sábado, 7 de junho de 2008

Redação de Notícias, por Paulo Branco

Abro aqui um parênteses, para contar como se fazia notícia na Rádio Gaúcha de Porto Alegre, que era, e é até hoje, a mais avançada nesta área.

Pois bem, lá pelas 05 da manhã chegava o Cláudio, radiotelegrafista dos Correios, e começava batucar na sua Remington, aquilo que recebia pelos fones, em Código Morse. O Cláudio deixava os telegramas, mais ou menos assim: "Presidente República Brasil viaja amanhã Montevideu participar reunião etc...etc...".

O redator tinha que dar corpo ao material codificado e transformava-o em notícia. Gravador nem pensar. Depois vieram os teletipos, um móvel de ferro, com mil entradas de luz e não sei o que mais, que recebiam através de circuitos elétricos as notícias das agências Unite Press, France Press, Ansa e outras.

Só que, repito, só que as notícias chegavam em Espanhol e ninguém perguntou ao gauchito de Passo Fundo aqui, que viajou de trem pela primeira vez aos 17 anos e estava com pouco mais de 20, se compreendia a língua de El Cordobés (Manuel Benitez), o maior toureiro do mundo. E agora mané. Me digam, era ou não era uma maravilha ser radialista naquela época?

Após o Código Morse (Fig.6) veio o Teletipo, um espanto, um máquina de escrever sem ninguém tocar nela. Aliás, um grande telegrafista em sua época foi Juscelino Kubitschek - Ex-presidente do Brasil.


Fig.6 Telegrafo -(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Telegrafia)


Passado algum tempo, chegou o Telex (Fig.5) que tem origem no anterior serviço de telegrafia desenvolvido por Samuel Morse, e logo o Fax, melhor ainda que os serviços anteriores.


Fig.5 - Terminal de telex com memória em fita perfurada




O gravador foi uma bênção para nós, só que ninguém imaginou quantos radialistas iriam perder seus empregos, algo como os bancários hoje para o caixa automático e a Internet. E, finalmente, vieram os computadores, os celulares e uma baita parafernália. Sabe lá o que mais está por vir.


Quanto mais avançada a tecnologia, vai afastando as pessoas de suas ocupações. Começou com o Morse, como contei no texto anterior. Depois o teletipo, télex ou radioteletipo (Fig.4) que era um equipamento eletromecânico de comunicação, agora obsoleto devido às modernas tecnologias de telecomunicação.


Fig.4 - Antigo modelo
Siemens, com gabinete em madeira e discagem manual - (fonte : http://pt.wikipedia.org/wiki/Telex)


Em seguida, fui me adaptando, e me adaptando, ao telefone, gravador, celular e agora, ao computador. Este então, nem se fala. Tem Rádio que vira 24 horas só com um locutor em seus quadros. Na Rádio, fica só o operador e o computador. Por enquanto ainda fica o operador, mas logo sairá fora, se é que em certos casos já não saiu. Tenho que me atualizar, mas meu filho me disse que no final da década de 80, trabalhou em projeto no Banco, chamado Darkroom (do inglês quarto escuro), no qual a sala dos computadores ficaria sem nenhum operador de computador. Portanto, é de se imaginar que várias atividades já estão nesses moldes.


Para não deixar nada pra traz, volto à redação com teletipo onde as notícias vinham em espanhol, ao qual me referi no artigo anterior. Não sei até hoje ao certo qual estratagema usei, talvez o da dedução ao longo do texto. O que sei, é que redigi muitas e muitas notícias na Gaúcha. Eu me criei ouvindo Rádios do Uruguai e da Argentina, acho que isso me ajudou. Em 82, ganhei uma bolsa de estudos num intercâmbio para os Estados Unidos (Washington,Filadélfia e Nova York), e me disse um professor cubano, que o meu espanhol era do estilo portenho. Melhor assim, porque do inglês eu só sabia, Yés, OK e Tankiu. É isso aí minha gente! (ops!).

Bem, após essa breve pausa nas minhas andanças, iniciarei a narrativa dos meus tempos na Atalaia. Até já!

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