Hê gaucho danado.
Não se emenda, nunca. Por traz da “carranca” de carvalho, um coração mole.Prá ele, tudo que reluz é ouro. Falou no Rádio dos bons tempos, é boa a voz.Mas, não é bem assim, meu amigo.

Como você mesmo coloca, uma coisa são os grandes talentos e tínhamos muitos, e outra, são as grandes vozes do Rádio. Muitos dos que você coloca como Grandes Vozes, eram na verdade, grandes talentos. Indiscutível.

Uns, por saberem abrilhantar uma audição, outros pelo improviso, no estúdio, em matérias jornalísticas ou como rádio atores.

No entanto, os que realmente tinham “Grandes vozes”, as mais bonitas e requisitadas, eram os locutores (as) que liam crônicas, a Ave Maria na Hora do Ângelus e, principalmente, os que apresentavam ou gravavam comerciais. Claro que nem todos os locutores comerciais tinha uma grande voz. Ninguém seria louco de classificar o Sech Junior como uma grande voz, no entanto um dos comerciais que mais vendia os produtos anunciados era o da Casa das Linhas, lembram?

Dos nomes que você cita, de muitos lembro e até trabalhei com alguns, em Rádios, Televisões ou em estúdios de gravação. Outros, principalmente da B2, que tinha um enorme elenco, não recordo, mas sei que o Ubiratan Lustosa, melhor do que ninguém, poderá classificar, se bem que, como você, todo amigo tem qualidades.

As vozes femininas, lembro bem da Irene Moraes, na Guairacá, Tônia Maria, na Emissora Paranaense, Ália Hadad, uma das mais requisitadas para gravação de comerciais, Lota Moncada, chilena, apresentadora do Jornal da TV Iguaçu, Laís Mann, também apresentadora do Jornal da TV Iguaçu, Léa Oksemberg, também do Jornal da Televisão. Como disse antes, as grandes vozes femininas, e existiam muitas, da B2 ficam por conta do Tio Bira.

A Sonia Nassar, pioneira no Rádio, no jornal Tribuna do Paraná e na Televisão como repórter esportiva, não era uma grande voz. Grande repórter e talento, sim. Grande voz, não!

Como os locutores homens, dentre os quais você cita: Antenor Ribeiro, Carlos Marassi, Claudio Ribeiro, Tonio Luna, Ivan Cury, Sergio Luiz Pichetto, Jamur Junior, acrescento, Elon Garcia, Roberto Bostelman, Camilo Jorge, Paulo Branco, Luiz Frederico, J.J. de Arruda Neto, Felix Miranda, Eneas Farias, Carlos Luiz, Emanuel Wambier, Pier Máximo Nota, Norberto Trevisan e outros, que minha memória sexa ordinária, já não lembra no momento.
Claro que existem muitas outras vozes, femininas e masculinas, que vamos, com o tempo lembrando. E aqui lanço um desafio, principalmente aos Operadores de Som do Rádio do Paraná, para que indiquem grandes vozes.


Façam como eu, desafiem o gaucho velho e vamos enfiar, goela a dentro, novos nomes. Brincadeira, gauchinho. Foi mais para sacanear o querido amigo.


Bem, voltando ao assunto, Willi Gonzer, um dos mais corretos e completos narradores esportivos com quem trabalhei e ouvi, não era uma grande voz. Uma excelente voz para o esporte. E outros, Paulo Cesar (da Baiúca do Xiló), Willian Sade, Hamilton Corrêa, não eram grandes vozes mas sim Grandes Comunicadores.

Isto posto, caro amigo Paulo, e enumerados tantos e grandes nomes do Rádio do Paraná, sugiro que você mude o título da serie de matérias, para: “GRANDES COMUNICADORES DO RÁDIO DO PARANÁ”. Não vejo distinção entre Grandes Vozes e Grandes Comunicadores. Cada um foi mestre, e dos grandes em suas áreas. Como não lembrar de Moraes Fernandes, com seu Rádio Baile Z9 na Emissora Paranaense. Mário Vendramel, Rubens Rolo ou Mário Fannucchi na B2. Moacir Amaral, Ubiratan Lustosa, Wilson Brustolim, Maurício Fruet, Luiz Antonio Barbosa, Antonio de Freitas, Antonio Nogueira, Maria Cristina, Lurdes Maria... Meu Deus, são tantos que vou levar um século – que já não tenho – para lembrar.

Foram todos, alguns ainda são, e muitos outros, grandes comunicadores do nosso Rádio.

O que o Rádio, ou melhor, os picaretas do rádio, cegos e surdos de nascença não conseguem ver é que, embora o corpo e a voz fiquem velhos, o espírito dos comunicadores seguiu jovem. Mais jovem do que nunca. Com mais sabedoria pelas experiências, esses comunicadores teriam muito a ensinar aos recém saídos dos cursos de comunicação. Alguém tem dúvidas que o pessoal que trabalha com o Luiz Geraldo Mazza, está fazendo um estágio da mais alta qualidade? Claro que não!

Alguém tem dúvidas que teriam muito a apreender com Alcides Vasconcelos, com Sérgio Luiz Pichetto, Emanuel Wambier, Jamur Junior, Adelzon Alves, Moacir Gouveia – ouvindo-os, pois alguns já nos deixaram – em como apresentar uma notícia? E os Rádio Atores da (falecida) B2 – Sinval Martins, Ivo Ferro, Felix Miranda e uma centena ou mais de grandes intérpretes?

Pára, Wasyl, pára. Não se fala do Rádio do Paraná em poucas laudas ou num dia. O Jamur escreveu um livro – muito bom - e não conseguiu lembrar de tudo. O Ubiratan Lustosa escreveu outro – também excelente – e também não conseguiu lembrar de tudo.

Por isso, louvo o teu trabalho Paulo Branco.

Muitos dos que nos lêem aqui no teu Blog, deviam ganhar algum tempo a mais na vida e ter a coragem que – modestamente – estou tendo.

Critiquem, metam o pau, não importa. Não importa a época. O que realmente importa, é lembrar e registrar para a história os nomes de quem fez do Rádio Paranaense um dos melhores do Brasil. Locutores, apresentadores, redatores, agentes publicitários, operadores de som, técnicos de manutenção, músicos, cantores de qualquer gênero, animadores de programas e de auditório, porteiros, contadores, diretores, zeladoras, operadores de transmissores...


Como é rico o nosso Rádio. Não somente o de outrora, o de hoje também tem historias que merecem ser contadas para gerações futuras.

Texto enviado por email: Não se emenda Para: "PAULO BRANCO"

Um abraço,
Wasyl Stuparyk, o Basílio Junior da Rádio Guairacá