quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Rádio do Futuro!

Está mais do que na hora de reinventarmos esse importante veículo de comunicacão de massa.

A partir da internet e do advento de mil e uma novidades tecnológicas, o rádio requer sim fórmulas inovadoras de programação, em que o conteúdo esteja em primeiro lugar. E que surjam criações que se ajustem aos novos caminhos da Tecnologia da Informática.

Caros Ouvintes abre espaço nesta coluna para uma importante exposição de ideias, reunindo nomes da comunicação de todo o país. Expressam suas opiniões aqui nossos convidados do eixo RS/SC/PR/SP. Gente que está na ativa, gente que já fez rádio, professores de comunicação, sobretudo apaixonados que, como nós, se preocupam com o novo tempo que há de vir. Era que vai exigir conteúdo consistente de programas e muita criatividade para abastecer os novos formatos de áudio.

De São Paulo, opinião de Mariza Tavares, jornalista diretora-executiva da Rede CBN:

“Não tenho dúvida de que o rádio e, mais especificamente, o radiojornalismo, vive um período que poderia ser chamado de Renascença, exatamente como os livros de História definem as transformações entre o final da Idade Média e a transição para a Idade Moderna. E o principal aliado do rádio é a tecnologia, que permite que este seja o veículo mais bem apetrechado para a demanda contemporânea por informação em tempo real. Basta um celular e temos um repórter ao vivo, no ar, com a instantaneidade da notícia exigida por ouvintes cada vez mais exigentes. Além disso, a internet abre perspectivas totalmente novas para o rádio, que poderá, finalmente, se liberar de limitações como as concessões de frequências. O rádio na internet já é uma realidade e, à medida que o streaming se tornar mais acessível, estará disponível para um número cada vez maior de ouvintes-internautas que não só poderão ouvir, mas também produzir conteúdo. Posso dar o exemplo da CBN: além das nossas emissoras e afiliadas, estamos na internet não só para sermos ouvidos em tempo real, mas com a opção de sermos vistos, já que dispomos de câmeras nos estúdios de São Paulo e Rio de Janeiro. E os conteúdos ficam arquivados no site: comentários, boletins e entrevistas podem ser degustados on demand, quando o ouvinte desejar, havendo ainda a opção de esses arquivos serem baixados em podcast. Estamos no limiar da reinvenção do rádio.”

Do Rio Grande do Sul, opinião de Cezar Freitas, gerente de jornalismo da Rádio Gaúcha de Porto Alegre:

“Sob o ponto de vista tecnológico, a transmissão digital não está num horizonte próximo. Considerando o conteúdo que fazemos na Rádio Gaúcha, vemos uma preocupação cada vez maior com a qualidade. Uma combinação de informação ágil e precisa com jornalismo que contribua com o debate e aprofundamento das questões importantes de nossas comunidades. Aliás, a proximidade com o ouvinte passa cada vez mais a ser determinante na discussão da pauta ou na multiplicação dos pontos de contato e interação com o público. Seja por meios que as novas tecnologias oferecem ou mesmo pela aproximação física de nossos comunicadores em programas ao vivo mais próximos de nossos ouvintes. Lembrando que nossas “rádios” são captadas não só por receptores tradicionais, mas por diversos equipamentos capazes de receber nosso produto, como Ipods, computadores, celulares. O rádio ganha novas formas de prestar serviço. E novas exigências do público.”

Do Paraná, opinião de Gilberto Fontoura, ex-diretor das rádios Independência AM, e FMs Brasil 104 e Globo 98 e atual Consultor de Rádio:

“O rádio do futuro é o rádio da segmentação. O rádio serviço, o rádio jornalismo, o rádio de prestação de serviços. O rádio das praias para operar em áreas limitadas. O rádio polícia em que os policiais conversem entre si. O rádio meio ambiente, tempo, clima, catástrofes, crimes contra a natureza. O rádio rural. O rádio Jazz-Rock-Blues. O rádio SOS. Mas acima de tudo o rádio com produção, muita produção, direção, gerenciamento. O rádio celebridades. Em São Paulo, eu faria, até, o Rádio Corinthians.

Importante: criação, imaginação. Cabeças pensando sempre. E limpeza total, absoluta, do dial: Xô pastores, xô políticos, xô sertanejão (isso é uma praga – aliás, acabo de comprar um CD da Maysa…). Rádio bossa-nova. E rádio Governo, tudo bem.
Rádio internet (como a rádio UOL, incluindo todas as prestadoras). Pode ficar a Rádio Senado, Rádio Congresso. Fundamental é uma varredura acabando com a mediocridade. E, claro, em cima disso mil idéias, arranjos, produções sem parar”.

De Santa Catarina, opinião de Antunes Severo, sócio fundador e primeiro presidente do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia. Professor de comunicação:

“O rádio nasceu como técnica. Com o radioamadorismo, virou meio social. Como meio social, é a força da radiodifusão. Hoje é o amigo oculto que está presente em todos momentos. É impossível ser solitário ao lado de um radinho. O rádio estará cada vez mais presente na vida das pessoas, porque ele é a alma da comunicação.”

De São Paulo, opinião de Alvaro Bufarah, jornalista, especialista em política internacional, mestre e pesquisador sobre rádio. Coordenador da Pós-Graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP, Fundação Armando Álvares Penteado:

“Diante do processo de digitalização do áudio, o rádio passa a ter uma grande gama de possibilidades na plataforma multimídia. Nela, o ouvinte ganha status de usuário e passa a interagir mais com a programação das emissoras. Além disso, temos um processo de segmentação que favorece as emissoras em terem novos canais de áudio diferenciados para públicos cada vez menores. Para a sobrevivência empresarial diante desse processo, as rádios deverão investir em tecnologia, mas buscar a qualificação de seus profissionais para que atuem com criatividade utilizando as características básicas do meio radiofônico (imaginação, suporte sonoro para ambientação de ações, baixo custo, agilidade etc.). Para este novo mercado, precisamos de novas formas de gestão de recursos financeiros e de pessoas. Precisamos reaprender a fazer rádio.”

Resumo:
Mariza Tavares, dirigente da “rádio que toca notícia”, diz que “o radiojornalismo de agora é a renascença do rádio, a reinvenção do veículo.”
Cezar Freitas, que dirige o jornalismo de uma das principais rádios brasileiras (100% jornalística), afirma que “a proximidade com o ouvinte passa cada vez mais a ser determinante na discussão da pauta ou na multiplicação dos pontos de contato e interação com o público.”
Gilberto Fontoura, radialista do Paraná, aposta no “rádio da segmentação, rádio prestação de serviço, rádio jornalismo e em uma gama de outras atividades.”
Antunes Severo, professor de comunicação e presidente do Instituto Caros Ouvintes, prevê que “o rádio do futuro estará ainda mais presente na vida das pessoas porque é a alma da comunicação.”
Já o professor e pesquisador sobre rádio Alvaro Bufarah preconiza que “a digitalização do áudio vai abrir novas possibilidades para o rádio” e clama “por melhor qualificação dos profissionais do meio a fim de novas criações e novas formas de gestão.”

Este colunista, antigo batalhador na área da radiodifusão e que já participou de várias fases do rádio brasileiro, desde a época de ouro das rádios ecléticas; do rádio 100% musical, do rádio dos disc-jockeys, do rádio musical-informativo, do rádio dos comunicadores, e que acompanha o rádio da atualidade – no qual o radiojornalismo avança –, pensa que em breve serão deflagradas ações para o aperfeiçoamento dos atuais esquemas de Redes e sonha com um salto de qualidade das emissoras e do conteúdo dos novos programas e produtos, a fim de preencher inteligentemente a demanda cada vez maior de plataformas de áudio.

A TI, que já permitiu ao rádio inúmeras inovações, entre elas a internet, que, entre outras conquistas, abriu caminho para a transmissão de rádio-online, ainda vai proporcionar muitos outros avanços, que exigirão mais preparo de seus atuais e futuros profissionais. O principal deles, o sistema rádio-digital – que possibilitará um sem número de configurações de interatividade –, deverá aumentar o alcance e elevar a qualidade de transmissão das emissoras em AM, FM e OC, revigorando o poder da mensagem e a força comercial das emissoras.

“Ainda nos dias de hoje, o rádio chega onde a televisão não chega. Atinge populações que nunca imaginaram o que é um simples controle remoto, mas, principalmente, possui tecnologia muito mais barata e versátil do que qualquer outro meio de comunicação de massa conhecido até ao momento. O rádio poderá transformar-se, mas nunca irá acabar”. Thomas Hilley, da União Internacional de Telecomunicações.

“A rádio, em geral, continua a pensar mais em suportes do que em conteúdos, quando se sabe que os ouvintes não querem saber de suportes; querem uma rádio o mais ubíqua possível e querem conteúdos que vão ao encontro dos seus interesses (que os entusiasmem)”. João Paulo Meneses, jornalista português.

“A Web não está concluída, é apenas a ponta do iceberg. As novas mudanças irão balançar o mundo ainda mais”. Tim Berners-Lee, criador da WWW, apostando em uma nova e revolucionária organização da internet.

FINAL, DOIS PONTOS:
1. Acredito na grandiosa gama de possibilidades técnicas e de conteúdo do rádio para enfrentar os novos tempos e
2. Tenho esperança de que os radiodifusores façam investimentos de grande monta na aquisição de equipamentos técnicos e na formação de novos profissionais.


Informação: Caros Ouvintes



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