quinta-feira, 16 de julho de 2009

Somo ciganos, SIM

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CIGANOS NO PARANÁ

Rua Antonio Calheiro Rodrigues,83 – Uberaba – CEP 81560-580 – Curitiba – Paraná

Telefones 41 3206-2965 / 41 8427-1947 CNPJ 10.317.024/0001-22

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Excelentíssimos e Ilustríssimos Senhores;

Em recente reunião com o ilustre Senhor Secretário Adjunto do Ministro Edson Santos, Ministro Chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Senhor Elói Ferreira, resolvemos alguns equívocos, de ambas as partes e, no comentário do Assessor Marco Antonio, restou um ponto de extrema importância, a ser definido. Diz o comentário: “... difícil a solução. Fica claro que existem divergências pessoais que devem ser corrigidas e que impedem o entendimento.” Na ocasião, respondi que, era verdade, no entanto deveria se analisar onde e de quem para quem partiam as divergências.


Pois bem, acredito que é chegada a hora de esclarecer e identificar a animosidade que emperra o entendimento.


No dia 07 de julho de 2009, recebemos, como cópia oculta dirigida à CERCI – Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana, São Paulo - uma das entidades signatárias da presente, o seguinte e-mail, enviado por Mirian Stanescon Batuli:


--- Em seg, 6/7/09, Perly Cipriano <perly.cipriano@mj.gov.br> escreveu:


De: Perly Cipriano <perly.cipriano@mj.gov.br>
Assunto: ENC: CIGANOS BRASILEIROS
Para: "Mirian Stanescon" <mirian_stanescon@yahoo.com.br>
Data: Segunda-feira, 6 de Julho de 2009, 10:31

Mirian veja o grau de absurdos manifestados contra a SEPPIR, creio que estas pessoas perderam o senso e atacam aqueles que estão se empenhando por constituir políticas publicas para a comunidade cigana. È algo difícil de entender as motivações. Cada um sabe o que faz e porque faz ou pelo menos devia saber. Devemo seguir em frente, pois a comunidade cigana merece muito respeito e dedicação de todas as pessoas sérias e comprometidas com os direitos humanos.

Um abraço para você e para família.

Perly Cipriano

Estranho erro cometido pelo Senhor Subsecretário dos Direitos Humanos do Governo Brasileiro, Perly Cipriano.


Não houveram “absurdos manifestados CONTRA A SEPPIR”.


Houveram, sim, criticas quanto ao nome do projeto do “Estatuto da Igualdade Racial”, conforme veremos em seguida. Criticas que achamos justas e dentro do espírito democrático que norteia o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, certamente do seu Ministro Edson Santos.


Não somos e nunca nos colocamos contra o Estatuto, suas diretrizes, artigos e finalidades. Somos totalmente a favor das conquistas dos Afro Descendentes Brasileiros, e colocamos claramente nosso ponto de vista na correspondência enviada ao Senhor Ministro Edson Santos.


Vejamos a correspondência, na íntegra:



Ministro Edson Santos.

Agora sim, o entendimento fica claro.

Com a nota de esclarecimento sobre o Estatuto da Igualdade Racial, divulgada pela SEPPIR, Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que Vossa Excelência preside, motivada pelo manifesto das entidades do movimento negro, durante a II Conferência Nacional de Igualdade Racial, coloca-nos, claramente “ O Estatuto da Igualdade Racial foi concebido para alcançar direitos essenciais à população negra brasileira em sua totalidade e, portanto, crianças, adolescentes, jovens e idosos são destinatários e beneficiários da norma. O Projeto tem caráter compensatório e, sobretudo reparatório, o que impõe a transversalização do público alvo nas ações nele contidas.” Se não fosse tão somente uma personagem do saudoso Dias Gomes, juro que o texto me pareceu mais do Odorico Paraguassú.

E Odorico, em sua sabedoria logo corrigiria o erro do nome do projeto. Ao invés de Estatuto da Igualdade Racial, chamaria de ESTATUTO TARJA PRETA. Não é para qualquer um.

Aqui, me obrigo a comentar que, nada temos contra o projeto do Estatuto. Entendemos que a população Afro Descendente no Brasil é a grande maioria e vem lutando, abrindo espaços na sociedade, com grandes méritos. Lutas no dia a dia, vem resgatando os direitos merecidos e que, durante séculos foram negados à quem tanto fez e faz pelo bem do Brasil. Se os avanços ainda não são definitivos, são bastante significativos e, com o Estatuto, atingirão metas antes não imagináveis e que colocarão a raça negra, dentro do contexto da justiça e do direito humano universal.

Mas, igualdade racial, não. Igualdade racial pressupõe direitos iguais para negros, judeus, árabes e, dentre tantas raças que compõem o nosso Brasil, os ciganos.

Quando coloco ESTATUTO TARJA PRETA, coloco palavras na boca do prefeito Odorico Paraguassú, que Dias Gomes, com seu espírito crítico e com humor, fazia-se entender muito bem pela sociedade brasileira. Mas o projeto poderia ter o nome de “ ESTATUTO DO POVO AFRO DESCENDENTE BRASILEIRO.” Seria mais justo e não criaria, mais uma vez, a falsa expectativa de que é um projeto de IGUALDADE RACIAL. Repito, não é.

O projeto está totalmente direcionado à população Afro Descendente e com todos os méritos, com todos os artigos nele inseridos e outros que a população negra venha a propor, não como perdão aos atos praticados pelo estado brasileiro – não entendo como possa se reivindicar o perdão por ato somente igualado pelas atrocidades cometidas por Hitler, no holocausto judeu e cigano – mas por pensar nas gerações futuras que merecem o lugar digno na sociedade brasileira.

Mas, insisto, não é um projeto de IGUALDADE RACIAL.

Os ciganos radicados e hoje, grande maioria cidadãos brasileiros, vem sofrendo com a discriminação racial desde a sua chegada no Brasil – discriminação também presente no resto do mundo – com promessa e falsas perspectivas, tanto por parte de autoridades quanto por exploradores, dentre os quais, alguns chamados “ciganos sedentários”, com projetos ditos “culturais” que visam a promoção de “resgate cultural”, quando o cidadão cigano, dentro do contexto de um mundo moderno, não consegue sobreviver com dignidade. Projetos que raramente contemplam o cigano, muito menos como coletivo.

Como sobreviver vendendo cavalos – para quem vender? Como sobreviver lendo as cartas sem ter um belo escritório? Como manter a dignidade, a fé e a preservação da cultura, quando no fim do dia, se tem fome. Quando no horizonte somente resta a esperança de caminhar e, caminhando encontrar, talvez, perspectiva melhor de sobreviver, mais um dia?

Como manter a auto estima quando não se consegue ler o cartaz do super mercado, da farmácia, ou do ônibus que se tem que pegar?

Como uma criança que vai à escola, com sua roupa mais bonita, enfeitada, e é recebida por seus “coleguinhas” com risos e preconceito, pode voltar?

Como uma mãe, após um dia inteiro de trabalho, nas ruas, tentando exercer o que sabe fazer, diz à essa criança que vai dormir com fome, debaixo da lona fria e, que “se Deus quiser, amanhã será um novo dia.”

E os sedentários, em seus apartamentos no Rio de Janeiro, em Campinas ou na Bahia, estão preocupados em preservar a cultura. A cultura e seus santos que rendem.

Senhor Ministro. Não se consegue escrever uma letra sequer, se não apontar o lápis primeiro. Claro que, os sedentários usam canetas.

A solução cigana é muito mais simples do que se pode imaginar. Vivemos insistindo que a grande maioria das ações necessárias, já foram criadas e estão disponíveis nas metas do governo Lula. O que falta é simplesmente acesso as mesmas. Por falta de alfabetização das crianças e adultos; por falta de documentos básicos.

De nada adianta fazer uma “cartilha dos direitos ciganos” se ele não sabe ler. Como também não adianta pressupor que alguém vai ao acampamento e lerá a cartilha para eles. Essa premissa é de uma maldade e cinismo tão grandes que nos remete ao descaso mais absurdo para com o ser humano e para com o cidadão brasileiro menos favorecido.

A experiência que tivemos na Plenária Nacional de Comunidades Tradicionais foi estarrecedora. No eixo temático que dizia respeito a educação, quando foi levantada a possibilidade de se falar da inclusão dos ciganos em todos os níveis da educação, a representante dos ciganos, Conselheira do CNPIR, disse-me: “não vamos falar em universidade. Eles são analfabetos. Vamos deixar isso pra depois.” Diante do absurdo, tolhendo a possibilidade de perspectiva de futuro, olhei com tristeza a patética figura que, com muito orgulho se diz advogada,mas que nega a mesma possibilidade para seus iguais. Bem, não diria iguais, pois a referida senhora, antes rainha, agora, com falsa humildade se designa princesa dos ciganos. Outro absurdo pois, na etnia cigana não existem reis, rainhas ou princesas.

Mas o fato nos indica exatamente qual a intenção de alguns ciganos sedentários que, a exemplo de algumas seitas religiosas, procuram manter o povo na ignorância pois rende mais dízimos.

Um povo esclarecido que trabalha, paga os impostos devidos, não sai distribuindo dinheiro para reis, rainhas, princesas ou ações de duvidoso mérito social.

Outros fatos de absurda gravidade, que já levamos ao conhecimento de Vossa Excelência – pelo menos acreditamos que sua assessoria tenha encaminhado – nos levam a acreditar que o discurso apresentado é um e a pratica é outra. No instante em que vemos os esforços do nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em promover a ação social, dando oportunidade e dignidade ao ser humano, vemos também pessoas do governo acobertando atos covardes e inconstitucionais ou promovendo encontros, com parcerias absolutamente desnecessárias, onde tentam justificar seus discursos mentirosos e que, dia a dia, tendem ao descrédito de tudo o que o Presidente tanto preza.

Senhor Ministro, quem sabe dos ciganos, são os próprios. Os nômades. E mesmo entre os nômades, existem os sedentários que fazem turismo ou, os bem abastados que seguramente, não desprezam a possibilidade de receber uma cesta básica ou um “vale família”.

Por isso, propomos instituir em cada acampamento de nômades, uma personalidade jurídica, uma associação, com propostas claras de educação e melhorias da coletividade cigana. Somente desta forma, atribuindo obrigações e responsabilidades, é que poderemos dimensionar os projetos, as ações e os resultados e progressos pretendidos.

No mais, Senhor Ministro, seguirão promovendo as festinhas para santas que não são tão santas, ou defendendo seus interesses de promoção pessoal e social.

Sem mais para o momento, subscrevemo-nos,

ATENCIOSAMENTE

WASYL STUPARYK

ABRACIPR – Associação Brasileira dos Ciganos no Paraná - PR

MIO VACITE

UCB – União Cigana do Brasil - RJ

MÁRCIA GUELPA – YÁSKARA

CERCI – Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana – SP

CLAUDIO YOVANOVITCHI

APRECI – Associação de Preservação da Cultura Cigana – PR

ZEUS ULISSES CESAR

CCB – Coletivo de Ciganos Calon do Brasil – SP



Por outro lado, .... (segue mais detalhes). Veja na íntegra em Documento no Google



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