quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Meu País

Hoje, mais uma narração. É uma leitura de um texto, que fiz no estúdio do Wasyl. Peguei o texto e gravei, mas não sabia a origem do mesmo. Pesquisando, achei a autoria. É parte de uma música do Zé Ramalho - O Meu País. O texto que me foi dado, é quase na totalidade, a letra da música escrita em 2000. Ouçam a narração, e vejam que muita coisa ainda não mudou, apesar das melhorias apontadadas nas pesquisas e sentimento do povo brasileiro, passados quase 10 anos. E sem dúvida, é uma bela reflexão.


O Meu País

Zé Ramalho

Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves
 
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo


Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país



Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis


Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país


Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade


Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país


Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina


Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país


Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo



Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura


Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país



Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo




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