segunda-feira, 29 de novembro de 2010

R e l e m b r a n d o - liberdade de quem?

Liberdade de imprensa ou liberdade de empresa?

Por Theófilo Rodrigues
Não é de hoje que os canais da televisão aberta estão nas mãos de poucos. Contamos nos dedos as famílias donas desses canais: Abravanel (SBT), Marinho (Globo), Macedo (Record) e Saad (Bandeirantes). Na mídia impressa acontece a mesma coisa: Marinho (Globo), Frias (Folha de São Paulo), Mesquita (Estado de São Paulo) e Civita (Veja/Abril).

ditadura
Aconteceu nessa segunda-feira o I Forum Democracia e Liberdade de expressão organizado pelo Instituto Millenium. O debate contou com ilustres membros do Instituto Millenium como João Roberto Marinho, vice-presidente das organizações Globo, Roberto Civita, presidente do Grupo Abril e Otávio Frias Filho, Diretor Editorial da Folha de São Paulo. Ou seja, colocaram a raposa para cuidar do galinheiro. Ou melhor, colocaram as raposas para debater sobre qual a melhor tela para cercar o galinheiro.

midia
A cobertura desse evento, como não poderia deixar de ser, foi imensa. Só no jornal O Globo o evento mereceu 2 páginas! Leitores mais atentos perceberam que, de maneira orquestrada,foi publicado no jornal O Dia de hoje um artigo de Paulo Uebel, Diretor Executivo do Instituto Millenium, enquanto no Jornal O Globo um artigo de Rodrigo Constantino foi publicado, também do Millenium. O curioso é que eles realmente acreditam representar a democracia e a liberdade de expressão. Nada mais falso! Nelson Motta, em artigo publicado recentemente no jornal O Globo, deixou claro o que pensam seus patrões: “Mas aqui [ Brasil ] qualquer um pode abrir um jornal, uma rádio ou uma emissora de TV, dependendo de seus recursos para montar e manter o veículo”. Qualquer um quem, cara pálida? Como o próprio Nelson Motta afirma na maior cara de pau, apenas os que tem recursos possuem esse privilégio. Recurso é sinônimo de grana, muita grana! Basta ver as rádios comunitárias sendo perseguidas pela Polícia Federal. Quem defende realmente a democratização dos meios de comunicação não está defendendo o fim da Globo ou de qualquer outro canal. Quem realmente defende a democratização dos meios de comunicação está apenas reivindicando que todos possam ter acesso à distribuição de idéias, independente de seus recursos financeiros. Isso é a verdadeira democracia, que certas famílias tradicionais dos Jardins de São Paulo e da Zona Sul do Rio não (re)conhecem.

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