quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sexo pesado na CBN - por Eduardo Schneider

Fonte: Quarta-feira, 17 de Junho de 2009 - Sexo pesado na CBN - (*)

Jair Brugnago, vereador de União da Vitória, foi nesta terça-feira, 16, a Rádio CBN reclamar de um livro, distribuído pelo MEC, chamado “Amor à Brasileira”, destinado aos alunos do ensino médio.

A obra inclui texto de Dalton Trevisan que seria, segundo o vereador, pornográfico. O apresentador Eduardo Correia, que substituía o titular, José Wille, duvidou que houvesse pornografia em Dalton e desafiou o vereador a citá-la.

O vereador inquiriu se era mesmo permitido citar os tais trechos. O radialista disse que a CBN estava sempre aberta a literatura de Dalton Trevisan. O vereador não teve dúvida e citou:

- “Agora sua vadia, chupa o meu c...”, e, na seqüência: “vem aqui e agora chupa com força a minha b...”, e ainda: “enfia a língua no meu c...”

O constrangimento foi tão grande que chamaram os comerciais. O episódio foi hilário. Deve constar das antologias de episódios cômicos do rádio, com direito a ser citado nas faculdades de comunicação como um clássico.

O que é pornografia?
A polêmica sobre o que é pornografia é antiga e complicada. As frases citadas pelo vereador, e reproduzidas neste espaço com pudicos três pontinhos, são de fato pornográficas.

Ou pelo menos seriam assim consideradas se fossem parte, digamos, de um filme erótico. A questão é: como são frases de uma obra de Dalton Trevisan se transformam em grande literatura e podem e devem ser colocadas em livro didático para adolescentes?

O assunto é complexo. Tanto é assim que os apresentadores da CBN ficaram “audivelmente” constrangidos com as citações do vereador. Curioso isso. Não é de bom tom citar trechos do autor na rádio, mas é perfeitamente adequado oferecê-los a estudantes?

É aí que bate o ponto. Nada impede que uma obra literária de alto valor contenha cenas sexuais fortes com práticas eróticas incomuns como a anilíngua (estimulação oral do ânus), que é solicitada por um dos personagens. Mas é adequado fornecer relato dessas práticas a adolescentes que estão, presumivelmente, iniciando sua vida sexual?

Opção
Todos sabem que um adolescente hoje, se quiser, pode ficar mergulhado 24 horas por dia na pornografia mais pesada navegando na internet, sem pagar nada. Só pegando alguns vírus, espécie de gonorréia virtual. Mas temos aí uma questão de opção. O adolescente liga o seu computador e procura sites pornográficos. A escola fornecer material dessa natureza – o que torna seu consumo obrigatório para todos - é questionável.

Mais estranho ainda. O sexo é um tema central da obra de Dalton Trevisan, mas raramente aparece em termos tão crus, como aqueles citados no ar pelo vereador, extraídos da obra distribuída pelo MEC. A impressão que fica é que a obra foi escolhida a dedo (epa!) para integrar a obra do MEC.

(*) Eduardo Schneider é jornalista, crítico, um atento observador da política do Paraná e do Brasil. É colunista do jornal horaH e horaHNews. Contato: eduardoschneid@hotmail.com

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