sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O bloco dos radialistas


"E ainda na avenida, representando o bloco dos radialistas, locutores desfilando com suas enormes maletas de som, onde eram acoplados os fios da companhia telefônica e os cabos de microfones"

Na última quinta, passando pela Av. Cândido de Abreu, Centro Cívico de Curitiba, observei que as arquibancadas para os desfiles de carnaval já estão prontas, demonstrando que o Carnaval da capital paranaense não está morto, como querem alguns. Lá estará a população, que certamente se deslocará para o centro da capital, a fim de participar dos desfiles que acontecerão. Pode não ser um desfile de grandes e caríssimos carros alegóricos, mas é o que temos por aqui. Estaremos lá, vibrando e aplaudindo aqueles que não deixam o nosso carnaval perecer. Ao passar pela avenida, fui lembrando de carnavais que transmiti em Porto Alegre e Curitiba. Na capital gaúcha, década de 60, desfilavam as escolas de samba, blocos carnavalescos e, vejam só, tribos de índios. Sim, as tribos estavam representadas na avenida, com seus trajes típicos e tudo o mais. E ainda na avenida, representando o bloco dos radialistas, locutores desfilando com suas enormes maletas de som, onde eram acoplados os fios da companhia telefônica e os cabos de microfones. Outros radialistas que completavam o bloco, eram os companheiros operadores de transmissões externas, dos quais lembro do Valtor Ferreira Ramos, ainda residente em Porto Alegre, não mais no Rádio. Não havia coreto para se ter uma panorâmica de uma altura boa. O jeito era aguardar a aproximação do cortejo, para narrar o que estava acontecendo à nossa frente: fantasias, número de componentes, baterias, ala de frente, passistas, acrobatas e tudo que estava ocorrendo. Não valia só dizer que a Escola ou o Bloco tal estava passando, e o ouvinte ficar só com o som dos instrumentos. Era o Rádio, e não a TV como hoje em dia, que fazia a festa. Tínhamos que passar uma imagem para o ouvinte, descrever cores, tecidos e arranjos, para que pudesse ser feita imagem na cuca dos nossos "prezados ouvintes". Vários postos de transmissão eram instalados, comandos pelo central, e seja o que Deus quiser. Lembro bem que era necessário e importante, um português razoável para se fazer entendido, muita presença de espírito e agilidade mental. Eram requisitos indispensáveis, pois não havia como hoje os telepontos (tela em que está escrito tudo o que é para ser dito), ou os pontos de ouvido, onde você é instruído para as tarefas. Nada disso, nada de tecnologia, e olha que de vez em quando, para facilitar um pouco a nossa vida, alguma escola distribuía folhetos mimiografados com detalhes sobre a escola e apresentação. Entre a passagem de um bloco ou escola, tínhamos que "encher o tempo" com entrevistas, e neste ponto, não mudou nada até hoje, mesmo com a imensa tecnologia disponível, tais como helicópteros e outras parafernálias. Em Curitiba, os desfiles aconteciam na Marechal Deodoro, e já dispúnhamos de gravadores, cabines e coretos, e principalmente na Rádio Guairacá, tínhamos também o Cipriano Bispo. O Bispo era o chefe do RH da emissora, que aparecia com um belo sanduba e um refri no meio da madruga. Eram transmitidos também bailes de Carnaval, realizados pelo clubes, e ainda lembro que minha última transmissão de um baile, foi lá dos salões do Circulo Militar. Algo que sempre chamava a atenção era a fisionomia dos foliões, quer viessem só, acompanhados ou em grupos, pois vinham conversando normalmente até a porta do salão, quando penduravam um belo sorriso e entravam na maior das cantorias. E alegres como nunca, extasiavam-se noite afora, até que saíam do salão mais alegres e cantores, dependendo do que consumiam lá dentro para atingir o clima ideal. Éramos felizes, e sabíamos disso. E hoje? Bem..., hoje também, olha o PB aí gente. Deixa a vida me levá..., lá vou eu ... Feliz Carnaval para todos nós, na farra ou fora dela.


Paulo Branco, "amor, salud y plata"

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