terça-feira, 26 de outubro de 2010

TV PARANAENSE, por Wasyl Stuparik

Paulo Branco, lendo e relendo vários escritos sobre a história da televisão no Paraná, de diversos autores, encontro alguns erros graves.

Renato Mazaneck nos fala do início da televisão com o canal 7. Não foi, foi o canal 5 em caráter experiemental, no edifício Mariza, nº 93, da Rua Senador Alencar Guimarãoes, entre Emiliano Perneta e Praça Osório. O estúdio e técnica, ficavam juntos, no primeiro andar e, quando foi inaugurado, o som era transmitido pela Rádio Curitibana - também do Nagibe Chede - que ficava no 5º andar, do mesmo edifício.

No quinto andar tínhamos, de um lado a Rádio Emissora Paranaense e do outro, a Rádio Curitibana. O técnico das Rádios, Oto Lening, lançou pela janela 5 (cinco) cabos childados - cabos de microfone - sendo 4 cabos para microfones e 1 cabo para o áudio do projetor. Aí, eu tive que pular a janela do primeiro andar, na marquise do edifício, para correr os cabos pela marquise e subir poucos metros, até a janela do primeiro andar.

Também o primeiro operador de som da Rádio Curitibana, que operou o áudio na noite da inauguração, foi Alcemino França Junior - Al França - . Na sala de operação de audio da rádio existiam 2 mesas de som. Uma que operava normalmente e outra que ficava de reserva para emergências. Refinamentos de um técnico zeloso, como o Oto. Do lado esquerdo da mesa de som, foi colocado um televisor por onde o Al França, acompanhava o desenvolvimento do programa que acontecia no primeiro andar. A imagem era transmitida pelo canal 5 e o som pela Rádio Curitibana.

Quem operou a primeira câmera de vídeo foi o Zomboni, técnico auxiliar do Oto nas emissoras de rádio e o projetor de cinema, o também operador de som da Emissora Paranaense, Enio Rosa, que mais tarde tornou-se o primeiro operador de tele-cine do canal 12.

Também esqueceram que eu, na época com 12 anos de idade, foi quem instalou a primeira antena de recepção de televisão, acima do estúdio de ondas curtas da rádio e estúdio utilizado por Oto Lening para gravação de acetatos. Não por conhecimentos técnicos, mas por pura necessidade.

O Oto Lening, técnico que instalou os primeiros equipamentos de vídeo trazidos por Nagibe Chede, devia pesar uns 160 quilos. Muito gordo não podia subir no telhado do prédio, então recorreu a mim, para que fizesse o furo, chumbasse o cano, apertasse a antena - espinho de peixe de 12 elementos - e ligasse os fios. Todos sabem hoje, que é uma operação bastante simples. Qualquer pessoa instala uma antena de recepção de televisão. Mas, na época, era novidade. Assim, como aprendiz de operador de som, passei para a história por ter instalado a primeira antena de televisão de recepção, no Paraná.

Outros nomes que foram esquecidos, como Lalo, irmão do Lápis, que ao piano acompanhava os calouros no programa apresentado por Moraes Fernandes, famoso na época por seu programa na Rádio Emissora Paranaense "Rádio Baile Z9". Seu "bordão" mais famoso: "Quem dança, dança. Quem não dança, segura a criança", animava as noites de sábado do curitibano, até as quatro da madrugada.

Os dois grandes nomes, que pela primeira vez apareceram na tela do canal 5, foram Elon Garcia e Tonia Maria, irmã do Juca, operador da Emissora Paranaense e que, com Elon, faziam grande sucesso na programação vespertina do rádio.

Outros grandes profissionais complementavam a programação. Alcides Vasoncelos e Fritz Basfeld, no jornalismo. Maurício Fruet, no esporte. O primeiro teleteatro, já como canal 12, no edifício Tijucas, foi o seriado "Em Cada Vida Uma Canção", escrito por Ulderico Amêndola e dirigido por Witemberg, aos domingos, na hora do almoço. Um grande sucesso.

Outro grande nome, que recordo com muito carinho é o de Zeno José Otto, que desenhava os GT's institucionais da televisão e os comerciais. Quando eu não tinha nada o que fazer, pela manhã, ia até a sala do Zeno, no final do corredor do andar térreo do Edifício Mariza, e para não encher a paciência, o Zeno mandava que eu preenchesse as letras dos desenhos com tinta "guache". Eu ficava muito feliz, pois me sentia participante do processo produtivo da televisão.

Mas a história é muito longa e não tenho nenhuma pretensão de escrever um livro. Relato os fatos como os ví, olhos curiosos de menino, interessado em exercer a função de operador de som da rádio, que era a minha grande aspiração. Como eu morava no primeiro andar do edifício Mariza, e aprendia com os operadores das emissoras do doutor Nagibe Chede, vivia alí 24 horas por dia. Muito vi e aprendi com aqueles grandes profissionais de rádio e da televisão do Paraná.

Um abraço, Wasyl Stuparyk, depois Lincoln Junior, batizado por Wilson Brustolim na Rádio Emissora Paranaense e mais tarde, Basílio Junior, por Luiz Frederico, na Rádio Guairacá. Era muito comum usar-se pseudônimos no Rádio.

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