segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Doenças do trabalho

Problemas comportamentais e psicológicos são os maiores vilões da saúde do trabalho, superando até mesmo dores musculares e de articulações

01/09/2010 | 00:50 | PRISCILA BUENO, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO


A empresária Valquíria Pam plo na tem uma rotina atribulada. Ela acorda às 8 ho ras, toma café com os dois filhos e dá uma caminhada. Das 9 às 11 horas tranca-se no home office para trabalhar e, de tarde, visita empresas clientes. Em todos os momentos do dia ela está ligada ao trabalho. “Fico conectada à internet o tempo todo e, sempre que abro meu e-mail, tenho pelo menos 50 mensagens para ver e responder”, diz ela.

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As más posturas no trabalho po dem e devem ser evitadas, mas as boas práticas não devem ficar limitadas apenas ao ambiente profissional. Muitas vezes a postura inconveniente foi adquirida durante anos. “Tudo começa com uma queixa simples que, se tratada, não levaria a in capacidade. Mas, muitas vezes, o tra balhador tem medo de falar e acaba trabalhando no limite”, diz Rodri go Azevedo de Oliveira, fisioterapeu ta e coordenador do Setor de Ergono mia da Sefit, empresa especializada em fisioterapia do trabalho.

Oliveira conta que os principais problemas dos trabalhadores que procuram a reabilitação são as lesões de ombro, punho e coluna. Para os que trabalham sentados, as pausas de cinco minutos, pelo menos, a cada uma hora são essenciais. Já quem trabalha o tempo todo de pé, precisa de assentos de repouso, além de pausas ativas (com a realização de exercícios) e passivas (no qual o trabalhador simplesmente descansa).

Ele explica que o fisioterapeuta do trabalho, além de ajudar na reabilitação do trabalhador com problemas, verifica as condições ergonômicas do local no qual este trabalhador realiza suas funções e pode até propor algumas mudanças.

Teste

O trabalho está te estressando?

Para avaliar os efeitos do estresse na sua saúde, responda aos itens abaixo usando:

1= Raramente, 2= Às Vezes e 3= Frequentemente

1. Trabalho sob constante pressão

2. Minha atividade profissional não propicia desafios

3. Deixo que as expectativas dos outros influenciem minha vida

4. Tenho dificuldade para me concentrar

5. Estou desmotivado(a) para desempenhar minhas tarefas

6. Não sou reconhecido(a) pelo trabalho que faço

7. Uso medicamento/bebida alcoólica para relaxar

Resultado:

Até 9 pontos: Parabéns! Você é extremamente flexível e se adapta bem às pressões.

De 10 a 15: Cuidado: Reavalie suas prioridades e evite autocobranças. Mude o que puder e aceite ou evite o que não tiver controle para mudar.

Acima de 15: Atenção! Você está pagando um preço alto pelo seu trabalho. Considere o que é realmente importante para você, estabeleça prioridades e se organize para atingir seus objetivos.

Fonte: Ana Maria Rossi, PhD, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma–BR).

A publicitária revela que só consegue ter saúde nesta rotina atribulada porque além do trabalho ela reserva um espaço para o convívio familiar e as caminhadas. Mas para quem não consegue achar seu ponto de equilíbrio, esta tendência atual do trabalho expandido e sem limites – de espaço e de horário – vem sendo a causa principal de estresse e de outros problemas. As consequências deste novo modo de vida se apresentam em números. Os transtornos mentais e comportamentais, como a depressão, o transtorno bipolar e a esquizofrenia, tiveram um acréscimo de mais de 12% na quantidade de auxílios acidentários concedidos pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de janeiro a novembro de 2008 em relação a igual período de 2009. Enquanto isso, os concedidos por lesões, envenenamentos e outras consequências (como entorses e fraturas) tiveram uma queda em torno de 10% e os por doenças osteomusculares (que incluem as tendinites) caíram mais de 13%.

De acordo com pesquisa da In ter national Stress Management Associa tion Brasil (Isma-BR), 70% dos brasileiros sofrem de sequelas decorrentes do estresse profissional. Entre algumas delas, estão dores, cansaço crônico e depressão. Desse total, 30% estão no nível mais elevado, configurando a chamada síndrome de burnout.

Prevenção

“As pessoas têm que estabelecer limites”, explica Ana Maria Rossi, doutora em Psicologia Clínica e presidente do Isma-BR. “Elas têm que se dar conta de que sempre existe uma opção. As pessoas querem qualidade de vida, mas não querem perder nada. A saúde é o único bem insubstituível”, diz.

Ela lembra que o estresse (que não é uma doença, mas um processo de adaptação) acaba se tornando importante porque abre caminho para ou tras doenças, ao enfraquecer o sistema imunológico.

E as mulheres são as mais atingidas. O ortopedista e cirurgião de mão, Adilson Seidi Suguiura, lembra que a maior incidência de doenças inflamatórias das mãos acontece entre o público feminino, “talvez pela questão hormonal ou por terem uma estrutura muscular menos resistente. Além disso, elas trabalham, mas não deixam de lado as tarefas de mãe e seus afazeres domésticos.”

Zuher Handar, consultor da Or ganização Internacional do Trabalho (OIT) e diretor científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), explica que quando o trabalhador procura o médico com alguma queixa, “ele ou a equipe de saúde deve sempre, durante a anamnese, pesquisar a história laboral do paciente para poder avaliar se as queixas ou mesmo a doença tem alguma relação com a atividade laboral que vem desenvolvendo. Isto já foi dito e recomendado pelo médico italiano Bernardino Ramazzini, em 1700.”

Segundo Handar, a melhor medida de prevenção contra as doenças laborais ainda é agir na causa, transformando o processo envolvido no trabalho. Ele diz que para atividades que impõem repetição de movimentos, posturas inadequadas ou que exigem muita atenção, as pausas são importantes. “A prevenção pode ser a mudança de atividades e a rotatividade nas tarefas. Fazer alongamento ou ginástica laboral é importante desde que seja bem orientada”, afirma.

Respeito e confiança

Alba Maria Torres, consultora de Treinamento e Desenvolvimento de Líderes, acredita que as empresas vêm se adaptando para propiciar mais qualidade de vida aos seus colaboradores. Ela afirma que o verdadeiro líder cria um ambiente que viabiliza aos trabalhadores cuidarem de si e dos outros, sem medo de punição.

Alba orienta que o líder, ao perceber o desânimo do funcionário, deve chamá-lo para conversar. “É importante ele sinalizar que percebeu o que está acontecendo”. Em um segundo momento, se a perda de prazos e qualidade continuar, deve haver uma nova conversa – no período máximo de um mês a contar da primeira – e a sugestão de procurar o serviço médico da empresa. “Tive uma situação de desânimo de um funcionário que foi ao serviço médico e estava com uma forte anemia, foi tratado e melhorou”, conta.

O acompanhamento mais de perto por parte do líder é essencial. Ela ressalta que o respeito e a confiança são as palavras-chave para um ambiente saudável para os funcionários. “Deve haver respeito. A empresa precisa praticar os valores que prega. O funcionário também deve ter a confiança suficiente no líder para dizer a ele que algo não vai bem.”


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