terça-feira, 17 de novembro de 2009

Faz um ano que perdemos Cláudio Seto

por: Eduardo Schneider (*)

Completou neste domingo, 15, um ano da morte do grande Cláudio Seto. Artista fora do comum dono de múltiplos talentos, todos eles excepcionais. Desenhista e criador de histórias em quadrinhos, pintor muitas vezes premiado, escritor, divulgador da cultura japonesa, um mestre da amizade que adotou o Paraná como sua terra e a enriqueceu com seu talento e seu bom caráter.

Seto, que faleceu aos 64 anos, tinha uma história de vida que parecia ter saído de um dos mangás que criava com o talento e a desenvoltura que só se encontra nos mestres supremos. Nasceu em 1944, durante a II Guerra Mundial, em um campo de concentração para japoneses no interior de São Paulo, cortesia do Estado Novo.

Aos nove anos Seto foi para o Japão onde estudou em um templo budista. Aprendeu as artes dos honoráveis ancestrais, entre elas o haikai, o bonsai e desenvolveu um inacreditável talento inato para o desenho. De volta para o Brasil trabalhou criando ao argumento e desenhando histórias em quadrinhos. Foi um dos pioneiros e um dos mais importantes criadores das HQs brasileiras.

Na década de 1970 Curitiba, com a Grafipar, Curitiba era um pólos brasileiros dos quadrinhos. Seto foi convidado a vir para cá e integrar seu talento a equipe. Sua chegada à cidade coincidiu com a famosa neve de 1975 e deu ao evento um clima de magia.

Seto viu os curitibanos brincando e sorrindo por causa da neve. Imaginou que os nativos eram notavelmente simpáticos e hospitaleiros. Quando se deu conta do engano já estava irremediavelmente apaixonado pela cidade e daqui nunca mais saiu.

Inventariar os talentos de Cláudio Seto é quase tão difícil quanto cotizar as habilidades de Leonardo da Vinci. Ele era bom em tudo. De Leonardo a maioria concordaria que ele foi um dos grandes pintores que o mundo já conheceu, embora fosse também muito bom na escultura, na arquitetura, na engenharia, na anatomia, na medicina, na arte da guerra, na ciência...

De Cláudio Seto é costume destacar-se sua habilidade e talento excepcional como criador de quadrinhos. Talvez seja correto atribuir à supremacia a essa modalidade, pelo caráter pioneiro que ele teve e pela originalidade de suas criações. Mas Seto era também um grande pintor. Venceu diversas vezes o Salão Paranaense de Pintura, tinha um texto maravilhoso era o ilustrador dos sonhos de qualquer editor de jornal e, em meados da década de 80 até 1995, no Correio de Notícias, revelou-se um chargista político excepcional.

Sempre tranqüilo, jamais apressado ou nervoso, Seto desenvolvia um número inacreditável de atividades paralelas. Além de trabalhar em jornais, criar histórias em quadrinhos, pintar, cultivar centenas de bonsais, encontrava tempo para organizar festivais sobre a cultura japonesa - que conhecia profundamente - e escrever livros sobre a história da colonização nipônica.

Para os que tiveram o privilégio de conhecê-lo Cláudio Seto foi uma dessas figuras únicas, dotadas de uma espécie de iluminação, que nos levam a suspeitar que esse nosso mundo pode não ser um caso completamente perdido.

(*) Eduardo Schneider
É jornalista, crítico, um atento observador da política do Paraná e do Brasil. É colunista do jornal horaH e horaHNews.

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