sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Senhoras e Senhores, usem filtro solar, o (P)sol faz mal a saúde.

Direto da Boca do Jacaré: Senhoras e Senhores, usem filtro solar, o (P)sol faz mal a saúde.

Companheiros e companheiras (será?) do PSOL: tenho acompanhado várias de suas mensagens pelo mundo dos Internautas. Conheço o PSOL e a ideologia escrita nos estatutos e manifestos (o papel aceita tudo). Já fui um simpatizante dos "troskos", e aprendi muita coisa, principalmente ser solidário nas lutas, respeitar os adversários e distinguir o inimigo. Agora, eu não posso acreditar que vocês façam todo o trabalho sujo da direita, deixando o PFL e o seu partido de aluguel (PSDB) saírem como bons mocinhos. Ou seria o PSOL mais um partido de aluguel?

Todos conhecem o presidente banqueiro e fascista do PFL e seus correligionários e tudo que fizeram de mal ao nosso Brasil. Eles são do mau. Vocês do PSOL ao que parece, vivem única e exclusivamente para atacar LULA, o PT ou outros ícones da esquerda brasileira. Nem bons trotskistas são, pois esquecem das lutas e da vanguarda internacionalista. A HE faz campanha com flores na mão, mas eu pergunto: vocês sabem o símbolo da Internacional Socialista? Sabem cantar o hino da Internacional? Entendem o significado? É bom aprender e refletir. Uma dica: iniciem andando com uma rosa vermelha empunhada na mão esquerda, seguindo a tradição da Internacional Socialista. Aconselho também, leitura como “Vida e obra de Rosa Luxemburgo.”

A menos que vocês tenham lido e assimilado uma nota oficial do partido de aluguel, o PSDB, em outubro de 2003, cujo primeiro parágrafo constava: “Só a ignorância pode explicar - sem, no entanto, justificar -- o sectarismo presente à organização do XXII Congresso da Internacional Socialista, que acontece em São Paulo na próxima semana. O encontro deixou de lado forças representativas do campo progressista brasileiro, em especial o PSDB, numa demonstração de manipulação partidária, oficialismo e desconhecimento de nossa realidade política que é de causar vergonha aos que, ao longo da história, empunharam as bandeiras nobres da Internacional Socialista”. Se vocês me permitirem: Meu Deus, quanta asneira foi escrita na nota do partido de aluguel.

Voltando ao cenário real, vejo HE andando com flores, mas com ódio nos gestos. Também, anda com má companhia. Ou vocês não viram a HE na capa da revista “CARAS”, toda chique (parece roupa da DASLU) e com copo de champanhe (ou se preferir "o champagne") muito caro. O ACM que o diga, pois estava ao lado. O senador banqueiro e pensamento ÚNICO também. E tantos outros ícones da direita “reaça”. Como a senadora gosta de dizer: estava toda a caterva reunida (caterva: bandoleiro, corja, horda, malta, súcia, turba, malta, pandilha, troça, turba). Não é de estranhar, pois as origens da HE são burguesas. Para ela, a burguesia fede, mas fede um gostoso Sensi Eau de Parfum de Giorgio Armani.


Não conseguimos entender, compreender a razão do PSOL e HE utilizar certos métodos numa campanha, livre e democrática. Como vocês gostam de atacar, lembrem um pouco da “direitalha”. Usem e abusem das idéias que a senadora colocou em programa recente na televisão. Debatam suas idéias de cortar os juros a “canetada”. Exponham como colocar as milícias em todas as fronteiras para não deixar o capital financeiro sair e não permitir o capital especulativo de entrar. Mostrem como governar com um Congresso, com seus 7 (sete) deputados que vão eleger. Negociem as reformas com os governadores, com toda a força que vocês supostamente acreditam ter. Gritem aos "militantes, simpatizantes e povo brasileiro" para arrecadar o montante que irão gastar na campanha e façam a prestação de contas. (Não vale dizer que não sabe quanto gastou, como a senadora disse quando foi eleita pelo PT, nem como ela disse que o tesoureiro era o responsável.).

Da forma que HE e o PSOL age e trata outros, só tenho um alerta para o povo brasileiro: “Usem filtro contra o PSOL, a exposição prolongada faz mal a saúde.” Se os neo-trotskistas agora acreditam em Deus, que Deus os ilumine!.

Direto da Boca do Jacaré: “Proletários de Todo o Mundo, Uni-vos!” nhac ... nhac ... nhac

VEJA Destila ódio

Recebi da comunidade "Lula com a Força do Povo" - http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14380508 - Reproduzido do para a La Insígnia

VEJA Destila ódio – por Altamiro Borges (*)

Na noite deste sábado, no caixa de um supermercado na região central de São Paulo, uma típica senhora da alta classe média, vestida no pior estilo da perua decadente, pega a última edição da revista Veja. Na capa, a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão, e a manchete: "Ela pode decidir a eleição". No texto-legenda, a descrição: "Nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro". A dondoca burguesa, indignada, tenta puxar conversa, em plena militância eleitoral. "Que absurdo. Onde já se viu essa gente pobre decidir o destino do país. Eu odeio o Lula. Deus nos livre dele".

O episódio, por mais repugnante que possa parecer, é verídico. Dá ânsia de vomito, mas é real, infelizmente. Ele revela o grau exacerbado de preconceito da burguesia e de parcelas da "classe mérdia" contra o presidente Lula e por sua opção, mesmo tímida, de priorizar os investimentos nas áreas carentes. A extremada reação da madame deve ter sido exatamente a orquestrada pelos conspiradores da Editora Abril, asseclas do golpista-mor Roberto Civita. O objetivo desta e de outras edições da revista Veja é o de criar um clima de ódio entre as camadas médias contra o atual governo. A publicação não visa informar, mas sim manipular e gerar preconceitos.

E a perua nem havia lido a revista - bastou a capa para liberar seus piores instintos de classe. As páginas internas destilam veneno; são todas editorializadas e não informativas e imparciais. Num texto leviano, por exemplo, esta edição novamente vincula os petistas ao crime organizado. Sem provas, afirma: "Fica evidente a simpatia do PCC pelo PT, bem como a aversão da organização pelo PSDB" - o que mereceria um imediato processo judicial do partido contra a Editora Abril. Noutro artigo, não vacila em citar a China - seu eterno diabo comunista - para atacar o "tímido" crescimento da economia brasileira, por culpa do "populismo e do corporativismo" do governo Lula, que "criam um ambiente avesso à competição e a inovação". Haja descaramento!


Panfleto da direita

Mas é na reportagem de capa, que ocupa dez páginas da edição, que a Veja escancara todo o seu preconceito e ódio de classe. O primeiro artigo tenta desqualificar os 34 milhões de eleitores do Nordeste, com pouca escolaridade (93% até o nível médio) e baixa renda (71% ganham até R$ 700). De forma marota, acusa essa "gente pobre" de ser vítima do assistencialismo. "[Gilmara] não tem dinheiro para comprar um par de óculos para o filho caçula, mas está satisfeita com a vida - e com Lula. 'Ele é um homem bom', diz ela, que, como outros 22 milhões de nordestinos, recebe o Bolsa Família - a mais espetacular alavanca eleitoral de Lula no Nordeste".

Já o segundo texto reforça o dogma neoliberal de que os investimentos públicos em programas sociais equivalem à "gastança" e são ineficientes economicamente. A manipulação é descarada. O próprio articulista constatou que várias cidades e regiões do Nordeste tiveram suas economias dinamizadas devido aos programas sociais do governo. As vendas no varejo cresceram 17,7% - bem acima dos 7% na região Sudeste - e "os nordestinos passaram a comprar mais alimentos perecíveis, material de limpeza e higiene". Apesar destes fatos irretocáveis, o pau-mandado dos Civitas aposta no desastre desta política e ainda tenta estimular a discriminação regional:

"O Nordeste enfrenta uma bolha de crescimento inflada pelo aumento do consumo, que, por sua vez, é lastreado em grande parte no dinheiro que os brasileiros que trabalham e pagam impostos carreiam para a região em programas assistenciais". Haja rancor pequeno-burguês! O último texto é o mais raivoso de todos; já verte veneno no título: "Reféns do assistencialismo". Em poucas linhas, ele bate três vezes na tecla de que os programas sociais do governo "distribuem dinheiro dos brasileiros que trabalham e pagam impostos a 44 milhões de outros brasileiros" - os nordestinos. A repetição não é por mera incompetência. Visa exatamente contaminar a madame e outros individualistas empedernidos das camadas médias.


O medo da democracia

O lamentável episódio deste sábado, que causou irritação e reforçou a convicção de que a classe "mérdia" é egoísta e burra, corrobora uma tese defendida pelo historiador Augusto Buonicore, num excelente artigo na revista Debate Sindical. Conforme ele demonstra, as classes dominantes fizeram de tudo para evitar a ampliação dos espaços democráticos. Sempre temeram o sufrágio universal, exatamente por temerem o voto da "gente pobre" - da mulher, nordestina, negra, baixa escolaridade e poucas posses. No caso das mulheres, elas só conquistaram esse direito em 1918, na Inglaterra; em 1920, nos EUA; em 1934, no Brasil; e em 1948, na França. Já os negros dos EUA, exemplo de democracia para a Editora Abril, só adquiriram direitos políticos nos anos 60.

Foi John Locke, principal teórico liberal da revolução inglesa, quem propôs a exclusão dos não-proprietários do direito ao voto: "Todo governo não possui outra finalidade além da conservação da propriedade". Já James Madison, o quarto presidente dos EUA, confessou: "Se as eleições forem abertas para todas as classes do povo, a propriedade não será mais segura". E até John Stuart Mill, um liberal progressista, tentou desfigurar o sufrágio universal. "Um empregador é mais inteligente do que um operário por ser necessário que ele trabalhe com o cérebro e não só com os músculos. Nestas condições, pode-se atribuir dois ou três votos a toda pessoa que exerce uma dessas funções de maior relevo", pregou, ao defender o voto diferenciado entre as classes.

A conquista destes direitos demandou dos trabalhadores muitas revoltas, manifestações, greves e revoluções. "A consigna 'um homem um voto', que se tornou paradigma dos estados modernos, soava como algo subversivo aos liberais burgueses. A própria palavra democracia era explosiva. Assim, contraditoriamente, o que conhecemos como democracia burguesa foi uma conquista da luta dos trabalhadores contra a própria burguesia que tentava excluí-los da vida pública", conclui Buonicore. Apesar dos limites e seduções da democracia burguesa, ela permitiu que um operário grevista, no Brasil, e um líder camponês, na Bolívia, chegassem à Presidência da República.


Atentado à Constituição

É isso que causa tanta ojeriza, preconceito e ódio de classe à revista Veja e às madames-peruas. Por mais que o governo Lula tenha cedido - e cedeu demais ao "deus-mercado" -, as elites não o toleram. Não aceitam que um novo bloco de forças, oriundo das camadas populares e das lutas sociais, tenha chegado ao governo central. Não aceitam que o governo, mesmo que timidamente, inverta algumas prioridades e invista em programas sociais, na valorização do salário mínimo, na ampliação do crédito popular, na agricultura familiar. Elas têm nojo desta "gente pobre" e do que Lula simboliza. A maioria pobre é para ser uma fiel serviçal e não quem "decide a eleição".

Numa democracia mais avançada, a Editora Abril seria processada por estimular o preconceito e a discriminação regional, que ferem a Constituição; já a dondoca seria presa por racismo! Apesar dos limites da "democracia dos proprietários", seria saudável para a democracia e para o próprio jornalismo que pipocassem centenas de processos na Justiça contra esta asquerosa publicação! É preciso ter a dignidade e ousadia do jornaleiro Fabio Marinho, dono de uma movimentada banca em Porto Alegre, que se recusou a vender esta revista! A Veja está passando de todos os limites e merece o forte repúdio da sociedade.


(*) Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi).

sábado, 19 de agosto de 2006

O jornalismo covarde de Veja e o silêncio profissional, por Renato Rovai

O jornalismo covarde de Veja e o silêncio profissional, por Renato Rovai

Vi esse Mainardi, que mentiu na sua coluna, encostado no fundo do plenário, por horas, falando baixinho e olhando pro chão. Parecia ter medo que alguém lhe fosse cobrar honestidade ou coisa do gênero.
leia aqui: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_covarde.htm

"PT E O OURO DE HAVANA: Quando a expectativa é grande e faltam fatos, inventa-se", por Alberto Dines
O PT não chega a ser um modelo de coerência, mas a gloriosa Veja, há algum tempo, deixou de ser modelo de bom jornalismo.
leia aqui: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_ouro_cuba.htm


Revista Veja: Laboratório de invenções da elite
Por Anselmo Massad, da revista Fórum
http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_invencoes_elite.htm


Manipulação e maldade: Matérias encomendadas, fotos manipuladas, para desmoralizar os sem-terra. Fraternidade com os excluídos só da boca para fora da "família brasileira".

Um movimento popular ganhava atenção e simpatia da opinião pública fazia dois anos. Era preciso desmoralizá-los. Em junho de 1998, a capa da revista semanal com maior tiragem do país enquadrava uma das lideranças do movimento com uma iluminação avermelhada produzida nas telas de um computador sobre o rosto com uma expressão tensa. A chamada não deixava dúvidas: “A esquerda com raiva”. O rosto demonizado era de João Pedro Stédile, líder do movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e a publicação, Veja.

Na matéria, além de explicitar sua posição, descredenciando o movimento por defender idéias contrárias às defendidas pela revista, os sem-terra eram apresentados como grupo subversivo-revolucionário, quase terrorista. Apesar das quase duas horas de entrevista, só foram aproveitadas declarações do líder de debates sobre socialismo em congressos devidamente descontextualizados. Stédile conta que, após a publicação daquela reportagem, ele e as lideranças do movimento tomaram a decisão de não atender mais à revista. Na época, uma carta anônima circulou por correio eletrônico revelando supostos detalhes de como a matéria teria sido produzida. A carta não comprova nada, e atribui ao secretário geral de Comunicações de Governo de Fernando Henrique Cardoso, Angelo Matarazzo, a “encomenda” para desmoralizar os sem-terra.

A iniciativa de não dar entrevistas à Veja também foi adotada por Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo da Arquidioscese de São Paulo, quando presidia a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O motivo era a distorção da cobertura. Procurado, não quis discutir o tema, apesar de manter a determinação de não conversar com jornalistas do veículo.

O presidente venezuelano Hugo Chávez é o mais recente alvo no plano internacional. Em 2002, Veja chegou às bancas no domingo com a chamada "A queda do presidente fanfarrão", quando a reviravolta já havia ocorrido e a manobra golpista denunciada. A "barriga", jargão jornalístico empregado a erros da imprensa, não foi sequer corrigida ou remediada. Em 4 de maio desse ano, Hugo Chávez voltou a ser alvo da revista, com a pergunta na capa "Quem precisa de um novo Fidel?", ditador cubado a quem a revista sempre se esperneou.

A lista é extensa, mas as razões derivam de uma fórmula simples. “Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta.

Júlio César Barros, secretário de redação da revista, negou esse tipo de procedimento, em entrevista realizada em meados de 2003. Ele admitiu, porém, que a posição da revista é muito clara e conhecida por todos, do estagiário ao diretor. “Medidas irresponsáveis, que atentem contra as leis de mercado ou tragam prejuízos para a economia não terão apoio da revista, que prefere políticas austeras e espaço para o empresariado”, resumiu. A versão oficial do jornalismo praticado pela revista é de que, depois de ouvir especialistas e as pessoas envolvidas, o repórter normalmente já tem uma opinião formada sobre o assunto e a reproduz na matéria. Quem já trabalhou na revista nega.

“As assinaturas das matérias são uma ficção”, sintetiza um ex-colaborador da revista que não quis se identificar. As matérias são reescritas diversas vezes. O repórter entrega o texto que é modificado pelos editores, depois refeito pelos editores executivos e, por fim, pelos diretores de redação. No final da “linha de montagem”, o repórter, que pacientemente aguardou a edição para uma eventual necessidade de verificação de dados, não tem acesso ao texto até ver um exemplar impresso. O processo é narrado no livro do ex-diretor de redação da revista Mário Sérgio Conti, que fez parte da cúpula da publicação até 1997, como chefe de redação e diretor. A opinião que prevalece é a da revista, ainda que todos os entrevistados tenham dito o oposto, mesmo que para isso seja preciso omiti-las do leitor.

A criação de frases de efeito para os entrevistados foi, durante a década de 1980, prática comum, conforme narram diversos jornalistas ex-Veja. É do inventivo do ex-diretor Elio Gaspari a frase assumida por Joãozinho Trinta: “Quem gosta de pobreza é intelectual”. Outras foram criadas, algumas sem consulta, no caso de fontes mais próximas aos repórteres e diretores, que ganhavam carta-branca como porta-vozes de certas personalidades.

No quesito busca de frases, Tognolli conta que elaborou com colegas um dicionário de fontes que incluía verbetes como “Sindicalista que fala bem da direita” ou “Militar que fala bem da esquerda”. O material informal de consulta chegou a 70 verbetes e inúmeros nomes. Algo essencial para os dias de fechamento e encomendas de declarações sob medida.



Veja por dentro

Assim como outras revistas semanais, a estrutura é extremamente centralizada. Até o cargo de editor, o jornalista ainda é considerado de “baixa patente”, ou seja, não decide grandes coisas sobre o que será publicado. Dos editores executivos para cima já se possui poder sobre a definição do conteúdo, mas os profissionais são escolhidos a dedo. Além de competência profissional — qualidade de texto, capacidade intelectual e ampla bagagem cultural — é preciso estar muito alinhado com a editora.

Afinados, os diretores têm grande liberdade para controlar a equipe. Quanto ao conteúdo, o espaço é considerável, ainda que o presidente do conselho do grupo, Roberto Civita, o herdeiro do império da Editora Abril, participe das reuniões que definem a capa de Veja, junto do diretor de redação, do diretor-adjunto (cargo hoje vago), do redator-chefe e, eventualmente, do editor-executivo da área.

O ex-redator-chefe, atualmente diretor do jornal Diário de São Paulo relata que Civita sempre foi muito presente na redação, ainda que sem vetos ou imposições do patrão. Leite sustenta que as matérias e capas sempre foram feitas ou derrubadas a partir de critérios jornalísticos. “Roberto Civita acompanhava a confecção da revista, sabia de seu conteúdo e dava sua opinião em reuniões regulares com os diretores da revista. Mas, de vez em quando, até saíam matérias com as quais ele não estava de acordo”, garante. Leite afirma que, nesses casos, cobrado por políticos e empresários, Civita respondia que “não controlava aquele pessoal”. “Claro que controlava, mas sabia que fazer revista não é igual a fabricar sabonete”, compara.

A revista busca agradar a quem a compra: a classe média conservadora. A tiragem semanal da revista é de 1,1 milhão de exemplares, sendo 800 mil assinantes e o restante vendido em banca. “A maioria dos que compram, gostam das opiniões, gostam do Diogo Mainardi”, lamenta Raimundo Pereira, um dos primeiros editores da revista na época em que lá ainda trabalhava o seu criador, Mino Carta.

A cúpula da publicação reflete esse perfil. O diretor de redação Eurípedes Alcântara e o ex-diretor da revista Exame Eduardo Oinegue, autor da matéria de 1998 sobre os sem-terra, são membros do São Paulo Athletic Club, o Clube Inglês, freqüentado pela elite paulistana. Oinegue costumava defender que os jornalistas devem circular e manter amizades no meio em que cobrem. Entre empresários, se a editoria é Economia, políticos, se é Brasil etc.

Os preconceitos da elite são refletidos pela revista. Além dos movimentos sociais, há quem relate que um dos bordões de Tales Alvarenga, atual diretor de publicações, em sua fase à frente da revista era: “Não quero gente feia”. Por gente bonita, referia-se não apenas a padrões estéticos de magreza, mas também aqueles ligados à cor da pele. Segundo colaboradores próximos, fotografar negros seria quase certeza de material desperdiçado.

A despeito de comentar o livro de Mário Sérgio Conti, o ex-editor-executivo de Veja, hoje diretor do Diário de São Paulo, Paulo Moreira Leite, criticava a obra por ser parcial demais e não ser fiel aos fatos, especialmente os que envolviam os amigos do diretor. “A amizade e a proximidade excessiva com os poderosos são o caminho mais comum e mais eficaz para a impostura e a falsidade, o erro e a arrogância”, afirmava na época. Procurado novamente para falar a respeito, recusou-se a falar mais sobre Conti.

Falando em amizades, um caso em que essas relações foram reveladas, mas nem por isso foram explicadas ocorreu em novembro de 2001. O nome da editora de economia de Veja, Eliana Simonetti, aparecia na agenda do lobista Alexandre Paes dos Santos. Ela recebeu a quantia de 40 mil reais em empréstimos, segundo sua própria estimativa. A revista, de acordo com a jornalista, sabia do relacionamento. Quando os repasses vieram a público, ela foi demitida, sob a alegação de "relacionamento impróprio" com uma fonte.

O maior problema é que a informação surgiu a partir de uma agenda do lobista, envolvido com empresas transnacionais e influência direta sobre funcionários do Palácio do Planalto. Quem revelou a existência do documento foi Veja, cuja reportagem fez vista grossa ao nome da colega. Para dar satisfação à opinião pública, a revista publicou somente uma nota a respeito. Nenhuma investigação foi promovida sobre eventuais matérias compradas, hipótese negada pela ex-editora e pela revista. Simonetti não respondeu aos contatos, mas afirmou, à época, que "todo jornalista tem seu lobista", colocando toda a classe sob suspeita. Ela processou a Abril, e ganhou em primeira instância no ano seguinte o direito à indenização de 20 vezes o valor do último salário.



Império

Publicações tradicionais do mundo todo têm sua posição claramente conhecida pelo público, sem roupagem de imparcialidade. Os questionamentos éticos aparecem quando as relações por trás desses interesses não são transparentes ao público leitor. Um dos motivos dessa falta de transparência é o surgimento dos grandes conglomerados de comunicação. Esse fenômeno adquire contornos mais dramáticos no Brasil, que permite a propriedade cruzada dos meios de comunicação (uma mesma empresa detém meios impressos e televisivos, por exemplo).

O presidente da Radiobrás e ex-diretor de publicações da Abril, Eugênio Bucci, alerta que os grupos transnacionais de entretenimento compram TVs e jornais e os restringem a um mero departamento. “A pergunta que se colocava antes era se o jornalismo é capaz de ser independente do anunciante. Hoje se questiona se ele é capaz de ser independente do grupo que o incorporou”, avalia.

A concentração dos veículos de comunicação nas mãos de poucos grupos, ainda que nacionais, é a marca da história da mídia no Brasil. O grupo Abril não foge à regra. Ele abarca um complexo que envolve 90 revistas, duas editoras de livros (Ática e Scipione), uma rede de TV (MTV), uma de TV a cabo (TVA) e uma rede de distribuição de revistas em banca de jornal (Dinap), além de inúmeras páginas na internet. Tem sete das dez revistas com maior tiragem no país e, nesse quesito, Veja é a quarta maior do mundo. “A Abril faz o que for preciso para expandir seu império, se for preciso derrubar um artigo da Constituição, alterar leis ou políticas, ela usa suas publicações para gerar pressão”, sustenta Giberto Maringoni, jornalista, chargista e doutorando em história da imprensa.

A evolução do império Abril dá uma mostra de como ela soube usar bem sua, digamos, habilidade. O início das atividades se deu em 1950, com a publicação das revistas em quadrinhos do Pato Donald, personagem de Walt Disney. O milanês Victor Civita aproveitava a licença para a América Latina e a amizade do irmão Cesar com o desenhista norte-americano para lançar os produtos. Apesar de simbólico, não se pode dizer que o grupo tenha sido um propalador de enlatados norte-americanos ou produzido materiais de má qualidade em sua história.

O surgimento de diversas revistas, incluindo Veja, um semanário informativo — e não uma revista ilustrada, como o nome e as concorrentes sugeriam —, o lançamento de coleções na década de 1960, como A conquista do espaço, a revista infantil Recreio, sob o comando da escritora Ruth Rocha, e a revista Realidade, uma das melhores feitas no país até hoje, são exemplos de publicações de qualidade da editora. Qualidade que não se manteve, segundo o diretor responsável pela criação de Veja em 1968, Mino Carta. Ele considera a publicação da Abril muito ruim, assim como todas da grande imprensa brasileira, à qual lê muito pouco, para “não sofrer demais”. Na época em lançou o livro Castelo de Âmbar (Editora Record, 2000), afirmou aos quatro ventos a incompetência e até a “imbecilidade”, em suas palavras, dos donos da Abril, que “não entendiam nada de Brasil, assim como não entendem ainda hoje.”

O episódio da demissão de Carta do seu posto na revista Veja é um exemplo do tipo de interesses que pautam os donos da Abril e o jornalismo de suas publicações. A censura prévia havia sido suspensa em março de 1974, com a posse do general Ernesto Geisel. Combativa, a redação publicou três capas seguidas com duras críticas ao governo. A gota d'água para o regime foi uma charge de Millôr Fernandes, que apresentava um preso acorrentado e um balão com a fala de um carcereiro oculto, do lado de fora da cela: “Nada consta”.

Na negociação operacional da censura, Carta conta que Roberto Civita, filho de Victor, ofereceu a cabeça de Millôr a Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil, para tentar evitar a censura. O então ministro da Justiça, Armando Falcão, queria a cabeça de Carta. No livro, ele menciona uma carta escrita por Sérgio Pompeu de Souza, o preferido de Falcão e diretor da sucursal de Brasília, sugerindo ao conselho a demissão do diretor para facilitar as coisas para a revista. Carta afirma que, entre as facilidades, estava incluso a liberação de um financiamento da Caixa Econômica Federal para saldar uma dívida de 50 milhões de dólares no exterior.

Na versão oficial, reproduzida no livro de Conti, os Civita queriam noticiar os progressos do país e Carta, só os aspectos negativos do regime. Queriam ainda expandir o grupo, com a construção de hotéis. Foi preciso ceder ao governo. O episódio decisivo foi a exigência da demissão do dramaturgo Plínio Marcos, colunista da revista. A negativa de Carta em fazê-lo foi o motivo alegado para o seu desligamento, em abril de 1976. Dois meses depois, a censura na revista acabou.

Desde então, Veja tem servido a interesses políticos e econômicos para preservar os seus, ainda que isso implique mudança de posição. Um exemplo foi o comportamento na ascensão e queda do ex-presidente Fernando Collor de Melo. O livro Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti, conta em detalhes o período, ainda que inclua a maioria da grande imprensa. Da capa sobre "O caçador de marajás", em 1988, até a “Caso encerrado”, sobre a morte de Paulo César Farias, a despeito do laudo do médico-legista Fortunato Badan Palhares, em 1993. A adesão automática à candidatura alternativa aos perigosos Leonel Brizola e depois Luiz Inácio Lula da Silva, favoritos naquele pleito, foi dando lugar aos escândalos de corrupção no decorrer do governo.

Os que têm seus interesses atendidos pela revista também mudam. Para Tognolli, durante a década de 1980, a revista vivia sob a tutela de Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), quando Elio Gaspari era o diretor da revista. Nos anos de Mário Sérgio Conti, houve uma pequena melhora, até a transição ocorrida nos anos de Fernando Henrique em Brasília. “O que antes era ninho dos baianos, hoje é ninho dos tucanos. Quem começou a campanha da mídia contra o atual governo foi Veja”, sustenta.

Um levantamento das capas entre os anos de 2000 e 2005 mostram claramente o seu jornalismo tendencioso. Política interna e economia são os temas de capa mais freqüentes em 2000, 2002 e 2005. Curiosamente, em 1998, ano de eleições federal e estadual, esses temas estiveram bem ausentes: só foram destacados em 11 das 52 edições. Nada se compara a 2005, em que quase metade das 28 capas produzidas até o fechamento desta reportagem destaca temas políticos. Desnecessário dizer que o prato principal era a corrupção.

Um exemplo foi o uso de uma pesquisa do Instituto Ipsos Opinion, divulgado pela revista na edição de 13 de julho. No levantamento, constatou-se que 55% dos entrevistados acreditavam que Lula conhecia o esquema de corrupção, ao mesmo tempo em que a popularidade pessoal e do governo permaneciam estáveis em relação ao estudo anterior. A avaliação dos analistas do grupo, de que a imagem do presidente permanecia intacta, foi omitida, o inverso do apregoado pela reportagem de capa. A visão dos autores só foi publicada depois de duas edições na seção de cartas, sem o menor destaque.

Raimundo Pereira acredita que, se não fosse o caso do financiamento de campanha, é bem possível que se achasse outro assunto para desmoralizar o atual governo. “Veja não está isolada em sua ação, mas é a ponta de lança, a que tem mais prestígio e circulação”, avalia.

Tratamento bem diferente daquele dado ao caso da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição, em 1997. Naquele ano, apenas uma capa foi feita sobre o assunto, com o rosto de Sérgio Motta, então ministro-chefe da Casa Civil, e a chamada “Reeleição” e “A compra de votos no Congresso”, em letras menores. Como se não fosse corrupção. Assepsia total para o Planalto. Um servilismo ao governo que, com os petistas no poder, se transformou em ódio.



:: Antonio Palocci desmoraliza a Veja
Luiz Weis
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_desmoralizada_por_palocci.htm

:: Veja deve explicações ao país
Alceu Nader
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_deve_explicacoes.htm

:: Veja financia PSDB
Marco Aurélio Weissheimer
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_financiou_psdb.htm

:: Veja e PSDB: unha e carne
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_psdb.htm

:: O jornalismo manipulador da Veja se volta contra escritores
Ademir Assunção
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_contra_escritores.htm

:: Veja e o racismo
Por Antonio Sampaio Dória
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/veja_racismo.htm

:: Um novo agosto com outros fortunatos
Por Frédi Vasconcelos
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/outros_fortunatos.htm

:: O silêncio tucano
Marco Aurélio Weissheimer
Leia: http://www.novae.inf.br/pensadores/caixa2_psdb.htm

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Censura à 'Revista do Brasil': querem calar a Voz do Trabalhador

Há cerca de três meses, o cenário da imprensa alternativa brasileira foi
chacoalhado pelo lançamento de uma revista mensal, de ampla circulação,
financiada exclusivamente por trabalhadores. A 'Revista do Brasil', que em seu
primeiro número de capa trouxe uma matéria sobre o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, nasceu com 360 mil exemplares de tiragem e o compromisso de se tornar
semanal. Compromisso esse que pode não se cumprir porque a covarde censura,
acobertada sob a toga da Justiça Eleitoral, ressurge no Brasil democrático.

Uma decisão do ministro Carlos Alberto Menezes, do Tribunal Superior Eleitoral,
a partir de representação apresentada pela coligação Por um Brasil Decente
(PSDB/PFL), proibiu a distribuição da revista por qualquer meio, sob pena de
multa. Os sindicatos já anunciaram que vão recorrer. Anunciaram que lutarão para
impedir que a Constituição Brasileira seja rasgada.

O Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social é solidário a essa luta e
conclama todos aqueles que militam pela democratização dos meios de comunicação
a se levantarem contra essa arbitrariedade.

Na decisão, o juiz argumenta que a leitura da revista demonstra que "há claro
intuito de beneficiar um dos candidatos à Presidência da República e de
prejudicar outro, configurando neste caso propaganda eleitoral negativa",
acrescentando que o primeiro número incorreria em "propaganda eleitoral em
período vedado" e ainda que "os sindicatos não podem substituir-se aos partidos
políticos em matéria de propaganda eleitoral".

A representação apresentada pelo PSDB e pelo PFL se estrutura com base no
primeiro número da revista. A decisão da Justiça Eleitoral, no entanto, se
estende, previamente, a todos os números subseqüentes. Aos números que nem
sequer existem. Ou seja, estamos diante de uma decisão da autoridade máxima
eleitoral que, ao atender os anseios dos partidos coligados em torno da
candidatura de Geraldo Alckmin, irá impedir, aprioristicamente, que um veículo
jornalístico seja distribuído, difunda suas idéias, com base no argumento de que
ele faz "propaganda" para um candidato.

A Constituição de 1988 consagra a liberdade de expressão. Em seu artigo 220,
afirma que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação,
sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição,
observado o disposto nesta Constituição". Também, diz, em parágrafo do mesmo
artigo, que "é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e
artística". E por fim, que "a publicação de veículo impresso de comunicação
independe de licença de autoridade".

A decisão do TSE afronta totalmente o que está citado no parágrafo anterior.
Afronta, também, o direito dos trabalhadores de construírem, democraticamente,
um canal de circulação para uma visão alternativa dos processos políticos do
País.

A perseguição às iniciativas de comunicação da classe trabalhadora não é nova.
Surge juntamente com essas publicações, que, desde o final do século 19, pelo
simples fato de existirem, contribuem para a consolidação de uma sociedade mais
democrática ao promoverem a controvérsia, sem a qual um regime se torna estéril.
Estranha, no entanto, o atrevimento de uma ação dessa natureza em pleno século
21. Em pleno regime democrático.

Diariamente dezenas de veículos impressos manifestam opiniões, entre elas as
políticas e eleitorais. Nem por isso são e nem devem ser tirados de circulação.
A liberdade de expressão é um direito que deve ser garantido a todo cidadão, e a
pluralidade de veículos favorece a instituição de uma sociedade democrática.

Contudo, a distinção no tratamento dado ao veículo em questão reflete, não
apenas um ataque à liberdade de expressão, mas arbitrariedade, ausência de
critérios e discriminação. Tal decisão vai na contramão da pluralidade e da
democracia.

O que estaria dizendo a grande mídia se tal arbitrariedade atingisse um de seus
veículos? Onde está a Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa, construída com
participação da Unesco, para se pronunciar contra essa arbitrariedade? Onde
estão os jornalistas, defensores da democracia, que viveram os anos de chumbo e
que viram seus textos serem rasgados pela tesoura da censura?

A 'Revista do Brasil' é um veículo jornalístico, que em sua segunda edição
informa, com propriedade e qualidade, sobre as demissões que ocorrem atualmente
na indústria automotiva paulista. Que além de reportar fatos sobre a política
federal, também discute educação, saúde, moradia e cultura. Noticia temas de
claro interesse público. É de se exigir, portanto, que ela seja tratada dessa
maneira, e que aplique-se a ela nada além dos mesmos critérios que são aplicados
aos outros periódicos brasileiros.

São Paulo, 1º de agosto de 2006

Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social

Esta mensagem foi enviada por Rachel Callai Bragatto.

FIQUE BEM INFORMADO.

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