domingo, 26 de setembro de 2010

Tourette, a doença dos tiques


Sexta-feira, 24/09/2010

SÍNDROME


Causada por uma alteração genética, o problema é hereditário e geralmente aparece na infância

Publicado em 02/12/2009 | AMÁLIA DORNELLAS, ESPECIAL PARA A GAZETA

Uma a cada duas mil pessoas sofre da Síndrome de Tourette, um distúrbio neurológico não tão raro, mas desconhecido por muitos. São alterações genéticas que causam disfunções nos neurotransmissores e nas partes do cérebro que controlam os movimentos involuntários e atividades motoras, como a fala. Essas modificações geram tiques motores e vocais, característicos da doença.

Os tiques motores se manifestam de muitas formas, como mexer ou virar o pescoço e fazer movimentos na face ou mastigatórios, segundo a neurologista Ester London, chefe do serviço de neurologia do Hospital Santa Cruz. Já o tique vocal faz com que, sem controle, a pessoa emita barulhos estranhos, sons ou até mesmo fale palavras inadequadas e palavrões. “Os dois tipos de tique sempre estão presentes na Tourette, mas não se manifestam, necessariamente, ao mesmo tempo.”

Saiba mais

Os tiques da síndrome, descoberta em 1884 pelo neurologista francês George M. Gilles de la Tourette, se dividem em simples e complexos:

Simples

Motores

Piscar os olhos, repuxar a cabeça, encolher ombros, fazer caretas, tensionar os músculos abdominais ou outras partes do corpo.

Vocais

Pigarrear, grunhir, estalar a língua, fungar e outros ruídos.

Complexos

Motores

Pular, tocar as pessoas ou coisas, cheirar e retorcer-se.

Vocais

Falar palavras ou frases fora do contexto, ecolalia (repetir um som, palavra ou frase), coprolalia (dizer palavrões, insultos ou obscenidades).

Fonte: Associação de Portadores de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo (Astoc)

Esse distúrbio, que é hereditário, aparece geralmente na infância (em torno dos seis anos) e continua na vida adulta. Quando não há casos anteriores na família, o portador é o primeiro a desenvolver a alteração genética, seus filhos terão 50% de chance de ter a doença, que pode surgir até os 18 anos, segundo Ester. O quadro mais grave acontece entre os 8 e 12 anos. “Depois dessa fase, a tendência é que os sintomas diminuam e na fase adulta tornem-se quase imperceptíveis”. De acordo com a neurologista, existem medicamentos que ajudam no controle dos tiques.

Camila Nadolny tinha sete anos quando descobriu alguns tiques. “Eu virava o olho e mexia a cabeça. Não tinha controle e ficava chateada quando meus colegas da escola brincavam comigo”. Às vezes a crise era tão forte que ela não conseguia ficar de olho aberto. Um neurologista confirmou que era Síndrome de Tourette quando ela já tinha 11 anos. Depois de tentar vários tratamentos, somente há quatro anos conseguiu controlar totalmente com acupuntura. “Agora, apenas quando estou muito nervosa eles ficam perceptíveis, mas me acalmo e passa”, diz Camila, hoje com 18 anos.

É muito comum as crianças terem tiques transitórios por volta dos seis anos. E comumente eles são passageiros, tênues e não são acompanhados de tiques vocais. Mas se eles continuarem após seis meses, é preciso investigar. “Faz-se alguns exames para excluir a possibilidade de outras doenças orgânicas. Se não forem constatadas, provavelmente o paciente tem a síndrome”, afirma a neurologista.

Preconceito social

O portador também precisa enfrentar a sociedade que, por desconhecer a doença, age com discriminação. “Acom panha mento psicológico e informação são fundamentais para que o preconceito não interfira no comportamento do paciente, principalmente na infância. Muitas crianças com a síndrome sofrem até bullying na escola”, diz a psicóloga Helena Prado, membro do conselho geral da Associação de Portadores de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo (Astoc).

A entidade, com sede em São Paulo, oferece um grupo de apoio aos pacientes e familiares para aconselhamento e orientação. “Ensinamos a pessoa a controlar o estresse (agravante dos sintomas) trabalhando a respiração e aprendendo a relaxar os músculos envolvidos”. Segundo Helena, a síndrome reforça a introspecção. Aprender a lidar com ela é essencial para evitar que uma criança que tende à timidez, por exemplo, torne-se um adulto com problemas de convivência social. A síndrome também pode contribuir para o surgimento de transtorno de atenção, hiperatividade, dificuldade de aprendizagem e transtorno de sono.

Serviço:

Associação de Portadores de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo (Astoc) – Fone (11) 3541-2294 e astoc@astoc.org.br. Tem profissionais credenciados em todo o país para apoio psicológico e educacional.


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