sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Profissão Repórter, numa tarde quente de verão

Lá pelos idos de 1952, iniciei minha carreira de radialista sendo noticiarista, ou um ledor de noticiários, de grandes jornais falados como se dizia na época, e das edições de hora em hora. Ao transcorrer do tempo, fui também apresentador de programas, redator e repórter. Não podia fugir da raia, e muitas vezes, grandes desafios. Lembro certa vez, designado pelo então diretor Jamur Junior da Rádio Guairacá de Curitiba, deveria realizar 3 reportagens.

Era uma tarde quente de verão, reportagens com autoridades, e é claro, exigências mil. Repórter que se prezava, vestia terno e gravata. A primeira tarefa foi na Praça Generoso Marques (foto 1), onde a prefeitura ocupava o prédio histórico desde 6 de fevereiro de 1916. O assunto era sobre a Praça da Ucrania, que foi concluída durante o mandato do saudoso Prefeito Eng. Omar Sabbag e a sua inauguração, juntamente com a do monumento a Tarás Chevtchenko (foto 2), ocorreu em solenidade especial no dia 29 de outubro de 1967. Nessa ocasião, em nome da Comunidade Ucraniana no Brasil, usou da palavra o Eng. Ambrosio Choma, destacando o importante significado histórico que aquelas inaugurações representavam para os ucranianos e seus descendentes que viviam livres nas terras brasileiras porquanto na sua pátria de além mar, seus compatriotas sofriam a dominação estrangeira do regime stalinista. No encerramento da solenidade o Dr. Omar Sabbag, pronunciou um empolgante discurso afirmando ser ele também descendente do povo sírio-libanês, o qual, juntamente com as demais etnias aqui radicadas, contribuía para o progresso e a grandeza da Pátria Brasileira. Congratulou-se com a gente ucraniana por ter concretizado seu sonho de marcar a sua existência produtiva no solo brasileiro.


Descendentes de ucranianos na cerimônia de bênção dos alimentos na véspera da Páscoa de 2006, em Curitiba.


Outra reportagem, acho que com o Secretário da Educação do Paraná, seria onde hoje é a Secretaria da Cultura, e por fim, uma outra no Museu da Arte Contemporânea, lá na Rua Westephalen. Foi uma verdadeira Via Sacra. Calorzão, tudo a pé dois, pois não tinha outro jeito. Gravador grande a tiracolo, preparado para realizar as ditas reportagens. Ordem dada, tarefa executada. Voltei para rádio e foi tudo para o ar. Foi um suador, mas valeu a pena.

Passado algum tempo, Ivo Arzua, Ministro da Agricultura, que fôra prefeito de Curitiba no início dos anos 60, pediu ao mesmo Jamur que enviasse um repórter para cobrir uma série de eventos na capital federal. Muitos pretendiam a indicação, mas o Jamur disse: "O reporter é o Paulo Branco e é ele que vai." Fui. Fiquei uma semana, enviando boletins, e vivendo no bem bom. Nunca esqueci daquele ato de reconhecimento do nosso Jamur.


Aproveito aqui, para abrir um parêntesis especial sobre o Jamur Junior, aproveitando informes do excelente Tablóide Digital de Aramis Millarch. Nascido em Guaratuba, Jamur Júnior (foto abaixo, em 1.982, Jamur Júnior assinando contrato, ladeado por Jurandir Ambonatti e Ubiratan Lustosa - fonte: www.ulustosa.com.br ) é um profissional que já está identificado com o que de mais importante tem acontecido na rádio e televisão do Paraná nos últimos 50 anos. E embora tenha tido sua primeira experiência como locutor na Rádio Palmeira, em 1952 - "quando ainda usava calças curtas" - Jamur fixa em sua atuação nos microfones da ZYC-5, Difusora de Paranaguá, em fins de 1954, o seu real início de carreira. Na metade dos anos 50 Jamur subiu a Serra e se fixou em Curitiba - aqui passando por quase todos os prefixos e sendo um dos primeiros apresentadores da ainda experimental TV-Paranaense, quando a mesma tinha como estúdio um kitnete no último andar do edifício Tijucas e suas imagens não passavam de riscos e borrões nos vídeos dos poucos aparelhos existentes na cidade. Assim como a televisão evoluiu, Jamur Júnior, em termos profissionais, marcou sua vida por um profissionalismo irrepreensível: locutor, apresentador, disck-jockey e, sobretudo, homem de visão jornalística, [contribuiu] para a dignificação da profissão tanto no rádio como na televisão. (fonte: www.millarch.org )

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