terça-feira, 3 de março de 2009

Lembranças do Rádio - Céu azil anul

por Antenor Ribeiro (*)


Gabriel Moacir era um tremendo colega na Atalaia de Londrina. E lá pelos anos 70, quando resolvemos fazer também Futebol, já que liderávamos a audiência em tudo que passava pelo nosso prefixo, tínhamos uma equipe pequena, porém de qualidade. Lembro que o narrador era o Paulo Gomes, e comentarista era o Álvaro Dias, ex-governador e atual Senador do Paraná. Nas reportagens de campo tínhamos uma inovação: a moça da bola, Pérola Cristina. A Ilda Rodrigues, que usava o pseudônimo de Pérola Cristina, foi escolhida pelo nosso diretor, Lourival Pedrazani, o Palito, para entrar nesta área. Desconhecendo o futebol, comprou um livro sobre o conhecido esporte e logo já sabia o que eram as quatro linhas, a lateral, linha de fundo, tiro de meta, escanteio, meio campo, impedimento, pênalti e vai por aí.


Mas voltemos ao Gabriel Moacir. Ele era um rádio ator e diretor do nosso departamento correspondente. Tinha uma voz bonita, gostava de narração nos programas. E escrevia alguma coisa. Aliás, quase todos nós escrevíamos para o rádio teatro. Em alguns casos era mais fácil, usando cartas dos ouvintes. Em outros programas, séries e novelinhas, a coisa era um pouco mais complicada. E, então aparecia o “dom” de alguns. Gabriel Moacir foi escalado pelo Palito para fazer a abertura de uma jornada esportiva. E o Palito era exigente. Gostava da coisa bem feita, sem erros, ou com poucos erros. Como éramos uma emissora líder, era grande a responsabilidade de fazer qualquer coisa na Atalaia.


E o Gabriel Moacir, para não errar, tentando ser o melhor possível na abertura daquela jornada esportiva da Atalaia, escreveu o que iria dizer. Como interpretava bem, não teria erro. O domingo seria de sol. E foi um dia ensolarado. De céu bonito. A tarde estava linda. O VGD, como sempre foi chamado o Estádio Vitorino Gonçalves Dias, abrigava razoável público para a partida. Jogava o Londrina, com sua tradicional camisa azul e branca, contra o “Vermelhinho do fim da linha”, o Paranavaí. E estava tudo pronto para o início da transmissão.


O operador, Nilton Mendes, um dos melhores que a emissora possuía, coadjuvado por Gerson Munaretto, o famoso ”Goiabão”, soltou a vinheta de abertura, abriu a linha e deixou a trilha do esporte em B/G para a locução de Gabriel Moacir. Ele era um cara de mais de 1,80 de altura, com uma razoável barriguinha do Chopp nosso de toda sexta, estilo galã, de voz bonita, que mandou ver na “latinha”


-Muito boa tarde, torcedora e torcedora. A Atalaia passa a falar diretamente do VGD, palco de mais uma partida do Campeonato Paranaense. A jovem equipe de esportes da Atalaia entra também em campo neste momento. Vocês verão o jogo com a narração de Paulo Gomes e os comentários de Álvaro Dias. Nas reportagens de campo, estarão os companheiros Antenor Ribeiro, Tito Marcos e a moça da bola, Pérola Cristina. É uma tarde propícia para a prática do futebol. Temperatura agradável nesta tarde de céuazil anul”.


Você não leu errado. Ele disse mesmo que o céu estava “azil anul”. Trocou as vogais e sentiu na hora. Mas era um grande profissional e tocou em frente. Ao término do trabalho, claro que nós fizemos com que ele pagasse o chopp. E durante muito tempo a gente perguntava para ele:


-E a tarde azil anul?


(*) Antenor Ribeiro - Seu ex-colega da Atalaia de Curitiba. Estou em Londrina, no batente. Sem querer me aposentar também e querendo ver se encontro algum desafio no rádio, do tipo rádio-teatro, como li em seu blog. Um abração.

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