segunda-feira, 28 de maio de 2012

Por vezes somos surpreendidos com notícias tristes. Acabo de saber que morreu neste sábado em São Paulo, meu mestre, amigo, parceiro e ex diretor Jair Brito. Ele foi casado do uma das mais queridas amigas e grande cantora curitibana, Evanira e pai da minha também querida amiga e cantora Maricélia Brito e da artista plástica Maril Urso. Jair que depois casou com uma sobrinha do Fiori Gigliotti, a Regina, vivia na capital paulista onde veio a falecer.
Com certeza sentirei saudades de todas as conversas, os papos sobre rádio que fizemos ou gostariamos de ter feito, das lutas que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos… Jair Brito pedaço importante da história do rádio do Paraná e do Brasil. Toda a sua vida profissional foi feita de lutas, de conquistas e também de angustias. Profissional de talento, porque soube somar seus pontos de esforços, sua criatividade e muito de seu caráter.
Eu sei que a saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar para o velho mestre, ouvir aquela voze novamente: “Guri que anda fazendo?” “Andava com saudade meu rapaz!
Como se fosse Sócrates Jair filosofava dizendo: Cláudio a vida sem Rádio é uma espécie de morte, não é não? Se é Jair!!
Amizades são feitas de pedacinhos. Pedacinhos de tempo que vivemos com cada pessoa. Não importa quanto tempo que passamos com os amigos. Importa sim, a qualidade do tempo. Assim é minha amizade com Jair Brito que conheci lá no distante ano de 1971.
Um dos maiores nomes do rádio brasileiro, começou na velha Rádio Guairacá, da Rua Barão do Rio Branco, “A Voz Nativa da Terra dos Pinheirais”, emissora importante, de grande audiência e de elevado padrão artístico, que então disputava a preferência do público com a pioneira PRB-2, Rádio Clube Paranaense. Jair trabalhou na Colombo e Ouro Verde (onde criou o inolvidável “Pick-up Automático”, com “música, apenas música”, enorme sucesso de audiência), até chegar à Independência da primeira fase, que ele bordou pedacinho por pedacinho à sua imagem e semelhança. Foi a grande potência radiofônica em AM dos anos 60/70.
Depois de passar por Santa Catarina Jair chega em São Paulo, onde dirigiu emissoras do porte e do calibre da Bandeirantes, Nacional (hoje Globo) e Jovem Pan.
Voltei encontrar o Jair em São Paulo. Era 1972 ou 73 não me lembro. Ele era diretor executivo da Rádio Bandeirantes e o Diretor Artistico era o grande Hélio Ribeiro, que também conheci nesta oportunidade. Fui procura-lo na tentativa de arrumar um trabalho. Redator, produtor, apresentador, faxineiro qualquer coisa, precisava do emprego. Cheguei justamente no momento em que Hélio Ribeiro discutia com o velho Jair a criação de um programa radiofonico e de imediato como se tivesse uma carta na manga do paletó, Jair Brito sacou o Programa “Pulo do Gato” de grande sucesso e apresentado, primeiro pelo Gioia Junior e depois (dez dias depois) pelo José Paulo de Andrade. Jair me recebeu como sempre com carinho e fez uma proposta para eu trabalhar na equipe de produção do programa. Acabei não ficando, tinha que chegar às 4 horas da madrugada na emissora já que o programa começava às 6 horas da manhã. Me arrependi.
Jair volta ao Paraná para dirigir a Rádio Cidade onde reuniu os melhores profissionais, o melhor som e a melhor programação da cidade – 24 horas por dia no ar. Em 1979, o empresário Miguel Nasser adquire a concessão e os equipamentos da Cidade e muda os rumos da radiodifusão paranaense, quando Jair de Brito é convidado a dirigir a emissora. Ele, Luis Ernesto, eu (Cláudio Ribeiro) e Claudia Paciornik integramos a nova equipe e criamos sob o comando do velho mestre a grade de programas com o slogan ” Rádio Cidade 670 Khz – em ritmo de cidade grande” – entraria na história do radio paranaense.
Sempre que vinha ao Paraná, Jair me procurava e ao seu amigo Renato Mazânek. Um dos últimos momentos que estiovemos juntos foi na captação do seu depoimento (som/imagem) de como gente que tem história no rádio, na TV, no teatro, no cinema e no jornalismo paranaense, projeto do Renato e que está sendo impulsionada pelo multimídia Renato Ribas, por meio de sua empresa. Quem quizer conhecer um pouco do Jair, até como forma de homenagem, basta ir na Cinevideo e apreciar este documento em DVD.
Ah! Sabe aquela história descrita acima sobre o programa de São Paulo que acabei não fazendo por ser de madrugada? Muito bem – Jair, nesta sua retomada do radio paranaense, me colocou como apresentador de um programa chamado “Cidade de Olhos Abertos” da meia noite até às 4 horas da matina!
É Jair, me permita citar Mario Quintana: O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo… Aprendi com você que a vida não consiste em ter boas cartas na manga como cheguei acreditar, e sim em jogar bem as que se tem!
Saudade
 
Cláudio Ribeiro
Jornalista – Compositor

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