terça-feira, 26 de agosto de 2014

Tiago Portella comentou no Face um pouco da historia de poloneses no Brasil.Vale a pena repercutir.Parabéns Tiago!


Hoje comemoram-se os 145 anos da chegada do primeiro navio trazendo imigrantes da Polônia para o Brasil. Apesar de algumas divergências sobre a data exata da chegada do navio Victoria ao território brasileiro, a cidade de Brusque instituiu a Lei que estabelece para o dia 25 de agosto o “Dia Municipal da Imigração Polonesa para Brusque e o Brasil”.

Apesar da dura realidade em ter que abandonar suas terras natais para embarcar em um longa viagem durante meses pelo Oceano Atlântico, as condições a bordo não eram dramáticas. Um precioso relato de uma dama chamada Izabela nos informa algumas particularidades do que foi esta viagem.


Hoje faz dois meses que embarcamos no navio Victoria, no Porto de Hamburgo. O cansaço pela longa marítima deixou-nos desabilitados. No navio a comida era boa. Serviam sardinhas, carne duas vezes na semana e, todos os dias, café pela manhã e chá da tarde. Conhaque, vinho, limões e remédios foram de grande utilidade na travessia do Oceano Atlântico. Só não havia remédio para o cansaço da longa viagem (Anotações de uma imigrante polonesa, livro de Maria do Carmo R. Krieger Goulart. In: IAROCHINSKI, p.50)

A questão é que no navio estavam os meus familiares. Meu tataravô Simão Otto (Szymon) e minha tataravó Rosália Otto (Rosalie). Eles embarcaram com 3 filhos muito pequenos. Rochus tinha 6 anos. Simon tinha 2 anos e Johann 1 mês. Após 1 ano da chegada da família, o pequeno João não resistiu e seu falecimento é considerado o primeiro óbito de um polones em terras brasileiras. Consta que foi enterrado na Colônia Príncipe Dom Pedro no dia 12 de outubro de 1870. A certidão foi assinada pelo parochi Pe. Alberto Francisco Gattone.

Em 1871, as 16 famílias que haviam desembarcado do navio Victoria foram trazidas para Curitiba e assentadas na região do Pilarzinho. Meu bisavô paterno, Mathias (Maciej) Otto, filho de Simão e Rosália, nasceu provavelmente em Curitiba. Minha avó certa vez me contou que ele foi colocado para adoção quando pequeno. Provavelmente a situação dos imigrantes não era nada fácil.

Uma questão me chamava à atenção. Meus tataravôs Simão e Rosália estão enterrados no Cemitério Municipal de Curitiba, num jazigo que é de propriedade do meu bisavô Mathias.

Foi então que descobri em um jornal do dia 02 de abril de 1908 a seguinte noticia:

Cemitério Municipal – A administração do Cemitério convida aos interessados pelos enterramentos feitos em sepulturas rasas e aos que se refere a nota abaixo a virem, até o fim do corrente mês, retirar os ossos existentes, visto já ter-se esgotado o prazo de aforamento ou adquirirem por aforamento perpétuo os mesmos terrenos. Findo este prazo serão os ossos removidos para o depósito central. Numero da placa: 9564 – Simão Otto – filiação: ignorada – data do falecimento: 10 de março de 1903.

Portanto, meu bisavô ao ler o jornal, provavelmente encontrou pela primeira vez notícias onde constava o nome do seu pai - Simão Otto. De alguma maneira ele conseguiu essa informação. O fato é que, provavelmente  foi neste mês que ele se dirigiu até o Cemitério Municipal de Curitiba para adquirir a ossada e pôde finalmente ter contato com o seu pai. A mãe dele Rosália está no mesmo túmulo.

Meu bisavô Mathias Otto tocava eufônio e regia um pequeno conjunto instrumental com presidiários do Ahú. Fez certa fortuna durante a vida, ainda não sei precisar como, mas seu nome consta como doador de alguns terrenos para a construção das sedes da União Juventus em Curitiba. Foi presidente da Sociedade Polonesa Tadeusz Koschiuszko em 1922 e 1923. Seu grande coração, sempre ajudando, acabou deixando-o sem nenhum bem material no fim de sua vida. A mesma caridade por ele oferecida não lhe foi retribuída.

Ele teve sete filhos, todos com grande disposição para fazer música. Três deles formavam o Regional dos Irmãos Otto (João Alberto Otto, Bronislaw Otto - meu avô paterno e Estanislaw Otto). Atuaram na Rádio P.R.B.2 entre 1934 e 1939. Foi este provavelmente o primeiro conjunto regional a atuar em programações radiofônicas em Curitiba. Considerando que a Rádio Nacional do Rio de Janeiro foi inaugurada apenas em 1936, podem ter sido pioneiros neste ofício.

Enfim, um viva aos 145 anos da chegada dos imigrantes poloneses ao Brasil !!!

Da esquerda para a direita: João Alberto Otto, Bronislaw Otto, Estanislaw Otto e Nei Lopes. (RÁDIO P.R.B.2 - 1937)Da esquerda para a direita: João Alberto Otto, Bronislaw Otto, Estanislaw Otto e Nei Lopes. (RÁDIO P.R.B.2 - 1937)

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