domingo, 4 de maio de 2008

Entrevista com Ulisses Iarochinski (final)

Radialista desde criança (continuação)

Paulo Branco – E quando você teve sua primeira experiência internacional?

Ulisses – Pois então. Tinha me formado em jornalismo da Federal, estava trabalhando na TV Iguaçu e no Jornal do Estado, quando ganhei uma bolsa de estudos do governo espanhol para fazer uma pós-graduação em Madrid. E lá fui eu para as terras espanholas. Lá, depois do curso, consegui estágio na TVE - Televisão Espanhola e andei produzindo um programa especial, que foi ao ar inclusive com minha apresentação, num programa que existe até hoje, o Informe Semanal que vai ao ar todo sábado a noite e é uma espécie de Globo Repórter. Apesar do sotaque curitibano, produzi e apresentei o programa em espanhol. Isto me valeu um convite para trabalhar na Rádio Exterior de Espanha. E lá fui eu fazer entrevistas para o Programa “Cita em Espana”, com Carlos Secco e Nicomedes Santacruz. Cheguei a fazer um especial com o grupo de rock brasileiro “Paralamas do Sucesso”, que estava participando de um Festival Ibero-Americano de Rock.

Paulo Branco – E como acabou esta fase internacional?

Ulisses – A saudade de casa. Voltando, fui trabalhar de novo no Jornal do Estado e na TV Manchete com Dirceu Pio e Reinaldo Bessa. Com a pós-graduação, arrumei emprego de professor no curso de jornalismo da UEPG. E numa experiência da então Rádio Estação da Luz, fiz por mais de um ano o programa “Expresso Espanha” com noticiário e músicas espanholas. Fazia a locução em espanhol. Depois disso andei trabalhando como comentarista de segurança no trânsito na "Rádio CBN".

Paulo Branco – Ah! Sim. Lembro-me que você fez um excelente trabalho na Volvo do Brasil nessa aérea. Fazendo as pessoas até esquecerem que você era um radialista.

Ulisses – Mais uma vez, um antigo colega seu de rádio me descobriu. Primeiro foi o Jair Brito e depois o Jota Pedro... Ele estava na Volvo e me convidou para trabalhar lá. Fui e fiquei. Acabei vice-presidente do Instituto Nacional de Segurança no Trânsito, que infelizmente acabou.

Paulo Branco – Esta mudança de ares te fez finalmente abandonar a carreira de radialista?

Ulisses – Que nada! Depois da minha saída da Volvo. Fui ainda trabalhar na Fundação Roberto Marinho. Fiz um mestrado da Suécia em Segurança no Trânsito e participei de 4 Copas do Mundo de Futebol. Fui a Itália-90, USA-94, França-98 e agora na Alemanha-2006. Apenas nos Estados Unidos trabalhei sem credencial da FIFA. Cobri estas copas do mundo para jornais, rádios e revistas do Brasil, Portugal e Polônia.
Foto:Cobrindo no Estádio de Dortmund, na Copa da Alemanha 2006 para jornais polacos.

Paulo Branco – E como você foi parar na Rádio Nederland na Holanda?


Ulisses – Esta é mais recente. Era 2001. Estava navegando na Internet. O Carlos Delgado, jornalista atualmente da "TV Massa", canal 4 do Ratinho, ligou para mim. Perguntou se eu estava conectado na Internet. Disse que sim. Ele deu me um endereço e mandou-me entrar. Não entendi nada. Uma língua estranha. Mas ele disse, "procura aí na coluna da esquerda que tem português. Clica aí”. Então pude ler um anúncio da Rádio e TV Internacional da Holanda, onde ela estava selecionando jornalista para trabalhar. O Delgado disse para me inscrever e mandar o currículo, porque ele e outros jornalistas curitibanos já tinham enviado. Como o arquivo do meu currículo já estava armazenado no computador, abri, dei umas alteradas para que ficasse com mais cara de radialista e enviei na página de inscrição.

Paulo Branco – E daí?

Ulisses – Daí que, por essa época tinha recebido convite do cônsul polaco para estudar na Polônia. Tinha escrito o livro “Saga dos Polacos” e com a repercussão e o sucesso de vendas, acabei me inscrevendo, com o apoio do cônsul, num programa de bolsas de estudos do governo polaco para estrangeiros descendentes de polacos.

Paulo Branco – Você fugiu do assunto. Perguntei pela Holanda e você está falando da Polônia.

Ulisses – Mas é que tem tudo a ver. Ao mesmo tempo em que esperava pelo resultado da bolsa para a Polônia, recebi um telefonema da Holanda nos seguintes termos: “O senhor estaria disposto a vir até a Holanda para a fase final de seleção?”. Nossa. Tinha até me esquecido daquela noite quando enviei meu currículo pela Internet. “Mas ir como?” respondi. A pessoa num inglês fluente respondeu que se eu aceitasse, a rádio pagava a estada e a passagem ida e volta. Bem..., se era assim, disse que sim.

Paulo Branco – E você foi?

Ulisses – Sim, mas antes disso alguém da rádio, agora falando em espanhol, perguntava se eu via inconveniente de ficar lá uma semana, pois em vôos transatlânticos não se vende passagem com intervalo de apenas dois dias... Eu teria que ficar uma semana na Holanda, para participar um dia da fase final de seleção. Nada mal. Claro que aceitei. Fui lá e chegando, passei por uma série de entrevistas. A primeira em espanhol com um diretor, depois em português com um grupo de brasileiros, depois em francês com uma jornalista francesa e finalmente a mais longa, em inglês com cinco pessoas da comissão de recrutamento da emissora. Fui pensando que seria apenas locutor e redator, e a vaga na verdade era para chefe da Seção Brasileira da Rádio Nederland – a rádio internacional da Holanda. Estava sendo contratado para ser correspondente internacional de uma empresa estrangeira na Europa. Era muito para quem tinha começado aos 14 anos fazendo programa sertanejo na Rádio Monte Alegre, em Telêmaco Borba.

Paulo Branco – E no que consistia o trabalho?

Ulisses – A Seção Brasileira da Rádio Nederland com 12 jornalistas brasileiros, produzia 3 programas noticiosos e dois musicais, que transmitia via satélite gratuitamente para 400 emissoras no Brasil. Minha função além de tradutor, redator e locutor dos programas noticiosos, era o coordenador da equipe encarregado da escala de serviço, contratação de correspondentes em outros países. A Seção Brasileira, além dos 12 jornalistas na sede, tinha outros 10 em diferentes países. Durante a invasão do Iraque acabei contratando o Eliakim Araújo que mora nos Estados Unidos.

Paulo Branco – E ficou lá muito tempo?

Ulisses – Não, porque tive que optar. Apesar de ter sido escolhido entre 800 jornalistas de todo o mundo que enviaram seus currículos para a Rádio Nederland, eu tinha ganhado no mesmo momento, a bolsa de estudo do governo da Polônia para fazer doutorado em história em Cracóvia. Durante um ano fiquei na ponte-aérea Amsterdam-Cracóvia. Mas não deu. Vim ser estudante em Cracóvia, e deixei um emprego e um salário muito bom na Holanda. Mas não me arrependo.

Paulo Branco – Para finalizar, conta como foi estar em Cracóvia quando o papa João Paulo II morreu?

Ulisses – Pois então. Soube naquela sexta-feira pela televisão polaca que o Papa estava nas últimas. Peguei então minha câmara de vídeo, tripé e fui para frente da Cúria Metropolitana de Cracóvia. O povo já começava a se concentrar embaixo da janela, onde tantas vezes o cardeal Karol Wojtyla conversava com os cracovianos. Não demorou muito e o José Wille da Rádio CBN de Curitiba, me chama pelo celular perguntando como estava o clima em Cracóvia.
Foto: Ulisses num microfone da Rádio CBN.

Paulo Branco – Então foi assim que você estava no lugar certo, na hora certa?

Ulisses – Sim. Dei entrevista para o Wille e continuei colhendo imagens e entrevistando as pessoas. Pensava: “vou fazer um documentário”. Logo em seguida ligou a TV Band News de São Paulo, perguntando se eu podia dar uma entrevista ao vivo. Disse que sim. Terminada a entrevista, o jornalista da Band News perguntou se poderia ligar mais tarde. Foi então que disse: “Meu caro, sou jornalista também. Dei esta entrevista como um brasileiro que está aqui na terra do Papa. Mas se querem mais, aí precisamos conversar, porque daí já é trabalho".

Paulo Branco – Então eles queriam ter você como correspondente, mas sem pagar?

Ulisses – Mais ou menos. Mas logo em seguida, ligou a direção de jornalismo da Rede Bandeirantes de Televisão e propôs que enquanto durasse a agonia, morte e enterro do Papa, eu seria o correspondente deles na Polônia.

Paulo Branco – E você aceitou naturalmente?

Ulisses – Claro. Mas foi um trabalho de faz-tudo. Câmara, repórter, editor, tudo sozinho. Entrevistava, colhia imagens, colocava a câmara no tripé, ia para a frente, fazia as passagens, e encerrava a matéria dizendo: “Ulisses Iarochinski, de Cracóvia, na Polônia, para o Jornal da Band”. Corria para casa, editava no computador a matéria e mandava por FTP, via Internet. No sábado, o Papa morreu. No domingo a noite, recebo ligação do jornal O Estado de São Paulo, perguntando se eu podia fazer uma reportagem sobre a reação dos polacos à morte do Papa. Virei também correspondente do Estadão.

Paulo Branco – Deve ter sido uma loucura... deves ter trabalhado à exaustão?

Ulisses – Sim. Deu um trabalhão enorme. Mas o melhor foi a repercussão. Recebi e-mail e telefonemas do Brasil inteiro, cumprimentando-me pelo trabalho, pela voz, pelo envolvimento e pelo conhecimento profundo da Polônia.

Paulo Branco – Conta aí o que é a Rádio Zalas?

Ulisses – Ah! Sim..., esta é melhor ouvir. É mais uma proposta do “eu-sozinho”, de oferecer programas de rádio via Internet, com músicas e informações da Polônia. Acesse em http://www.ui.jor.br/radio.htm Aceito comentários e sugestões pelo iarochinski@gmail.com.

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