domingo, 27 de março de 2011

Oito eleições em 32 anos - A política no Rádio de Londrina

O período pesquisado compreendeu as oito eleições municipais de 1968 a 2000, este último o único pleito, em 41 anos, em que nenhum radialista foi eleito em Londrina.

Buscamos também delimitar quais têm sido a programação e comportamento político do rádio – enquanto veículo de comunicação de massa privilegiado na sociedade local – em comparação aos demais meios da mídia moderna. Para isto, na área de comunicação, utilizamos basicamente os estudos de Maria Immacolata Lopes, José Marques de Melo, Pedrinho Guareschi, Muniz Sodré, Gisela Ortriwano e Reynaldo Tavares (1999, p.59):

Considerado no início apenas uma
brincadeira curiosa, a

``radiodifusão se Tornou uma
arma de influência em

todos os campos, tendo
poder decisivo quer no

campo social
ou político e conômico,

quer no campo religioso,
educacional ou cultural.


Para articularmos os dados coletados com a reflexão teórica e a análise crítica, simultânea e posteriormente às entrevistas com personagens, usamos técnicas descritivas e qualitativas. As leituras foram feitas buscando um aprofundamento teórico ligado à comunicação de massa, rádio, história e ciência política.

Os dados sobre os nossos personagens centrais – os radialistas que se tornaram ou não candidatos e alcançaram ou não êxito como políticos – foram conseguidos por meio de entrevistas gravadas em cassete e montagem das histórias de vida e da trajetória de cada um deles, de forma detalhada, mostrando quem são, de onde vieram, como eram estruturados seus programas, por que entraram na vida política e quais os resultados obtidos.

Além das entrevistas foram checados documentos em emissoras de rádio, Justiça Eleitoral e outras fontes. Foi estudado o maior número de casos possíveis dos três tipos de personagens desta pesquisa: os radialistas que tiveram êxito eleitoral; os que não alcançaram sucesso nas urnas; e os que não entraram para a vida políticopartidária e nunca foram candidatos.

A pesquisa foi dividida em três grandes partes, estreitamente inter-relacionadas, que determinou a estruturação do texto final, que resultou no livro ``Rádio e Política´´, com 256 páginas.

Na primeira parte, fazemos uma análise da íntima e complexa relação existente entre a mídia – em especial o rádio – e a política. Mostramos que os partidos brasileiros passaram, nas últimas décadas, a investir muito em marketing político e a “vender” seus candidatos ao eleitorado como verdadeiros produtos de consumo.

Estudamos o rádio e o seu imenso poder de penetração em grande parte da população brasileira, sob o ponto de vista político-ideológico. Procuramos demonstrar que – por ser uma concessão do governo federal e por suas características – o rádio é utilizado pelo Estado e por seus dirigentes políticos como um aparelho reprodutor da ideologia burguesa dominante.

Mapeamos o domínio dos políticos aliados do poder central e de igrejas sobre as mais de 3 mil emissoras AMs comerciais em funcionamento no país, em 2000.

Na segunda parte, recuperamos, de forma histórico-descritiva, a trajetória do rádio enquanto fruto do desenvolvimento da moderna indústria capitalista no início do século XX. Contamos como ele foi aperfeiçoado e se espalhou pela Europa e Estados Unidos até chegar ao Brasil, em 1922, trazido pelo Estado. Inicialmente um meio de comunicação caro e elitista, a partir da década de 1930 – durante o governo de Getúlio Vargas – o rádio ganhou novo impulso, abriu espaço para a propaganda e se tornou popular.

Rapidamente as emissoras se multiplicaram pelo interior do País, e a primeira de Londrina foi inaugurada em 1943. Fazemos uma reflexão sobre o direito de voto, o eleitor, a democracia representativa e as eleições no País, desde a proclamação da República, e em Londrina, desde a sua fundação (1934).

Utilizamos uma bibliografia que atesta ter sido o Estado sempre o centro catalisador da vida política nacional; e que ele teve nos partidos – sem participação popular efetiva – simples apêndices defensores do poder central e seus interesses. Ao longo da história brasileira, as eleições – com muitas restrições e poucos eleitores – quase sempre foram um “jogo de cartas marcadas” para evitar a alternância no poder.

Na terceira parte, demonstramos que, neste contexto subdesenvolvido e conservador, o rádio teve grande parte da responsabilidade na formação da opinião pública e na manutenção do quadro político-eleitoral. Mas que, em muitos pontos do Brasil e em Londrina, tornou-se comum radialistas entrarem para os partidos e se lançarem candidatos a cargos eletivos.

O rádio é utilizado por esta parte de seus profissionais como um instrumento para o sucesso nas urnas. Mas nem todos conseguem o êxito desejado na vida política. Para aprofundarmos o entendimento sobre esta relação do rádio e de radialistas com a política eleitoral em Londrina, juntamos e analisamos dados da Justiça Eleitoral, IBGE, Câmara, partidos, emissoras de rádio etc.

E realizamos entrevistas com 19 personagens centrais deste estudo, os radialistas-políticos (vitoriosos e derrotados); além de três com radialistas de sucesso que nunca entraram para a política e uma com o cartorário Renato Araújo, o único vereador a se eleger sucessivamente
para o cargo oito vezes, exatamente nos pleitos de 1968 a 2000.

(Continua)

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