sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Segundo turno revogou sorriso de Alckmin

Em reportagem, correspondente do francês Le Monde diz que segundo turno revogou sorriso de Alckmin

Texto publicado hoje e traduzido narra para o público da França como e porquê o presidente Lula abriu tamanha frente ante seu adversário tucano. É uma análise de nosso cenário sob a ótica francesa

Geraldo Alckmin mostra-se crispado antes do segundo turno frente a Lula
Pesam contra o candidato da oposição a sua falta de carisma e alguns erros de estratégia

Geraldo Alckmin perdeu o sorriso radiante que exibia na noite do
primeiro turno da eleição presidencial, em 1º de outubro. Desmentindo as previsões das pesquisas que, até a véspera do pleito, anunciavam a reeleição fácil do chefe do Estado, Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores, de esquerda), o candidato do Partido Social Democrata Brasileiro (PSDB, de centro-esquerda) causou surpresa ao receber 41,64% dos votos, contra 48,6% para o presidente em final de mandato.

Às vésperas do segundo turno, agendado para domingo, 29 de outubro, o
semblante tenso de Geraldo Alckmin revela o impacto das pesquisas
desfavoráveis. Ao longo das últimas três semanas, o antigo governador do Estado de São Paulo recuou de maneira constante nas sondagens. Na
terça-feira (24/10), o Instituto Datafolha lhe atribuía 39% das intenções de voto, contra 61% para o presidente Lula.

Logo no dia que se seguiu ao primeiro turno, Geraldo Alckmin cometeu um
"primeiro tropeço", segundo a imprensa brasileira, ao celebrar alianças com dois personagens polêmicos: o antigo governador do Estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, e a sua mulher Rosinha Matheus, que lhe sucedeu. Membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, de centro), eles vêm sendo acusados regularmente de corrupção e de populismo, a tal ponto que eles não puderam participar das eleições de 1º de outubro.

A despeito de uma orientação em contrário do seu partido, o PSDB, Geraldo Alckmin teria optado sozinho por firmar esta aliança, que deveria supostamente atrair votos para a sua candidatura num Estado onde o presidente em final de mandato o superou amplamente. O principal aliado do PSDB, o Partido da Frente Liberal (PFL, de direita), não economizou suas críticas contra a dupla Alckmin-Garotinho. O prefeito do Rio, César Maia (PFL), sublinhou o desentendimento da oposição diante a iniciativa de Alckmin.

Além disso, o candidato social-democrata não obteve o apoio dos principais candidatos eliminados no primeiro turno da presidencial, Heloisa Helena (Partido Socialismo e Liberdade, de extrema direita) e Cristóvam Buarque (Partido Democrático Trabalhista, de centro-esquerda), que haviam totalizado 9,5% dos votos. Apesar da inexistência de qualquer recomendação de voto, a maioria dos votos desses dois dissidentes do Partido dos Trabalhadores teria migrado para a candidatura do seu antigo camarada, o presidente Lula.

Defensor da ética


Nesse sentido, este médico anestesista de 53 anos, que não mais atua nesta profissão, comprometeu-se a vender o Airbus A-319 da Força Aérea Brasileira, reservado ao chefe do Estado, apresentado como um luxo, "o que permitirá construir cinco hospitais". Os militares não gostaram nem um pouco da idéia.

Acusado de dissimular projetos de privatização, os quais seguiriam o modelo das inúmeras vendas efetuadas pelo presidente social-democrata Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e por ele mesmo em São Paulo, Geraldo Alckmin desmentiu, mesmo correndo o risco com isso de aprofundar o seu desentendimento com a sua própria coalizão, PSDB-PFL. Para melhor convencer um eleitorado majoritariamente hostil às privatizações, ele se exibiu em público com emblemas de empresas públicas, tais como a Petrobras, afixados no seu blusão.

Quanto à "Bolsa Família", o benefício pago a 11,1 milhões de famílias
pobres, que por muito tempo foi chamada de "bolsa esmola" pelo PSDB, ele teve de admitir que ela seria "mantida e melhorada".

Apresentando-se como um defensor austero da ética, Geraldo Alckmin voltou incansavelmente ao ataque em relação à corrupção que vem manchando a imagem do governo Lula desde 2005. Na ausência de fatos novos, essas críticas, que haviam atraído parte do eleitorado, não provocaram a esperada reviravolta de uma opinião pública anestesiada por tantos escândalos.

Geraldo Alckmin foi até mesmo prejudicado pela agressividade que ele mostrou durante o primeiro debate televisivo que foi organizado no segundo turno. O seu tom surpreendeu de tal maneira que ele pareceu ter "vencido" o enfrentamento contra um adversário desnorteado. Mas as pesquisas de opinião revelaram mais tarde que os telespectadores tiveram uma apreciação desfavorável deste candidato sem qualquer carisma, desconhecido apesar dos seus 33 anos de vida pública.

Assim, Alckmin foi visto como uma pessoa autoritária que mostrou desrespeito para com um presidente da República considerado como mais simpático sob o fogo dos ataques.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006 - http://www.portalmidiapetista.blogspot.com/

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