sábado, 21 de maio de 2011

Supervalorização da Felicidade

A felicidade é supervalorizada? Martin Seligman, professor de Psicologia da Universidade da Pensilvânia, agora acha que sim, o que pode parecer uma posição estranha para o fundador do movimento da psicologia positiva. 

Como presidente da Asso­­cia­­ção Psicológica Americana no final da década de 1990, Seligman criticou os colegas por se concentrarem exclusivamente em doenças mentais e outros problemas.

Ele os incentivou a estudar as alegrias da vida e escreveu, em 2002, um best-seller, Felicidade Autên­­tica.

Agora, porém, ele lamenta aquele título.

À medida que a in­­vestigação da felicidade avançou, Seligman começou a ver certas limitações no conceito.

Por que os casais têm filhos mesmo quando os dados mostram claramente que pais são menos felizes do que casais sem filhos?

Por que os bilionários buscam desesperadamente mais dinheiro mesmo não querendo fazer nada com ele?
E por que algumas pessoas continuavam jogando bridge sem alegria? Se­­ligman, ávido jogador, sempre os notava nas competições. Nunca sorriam, nem nas vitórias.
Elas não jogavam para ganhar dinheiro ou fazer amigos. Elas não saboreavam a sensação de engajamento total numa tarefa que os psicólogos chamam de fluxo.
Elas não sentiam a satisfação es­­tética de jogar uma mão com inteligência e “ganhar bonito”. 
Estavam dispostas a ganhar feio, às vezes até recorrendo à trapaça.
“Essas pessoas queriam vencer somente por vencer, mesmo sem causar uma emoção positiva”, afirma Seligman. “Elas pareciam administradores de fundos hedges que só querem acumular dinheiro e brinquedos pelo acúmulo em si. Vendo-os jogar, vendo-os trapacear, eu ficava pensando que a realização é um desejo humano em si”, acrescenta.
Essa sensação de realização contribui para o que os antigos gregos chamavam de “eudaimonia”, que em linhas gerais pode ser traduzido como “bem-estar” ou “florescente”, conceito que Se­­ligman pegou emprestado co­­mo título de seu novo livro, Flourish.

Ele também elencou os cinco elementos cruciais do bem-estar, todos buscados por si mesmos: emoção positiva, engajamento (a sensação de perder-se numa tarefa), relacionamentos, significado e realização.

“O bem-estar não pode existir somente na sua cabeça”, ele escreve.

“O bem-estar é uma combinação entre sentir-se bem e de também ter sentido, bons relacionamentos e realização.
O movimento da psicologia positiva inspirou pesquisas ao redor do mundo sobre o estado mental das pessoas, como um novo projeto na Grã-Bretanha pa­­ra medir o que David Cameron, o primeiro-ministro, chama de bem-estar ge­­ral.
Governos
Seligman se diz feliz ao ver os go­­vernos medindo algo além do PIB, mas se preocupa como o fato de essas pesquisas perguntarem principalmente sobre a “satisfação com a vida”.

Em teoria, a satisfação com a vida pode incluir vários elementos de bem-estar, mas na prática, segundo Selig­­man, as respostas das pessoas àquela pergunta são amplamente – mais de 70% – determinadas por como elas estão se sentindo no mo­­mento da pesquisa, não como avaliam suas vidas no geral. 

“A satisfação com a vida mede essencialmente estados de ânimo alegres, então não serve co­­mo ponto central em qualquer teoria que busque ser mais do que uma ‘felicidadelogia’”, ele escreve em Flourish.
Tomando isso como padrão, o pesqui­­sador observa que um governo poderia melhorar seus números distribuindo o tipo de droga euforizante que Aldous Huxley descreveu em Admirável Mundo Novo.
Então o que deveria ser medido?
Por ora, a melhor escala florescente, segundo o autor, vem de um estudo em 23 países europeus feito por Felicia Hup­­pert e Timothy So, da Universi­­dade de Cambridge.
Além de ques­­tionar os entrevistados sobre seu estado de espírito, os pesquisadores também perguntaram sobre relacionamentos com outras pessoas e a sensação de estar rea­­lizando algo compensador.

Dinamarca e Suíça ti­­veram os índices mais altos na Europa, com mais de um quarto dos cidadãos en­­cai­­xando-se na definição do conceito florescente.
Per­­to do fim, com menos de 10% do conceito florescente, ficaram França, Hungria, Portugal e Rús­­sia.
Não existe comparação disponível com os Estados Unidos, embora alguns pesquisadores digam que os americanos se sairiam razoavelmente bem por causa de sua noção de realização. 

O economista Arthur Brooks observa que 51% dos americanos dizem estar muito satisfeitos com os empregos, uma porcentagem mais alta do que em qualquer país europeu, menos Dina­­marca, Suíça e Áustria.

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