terça-feira, 16 de março de 2010

Desafios do radiojornalismo brasileiro

"A internet é novo suporte para o rádio, e também um contexto para o rádio. Mas não podemos esquecer que rádio é rádio. A sobrevivência do dele está ligado ao fato de ouvirmos e fazermos algo junto". - Luiz Ferraretto, professor titular da Universidade de Caxias do Sul
No dia 30 de outubro de 2009, houve o início dos debates no "IV Seminário Internacional de Radiojornalismo", que aconteceu na cidade de Curitiba (PR). Na ocasião, os convidados Mílton Jung, âncora da Rádio CBN, Luiz Ferraretto, professor titular da Universidade de Caxias do Sul e Paulo Gilvane Borges, diretor da Agência Radio Web, discutiram os desafios do radiojornalismo brasileiro, sob mediação da docente da Universidade Federal do Paraná, Flávia Bespalhok.

Interação entre rádio e internet

Milton Jung lembrou que o rádio está, ao contrário do que muitos pensam, sendo beneficiado pela internet. O radialista apresentou dados da pesquisa feita pelo Grupo de Profissionais de Rádio (GPR). Os números mostram que as pessoas de 16 a 34 anos representam a maior audiência do rádio pelo computador. De acordo com Jung, as pessoas estão reproduzindo no ambiente seu comportamento fora da internet. Mais de 80% dos entrevistados afirmaram que ouvem suas rádios preferidas na internet.

A pesquisa do GPR descobriu que 51% dos entrevistados que buscam a rádio pela Web lêem blogs, buscam podcasts e também se utilizam das redes sociais. Ele alerta que se o rádio quiser atender a essa demanda deve se esforçar para utilizar o maior número possível de ferramentas. "Tenho me esforçado para explorar da melhor maneira possível os recursos das mídias digitais para atender esse público". Milton reforça que essas plataformas aproximam o leitor. "Me comprometi a dedicar cerca de duas horas diárias para responder e-mail dos ouvintes e, além disso, acompanhar as comunidades que criamos no Orkut, algo que já ficou antigo, e o fluxo de fotos enviadas pelos ouvintes para publicar no Flickr".

O radialista também mostrou cases dos furos dados pelo Twitter e questionou a credibilidade das informações, afirmando que as pessoas estavam sim, por meio do Twitter, fazendo jornalismo de verdade. "Os profissionais de comunicação devem ter agilidade para apurar as informações que chegam por meio do Twitter. Temos que saber usar todas essas tecnologias para continuar fazendo rádio vivo como fazemos hoje, devemos saber ouvir as pessoas, porque somente assim teremos resposta para entender por qual motivo o rádio é a mídia do futuro", conclui.

Os desafios da rádio digital

Paulo Gilvane Borges lembrou que a situação da sobrevivência do rádio é muito mais baseada em perguntas do que de respostas definitivas e comentou a realidade da implantação da rádio digital no Brasil. "Não existe consenso no meio rádio, a respeito do modelo digital, nem os engenheiros entram em acordo".

O palestrante também falou sobre a crise das AM´s. Destacou pontos contrários como baixa qualidade dos receptores, ampla difusão de ruídos. A grande pergunta é saber se deve migrar para FM, ir para canais de TV ou utilizar o meio analógico. "Temos 1760 rádios AM´s, imagine quantas pessoas essas rádios empregam? A transição do analógico para o digital pode demorar no mínimo dez anos". Borges finalizou ironizando: "não adianta o jornalista ser multimídia se o salário não é".

Rádio como linguagem

Já Ferraretto, diz que o rádio não é simplesmente um meio, e sim uma linguagem. "O rádio deve ser visto, agora, como uma linguagem. Independente se for via ondas, internet, podcast, ele será mais do que nunca uma linguagem". Ele destacou que a linguagem do jornalismo no rádio se estrutura em três figuras importantes: o âncora, o repórter e o produtor, profissionais responsáveis pelo conteúdo. "É importante entender o ouvinte está se relacionando com essa linguagem". Ferraretto citou a relação histórica das mudanças na maneira de consumir rádio. "A televisão mudou a relação das pessoas com o veículo. O rádio estava na sala das pessoas e foi substituído. A família ouvia rádio junta".

Atualmente, o tempo é outro. Mudanças de comportamento, mudanças culturais. Se assistirmos o processo da substituição do rádio pela TV, vemos que, no caso da internet, ela serve como um novo suporte. "A internet é novo suporte para o rádio, e também um contexto para o rádio. Mas não podemos esquecer que rádio é rádio. A sobrevivência do dele está ligado ao fato de ouvirmos e fazermos algo junto". Ele finaliza dizendo que o rádio já é uma mídia móvel há muito tempo. "Temos uma idéia senso comum de interatividade, ela genuinamente e quando conversamos frente a frente com nosso interlocutor, se a interatividade for essa que já vemos como uma forma de participação, isso o rádio já possibilita", conclui

Por Luiz Gustavo Pacete/Redação Portal IMPRENSA - Publicado em: 30/10/2009


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