sábado, 13 de março de 2010

A importância do Rádio na atuação dos correspondentes internacionais


Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o jornalista Milton Blay falou sobre a importância do rádio na atuação dos correspondentes internacionais.
"O improviso e a interação, como a mobilidade, são algumas das principais características do rádio, que fazem dele uma mídia única. Esta é a grande força do rádio, o único veiculo em que você conversa com seus interlocutores, âncora e ouvinte. " - Milton Blay


Portal IMPRENSA - A possibilidade de noticiar algo em tempo real dá ao correspondente internacional mais liberdade e eficiência para atuar no rádio?
Milton Blay - A instantaneidade, que é sem duvida uma das características e vantagens do rádio, é extremamente excitante para um jornalista dar uma informação em primeira mão. O problema é que a notícia sai crua, sem verificação, sem perspectiva. O correspondente internacional, como qualquer outro jornalista, é vitima da obrigação do furo, da briga para ser o primeiro. Mesmo porque, se ele não for o primeiro, cinco minutos depois a notícia já terá dado a volta ao mundo. É o reino da quantidade e do imediatismo em detrimento da qualidade. O mundo da reportagem deu lugar ao Twitter.

IMPRENSA - O que antes era regional agora é universal, por meio da internet, quais vantagens você vê nisso?
Blay - Dizer que o mundo se globalizou é de uma obviedade ululante. O planeta ficou pequeno. No entanto, ainda não nos demos completamente desa dimensão. No meu caso, o maior desafio é trazer o mundo, explicado e colocado em perspectiva, para dentro da casa ou do carro do ouvinte. Até há pouco, o Brasil se sentia - e agia - como se fosse uma ilha. As coisas estão mudando.

IMPRENSA - O rádio ainda consegue manter o improviso e como isso ajuda na hora de conversar com o apresentador do programa?
Blay - O improviso e a interação, como a mobilidade, são algumas das principais características do rádio, que fazem dele uma mídia única. Esta é a grande força do rádio, o único veiculo em que você conversa com seus interlocutores, âncora e ouvinte. Muitas vezes eu me sinto como se estivesse no sofá de casa, batendo papo, dialogando com os meus interlocutores. Os doze mil quilômetros que me separam dos estúdios da Rede Bandeirantes deixam pura e simplesmente de existir. E é essa proximidade que torna o trabalho compensador. Os ouvintes são muito mais atentos do que se poderia imaginar, sempre prontos a assinalar um erro, um deslize, fazer elogios e sugestões.

IMPRENSA - Pode descrever alguns furos, ou coberturas marcantes que você fez em Paris?
Blay - A minha primeira grande cobertura como correspondente aconteceu logo apos a chegada à França, palco de uma enorme agitação em razão da presença, na pequena cidade de Neauphle-le-Chateau, a meia hora de Paris, do aiatola Khomeini. Ele dirigia, a partir dali, a revolução islâmica em curso no Irã, para derrubar o xá Reza Pahlavi. Todo dia havia um "point-presse", uma espécie de mini-coletiva de imprensa, quase sempre dada por um assessor "civil" do líder religioso, que prometiam a aplicação socialista do Alcorão. Nos anos 90, tive experiências importantes como a morte de Jean Charles de Menezes; e sobretudo a queda do muro de Berlim, que marcou o fim da Cortina de Ferro e mudou o mundo.

IMPRENSA - O que vai acontecer com o rádio?
Blay - Eu ouvi quinhentas vezes a profecia anunciando o fim do rádio, mas ele não vai morrer, o casamento entre rádio e internet evoluirá e dele nascerão seres híbridos - a webradio já é uma realidade; a escuta também passara por um processo de adaptação; a única certeza é que a mídia rádio continuara existindo. Aliás, de todos os veículos, o rádio foi aquele que menos sofreu com a chegada das novas tecnologias virtuais, pois nenhuma se adapta tanto às condições de vida atuais. Enquanto os carros e os congestionamentos existirem o rádio será insubstituível.


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