terça-feira, 7 de julho de 2009

À SEPPIR E SUA CONAPIR

Que é que vocês querem, abutres nojentos.

Não estão satisfeitos ? Vão embora.

Voltem para seus acampamentos fétidos

Rodeados de merda e crianças sebosas.

Por que reclamam, escória humana.


Chegaram aqui escorraçados, como favor,

Pois deviam estar mortos, nos fornos nazistas.

Não tem do que reclamar, vagabundos.

Dentes de ouro, barracas de lona, vivem na estrada,


São vagabundos, chafurdam na lama e roubam e matam,

Podridão étnica, pretensão insana de igualar-se

A seres humanos normais e socializados.


Padres, Pastores, com míseros 30 dinheiros, buscam catequizar os infiéis,

E como respondem, aprendem? Não, com ingratidão!

Não importa, escolham vocês mesmos a religião,

Desde que paguem os dízimos devidos a qualquer um.

Não, não é cafetina, é rainha. E por isso mesmo, a exemplo

Dos governos estruturados, deve receber os impostos.


Até ministros de estado a reconhecem, e dizem sim,

Quando ela seleciona o seu séqüito e parentes truculentos.

Não, não chorem sua sina, não blasfemem contra o destino,

Estendam a mão, uma migalha certamente cairá,

Senão dela, da princesa ou do imperador, antes revolto,

Hoje, fiel cristão, acompanhado do seu padre pança.


He, he, he, gente miúda, minoria das maiorias,

De pobres servis, humildes e gentis.

Tripudiam sobre suas vidas, escárnio brutal.

E o pior, vocês não vêem o mal! Não enxergam o final!


Basta um aceno, mentiroso, com promessa vã

Lá vai o incauto, seguindo fiel, o nariz cheio de esperança.

Que bela fornada de brioches, pães e salames suculentos,

A nossa rainha sabe comer bem, que alívio.


Conseguimos algumas migalhas, não, crianças. Não comam,

Temos que levar a oferenda para a santa.

E apodrece o pão, e apodrecem as crianças,

Desnutridas, sem educação, sem futuro, sem vida.


Eh,, ciganos,.baixem a cabeça, não podem olhar o brilho,

Da peruca real, com fios de ouro, tiara incrustada de pedras preciosas,

Bem ao gosto dos governos gentis, mentirosos, imbecis,

Que o cigano não entende mas espera um pequeno olhar.


Pobre gente, não de riqueza, sabem como conquistar

Sem trabalhar, com sua inteligência natural, todo o ouro que queiram,

Sabem como viver. Livres como o vento, como pássaro ligeiro,

Mal sabem que vivem presos, num enorme cativeiro.


Analfabetos, chutados a cada esquina,

Eis sua sina. Lendo mãos, adivinhando a sorte,

Eis sua morte. Mas os impostos, impostos pela rainha,

Tem que pagar. Não paga, não pode as cartas da rainha mostrar.


E os governantes riem, que briguem entre si, são ciganos,

Embusteiros, ladrões, quem não rouba? Todos roubam,

Diz o imperador. Negros, Judeus, até os Índios que moram nas cidades.

Vamos prometer tudo, mas não vamos criar facilidades.


É chegado o dia, é chegada a hora. Um presidente a corja convoca,

Digam, o que precisam, que é que vocês querem? Pergunta o secretário.

Ser ouvidos, senhor, mostrar quem somos, fala um idiota entre a turba.

Pretensioso, humilde, pensando na voz dos acampamentos, na comunidade.


Animados, outros ciganos mostram a cara, aparecem lideranças,

Vindas da onde, assim de repente, é uma rebelião, grita o secretário.

Tem que respeitar a conselheira. Assessor, vista-lhes uma saia na cabeça.

Tem que aprender quem são. Que a rainha deste mal não padeça.


Nós a apoiamos, disse o senhor. Ela se declarou rainha e assim será,

Nem todos aqui são ciganos. Quem é, ela vos dirá.

E assim foi feito. Uma bruxa foi eleita, pela rainha e seus pares,

Família real, embora parecessem ursos famintos, os desgraçados.


Triste visão. Vencemos a redentora e caímos em outra esparrela,

Talvez pior, disfarçada. Fingindo ver nossa triste vida, única, desesperançada,

Indicando-nos, não insistam, sigam calados, sua estrada.

Do poder, dos governantes, dos seus irmãos, não esperem mais nada.


Desistir, para a estrada voltar, seguir até outra gente nos enxotar?

Não, temos que lutar. Como nossos irmãos negros, como os discriminados judeus,

Com a valentia dos índios, com a persistência dos quilombolas,

Com a esperança que nos guia, com o horizonte da esperança.


Alguém, algum dia, nos verá e a nossa luta. Mudemos nossa conduta.

Gritem, falem, tem que nos ouvir. Cagamos em volta do acampamento, sim.

Ninguém nos empresta o banheiro de suas casas. A autoridade constituída,

Não constrói moradia para nós. Somente falsos discursos. Não nos dão guarida.


Se roubamos? Reis e imperadores, roubam de toda uma nação.

Nós roubamos galinhas, temos fome. As crianças choram, morrem.

E a sociedade nos toca dos acampamentos, como cães sarnentos.

Pobres cães, pobres ciganos. Da sociedade somos o excremento.


Ah, sim. Não esqueçamos os sedentários, senhores e cidadãos,

Que, claro, não se identificam como ciganos, salvo quando,

Firmam convênios com o governo, e aí, sempre entra “mais algum”.

Pra preservar a cultura, dizem. E claro, para a santa, também.


Ou quando mortos, dizem: foi poeta, foi presidente. Aquele não, foi mafioso.

Sempre tem uma língua afiada e maldosa. Só porque roubou alguns trocados,

Que colocaram o dono do dinheiro na cadeia, dizem que foi bandido.

Rouba mas faz, e pela sociedade, era muito querido.


Mas, ele não era cigano. Era político, mas não era cigano.

E daí, está morto, não está? Mas que era querido, era.

E você cigano, está reclamando de que? Vai a luta. Tem cabeça

Em cima dos ombros, basta aprender um pouco. Não esqueça,

O mundo é dos vivos, dos que sabem se virar, de quem é safo.


Instala um escritório, leia a sorte dos ricos. Aí é ciência oculta.

Ganha muito, rouba herança, sempre rindo abençoa a doutora.

Se lê a sorte na rua, é criminosa, perigosa, vai presa e é execrada.


Que pretensão, adivinhar a sorte na rua, sem autorização da realeza,

Sem recolher os impostos ou dízimos, é uma paria, sem modos ou educação,

É cigana, não adianta. São incorrigíveis. Não adianta ensinar, não aprendem.

Melhor manter na ignorância. São mais produtivos e menos dispendiosos.


Assim, não tem documentos, não podem exigir nada,

Nem saúde, nem educação. Aposentadoria pra que, nunca fizeram nada.

Bolsa família, nem pensar. Vão querer os filhos engordar e, pior

Podem querer colocar as crianças na escola, pra estudar. Deus nos livre!


Wasyl Stuparyk

Nenhum comentário:

FIQUE BEM INFORMADO.

Leia mais: Hoje é dia de que? Datas comemorativas • A arte da vida. Apon HP. Literatura para pensar e sentir http://www.aponarte.com.br/p/hoje-e-dia-de-que-e-amanha_09.html