segunda-feira, 21 de março de 2011

O Paraná tem "velhos" e bons profissionais do Rádio - parte 1

(publicado originalmente no blog em 13 de março de 2010 )

Publicamos recentemente o artigo "Rádio, um veículo apaixonante", do radialista Léo de Oliveira.

Notem que ao citar nomes, o Léo se referiu a dois comunicadores da Rádio Globo (RJ), o Haroldo de Andrade e o Antonio Carlos, vindo comprovar o que tenho afirmado há muito tempo sobre os profissionais do Rádio no Paraná.

No Paraná, e principalmente em Curitiba, os radialistas com idade acima de 30 ou 40, são considerados velhos, não são prestigiados, lembrados, e muito menos, contratados.

Quando muito, um horário lhes é oferecido como locação, e você tem que correr atrás de patrocínio.

Daí, o que vamos ver é radialista tarimbado, camelando (gíria para mendigando) com pastinha debaixo do braço, procurando publicidade de porta em porta.

O que digo e repito, é que muitas vezes, e quase totalmente, os profissionais perdem seus empregos por falta de administração dos proprietários, ou má administração simplesmente.

Reafirmo que afora RS, RJ e SP, a mentalidade empresarial está muito aquém do desejado, sendo mais fácil viver de aluguel, do que investir em pról da comunidade. A estes empresários é CONCEDIDA uma concessão, para a exploração do veículo chamado "Rádio".

Portanto, concessionários de rádio e televisão são prestadores de um serviço público que se obrigam a um contrato, por tempo determinado e sob prioridades e condições definidas em lei. A Carta Magna proíbe a prática de monopólio e oligopólio (Art. 220) e exige que a programação seja preferencialmente voltada para finalidades educativas, culturais, artísticas e jornalísticas, bem como promova a produção independente e regionalizada (Art. 221). O Ministério das Comunicações (MiniCom) deveria olhar com mais carinho estas questões, principalmente à locação.

Aliás, se não me falha a memória, a locação deveria ser uma prática proibida, mas como a maioria das intenções da Carta Magna, falta ainda a regulamentação.

Outra conseqüência da luta pelo poder neste ramo, é a apropriação da mídia pelos políticos. Segundo dados da pesquisadora Suzy dos Santos (veja Observatório do Direito à Comunicação), há 128 geradoras e 1.765 retransmissoras de TV nas mãos de políticos.
Os estados com maior número são o Paraná, com 15, Minas Gerais e São Paulo, com 13, e Goiás, com 10.

Quando observado o índice por região, a maior ocorrência de parlamentares donos de veículos está no Nordeste, que possui 44 representantes legislativos-radiodifusores, seguido de longe pelo sudeste, com 18.

A avaliação é confirmada pelo jornal “Folha de São Paulo”, que revelou como tanto no governo FHC quanto na gestão Lula, houve considerável distribuição de licenças de educativas para políticos. Entre 1999 e 2002, o então ministro tucano das comunicações Pimenta da Veiga, destinou 23 das 100 outorgas concedidas a grupos ligados a representantes eleitos.

Já em 2006, o jornal levantou que ao menos 33% das 110 emissoras educativas aprovadas foram parar direta ou indiretamente nas mãos de políticos.

Nada diferente doutros governos.

Entre 1985 e 1988, o governo Sarney distribuiu 1.028 outorgas, sendo 25% delas no mês de setembro de 1988, antes da Constituição.

As evidências apontam que, com isso, o então presidente garantiu para si um mandato de 5 anos. Seis dias antes da promulgação da Carta Magna, o Diário Oficial trouxe a publicação de 59 outorgas.

O mesmo tem ocorrido com as licenças para as rádios comunitárias, com estudos revelando a gravidade da situação. Segundo pesquisa (veja Observatório do Direito à Comunicação) pelo menos 50% das 2.205 autorizações dadas a rádios comunitárias entre 1999 e 2004 estão sob controle de grupos partidários.

Ela mostrou também que o cenário é nacionalizado: os cinco estados com maior incidência de políticos por trás de rádios comunitárias foram Tocantins, Amazonas, Santa Catarina, Espírito Santo e Alagoas.

Entre toda essa confusão, entre o que é público, privado ou ou estatal, entre a concentração de poderes em grupos empresariais ou partidários, estão os tabalhadores.
Faço um apelo para os donos de Rádios e TVs Brasileiras, para os novos governadores que virão no próximo ano, que pensem nos trabalhadores em radiodifusão que estão na berlinda, mas que continuam com tudo em cima.

Foram e serão grandes profissionais, formaram grandes equipes como já citamos em várias matérias no blog, e voltaremos a abordar. Não se preocupem, tenho certeza de que eles continuarão fazendo um ótimo trabalho e acima de tudo, vão se sentir realizados. Acreditem, não estou legislando em causa própria, apesar que sempre tem um "mas", uma outra historia da qual me ocuparei mais adiante.

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