quinta-feira, 31 de março de 2011

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Cronograma do rádio no Brasil

Em nosso cronograma você ficará por dentro dos principais acontecimentos que movimentaram a história do rádio no Brasil, desde o início, e as novas perspectivas sobre a vinda da tecnologia digital.

1922 – Em caráter experimental foi realizada pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro a primeira transmissão oficial de radiodifusão na praia Vermelha no Rio de Janeiro, com o discurso do presidente da República, Epitácio Pessoa em comemoração ao centenário da Independência do Brasil, para isso, foram importados 80 receptores de rádio especialmente para o evento.

1923 – No dia 20 de abril, é fundada a primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, hoje denominada Rádio MEC, criada para atuar sem fins comerciais.

1924 – É regulamentada a atual faixa de Ondas Médias, compreendidas entre 550 à 1550 KHz.

1931 – São vendidos os primeiros receptores com o nome das estações no dial.
No mesmo ano foi inaugurada as rádios: Record e América de São Paulo.

1933 – Nasce a Sociedade Rádio Educadora de Campinas, que desde 2002 passou-se a denominar Rádio Bandeirantes AM, com isso a programação abre espaço para o jornalismo.

1936 – É fundada a brasileira Rádio Nacional do Rio de Janeiro, ela se tornaria um marco na história do rádio com seus programas de auditório, suas comédias e rádio novelas.


Entre o final dos anos 30 e a primeira metade dos anos 50 a Nacional seria uma das líderes de audiência do rádio brasileiro, exportando sua programação gravada e dias depois transmitidas em outras cidades brasileiras.

1937 – Em 6 de maio é inaugurada em São Paulo a Rádio Bandeirantes, a primeira emissora a divulgar notícias durante toda a programação.

1938 – Surge a Rádio Globo do Rio de Janeiro, que mais tarde passa a ser a rádio AM mais popular do país.

1941 – A Rádio Nacional lança o Repórter Esso, primeiro rádio jornal brasileiro, também entra no ar a primeira novela radiofônica do país: Em busca da felicidade.

1946 – O rádio ganha maior agilidade com o surgimento dos gravadores de fita magnética.

Também os retificadores de selênio começam a substituir as válvulas retificadoras material semicondutor em estado sólido muito menos propício a queimar do que as velhas válvulas a vácuo.

1955 – Primeira transmissão experimental de rádio FM, pela Rádio Imprensa do Rio de Janeiro, extinta no final de dezembro/2000.

1967 – É criado o Ministério das Comunicações no dia 25 de fevereiro.

1990 – A rede Bandeirantes de rádio se torna a primeira emissora no Brasil a transmitir via satélite com 70 emissoras FM e 60 em AM, em mais de 80 regiões do país.

1991 – O sistema Globo de rádio inaugura a CBN (Central Brasileira de Notícias), emissora especializada em jornalismo, que a partir de 1996 inicia suas transmissões simultâneas em FM.

1995 – Início da campanha pelo fim da obrigatoriedade da transmissão do programa oficial “A voz do Brasil”.

2005 – Comemorando os 84 anos do rádio no Brasil, inicia-se no país em 26 de setembro as primeiras transmissões de rádio no sistema digital, tecnologia que está apenas “aterrissando” no Brasil.

Realidade complexa e polêmica - A política no Rádio de Londrina

O número de radialistas eleitos encontrado em Londrina é bastante significativo.

E quase todos os radialistas-políticos entrevistados admitiram, em maior ou menor grau, que devem ao rádio e aos anos na profissão de radialista o capital eleitoral que se traduziu em votos nas urnas. Quatro dos radialistas-políticos foram os campeões de votos para o cargo de vereador, em diferentes eleições.

Entre os 15 radialistas vitoriosos, a quase totalidade é formada por apresentadores de programas de variedades diários, longos e de grande sucesso junto ao público ouvinte; e transmitidos em emissoras líderes de audiência.


No entanto, nem só de vitoriosos na política é composto o universo dos radialistas londrinenses.
Encontramos um número igualmente significativo de radialistas que se lançaram à aventura político-eleitoral e não obtiveram vitórias; além de uma parcela ainda maior de radialistas que – apesar de grande sucesso na profissão e dos insistentes convites de partidos – não entraram para a vida política e nunca foram candidatos a cargos eletivos, por motivação ética, profissional e/ou pessoal.

Com base nos dados coletados, consideramos que houve em Londrina no período estudado – a exemplo de outras cidades do país – uma relação marcante entre o sucesso na profissão de radialista e o posterior êxito eleitoral.

Mas esta relação não é linear, não sustenta aquele senso popular de que basta ser radialista para se eleger facilmente a qualquer cargo político.

Pelo contrário, encontramos 17 radialistas que se candidataram, alguns mais de uma vez, e nunca se elegeram vereador.

A realidade encontrada pela pesquisa é mais complexa do que parece aos olhos comuns. Coincidentemente, quatro radialistas que foram os mais votados para a Câmara Municipal não conseguiram a reeleição nos pleitos seguintes.

Eles, e outros que não se reelegeram deputados estaduais, admitiram que não conseguiram conciliar as carreiras de radialista e de político de maneira harmoniosa; e que, em determinados momentos frustraram as expectativas de seus “ouvintes-eleitores”.

Como analisou a pesquisadora Márcia Vidal Nunes (2000, p. 64):

O compromisso com o ouvinte no campo radiofônico
não garante uma atuação similar do radialista nocampo político. (...)
Muitos dos radialistas eleitos não conseguem fazer
praticamente nada do que haviam prometido,
o que gera frustração no ouvinte-eleitor. (...)
No campo político é diferente; suas regras, normas e processos
extremamente burocratizados impedem o
radialista-político de atender às pessoas individualmente. (...)
A magia é quebrada. O radialista já não pode tudo. (...)
Dividido entre o rádio e a política, ele se enfraquece.
Enfraquecido, o risco de fracassar é enorme.

Ficou demonstrado pelo estudo, portanto, que além de um poderoso instrumento de dominação e reprodução ideológica do Estado, o rádio pode ser utilizado como um importante meio para o êxito eleitoral inicial por parte de seus profissionais.

Ressalvese, no entanto, que o veículo – por si só – em nenhuma circunstância garantiu a reeleição dos radialistas-políticos, por maior sucesso que eles tivessem junto a milhares de ouvintes.

O rádio, como formador de opinião que goza de significativa credibilidade junto à população, ajuda a criar ao longo dos anos o capital eleitoral dos radialistas – que mais tarde atuarão como políticos outsiders. Isto possivelmente represente uma vantagem, também de difícil quantificação, sobre os demais candidatos que não dispõem deste “cabo eleitoral eletrônico” nos meses e anos que antecedem a maratona eleitoral.

Mas, além disto, o radialista necessita agregar à sua campanha – para alcançar a desejada vitória nas urnas – uma boa marca partidária, uma infra-estrutura material razoável, competência para se adaptar às exigências do mundo da política institucional, e recursos financeiros muitas vezes não disponíveis. Porque, como afirmaram alguns entrevistados, “o rádio ajuda bastante, mas não faz milagres”.

Em termos científicos, os principais passos da pesquisa foram seguidos e alcançados nas suas especificidades.
O estudo identificou e contextualizou historicamente os pontos centrais do objeto; descreveu e caracterizou quantitativa e qualitativamente o fato pesquisado no período delimitado; utilizou o embasamento teórico disponível na área; entrevistou o maior número possível de personagens; analisou, selecionou, interpretou e refletiu sobre os dados e documentos coletados.

É cada vez maior o interesse de pesquisadores pela história da mídia e pelos efeitos dos MCM sobre a política e as eleições no Brasil; com crescente número de estudos realizados na área por cientistas da Comunicação, da História e da Sociologia nas últimas décadas. Por estar revestido de complexidade, este tema gera grande polêmica.

Esperamos contribuir, com o presente texto, para um aprofundamento das discussões e melhor entendimento desta relação existente entre a mídia como um todo – e o rádio em particular – e a história política nacional; além de especificamente sobre a trajetória de radialistas enquanto personagens ativos nas eleições político-partidárias em Londrina.

Continuação do trabalho "Uma História Política do Rádio – a Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina (PR) (1), por Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação / Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2).


(1) Trabalho apresentado ao GT 5 – História da Mídia Sonora, do V Congresso Nacional de História da Mídia.

(2) O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo. Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

Referências Bibliográficas

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quarta-feira, 30 de março de 2011

O Homem que Sabia Demais e o Poderoso Chefão

O titulo da postagem pertence a dois grandes filmes que marcaram toda uma geração e ficaram como marcadores de situações e atitudes até hoje perpetuadas.

Por exemplo quando a questão do que aconteceu e acontece na Assembleia Legislativa do Paraná é posta a nu pela imprensa,comprovadas,na maioria das vezes com fotos e vídeos reveladores  e nada acontece me vem logo a memoria um dos dois filmes que vi na minha juventude: O Homem que sabia Demais,estrelado por James Stewart e comandado por nada menos que Alfred Hitchcock e O Poderoso Chefão,com Marlon Brando e Al Patino,sob a direção Francis Ford Coppola..

Sim porque naquela casa de leis existem Homens Que Sabem Demais  e contra os quais ninguém se insurge,atrelados ainda ao pagamento de favores como acontecia em O Poderoso Chefão e os sábios ensinamentos de Don Corleone.

Se quiser entender o que acontece na politica brasileira é só  apanhar numa locadora um ou os dois filmes.

E ai então você mata a charada.

Sistema de concessão centralizador - A política no Rádio londrinense

Porém, nem só de radialistas candidatos a cargos institucionais é constituída a estreita ligação do rádio com a política no País. Ao contrário, há nela uma característica menos visível é ainda mais forte e importante. Ela foi construída com base no sistema antidemocrático e centralizador de distribuição das concessões de emissoras, que vigorou no Brasil por mais de seis décadas e ainda mantém em vigência alguns resquícios, apesar do pequeno avanço conquistado pela atual Constituição, de 1988.

O rádio foi inaugurado oficialmente no País em 7 de setembro de 1922, como parte dos festejos do Centenário da Independência. Os primeiros equipamentos transmissores – montados no alto do Corcovado – e os 80 aparelhos receptores funcionaram no Rio de Janeiro, como presentes da Casa Branca e de uma indústria dos Estados Unidos ao governo do presidente Epitácio Pessoa. De lá para cá, nestes quase 85 anos de funcionamento, o complexo de emissoras radiofônicas sempre esteve – salvo raras exceções e em curtos intervalos de tempo – a serviço dos interesses do Estado e da produção, manutenção e reprodução da ideologia capitalista.

Muito mais do que aos radialistas e à população, o complexo radiofônico serviu neste longo período – por meio de sua programação e conteúdos de baixa qualidade e sem objetivos educacionais para a cidadania – à elite político-econômica que controlou o Estado autoritário, conservador, golpista e privatista.

Ao longo das primeiras décadas de operação, o rádio foi sendo transformado em um ``palanque eletrônico´´ em substituição aos antigos currais eleitorais, ao coronelismo e ao voto de cabresto5. Esta forma centralizadora de utilizar o principal meio de comunicação de massa então disponível se consolidou durante o Estado Novo (1930-45) de Getúlio Vargas e, mais tarde, ganhou força outra vez na ditadura militar em vigor de 1964 a 85. Notadamente a partir dos anos 70, o rádio perdeu muito das verbas publicitárias e teve que dividir seu público com o complexo de emissoras de TV.

Mesmo assim, até o final do século XX o rádio manteve-se como o MCM com maior poder de abrangência nacional e de presença domiciliar no Brasil.

Devido este poder de alcance e papel estratégico num País populoso, extenso e subdesenvolvido, o rádio sempre foi mantido atrelado ao Estado; e seu sistema de concessões de emissoras permaneceu sob domínio exclusivo do presidente da República, por meio do Ministério das Comunicações. Desta forma, o conjunto de emissoras espalhadas pelo território brasileiro foi sendo montado com base nos interesses ideológico-político-econômicos da elite controladora do Executivo nacional, no século passado.

Em junho de 2000, estavam em operação no País 3.315 emissoras comerciais. Em Londrina, já funcionavam as mesmas 15 emissoras de hoje, sendo dez de AM e cinco de freqüência modulada (FM). O cruzamento de dados do Ministério das Comunicações, da Justiça Eleitoral e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) demonstrou que a base aliada do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) controlava, naquele momento, 73,75% das concessões da radiodifusão brasileira.

Exatamente 1.220 emissoras (37,5%) estavam em mãos de políticos do PFL. Os membros do PMDB contavam com 17,5% das emissoras. Em terceiro lugar, vinham os políticos do PPB, com 12,5% das rádios. Na seqüência, os membros do PSDB que mantinham 6,25%. Políticos ligados ao PSB – partido teoricamente do bloco de oposição – possuíam igualmente 6,25% das emissoras; enquanto que membros de outros partidos detinham 5% das concessões. Isto significa dizer que 85% do sistema de radiodifusão estavam sob o comando de políticos; enquanto que apenas 6,5% dele eram explorados por empresários do setor sem ligações formais com partidos e o poder político institucional. Outros 6% estavam em poder de igrejas – com destaque para a 5 Para aprofundar o entendimento sobre o autoritarismo e fraudes no sistema eleitoral brasileiro, é importante a leitura do livro ``Coronelismo: enxata e voto´´, de Victor Nunes Leal.

Católica e, mais recentemente, algumas protestantes – e os restantes 2,5% eram formados por emissoras estatais-educativas. Em Londrina, 5 emissoras (33,33%) ``pertenciam´´ a igrejas; outras 5 (33,33%) estavam sob domínio de empresários do setor; 4 (26,67%) estavam sob o mando de famílias de ex-políticos do PMDB, PFL e PPB; e uma (6,67%) tinha caráter públicoeducativa, a Universidade FM da UEL. Esta realidade local não mudou nos últimos
anos.

Recentes ``distribuições´´ de concessões para funcionamento de emissoras de rádio – em 2001 e 2002, em quase todos os estados brasileiros – demonstraram que o critério do ``compadrismo´´ político ainda prevalecia no setor; às vésperas de importantes eleições majoritárias nacionais. O Ministério das Comunicações foi generoso na aprovação de novas concessões aos aliados da base de sustentação do governo tucano e implacável na negativa aos requerimentos de políticos ligados a partidos oposicionistas e de instituições não alinhadas ao poder de Brasília, como centrais de trabalhadores.

Isto porque, 80 anos depois de sua inauguração, o sistema radiofônico e seus negócios – aí incluída a divisão das verbas publicitárias públicas – seguiam baseados na velha política do ``é dando que se recebe´´, da troca de interesses entre o Estado e a elite nacional; que tanto mal têm causado à maioria da população brasileira, sem direito aos benefícios sócio-econômico-políticos que teriam em uma nação civilizada. Assim, o rádio continua, no geral, como um atuante e destacado instrumento conservador de dominação político-ideológica.

A expectativa é de que profundas mudanças neste setor vital à verdadeira democratização do País – que vai muito além de eleições periódicas e sem dúvida passa pelo tipo de controle dos MCM – sejam realizadas pelo pelos poderes federais. Um bom começo se daria por meio de regras legais que colocassem fim a monopólios familiares e políticos no setor da radiodifusão, e que possibilitassem concessões ao funcionamento das emissoras verdadeiramente comunitárias – muitas delas hoje tratadas como ``piratas´´ e ilegais.

Importante passo para que isto ocorra é o cumprimento do artigo da Constituição que criou o Conselho Nacional de Comunicação Social, e prossegue quase que somente letra morta no papel perto de 20 anos depois de sua aprovação em Brasília. Com ele em prática, algumas alterações na lei de concessão de emissoras, e comportamento ético do Executivo – diferentemente do que predominou nas últimas décadas – certamente estariam dadas as condições para que a população (aí incluídos os mais de 120 milhões Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação V Congresso Nacional de História da Mídia – São Paulo – 31 maio a 02 de junho de 2007 de eleitores) começasse a trocar seu papel de simples coadjuvante na incipiente democracia representativa pelo de participante ativo rumo à plena cidadania.

Continuação do trabalho "Uma História Política do Rádio – a Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina (PR) (1), por Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação / Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2).


(1) Trabalho apresentado ao GT 5 – História da Mídia Sonora, do V Congresso Nacional de História da Mídia.

(2) O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo. Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

(Continua)



terça-feira, 29 de março de 2011

Eu posso inté lhi ajurá

A flor de maracujá
Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá
Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá
Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão
Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro
Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê
Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza
Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera
E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô
I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor
Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá.
Catulo da Paixão Cearense

Rádio constrói marca eleitoral - A política e o Rádio de Londrina

Ainda que não seja possível mensurar – por uma série de fatores, entre eles o sigilo do voto – com exatidão o número de ouvintes que se tornaram eleitores dos radialistas candidatos, há fortes indícios a demonstrar que eles foram beneficiados pelo ``capital eleitoral´´ do rádio na carreira política. Os próprios radialistas-políticos admitem que a ``marca´´ que construíram a partir da relação diária e íntima com milhares de ouvintes – às vezes por muitos anos – os colocou em significativa vantagem na hora de competir com os ``desconhecidos´´ candidatos oriundos de outras profissões.

Dos 23 entrevistados por nossa pesquisa, apenas dois radialistas-políticos não creditaram ao ``capital eleitoral´´ conseguido com programas de rádio o seu ótimo resultado inicial nas urnas: Alvaro Dias, que considerou ter sido mais importante a militância no movimento estudantil na UEL; e Dácio Leonel de Quadros, que avaliou ter tido maior apoio eleitoral entre os clientes de sua outra profissão, como advogado.

Entre os 15 radialistas que obtiveram vitórias nas urnas, todos eram homens, brancos e trabalharam somente em emissoras de amplitude modulada (AM). Sete deles concluíram curso superior; e 11 tiveram passagens simultâneas ao rádio como apresentadores em emissoras de TV regional, o que possivelmente tenha colaborado para aumentar seu ``capital eleitoral´´. Outra característica une os radialistas-políticos vencedores: todos os campeões de votos eram, na época da eleição, apresentadores de programas líderes de audiência; notadamente de variedades, ou policial ou musicalsertanejo.

Inversamente proporcional, nenhum dos 17 radialistas derrotados apresentava programa com grande audiência. Mas não foi apenas o grande público ouvinte que garantiu as primeiras vitórias dos radialistas nas urnas, na cidade. Outros fatores externos à profissão nas emissoras devem ser considerados. Entre eles, destacam-se dois: o partido político a que eles se filiaram e o tipo de discurso por eles desenvolvido nos períodos pré-eleitorais.

Londrina tem-se caracterizado, ao longo das últimas décadas – talvez por ter pouco mais de 70 anos de emancipação, pela miscigenação de raças que aqui chegaram na época pioneira, pela rápida urbanização ampliada com a crise da cafeicultura e êxodo rural; e pela característica de centro universitário e prestador de serviços – como uma cidade cujo eleitorado vota preponderantemente em candidatos de partidos oposicionistas aos governos Estadual e Federal. Tanto é que, nas últimas oito eleições, sete prefeitos eleitos tinham esta característica. Ressalve-se que ``de oposição´´ não significa, necessariamente, de ideologia de esquerda; mas na maioria dos casos apenas e tão somente de ``partido diferente´´ daqueles que momentaneamente exerciam o poder nos executivos do Palácio Iguaçu e do Palácio do Planalto.

Entre os 15 radialistas eleitos vereadores na cidade nos últimos oito pleitos, 10 eram de partidos oposicionistas. Dos 17 radialistas derrotados na tentativa de conseguir uma vaga na Câmara Municipal, 11 pertenciam a partidos situacionistas – também não necessariamente de ideologia de direita. Estes dados demonstram que foram mais vitoriosos os radialistas que souberam conciliar suas grandes audiências com os partidos preferidos pelo eleitorado local e com o discurso ``oposicionista-mudancista´´ que os eleitores queriam ouvir.

Isto ficou ainda mais claro na última eleição municipal pesquisada, em 2000, a primeira desde 1959 a não ter sequer um radialista eleito como vereador ou prefeito.

Terá esta derrota coletiva significado o fim do ciclo de radialistas na política local? É bem provável que não; que esta derrota tenha sido apenas momentânea e conseqüência das circunstâncias especiais presentes naquele pleito.

A campanha de 2000 foi influenciada por um período pré-eleitoral conturbado, marcado pelas fortes emoções do processo de cassação do radialista-prefeito Antônio Belinati, que exercia seu terceiro mandato. Ele foi o primeiro prefeito cassado na história da cidade, sob denúncias de desvios de verbas e corrupção administrativa.

Junte-se a isto o fato de que os seis radialistas candidatos – cinco a vereador, dos quais três tentando reeleições, e um a prefeito – estavam direta ou indiretamente ligados a Belinati, além de pertencerem a partidos igualmente relacionados com a fracassada administração do prefeito cassado.

Não há indícios da ocorrência de algum importante fato que tenha, de uma vez por todas, colocado fim à possibilidade de participação vitoriosa de radialistas nas eleições em Londrina. Tudo indica, portanto, que a derrota coletiva de 2000 tenha sido passageira e circunstancial. Quase que certamente o rádio – por suas características e poder de penetração junto à camada mais numerosa, pobre e menos escolarizada da população – permanecerá desempenhando o papel de indutor de ``capital eleitoral´´ aos profissionais do microfone. É difícil que este potencial histórico do rádio seja extinto, de uma hora para outra, sem um motivo muito forte e claro.

Continuação do trabalho "Uma História Política do Rádio – a Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina (PR) (1), por Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação / Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2).


(1) Trabalho apresentado ao GT 5 – História da Mídia Sonora, do V Congresso Nacional de História da Mídia.

(2) O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo. Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

(Continua)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vitórias tiveram início em 1959 - A política no Rádio de Londrina

Oito radialistas profissionais foram eleitos deputados estaduais no Paraná, em outubro de 2002; o que equivalia a quase 15% das 54 vagas existentes na Assembléia Legislativa.
Entre eles, destaque para o candidato Ratinho Júnior (PSB), que com 189.693 votos foi o mais votado da história do Estado. Candidato pela primeira vez, o eleito é filho do apresentador de TV Carlos Massa ``Ratinho´´, ex-deputado federal eleito com votos principalmente nas regiões de Londrina e Maringá. Ratinho Júnior era estudante de jornalismo, apresentador de programas e administrador de duas emissoras de rádio que seu pai possuía na Região Metropolitana de Curitiba, naquele ano.

O segundo radialista mais bem votado foi o londrinense Barbosa Neto (PDT), com 122.112 votos; quarto colocado entre os 54 deputados eleitos.
Também candidato à Assembléia pela primeira vez, ele é formado em jornalismo pela UEL, apresentador de programas em TV nos últimos anos e havia ficado em segundo lugar na eleição para prefeito de Londrina, em 2000; tendo sido derrotado no segundo turno por Nedson Micheleti (PT). Em 2006, ambos os radialistas foram eleitos para a Câmara Federal.

Não é recente esta ligação dos profissionais do rádio com a política-eleitoral no Brasil. Desde a década de 1950, os radialistas têm sido eleitos para quase todos os cargos eletivos no País.
Tornou-se comum encontramos radialistas exercendo a função de vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e governador em muitos dos estados da Federação.
A única exceção neste rol de cargos conquistados pelos profissionais do microfone é a Presidência da República; quem chegou mais próximo deste objetivo foi Anthony Garotinho (PSB), radialista-candidato que ficou em terceiro lugar no pleito de 2002.

Em Londrina, o primeiro radialista-vereador foi Otássio Pereira da Silva, eleito em 1959.
De lá para cá, ele e outros 14 profissionais do rádio conseguiram se eleger e se reeleger para a Câmara Municipal algumas vezes; sendo que o grupo destes radialistaspolíticos ocupou, em média nas últimas oito eleições do Século XX – de 1968 a 2000 – 12,5% das 21 vagas em disputa a cada novo pleito na cidade.

Entre os radialistas locais que conseguiram maior sucesso eleitoral, destacam-se Alvaro Dias – deputado federal, governador do Paraná e atualmente no terceiro mandato de senador –, Antônio Belinati – três vezes prefeito, deputado estadual (novamente eleito em 2006) e federal –, e Luiz Carlos Alborghetti, o ``Cadeia´´, que teve quatro mandatos como deputado estadual.
Outros três radialistas londrinenses conseguiram também se eleger, pelo menos uma vez, para a Assembléia Legislativa: Dácio Leonel de Quadros, Otássio Pereira da Silva e Fiori Luiz.

A eleição de 15 radialistas para cargos políticos pode ser considerado um feito marcante, quando se sabe que apenas outras duas profissões tiveram, naqueles 32 anos, maior número de ``representantes´´ na Câmara de Vereadores: foram 18 advogados e 16 comerciantes.
Há que se levar em conta que os advogados e comerciantes pertencem a categorias bem mais numerosas que a dos radialistas. Em quarto lugar, estão empatadas as profissões dos contadores, funcionários públicos municipais e professores secundaristas, cada uma com 5 vereadores eleitos no período.

O ``capital eleitoral´´ construído ao longo de anos no exercício da profissão de radialistas – ou em outros Meios de Comunicação de Massa (MCM), conforme teoria desenvolvida pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu – tem se mostrado generoso atalho para a vitória nas urnas, em Londrina. Em 50% daquelas oito eleições, os radialistas foram os campeões de votos para a Câmara: Antônio Belinati (em 1968, pelo MDB, com 2.507 votos); Siqueira Martins (em 1982, pelo PMDB, com 3.018 votos); José Makiolke (em 1992, pelo PMDB, com 2.140); e Antenor Ribeiro (em 1996, pelo PPB, com 3.650 votos).

Porém, nem sempre o rádio significa um seguro trampolim para o êxito eleitoral, como fazem supor ao senso comum estudos que mostram apenas o lado vitorioso dos radialistas-políticos brasileiros. Também de derrotas é composto o universo de radialistas que se aventuraram a entrar para partidos políticos e a concorrer a cargos eletivos.
Em Londrina, 17 radialistas se candidataram – alguns mais de uma vez – e não foram eleitos para vereador, nos últimos 32 anos do século passado.

Há ainda uma outra constatação de que nem só de vitórias é feita a carreira política dos radialistas locais.
Dos quatro radialistas-políticos campeões de votos para a Câmara, nenhum conseguiu a reeleição no pleito imediatamente posterior ao da espetacular conquista.
Este fato já ocorreu em vários estados e cidades do País, para os mais diferentes mandatos. O que demonstra que o ``capital eleitoral´´ montado a partir do rádio pode ser considerado frágil e mutável.

As derrotas também estão presentes na passagem dos radialistas pela política institucional porque, possivelmente, ocorreu com eles o fator da ``quebra de confiança e frustração de expectativas´´, previsto na tese de ``delegação de poder do ouvinte-eleitor aos radialistas-políticos´´, desenvolvida pela socióloga e professora da Universidade Federal do Ceará, Márcia Vidal Nunes.
O que significa dizer que o rádio pode servir como um fator inicial de impulso à primeira vitória eleitoral, mas que ele – por si só – não garante ao profissional do microfone eleições sucessivas e uma carreira política longa e vitoriosa.

Continuação do trabalho "Uma História Política do Rádio – a Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina (PR) (1), por Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação / Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2).

(1) Trabalho apresentado ao GT 5 – História da Mídia Sonora, do V Congresso Nacional de História da Mídia.

(2) O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo.

Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

domingo, 27 de março de 2011

Oito eleições em 32 anos - A política no Rádio de Londrina

O período pesquisado compreendeu as oito eleições municipais de 1968 a 2000, este último o único pleito, em 41 anos, em que nenhum radialista foi eleito em Londrina.

Buscamos também delimitar quais têm sido a programação e comportamento político do rádio – enquanto veículo de comunicação de massa privilegiado na sociedade local – em comparação aos demais meios da mídia moderna. Para isto, na área de comunicação, utilizamos basicamente os estudos de Maria Immacolata Lopes, José Marques de Melo, Pedrinho Guareschi, Muniz Sodré, Gisela Ortriwano e Reynaldo Tavares (1999, p.59):

Considerado no início apenas uma
brincadeira curiosa, a

``radiodifusão se Tornou uma
arma de influência em

todos os campos, tendo
poder decisivo quer no

campo social
ou político e conômico,

quer no campo religioso,
educacional ou cultural.


Para articularmos os dados coletados com a reflexão teórica e a análise crítica, simultânea e posteriormente às entrevistas com personagens, usamos técnicas descritivas e qualitativas. As leituras foram feitas buscando um aprofundamento teórico ligado à comunicação de massa, rádio, história e ciência política.

Os dados sobre os nossos personagens centrais – os radialistas que se tornaram ou não candidatos e alcançaram ou não êxito como políticos – foram conseguidos por meio de entrevistas gravadas em cassete e montagem das histórias de vida e da trajetória de cada um deles, de forma detalhada, mostrando quem são, de onde vieram, como eram estruturados seus programas, por que entraram na vida política e quais os resultados obtidos.

Além das entrevistas foram checados documentos em emissoras de rádio, Justiça Eleitoral e outras fontes. Foi estudado o maior número de casos possíveis dos três tipos de personagens desta pesquisa: os radialistas que tiveram êxito eleitoral; os que não alcançaram sucesso nas urnas; e os que não entraram para a vida políticopartidária e nunca foram candidatos.

A pesquisa foi dividida em três grandes partes, estreitamente inter-relacionadas, que determinou a estruturação do texto final, que resultou no livro ``Rádio e Política´´, com 256 páginas.

Na primeira parte, fazemos uma análise da íntima e complexa relação existente entre a mídia – em especial o rádio – e a política. Mostramos que os partidos brasileiros passaram, nas últimas décadas, a investir muito em marketing político e a “vender” seus candidatos ao eleitorado como verdadeiros produtos de consumo.

Estudamos o rádio e o seu imenso poder de penetração em grande parte da população brasileira, sob o ponto de vista político-ideológico. Procuramos demonstrar que – por ser uma concessão do governo federal e por suas características – o rádio é utilizado pelo Estado e por seus dirigentes políticos como um aparelho reprodutor da ideologia burguesa dominante.

Mapeamos o domínio dos políticos aliados do poder central e de igrejas sobre as mais de 3 mil emissoras AMs comerciais em funcionamento no país, em 2000.

Na segunda parte, recuperamos, de forma histórico-descritiva, a trajetória do rádio enquanto fruto do desenvolvimento da moderna indústria capitalista no início do século XX. Contamos como ele foi aperfeiçoado e se espalhou pela Europa e Estados Unidos até chegar ao Brasil, em 1922, trazido pelo Estado. Inicialmente um meio de comunicação caro e elitista, a partir da década de 1930 – durante o governo de Getúlio Vargas – o rádio ganhou novo impulso, abriu espaço para a propaganda e se tornou popular.

Rapidamente as emissoras se multiplicaram pelo interior do País, e a primeira de Londrina foi inaugurada em 1943. Fazemos uma reflexão sobre o direito de voto, o eleitor, a democracia representativa e as eleições no País, desde a proclamação da República, e em Londrina, desde a sua fundação (1934).

Utilizamos uma bibliografia que atesta ter sido o Estado sempre o centro catalisador da vida política nacional; e que ele teve nos partidos – sem participação popular efetiva – simples apêndices defensores do poder central e seus interesses. Ao longo da história brasileira, as eleições – com muitas restrições e poucos eleitores – quase sempre foram um “jogo de cartas marcadas” para evitar a alternância no poder.

Na terceira parte, demonstramos que, neste contexto subdesenvolvido e conservador, o rádio teve grande parte da responsabilidade na formação da opinião pública e na manutenção do quadro político-eleitoral. Mas que, em muitos pontos do Brasil e em Londrina, tornou-se comum radialistas entrarem para os partidos e se lançarem candidatos a cargos eletivos.

O rádio é utilizado por esta parte de seus profissionais como um instrumento para o sucesso nas urnas. Mas nem todos conseguem o êxito desejado na vida política. Para aprofundarmos o entendimento sobre esta relação do rádio e de radialistas com a política eleitoral em Londrina, juntamos e analisamos dados da Justiça Eleitoral, IBGE, Câmara, partidos, emissoras de rádio etc.

E realizamos entrevistas com 19 personagens centrais deste estudo, os radialistas-políticos (vitoriosos e derrotados); além de três com radialistas de sucesso que nunca entraram para a política e uma com o cartorário Renato Araújo, o único vereador a se eleger sucessivamente
para o cargo oito vezes, exatamente nos pleitos de 1968 a 2000.

(Continua)

sábado, 26 de março de 2011

Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina

Esta comunicação, síntese adaptada de nossa dissertação de mestrado, contextualiza e reflete sobre a estreita relação existente entre a mídia e a política no Brasil e em Londrina, notadamente nas últimas décadas do século XX.
Ela demonstra que os meios de comunicação de massa (MCM) possibilitam, cada vez mais, a apresentação dos candidatos em campanhas eleitorais como simples produtos de consumo.
E analisa a trajetória histórica do rádio brasileiro enquanto instrumento de produção, reprodução e manutenção da ideologia capitalista, base do Estado nacional.

A pesquisa estuda a estrutura partidária, as formas de representação, as discriminações ao eleitor e as eleições institucionais no país e na cidade. São utilizados dados e documentos da Justiça Eleitoral, emissoras de rádio e jornais locais, Câmara de Vereadores e IBGE, entre outros órgãos; além de entrevistas com 23 personagens ligados diretamente ao tema.

Londrina é uma cidade de porte médio, localizada 390 km ao norte de Curitiba, capital do Paraná. Conforme dados do último Censo do IBGE, Londrina contava em 2000 com uma população de 446 mil habitantes e 299 mil eleitores (66.98%). A Câmara Municipal possuía 21 vereadores.

O trabalho investiga como a força deste palanque eletrônico chamado rádio ajudou 15 de seus profissionais a criar um capital eleitoral e a obter sucesso em pleitos municipais, de 1968 – o primeiro realizado sob o regime militar que vigorou de 1964 a 1985 – a 1996.
Demonstra, no entanto, que nem o mais popular dos MCM foi capaz de garantir, por si só, sucesso eleitoral a outros 17 radialistas que tentaram desempenhar o papel de político outsider (3) no período pesquisado.
Conclui que, por esta razão e por outras causas, os radialistas-políticos londrinenses tiveram uma derrota coletiva nas urnas em 2000, na última eleição do Século XX .

Não foi acidente ou coincidência o fato de os principais veículos de comunicação de massa (jornal, cinema, rádio e televisão) terem sido inventados e desenvolvidos na esteira dos acontecimentos históricos que prepararam e tornaram realidade a Revolução Industrial, a modernidade, e a transformação das sociedades desenvolvidas da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá e do Japão.
A criação dos diferentes meios de comunicação – como ocorreu mais recentemente com a Internet – possibilitou aos homens e às sociedades concretizar experiências comuns antes nunca imaginadas.
Mas serviu também para a manutenção, divulgação e multiplicação da ideologia capitalista dominante em muitos dos lugares mais longínquos da Terra.

Desde a sua invenção e início de operação, o rádio tornou-se um importante instrumento de dominação política e ideológica naquelas nações, e mais tarde no Brasil.

As emissoras de rádio do País, em sua maioria, sempre serviram como instrumento de manutenção e reprodução do Estado.
Não foi diferente em Londrina, onde os proprietários-concessionários de emissoras têm sido ao longo das décadas, desde 1943, fazendeiros, industriais, igrejas e grandes comerciantes intimamente ligados – em sua quase totalidade – ao poder político local, estadual e/ou nacional.

Além disto, as emissoras têm sido utilizadas no País, por boa parte de seus profissionais – radialistas que comandam programas populares de grande audiência – como meio de propaganda que leva a vitórias em eleições políticas para os diversos cargos eletivos de representação: vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal e senador da República.

Nossa pesquisa estuda a relação entre o rádio (tido como um meio de comunicação de massa privilegiado por suas características e tipo de público) e a política-partidária institucional em Londrina.
O rádio, inventado no final do século XIX na Europa, foi certamente o mais poderoso instrumento de difusão político-ideológica do século XX em grande parte do mundo; principalmente nos países mais pobres, onde grande parcela da população era e segue analfabeta ou apenas semi-alfabetizada.

Este estudo demonstra, de forma empírica e teórica, como a força do rádio tem sido utilizada por parte de seus profissionais – radialistas de sucesso – como um trampolim para a conquista do êxito nos pleitos eleitorais em Londrina, como de resto tem ocorrido em outras cidades e estados brasileiros.
Utiliza para isto, no campo da sociolagia, fundamentalmente as teorias e teses desenvolvidas por Pierre Bourdieu (4), Márcia Vidal Nunes, Carlos Eduardo Esch e Maurício Ferreira da Silva.

Nas últimas décadas, tornou-se senso comum no País que os radialistas seriam beneficiados por sua profissão e levariam grande vantagem sobre os demais candidatos em pleitos eleitorais, independente dos partidos políticos aos quais eles pertençam. Por que razão, então, nem todos os radialistas que se lançam candidatos conseguem êxito.

Em seu livro ``O Poder Simbólico´´ (1989), o autor francês desenvolve as teses de espetacularização das campanhas eleitorais, de construção de capital eleitoral por profissionais da mídia, e da participação destes como outsider na política institucional; três pilares nos quais se assentou a presente pesquisa nas eleições? E, ainda, por que nem todos os radialistas que comandam programas com grande audiências aceitam o convite de partidos para entrar na carreira política?

Foi com o objetivo de responder a estes e outros questionamentos que realizamos nossa pesquisa. 
Para isto, levamos em consideração o contexto histórico e a conjuntura política em que esteve o rádio no Brasil; desde a sua chegada ao Rio de Janeiro, em 1922 (durante as comemorações do Centenário da Independência), passando pela instalação da primeira emissora em Londrina, em setembro de1943 (época do começo da cidade e em plena 2a Guerra Mundial), até o ano 2000.

(3) O termo inglês é utilizado neste texto para designar o político em início de carreira e que não teve formação e militância partidária antes de sua primeira candidatura, sendo considerado, portanto, como um estrangeiro, um intruso que veio de fora para, de maneira oportunista, ocupar o espaço de políticos tradicionais

(4) Em seu livro ``O Poder Simbólico´´ (1989), o autor francês desenvolve as teses de espetacularização das campanhas eleitorais, de construção de capital eleitoral por profissionais da mídia, e da participação destes como outsider na política institucional; três pilares nos quais se assentou a presente pesquisa.

Trabalho apresentado por Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação/Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo.
Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

(Continua)

sexta-feira, 25 de março de 2011

C I N E M A S K O PE

O músico Marcelo Oliveira e as atrizes Carolina Pfarrius e Verônica Rodrigues são convidados especiais do Programa "Cinemaskope, A Maravilhosa Música do Cinema", produzido por Tiomkim, que vai ao ar na edição deste sábado (26), às 17h na Parana Educativa FM 97,1.
Eles estarão trazendo as novidades da peça teatral "Cartas de Um Sedutor", dirigida por Rafael Camargo e inspirada em textos de Hilda Hilst, que faz parte do Fringe, da 20a edição do Festival de Curitiba.
O espetáculo tem uma hora de duração e as as atrizes apresentarão uma seleção de personagens que confessam seus segredos de alcova.
O espetáculo ganha tons de cabaret com a trilha musical incidental excecutada pelo músico convidado Marcelo Oliveira, da Orquestra Sinfônica do Paraná que para este projeto compõe especialmente.
A peça acontece no Teatro Edson D´Avila nos dias:
31/03, às 23:59,
02/04 às 21h,
03/04 às 21h,
06/04,às 23:59,
07:04 às 23:59,
e nos dias 08,09 e 10 às 21h.
Serviço:
Cinemaskope, A Maravilhosa Música do Cinema
Entrevistas com Carolina Pfarrius, Verônica Rodrigues e Marcelo Oliveira
Companhia Coletivo Cultural Filosofia de Boteco/ Aplausos Cultura e Artes/ VM Produtora
Paraná Educativa FM 97,1
Data: 26 de março (sábado) de 2011
Hor: 17 hs
Produção: Tiomkim
Edição: Joaci Santos
Info: (41) 88 42 83 50
Apoio cultural: Museu da Imagem e do Som

Uma História Política do Rádio – a Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina (PR)

Como publicamos recentemente no nosso blog a história do Rádio Gaúco na época da ditadura, agradecemos mais uma colaboração que nos foi enviada por leitores do blog, e estaremos apresentando a partir de agora, um trabalho apresentado no "V Congresso Nacional de História da Mídia", em São Pauloo, em 2007.
O trabalho apresentado em um grupo de trabalho, é de autoria do Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação/Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL).(1)

Resumo do Trabalho

Contextualiza e reflete sobre a relação da mídia com a política no Brasil e em Londrina, no último século. 
Demonstra que os meios de comunicação de massa possibilitam a apresentação dos candidatos em campanhas como produtos de consumo.


Analisa a trajetória histórica do rádio brasileiro enquanto instrumento de produção, reprodução e manutenção da ideologia capitalista.
Estuda a estrutura partidária, as formas de representação, as discriminações ao eleitor e as eleições no país e na cidade.


Investiga como a força do rádio ajudou 15 de seus profissionais a criar um capital eleitoral e a obter sucesso em pleitos municipais, de 1968 a 2000. Demonstra, no entanto, que nem o mais popular dos MCM foi capaz de garantir sucesso a outros 17 radialistas que desempenharam o papel de político outsider naquele período. (continua)


(1) O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo.
Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Affonso Camargo

Faleceu hoje na capital paranaense o ex-deputado federal Affonso Camargo, que foi ministro dos Transportes durante o governo de José Sarney.
A morte foi confirmada na manhã desta quinta-feira (24), pelo PSDB, partido ao qual pertencia.

Affonso Alves de Camargo Neto estava com 81 anos e as causas da morte ainda não são conhecidas. 

Seu último mandato terminou em 2010, quando se aposentou após 54 anos na vida política. Ele não reelegeu nas últimas eleições.

Deputado federal mais votado do Paraná em 2002, ele sempre utilizou em suas campanhas o slogan "pai do vale-transporte".

Affonso Camargo também exerceu o cargo de senador por duas vezes e foi deputado federal por quatro legislaturas.
Ele ocupou o cargo de vice-governador durante o mandato de Ney Braga.

Além de ter sido ministro de Sarney, por indicação de Tancredo Neves, Affonso Camargo foi ministro dos Transportes e das Comunicações no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Affonso Camargo era sobrinho de Bento Munhoz da Rocha Neto, que foi governador do Paraná entre 1951 e 1955.

Em 1989, Camargo foi candidato à Presidência da República pelo PTB.
PB: Na década de 1970 fiz inumeras entrevistas com Afonsinho.
     
           Sempre me tratou com muita deferência.

O silêncio interiorano do Rádio Gaúcho na ditadura

"Hoje, não encontramos registros sonoros daquela época. Os documentos e registros, em papel, são poucos, mas o suficiente para compreender que os anos de ditadura foram singulares para as rádios e que deixaram marcas também nos ouvintes.

A censura não cortou apenas notícias ou impediu manifestações. Ela deixou como herança o amordaçamento de toda uma geração, que hoje talvez não consiga se expressar sem passar pelo crivo da autocensura."

O rádio no interior do Rio Grande do Sul viveu a ditadura de modo obediente, sob protesto, mas quase em silêncio.
Não havia outra alternativa senão cumprir as ordens do regime militar ou então lhe seria aplicada a punição mais temida: fechamento da emissora ou prisão de radialistas ou diretores.
É relevante destacar que o governo percebeu que seria mais eficiente manter o poder pela persuasão do que pela força. Para tanto, precisariam, no âmbito da comunicação, “calar quem era contrário e fortalecer os que estivessem de acordo com sua política” (CAPARELLI, 1983, p.96). Para os militares a manutenção do controle sobre a imprensa era fundamental a sua sustentação no poder.
A idéia de que a ditadura estava ocorrendo era unânime.
Entretanto, esta palavra era proibida, assim como qualquer manifestação pública que não estivesse devidamente aprovada pelo regime.
Pelos depoimentos dos radialistas podemos perceber que algumas emissoras de rádio assimilaram de modo positivo a presença e o controle dos militares sobre elas, manifestando inclusive relações de amizade com os mesmos, o que pode parecer controverso, pois “a mesma mão que te reprime é a mesma que tu afagas”.[3]
Fazendo a leitura deste aspecto, entendemos que os anos prolongados de ditadura e a reprodução diária de uma mesma rotina de controle acabaram amenizando, no interior do Rio Grande do Sul, a existência de censura.
A presença cotidiana dos militares e a obrigação dada às rádios de fiscalizar elas mesmas os seus noticiários locais, embora promovesse a autocensura, criava a ilusão de que a ditadura estaria ocorrendo em outro lugar. 
Mesmo em emissoras como a Progresso de Ijuí, onde houve o fechamento da rádio e prisão de seus diretores, percebemos um sentimento de busca de respeito e auto-afirmação diante da autoridade, bastando observar para tanto a linguagem da correspondência oficial dirigida a elas.
Hoje, não encontramos registros sonoros daquela época. Os documentos e registros, em papel, são poucos, mas o suficiente para compreender que os anos de ditadura foram singulares para as rádios e que deixaram marcas também nos ouvintes.
A censura não cortou apenas notícias ou impediu manifestações. Ela deixou como herança o amordaçamento de toda uma geração, que hoje talvez não consiga se expressar sem passar pelo crivo da autocensura.
Esse trabalho acadadêmico, de rico contúdo organizado pelas Vera Lucia Spacil RADDATZ [1] e Ângela Maria ZAMIN [2], teve as seguintes fontes de consulta:

AQUINO, Maria Aparecida de. Censura, Imprensa e Estado Autoritário (1968-1978): o exército cotidiano da dominação e resistência: O Estado de São Paulo e Movimento. Bauru: EDUSC, 1999.
ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil: Nunca Mais – um relato para a história. São Paulo: Ed.Vozes, 1985.
BAHIA, Juarez. Jornal, história e técnica: história da imprensa brasileira. 4. ed. Revista e aumentada. São Paulo: Ática, 1990. v. 1.
BELAU, Ángel Faus.
Radio y Poder Político. In.: Comunicación Social 1996/Tendencias: Poder, democracia y medios de comunicación. 
Madrid: Fundación para el Desarrollo de la Función Social de las Comunicaciones, 1996. p. 273-279.
CAPARELLI, Sérgio. Imprensa Alternativa. In: QUEROZ E SILVA, Roberto P. de. Temas Básicos em Comunicação. São Paulo: Edições Paulinas, 1983. p. 13-16.
COBELLI, João René. Rádio. Uruguaiana/RS, abr. 2006. Registro para pesquisa referente à censura no rádio. 
Entrevista concedida a Vera Lucia Spacil Raddatz.
COIMBRA, Delfino.
Rádio. Ijuí/RS, mar. 2006. Registro para pesquisa referente à censura no rádio. 
Entrevista concedida a Vera Lucia Spacil Raddatz
FOLETTO, Honorato. 
Rádio. Três de Maio/RS, mar. 2006. 
Registro para pesquisa referente à censura no rádio. Entrevista concedida a Eduardo Mireski.
KUCINSKI, Bernardo. A primeira vítima: a autocensura durante o regime militar. In.: CARNEIRO, Maria Luiza Tucci (org.). Minorias Silenciadas: História da Censura no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo / Imprensa Oficial do Estado / Fapesp, 2002. p. 533-551.
KRYSZCZUN, Alberto. Rádio. Horizontina/RS, mar. 2006. Registro para pesquisa referente à censura no rádio. 
Entrevista concedida a Eduardo Mireski.
MARCONI, Paolo. A censura política na imprensa brasileira (1968-1978). 2. ed. São Paulo: Global Editora. 1980.
MEDINA, Cremilda.
As múltiplas faces da censura. In.:CARNEIRO, Maria Luiza Tucci (org.). Minorias Silenciadas: História da Censura no Brasil. 
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo / Imprensa Oficial do Estado / Fapesp, 2002. p. 421-434.
NADAI, Elza e NEVES Joana. História do Brasil: da colônia à República. São Paulo: Saraiva, 1991.
POMMER, Arnildo. Rádio. Ijuí/RS, mar. 2006. Registro para pesquisa referente à censura no rádio. Entrevista concedida a Vera Lucia Spacil Raddatz.
REIS FILHO, Daniel Aarão. Vozes silenciadas em tempo de ditadura: Brasil, anos 1960. In.: CARNEIRO, Maria Luiza Tucci (org.). 
Minorias Silenciadas: História da Censura no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo / Imprensa Oficial do Estado / Fapesp, 2002. p. 435-450.
RIOS, Rafael Vilar. Rádio. Cachoeira/RS, abr. 2006. Registro para pesquisa referente à censura no rádio. Entrevista concedida a Vera Lucia Spacil Raddatz.
SILVA, José Schneider. Rádio. Cachoeira/RS, abr. 2006. Registro para pesquisa referente à censura no rádio. Entrevista concedida a Vera Lucia Spacil Raddatz.
SMITH, Anne-Marie. Um acordo forçado: o consentimento da imprensa brasileira à censura no Brasil. 
Tradução Waldívia M. Portinho. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2000.



[1] Mestre, Professora e Pesquisadora da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI, Ijuí/RS e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – PPGCOM/UFRGS, Porto Alegre/RS – verar@unijui.tche.br – GT Mídia Sonora
[2] Jornalista, Bolsista CNPq, Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – PPGCC/UNISINOS, São Leopoldo/RS – angelazamin@gmail.com – GT Mídia Sonora

[3] Adaptado de provérbio popular

quarta-feira, 23 de março de 2011

Inesquecivel LIZ

A elegância de Elizabeth Taylor

 
A atriz, que morreu nesta quarta-feira (23), tinha 79 anos e uma carreira brilhante. Liz Taylor, como ficou conhecida, era destaque por seu bom gosto na hora de se vestir, além é claro de sua beleza única e seus inesqueciveis olhos de cor violeta.Únicos!

FIQUE BEM INFORMADO.

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