terça-feira, 31 de março de 2009

Os novos vendilhões do templo

por J Pimentel em www.carosouvintes.org.br

Com surpresa, me deparo com a notícia de que Carlos Massa, o Ratinho, vendeu a TV Serra do Mar, em Paranaguá, no Paraná, para o bispo R.R. Soares, aquele mesmo que apresenta um programa no horário nobre da TV Bandeirantes.

O preço teria sido algo em torno de 13 milhões de reais. A emissora é geradora e poderá encabeçar uma rede para todo o País, com programas da Igreja Internacional da Graça de Deus.

Cada vez me surpreendo mais com os altos valores dessas transações e com a facilidade com que essas seitas conseguem levantar tanto dinheiro. Ninguém acredita que toda essa fortuna gasta na compra de rádios e TVs vise apenas divulgar a palavra de Deus. Há um claro interesse comercial, uma rede de negócios, que envolve meios de comunicação, gravadoras, editoras, shows, viagens turísticas, empreendimentos imobiliários, franquias e muito mais.

São os modernos Vendilhões do Templo. Querem explorar o promissor mercado da fé, ocupar cada vez maiores espaços para divulgação de seus negócios, aumentarem o número de fiéis, iludi-los com discursos ocos e faturar cada vez mais, com dízimos, contribuições e sabe-se o quê mais, porque a arrecadação religiosa é uma imensa caixa preta, uma excelente alternativa para insuspeita lavagem de dinheiro.

O interesse adjacente é o Político. Basta ver o aumento significativo da tal bancada evangélica no Congresso, que funciona como tropa de choque em defesa de seus interesses e que visa boicotar eventuais projetos de lei que tentem acabar com os abusos.

Pessoalmente não gosto do estilo do Ratinho, mas não lhe podemos negar invulgar talento. Foi assim que conseguiu alguns canais de televisão, já possuía um canal de rádio e era de se supor que suas empresas de comunicação viessem a servir a comunidade e ao mercado com boa programação e produção de programas regionais.

Sem contrato com o SBT e sem propostas de trabalho Ratinho poderia muito bem usar seus canais para realizar seus projetos artísticos. Mas, como a maioria dos radiodifusores, preferiu o caminho mais fácil, o de utilizar uma concessão do governo para ficar ainda mais rico.

Se qualquer cidadão, sem um poderoso padrinho político tentar conseguir uma concessão, enfrentará tantos empecilhos burocráticos, legais e financeiros que acabará desistindo. Mas para um privilegiado grupo, tudo é muito simples. As tais concessões invariavelmente acabam manipuladas, transferidas, negociadas a torto e a direito, sem que o poder concedente atente para sua legalidade.

Trata-se de uma negociata entre empresários gananciosos, mercadores da fé ou manipuladores políticos. No fim, esses veículos, que deveriam produzir conteúdo para servir à população, gerar empregos e formar bons profissionais vão ser utilizados para induzir pessoas conforme os interesses de seus donos.

O poder concedente, que deveria fiscalizar e fazer valer a lei, tem-se mostrado poderoso cúmplice dessas negociatas.  Em pouco tempo o dial se tornará um insuportável púlpito religioso ou político e o meio irreversivelmente desacreditado.

Com a TV Digital e seus inúmeros canais alternativos, será criado um fabuloso mercado paralelo para torrar o dinheiro dos dízimos e encher os bolsos dos maus radiodifusores. Até quando isso vai continuar?

  1. Roberta

    SÃO ESSAS E OUTRAS VERDADEIRAS ABERRAÇÕES QUE VEM ACONTECENDO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DESTE PAÍS: TEM QUE TER UM PROJETO DE LEI QUE PROIBE O DETENTOR DE MANDATO ELETIVO DE EXERCER A FUNÇÃO DE APRESENTADOR OU COMENTARISTA DE PROGRAMA VEICULADO POR EMISSORA DE RÁDIO E TELEVISÃO. TEM QUE ACABAR COM ESSES OPORTUNISTAS DE PLANTÃO OCUPANDO ESPAÇOS CUJO OS MESMOS DEVERIAM SER PREENCHIDOS POR PROFISSIONAIS QUALIFICADOS DA ÁREA DE COMUNICAÇÃO. POLÍTICOS QUE GANHAM CONCESSÕES EM TROCA DE FAVORES PESSOAIS; OS OPORTUNISTAS SALAFRARIOS QUE COMANDAM SEITAS RELIGIOSAS SE ENRIQUECENDO EM NOME DE DEUS E DA BOA FÉ DE PESSOAS SOFRIDAS E CARENTES. O MINISTÉRIO PÚBLICO TEM AGIR EM CIMA DESTES CANALHAS E DAR UM BASTA NESTA POUCA VERGONHA QUE TEM A CONIVÊNCIA DE ORGÃOS CRIADOS PARA FISCALIZAR E COMBATER.

  2. Carla Cascaes

    O admirável colunista J. Pimentel está sendo preciso em sua análise sobre o deplorável panorama de negociatas milionárias que constatamos a cada dia no setor rádiotelevisivo e jornalístico.
    Os políticos não têm interesse algum de criar cobras para morder seus calcanhares, entregando concessões a profissionais que não se curvam aos seus caprichos.
    Por outra lado o poder econômico grassa, cada vez com mais voracidade, sobre o que resta da imprensa, rádios e tevês que ainda exercem alguma influência.
    A ingerência de políticos e barganhadores de concessões é cada vez mais preocupante.
    Em outros tempos já havia um certo monopõlio político nos órgãos de divulgação, pois dificilmente se constatava um jornal ou uma rádio que não pertencesse a um grupo político ou econômico.
    Não poderíamos dizer que havia mais independência, mas pelo menos - e certamente - serviam a todas as comunidades e não somente a determinados donos de “cofres abarrotados”, ávidos “religiosos” ou trambiqueiros da política-partidária.
    Grande parte dos órgãos de divulgação dos dias de hoje têm muita semelhança com o cockpit de um carro de corrida: senta nele o piloto que trouxer o melhor patrocínio, não importa se medíocre e incompetente. Rádios existem que tem seus balcões de negócios: são detentores de espaços quem tiver dinheiro para cobrir o custo por hora alugada, não importando o que vai ali apresentar e nem sua qualificação profissional…

Fonte: http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=2773


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