sábado, 3 de maio de 2008

Entrevista com Ulisses Iarochinski

RADIALISTA DESDE CRIANÇA - fase interior do Paraná
Ulisses Iarochinski, nosso companheiro daquela fabulosa equipe de jornalismo da Rádio Cidade no início dos anos 80, vive atualmente em Cracóvia, na Polônia, onde foi fazer mestrado e doutorado na sexta mais antiga universidade do mundo, a Uniwersytet Jagielloński. É jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduado em rádio e televisão pelo Instituto Oficial de Rádio e Televisão da Espanha. Mas é antes de tudo radialista. Apresentei com ele o Jornal da Cidade, da equipe 670 de jornalismo comandado na época pelo Luiz Ernesto Pereira Alves, na Rádio Cidade de Curitiba (hoje Rádio Globo 670). Já passou pela Rádio Exterior de Espanha e Rádio Nederland, a rádio internacional da Holanda.

Em frente ao prédio é da Radio Nederland Wereldomroep - Rádio Internacional da Holanda, em Hilversum.

Como a entrevista ficou extensa, apresentarei em 3 partes, uma no interior do Paraná, outra em Curitiba e finalmente, a fase internacional. Segue a fase inicial desta exitosa carreira:

Paulo Branco – Meu caro Ulisses, quando é que você deu os primeiros passos em Rádio?

Ulisses – Paulo. Pois foi ainda na Rádio Sociedade Monte Alegre, lá em Telêmaco Borba. Nem sei se a rádio ainda existe com este nome. Parece que o fundador da emissora, Samuel Klabin, das Indústrias Klabin de Papel e Celulose a vendeu anos atrás para um grupo de Ponta Grossa.


Paulo Branco – E como foi começar na profissão?

Ulisses – Pois então. Tinha 14 anos de idade e soube que um dos melhores locutores da rádio estava indo embora para Jacarezinho, onde ia estudar na Faculdade de Direito. Sintonizei nos 1580 kHz e ouvi que estavam fazendo testes para escolher um novo locutor. Apesar da pouca idade fui lá. Sabia ler e já tinha participado de umas gravações do Presépio ao Vivo, uma representação teatral da Páscoa, que acontecia na cidade. Como era ao ar livre, a narração e os diálogos eram previamente gravados com música e efeitos especiais. Eu fazia a voz do profeta Isaías. Assim que, com a cara e a coragem, me apresentei na Rádio. Havia uma fila enorme. O teste consistia em ler um bloco de 3 notícias, uma lista de músicas e 3 propagandas. Fui o escolhido entre 22 candidatos. Apesar da voz em processo de mudança, fui escolhido porque era o único que sabia ler sem gaguejar.

Paulo Branco – E com 14 anos foi logo para o microfone?

Ulisses – Sim... Comecei num domingo a tarde. Lia nome das músicas e cantores, hora certa, prefixo da rádio e publicidade. Num dado momento, a operadora que trabalhava comigo, entrou no estúdio e me deu uma dica: “quando for música em inglês, escute. Porque sempre o cantor canta um verso onde está o nome da música”.

Paulo Branco – Boa dica, hein?

Ulisses – Sabe por que ela me deu essa dica? Ah! Eu tinha acabado de anunciar a música “Don´t let mi cry”do grupo “Pholhas”. E eu tinha lido: “donti leti mi cri – polhas”. Ou seja, nada a ver com a pronúncia correta em inglês. No final daquele período de trabalho na Rádio Monte Alegre, quando estava me despedindo, o diretor da época me disse: “Ulisses, boa sorte lá em Curitiba. Saiba que apesar da tua juventude e da voz em formação você foi o locutor que melhor inglês falou nesta emissora.” ... ha,ha,ha...! (e dá risada).

Paulo Branco – Mas você foi só locutor musical na Monte Alegre?

Ulisses – Não. Isto foi só no primeiro mês. Depois acabei substituindo o grande “Goma Arábica”, no programa "Alegria no Sertão", que começava as 6 da manhã. Para quem não sabe, Goma Arábica é o famoso Serafim Colombo Gomes, autor da música “Poeira”, vencedora do "1° Festival de Música Sertaneja” da Rádio Nacional de São Paulo, em 1968. Esta música cantada pelo Duo Glacial, já foi gravada por dezenas de artistas e inclusive foi a abertura do filme “Menino da Porteira” com o Sérgio Reis.

Paulo Branco – Quanto tempo durou isto?

Ulisses – Cerca de um ano. Mas lá na Monte Alegre fiz ainda o programa “Conversando com a Saudade”, um musical noturno com músicas de Francisco Alves, Orlando Silva e todos os grandes da época de ouro dos musicais de rádio das décadas de 40, 50 e 60. Foi lá que comecei também a ler noticiários.


Paulo Branco – E quando você vem para Curitiba?

(Continua)

Contato com Ulisses Iarochinski, http://www.ui.jor.br/radio.htm , ou pelo iarochinski@gmail.com.


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