segunda-feira, 28 de julho de 2008

Mazza, impecável

Folclore - por Luiz Geraldo Mazza - O radialista Paulo Branco, de Curitiba, estava no olho do furação na crise de 1961, posterior à renúncia de Jânio Quadros. No QG da resistência e no meio da Cadeia da Legalidade pela Rádio Guaíba viveu os dramas do cerco do Palácio, o armamento do povo, a mobilização da Brigada e por fim o apoio do IIIº Exército. Passada a guerra, Brizola homenageou os radialistas que estiveram nas trincheiras da Legalidade com uma churrascada e mandou fazer uma placa de exaltação aos bravos repórteres e comentaristas. Para decepção do Paulo Branco seu nome não estava na lista e foi direto ao caudilho reclamar. Brizola prometeu que corrigiria o senão, mas nada foi feito. Alguns anos mais tarde, em função do golpe de 64, um general mandou encanar todos os que estavam na placa. Graças a isso, o Paulo Branco se viu livre da encrenca.

Aproveito para, mais uma vez, agradecer ao Mazza pela lembrança em artigo acima, escrito na sua coluna do "Folha de Londrina". Mas o intuito principal desta postagem no meu blog, é reproduzir o texto logo abaixo, que encontrei no http://www.hagah.com.br/, o qual tenho imensa satisfação de registrar e deixar documentado no Blog. Afinal, como já relatei aqui, o Mazza é um daqueles jornalistas entre "Os Impecáveis". Aprimora-se sempre para ter textos impecáveis e elegantes e, assim, prestar bons serviços aos leitores.

Luiz Geraldo Mazza

Com 57 anos de carreira e 77 de vida, Luiz Geraldo Mazza ainda continua sua profissão na Folha de Londrina e na Rádio CBN de Curitiba. É considerado um ícone do jornalismo paranaense pela carreira e personalidade erudita, de perfil crítico como pouco se encontra no jornalismo atual.

Ele acompanhou de perto a história da imprensa paranaense participando de ações como a greve-geral que parou os jornais paranaenses por um dia no ano de 1963 que foi proposta por ele, na época, líder sindical. Quando perguntado sobre largar o jornalismo ele é bem objetivo: "Não posso e nem devo", diz. Hoje em dia trabalha em uma coluna diária no jornal Folha de Londrina e faz comentários na rádio CBN de Curitiba pela manhã. Já somam 13 anos atuando nessas duas empresas. Seu tema em ambos é a política, pois é formado em Direito e quando se fala em jornalismo político Mazza é referência indispensável no Estado.

Com sua sabedoria é capaz de raciocinar sobre fatos da história política mundial, brasileira e local, mencionando correntes de pensamento, escritores e filósofos e sem se distanciar do seu público consegue notar o agito da velha e atual política e suas conseqüências na vida do cidadão comum.

A jornada de trabalho começou aos 20 anos quando, estudando Direito, escrevia crônica lírica e romântica para o Diário da Tarde. Também escrevia para O Estado do Paraná uma forma de contribuir com o jornal. Seu primeiro emprego como repórter foi em 1955 no Diário do Paraná, Mazza cobria geral e logo passou para a chefia de reportagem. “Sou da época em que o jornalista se formava no local de trabalho.”


Participou da primeira transmissão de tevê do Paraná, pelo canal 6, trabalhou no Correio de Notícias do Última Hora. Foi diretor de jornalismo da TV Paranaense. Além disso foi diretor do Sindicato dos Jornalistas no Paraná no início dos anos 60. Mas como nem tudo são flores, durante o período da ditadura militar ficou desempregado. “Quem me deu emprego, nessa época, foi Francisco Cunha Pereira (dono da TV Paranaense e jornal Gazeta do Povo) e o João Milanez (da Folha de Londrina).” O jornalista ficou na Folha até 1981 retornando no começo da década de 90 onde continua até hoje. Sobre trabalhar em jornal impresso, Mazza comenta: "Jornal agora é pretérito. Não consigo me livrar, todo dia, da sensação de estar trabalhando em uma coisa vencida", diz ele, comparando com a internet e a divulgação em massa da televisão.


E quando se fala em rádio nos tempos antigos e nos de hoje? “Estação de rádio não tinha e ainda não tem recursos econômicos para se viabilizar. Muitas vezes elas dependem do departamento comercial para se manter.” Mesmo não tendo a tecnologia atual nos tempos passados, não era difícil fazer rádio. Era mais trabalhoso, porém gratificante. Mazza cita dois de seus companheiros que não esquece até hoje: Alceu Schwabe e José Maria Pires, ambos tem lugar especial em suas referencias pela maneira sofisticada como escreviam.


Como momentos marcantes de seus trabalhos ele cita jornalismo de ensaio para a revista Referencia em Planejamento e Memórias Urbanas de Curitiba do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). Seu desejo para o futuro é continuar na profissão, “jornalismo para mim é trabalho, mas também é um repouso. Lido com gente muito jovem e de boa formação. É um intercâmbio agradável.” finaliza o jornalista, que não deixa de freqüentar a tradicional
Boca Maldita na Rua XV, ponto de encontro de políticos, jornalistas, advogados, funcionários públicos e aposentados no centro de Curitiba.

Maneko’s bar está na sua lista dos preferidos, “gosto de lá por causa da variedade de comida popular. Lá também tem uma boa birita e uma cerveja gelada”. Gosta muito de comer o famoso peixe venenoso, o Baiacu. E esse ele só encontra no Bar do Edmundo.

O
Pantagruel o faz lembrar do personagem da literatura crônica. “Lá saboreio a boa feijoada e a variedade de massas, peixes e carnes.” No Fornão ele gosta das pizzas e no Shopping Mueller acompanha a família.

Luiz Geraldo Mazza desperta nos alvos de suas críticas como também nos ouvintes sentimentos contraditórios, é amado e odiado, mas não importa qual é voracidade do comentário que o jornalismo faça uma coisa é certa: o respeito que todo o mundo jornalístico e político tem por seus comentários.

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