são feitos que, lembrou o presidente, nunca existiram no país.

Falando sobre as fortes cobranças em torno da política econômica, Lula ponderou que elas se assentam nas enormes expectativas "construídas a vida inteira". Mas ponderou que, nessas horas, é preciso ter paciência - ressaltando os méritos do ex-ministro Antonio Palocci nesse sentido. "Leva
anos e anos para cercar as coisas, fazer as coisas engatarem entre si", disse.

Outra vez Lula levou a platéia às gargalhadas quando lembrou das discussões em torno do programa econômica na campanha de 2002. De acordo com ele, as análises eram tão pessimistas que se chegava à conclusão de que o Brasil não teria solução. "Então eu pensava: se o Brasil acabou,
para que eu quero ser presidente?"

Usando suas habituais metáforas, o presidente comparou a recuperação da economia à construção de uma laje, em que as escoras de madeira só podem ser retiradas após 30 dias. Antes disso, o cimento ainda não maturou e a estrutura pode desabar. "O Brasil estava tão frágil, que era preciso
maturar", emendou.

Agora, de acordo com ele, a situação é outra. "Hoje digo sem medo de errar a qualquer economista, a qualquer crítico de direita ou de esquerda: precisamos preparar um caminha sem volta, que não tenha retorno".

Crise e imprensa

Lula condenou a violência com que a direita, a elite e a imprensa têm atacado o PT e o governo. "Nem bem começou a crise, já tinha uma penca de livros dizendo que o PT ia acabar. É impressionante. Eu acho que eles escreveram antes de eu ganhar as eleições...", ironizou.

No meio do discurso, citou José Dirceu, presente ao Encontro. A platéia aplaudiu de pé o ex-ministro. Também houve muitos aplausos a José Genoino - que não estava presente -, quando Lula o mencionou.

"Precisamos estar preparados para reconhecer que erramos, mas não podemos aceitar que os adversários sejam os julgadores do PT", afirmou, lembrando que a história brasileira está repleta de injustiças contra pessoas que foram condenadas publicamente sem provas.

Disse ainda que "parte da imprensa" sabe que ela não tem sido democrática. Mas adiantou: "Não vou mandar carta para dono de jornal, não vou mandar carta para dono televisão, não vou mandar carta para dono de revista. Tenho certeza de que o julgamento disso tudo se dará pela compreensão e
pela maturidade política que o povo brasileiro está adquirindo nessa crise".

O presidente disse que durante toda a vida sofreu "páginas e mais páginas" de preconceito, reconhecendo, porém, que não se trata de algo pessoal. "Sei o que uma parte muito pequena da elite brasileira faz com aqueles que ocupam postos que eles achavam que eram só deles", avaliou.

Igual preconceito, exemplificou, sofreram Olívio Dutra no Rio Grande do Sul, José Fritsch em Santa Catarina e Luiza Erundina e Marta Suplicy em São Paulo. "Mas me quedarei tranqüilo, mui tranqüilo", brincou.

Política externa

A guinada da América Latina para a esquerda - em especial na parte Sul do Continente - deve, de acordo com Lula, servir de antídoto para os que têm dúvidas e inquietações quanto ao que se passa no Brasil. "O Continente hoje tem um perfil político que não conheceu no século 20", frisou, enaltecendo a integração regional e o importante papel do Brasil nesse contexto, com uma política externa soberana, respeitosa e leal. "Precisamos ter solidariedade e gestos para ajudar os países mais pobres. O Brasil não pode ser um país rico cercado de países pobres".

Ele lembrou do encontro desta semana com os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, que classificou como estratégico dentro dessa política. "Nós não podemos errar. Se tem um lugar no mundo com experiência de golpe, é na América Latina. Democracia, para
nós, não é uma coisa menor; é uma coisa superior".

PT

Sobraram também cobranças ao PT e alguns de seus dirigentes e militantes. "Em muitos lugares deste país, muitos companheiros do PT preferiram criticar o governo federal e a política econômica, sem fazer oposição aos adversários locais", reclamou.

Na mesma linha, disse que não irá se declarar candidato enquanto o partido não tiver "maturidade" para discutir a fundo a questão das alianças. "Nossa correlação de forças é frágil", afirmou, referindo-se ao fato de o PT não ter maioria no Congresso. Por isso, para o sucesso do segundo
mandato, seria preciso uma política de alianças consistente e condizente com o "momento histórico".

"Temos de saber o que interessa para nós, se é que nós temos um projeto nacional. O discurso para mim é um; para a base, é outro. Eu tenho que ter certeza se o que vocês estão falando de projeto nacional é verdade ou não", questionou.

Ele afirmou ainda que não há mais espaço para o medo, a dúvida e a vacilação. "Temos que saber quem são nos inimigos. Vamos botar a mão na consciência e partir para a disputa política".

Segundo o presidente, é preciso abrir mão dos interesses meramente individuais e pensar no coletivo. "Nós não representamos nós. Não estou na política por mim. Estou por aqueles que não tiveram a mesma chance que eu tive, e que ainda são maioria no país".

Lula finalizou afirmando que somente a unidade do partido em torno dessas questões possibilitará a vitória do projeto petista de nação.

E mandou um recado à oposição: "Se tivermos o PT unido com os partidos de esquerda e a sensibilidade de detectar na sociedade quem são nossos aliados, que venham! Porque estaremos prontos para rechaçá-los!", conclui.

João Paulo Soares, do Portal do PT Nacional

Encontro Nacional: Dirigentes destacam unidade partidária
01/05/2006 20:28 Assessoria

Dirigentes petistas presentes ao 13º Encontro Nacional do PT destacaram neste sábado (29) destacaram a unidade do partido em torno das teses políticas e do projeto de reeleição do presente Lula.

Para o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, o Encontro traduz a força do PT em escala nacional. "Estamos construindo a base das candidaturas e nos preparando para o enfrentamento eleitoral", afirmou.

Segundo ele, a proposta de política de alianças, aprovada na manhã e de hoje pela ampla maioria dos 1.200 delegados, reforça essa tese. "Ela cria a possibilidade de articular acordos a partir da base nacional, desde que vinculados a compromissos programáticos de gestão e com prévia autorização
do Diretório Nacional".

Rosseto acredita que as configurações regionais não irão atrapalhar o projeto maior. "Penso que, com a verticalização, esse é um tema praticamente superado".

Da mesma maneira pensa o prefeito de Guarulhos, Elói Pietá. "Entre os partidos brasileiros, poucos têm a unidade ideológica nacional do PT. Então, acho que não podemos excluir pessoas que possam nos apoiar regionalmente, ainda que elas estejam em partidos que não compõem nossa
base federal", explicou.



Encontro Nacional: "Vamos para a guerra", diz Berzoini
01/05/2006 20:26 Assessoria

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, afirmou nesta sexta-feira que a oposição ao governo Lula instituiu a "baixaria" como estratégia política e convocou a militância petista para a "guerra de enfrentamento" que se dará nas eleições deste ano.

"Existem setores que são minoria no Brasil, mas querem ser maioria na marra", criticou ele, em discurso para os 1.500 petistas presentes ao primeiro dia do 13º Encontro Nacional do PT, que ocorre na quadra do Sindicato dos Bancários até domingo (30), no Centro de São Paulo.

Segundo Berzoini, o bom desempenho do governo Lula em várias áreas será a principal arma do PT no embate que se avizinha. "Vamos fazer uma guerra de projetos. Nosso governo não precisa de adjetivos, porque é um governo substantivo", frisou.

Como exemplos, o presidente do partido citou o ajuste econômico, o Bolsa Família, o Fundeb, os aumentos no salário mínimo, a geração de 4 milhões de empregos formais, o combate ao trabalho escravo e infantil, os investimentos na agricultura familiar, a criação da farmácia popular e o
programa Luz Para Todos.

Lembrou ainda que o atual governo não virou as costas para a América Latina e desenvolveu políticas concretas de integração regional. "Nosso governo tem tudo o que mostrar", afirmou, ressaltando que, mesmo assim, é preciso ir além e dizer à opinião pública quais avanços ocorrerão
num eventual segundo mandato. "Se muito vale o já feito, mas vale o que será", afirmou, citando os versos da música O que foi feito deverá, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Raça

Dirigindo-se ao presidente Lula, que prestigiou a abertura do encontro, falou sobre "a vitalidade, a honra e o vigor" do PT. Lembrou em seguida das "profecias" sobre o fim do partido e de como a militância respondeu aos ataques da direita.

"O PT mostrou sua força e sua raça no PED, quando 314 mil filiados foram para as ruas dizer: este partido é nosso, é o nosso projeto, a nossa vida e o nosso amor", afirmou.

Berzoini falou ainda que as divergências internas não impedem que os petistas saibam quando chega a hora de "darem-se os braços". Ele frisou o consenso em torno dos dois documentos em discussão no Encontro – sobre tática e conjunto e sobre diretrizes do programa de governo. "São obra de
toda a Executiva", destacou.

O presidente do PT disse a Lula que o partido é "solidário" à sua decisão de só declarar-se candidato no momento certo. "Mas vamos preparar a campanha desde já. Já estamos preparando", avisou.

De acordo com Berzoini, o PT não abre mão de dar continuidade ao processo de mudanças iniciado neste primeiro mandato. "O PT veio para mudar o Brasil, para transformar, para dizer ao povo brasileiro que ele tem um partido, tem um projeto e tem um governo", encerrou.

Mais informações? Fotos do Encontro?
acesse: www.ptmaringa.org.br

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