quinta-feira, 7 de maio de 2009

Supremo demonstra ranço anti-imprensa


Supremo demonstra ranço anti-imprensa

Milton Coelho da Graça (*)  fonte: http://www.comunique-se.com.br/ 05/05/2009

Nós e o povo brasileiro vivemos na semana passada a alegria de ver jogado no lixo mais um entulho da ditadura. A Lei de Imprensa, de 1967, era a antítese do pensamento de Thomas Jefferson, para quem a liberdade de imprensa – sem qualquer restrição – era a pedra fundamental do regime democrático.

O relator, ministro Ayres Brito, foi direto ao ponto, em seu voto exemplar: "Nada mais nocivo e perigoso do que a pretensão do Estado de regular a liberdade de expressão e pensamento". Foi acompanhado – e até com enunciação de novos argumentos em favor da extinção pura, simples e imediata da Lei Rolha, que já durava mais de 40 anos, pelos ministros Celso de Mello, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Carmen Lúcia, Cesar Peluso e até Carlos Alberto Direito, considerado o mais conservador do tribunal.

O que me causou surpresa, entretanto, foi a manifestação totalmente contrária do ministro Marco Aurélio de Mello, cujo argumento – o da improcedência do pedido porque a lei já não vinha sendo aplicada – beira a ingenuidade. Os outros três votos contrários, todos defendendo a necessidade de proteção contra abusos da imprensa, foram demolidos por argumentos do relator e dos seis outros ministros que o acompanharam, inclusive o de que a própria Constituição já garante essa proteção aos direitos à privacidade, à inviolabilidade, à honra, à dignidade e até ao direito de resposta.

E, sinceramente, é impossível deixar de sentir um ranço de sentimento anti-imprensa nesses quatro votos, o que nos recorda que o Supremo Tribunal perdeu com o AI-5 da ditadura militar, em 1968 os cinco mais dignos de seus membros – três cassados (Hermes Lima, Vitor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva) e dois que se demitiram em solidariedade aos cassados (Gonçalves de Oliveira e Lafayette Andrade). 

A imprensa – já amordaçada pela Lei 5250 desde 1967 – nada pôde reclamar. E quem se lembra dos nomes dos outros ministros do Supremo, que também aceitaram a mordaça?

Vale a pena ouvir conselhos espanhóis?

Relendo páginas do Google recheadas de conselhos para enfrentar a crise da imprensa, encontrei estes trechos do relatório “Inovação”, escritos por Juan Antonio Giner. São conselhos a donos e editores de jornais. Como todos sabemos, no Brasil nada seduz tanto patrões e diretores como ouvir (e seguir) conselhos de espanhóis. Estão na internet desde 4 de junho do ano passado e, quase um ano depois, certamente tiveram aqui alto índice de leitura. Mas nem todos vêm sendo cumpridos?

Por exemplo, vejam o que Giner apontava como “caminhos para se matar um jornal”:

1. Má impressão
2. Sem interatividade com o público
3. Cores ruins
3. Matérias e artigos longos demais
4. Despreocupação com a apresentação visual
5. Salários baixos
6. Sem inovações
7. Espera por milagres

Depois de mostrar “o que não fazer”,  recomendações sobre “o que fazer”:

1. Seja diferente
2. Faça barulho e venda jornais
3. Não deixe os leitores deprimidos, faça-os sorrir
4. Publique grandes histórias
5. Seja hiper-super-local
6. Integre-se ou morra
8. Gráficos, gráficos, gráficos
9. Tente idéias diferentes

E talvez nem todos os nossos jornais tenham seguido estas recomendações de requisitos essenciais a uma redação moderna:

1. Um “mesão” em que os chefes sempre estejam acessíveis, visíveis e abertos
2. Uma “mesa da comunidade”, na qual uma equipe se encarrega de integrar comentários, fotos, vídeos, dicas e opiniões do público.
3. Uma “mesa de tarefas”, onde estejam sentados repórteres e fotógrafos.
4. Um estúdio – de radio e tv - integrado
5. Paredes digitais em que toda a redação possa acompanhar sempre a edição on-line.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se.


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