segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma recomendação da Força Tarefa de Saúde Preventiva dos Estados Unidos (USPSTF) pretende mudar a forma como o câncer de próstata é rastreado entre os americanos. No início de outubro, a USPSTF publicou uma recomendação contrária ao uso do exame de sangue que checa a dosagem de PSA (antígeno prostático específico), independente da idade do paciente, como forma de indicar a possível incidência desse tipo de câncer.
Por ser um marcador que pode tanto sinalizar a ocorrência de câncer como a presença de problemas inflamatórios na próstata, o uso do PSA contribuiria para a exposição dos pacientes a procedimentos invasivos diante de uma suspeita de câncer, como as biópsias – única forma de confirmar o diagnóstico –, além de prejuízos psicológicos diante de um falso positivo.
Incidência
Confira quais são os grupos e os comporta­men­­tos de risco em rela­ção ao câncer de próstata:
• A mortalidade e a incidência da doença aumentam após os 50 anos;
• Homem com pai ou irmão que tem câncer de próstata possui de 3 a 10 vezes mais risco de desenvolver a doença;
• Uma dieta rica em gordura de origem animal aumenta o risco de câncer de próstata – além de acarretar outros problemas de saúde como as doenças cardiovasculares;
• O câncer de próstata é 1,6 vezes mais comum em homens negros.
Fonte: Ministério da Saúde e Inca
Rotina de testes deve começar aos 40 anos
Homens com histórico de câncer de próstata na família devem começar a rotina de exames de detecção da doença a partir dos 40 anos de idade.
Aqueles que não possuem registros do problema entre os familiares devem iniciar a partir dos 45 anos. Os exames anuais envolvem o PSA (sangue) e o toque – um não exclui o outro.
“A maior incidência de câncer de próstata acontece em pacientes acima dos 60 anos, no entanto o desenvolvimento da doença ocorre de forma mais lenta em pessoas mais idosas. 
Em homens de 40 anos, o câncer é mais agressivo, por isso a necessidade do diagnóstico precoce”, justifica o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Eduardo José Andrade Lopes.
O câncer de próstata não apresenta sintomas em seus estágios iniciais e esperar o corpo apresentá-los para buscar um urologista coloca a vida do paciente em risco. “Sentir dor, dificuldade ou urgência para urinar já são sinais de complicação da doença, pois o câncer de próstata é indolor”, alerta o professor de Urologia do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Carlos de Almeida Rocha.
Assim como não se deve aguardar pelos sintomas para buscar tratamento, não é recomendável esperar o paciente apresentar alteração no PSA para diagnosticar o problema, pois alguns homens têm tumores tocáveis sem apresentar disfunção no PSA. A doença não tratada ou descoberta tardiamente acarreta complicações irreversíveis para o corpo como a metástase, quando o câncer se espalha para outros órgãos.
A conclusão do estudo, publicada nos Anais de Medicina In­­terna (annals.org), afirma que o “teste do PSA resulta em uma re­­dução pequena ou nula na mortalidade do câncer de próstata e está associado a danos relacionados aos tratamentos e avaliações posteriores, que podem ser desnecessários”.
Proteína
O PSA é uma proteína exclusivamente masculina produzida pela próstata (99%) e pelas glândulas da uretra (1%). Lançada no sangue em pequenas quantidades, sua função principal é nutrir os espermatozoides, fornecendo energia para que eles alcancem o óvulo.
“Quando a próstata au­­menta de tamanho, a produção de PSA também cresce. Com a pre­­sença de células cancerígenas na glândula, sua produção chega a ser dez vezes maior do que o normal”, explica o secretário geral da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Eduardo José Andrade Lopes.
Lopes considera a contestação do exame por parte dos americanos um retrocesso, pois segundo ele, o PSA, usado desde 1994 para a detecção do câncer de próstata, foi capaz de salvar muitas vidas.
“Antes dele, a única forma de detectar o câncer era pelo exame de toque. Porém, quando o médico percebia a alteração da próstata, o problema poderia estar em estágio avançado”, esclarece.
De acordo com o secretário da SBU, ainda que o exame de toque não encontre anormalidades na próstata, um PSA alto indica que algo está errado com a glândula, ajudando no diagnóstico precoce e na descoberta de células cancerígenas microscópicas após uma biópsia. “Se descoberto no início, a chance de cura deste tipo de cân­­cer é de 93%. Antes do PSA, era somente de 30 a 40%”, comenta.
Toque
Apesar das vantagens deste exame que custa entre R$ 18 e R$ 50, a checagem do PSA não substitui o exame de toque e nem deve ser feita de forma indiscriminada.
“Isso levantaria muitas suspeitas de câncer.
O aumento do PSA tam­­bém serve para indicar inflamações na próstata e traumatismo na uretra, por isso é preciso que o exame seja feito com critério para diagnosticar câncer. Se for acompanhado pelo exame de toque e pela análise clínica no paciente, aí ele tem valor”, esclarece o professor de Urologia do curso de Medicina da Universida­de Federal do Paraná (UFPR), Luiz Carlos de Almeida Rocha.
De acordo com dados do Ins­­tituto Nacional do Câncer dos Es­­tados Unidos, este ano, mais de 240 mil americanos serão diagnosticados com câncer de próstata – que só perde para o câncer de pele em número de incidência. Esse ranking se repete no Brasil, onde, de acordo com Instituto Nacional de Câncer brasileiro (In­­ca), a doença matou 11.955 ho­­mens em 2008.
Salvo pelo PSA
Depois de passar pelo exame de toque sem detecção de alterações na próstata, foi o exame de PSA que há um ano deu ao professor universitário Zeli da Conceição, 55 anos, a primeira indicação da presença de um tumor na glândula. Em situações ideais, a quantidade da substância no sangue deve ser menor do que um.
Quando o valor passa de quatro ou aumenta 30% de um ano para outro, soa o sinal de alerta.
“Sempre fiz todos os exames regularmente e de um ano para o outro o PSA subiu um ponto, mas ficou dentro dos números considerados normais.
Depois da biópsia, a confirmação de câncer foi uma surpresa. Para mim o exame foi fundamental, pois identificou a doença em uma fase muito inicial, com viabilidade de ser tratada”, afirma o professor.
Diante de uma dosagem elevada de PSA, o exame precisa ser confirmado e refeito por um segundo laboratório.
“A checagem evita a realização de biópsias desnecessárias, que é um procedimento invasivo para coleta de tecidos da próstata, feito com agulhas guiadas por ultrassom com o paciente sob efeito de anestésicos”, explica Lopes.
Fonte:Gazeta do Povo de Curitiba

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