segunda-feira, 28 de março de 2011

Vitórias tiveram início em 1959 - A política no Rádio de Londrina

Oito radialistas profissionais foram eleitos deputados estaduais no Paraná, em outubro de 2002; o que equivalia a quase 15% das 54 vagas existentes na Assembléia Legislativa.
Entre eles, destaque para o candidato Ratinho Júnior (PSB), que com 189.693 votos foi o mais votado da história do Estado. Candidato pela primeira vez, o eleito é filho do apresentador de TV Carlos Massa ``Ratinho´´, ex-deputado federal eleito com votos principalmente nas regiões de Londrina e Maringá. Ratinho Júnior era estudante de jornalismo, apresentador de programas e administrador de duas emissoras de rádio que seu pai possuía na Região Metropolitana de Curitiba, naquele ano.

O segundo radialista mais bem votado foi o londrinense Barbosa Neto (PDT), com 122.112 votos; quarto colocado entre os 54 deputados eleitos.
Também candidato à Assembléia pela primeira vez, ele é formado em jornalismo pela UEL, apresentador de programas em TV nos últimos anos e havia ficado em segundo lugar na eleição para prefeito de Londrina, em 2000; tendo sido derrotado no segundo turno por Nedson Micheleti (PT). Em 2006, ambos os radialistas foram eleitos para a Câmara Federal.

Não é recente esta ligação dos profissionais do rádio com a política-eleitoral no Brasil. Desde a década de 1950, os radialistas têm sido eleitos para quase todos os cargos eletivos no País.
Tornou-se comum encontramos radialistas exercendo a função de vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador e governador em muitos dos estados da Federação.
A única exceção neste rol de cargos conquistados pelos profissionais do microfone é a Presidência da República; quem chegou mais próximo deste objetivo foi Anthony Garotinho (PSB), radialista-candidato que ficou em terceiro lugar no pleito de 2002.

Em Londrina, o primeiro radialista-vereador foi Otássio Pereira da Silva, eleito em 1959.
De lá para cá, ele e outros 14 profissionais do rádio conseguiram se eleger e se reeleger para a Câmara Municipal algumas vezes; sendo que o grupo destes radialistaspolíticos ocupou, em média nas últimas oito eleições do Século XX – de 1968 a 2000 – 12,5% das 21 vagas em disputa a cada novo pleito na cidade.

Entre os radialistas locais que conseguiram maior sucesso eleitoral, destacam-se Alvaro Dias – deputado federal, governador do Paraná e atualmente no terceiro mandato de senador –, Antônio Belinati – três vezes prefeito, deputado estadual (novamente eleito em 2006) e federal –, e Luiz Carlos Alborghetti, o ``Cadeia´´, que teve quatro mandatos como deputado estadual.
Outros três radialistas londrinenses conseguiram também se eleger, pelo menos uma vez, para a Assembléia Legislativa: Dácio Leonel de Quadros, Otássio Pereira da Silva e Fiori Luiz.

A eleição de 15 radialistas para cargos políticos pode ser considerado um feito marcante, quando se sabe que apenas outras duas profissões tiveram, naqueles 32 anos, maior número de ``representantes´´ na Câmara de Vereadores: foram 18 advogados e 16 comerciantes.
Há que se levar em conta que os advogados e comerciantes pertencem a categorias bem mais numerosas que a dos radialistas. Em quarto lugar, estão empatadas as profissões dos contadores, funcionários públicos municipais e professores secundaristas, cada uma com 5 vereadores eleitos no período.

O ``capital eleitoral´´ construído ao longo de anos no exercício da profissão de radialistas – ou em outros Meios de Comunicação de Massa (MCM), conforme teoria desenvolvida pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu – tem se mostrado generoso atalho para a vitória nas urnas, em Londrina. Em 50% daquelas oito eleições, os radialistas foram os campeões de votos para a Câmara: Antônio Belinati (em 1968, pelo MDB, com 2.507 votos); Siqueira Martins (em 1982, pelo PMDB, com 3.018 votos); José Makiolke (em 1992, pelo PMDB, com 2.140); e Antenor Ribeiro (em 1996, pelo PPB, com 3.650 votos).

Porém, nem sempre o rádio significa um seguro trampolim para o êxito eleitoral, como fazem supor ao senso comum estudos que mostram apenas o lado vitorioso dos radialistas-políticos brasileiros. Também de derrotas é composto o universo de radialistas que se aventuraram a entrar para partidos políticos e a concorrer a cargos eletivos.
Em Londrina, 17 radialistas se candidataram – alguns mais de uma vez – e não foram eleitos para vereador, nos últimos 32 anos do século passado.

Há ainda uma outra constatação de que nem só de vitórias é feita a carreira política dos radialistas locais.
Dos quatro radialistas-políticos campeões de votos para a Câmara, nenhum conseguiu a reeleição no pleito imediatamente posterior ao da espetacular conquista.
Este fato já ocorreu em vários estados e cidades do País, para os mais diferentes mandatos. O que demonstra que o ``capital eleitoral´´ montado a partir do rádio pode ser considerado frágil e mutável.

As derrotas também estão presentes na passagem dos radialistas pela política institucional porque, possivelmente, ocorreu com eles o fator da ``quebra de confiança e frustração de expectativas´´, previsto na tese de ``delegação de poder do ouvinte-eleitor aos radialistas-políticos´´, desenvolvida pela socióloga e professora da Universidade Federal do Ceará, Márcia Vidal Nunes.
O que significa dizer que o rádio pode servir como um fator inicial de impulso à primeira vitória eleitoral, mas que ele – por si só – não garante ao profissional do microfone eleições sucessivas e uma carreira política longa e vitoriosa.

Continuação do trabalho "Uma História Política do Rádio – a Aventura Eleitoral de Radialistas no Século XX em Londrina (PR) (1), por Osmani Ferreira da Costa, professor de Comunicação / Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) (2).

(1) Trabalho apresentado ao GT 5 – História da Mídia Sonora, do V Congresso Nacional de História da Mídia.

(2) O autor é professor assistente do Departamento de Comunicação, curso de Jornalismo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná. Bacharel em Comunicação/Jornalismo e Mestre em Ciências Sociais, ele é docente da UEL há 20 anos, onde participa de projetos de pesquisa e ministra aulas nas subáreas de jornalismo impresso e radiojornalismo.

Com base em dissertação de mestrado, Costa publicou o livro ``Rádio e Política´´, pela Eduel, em 2005.

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