quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O gravador Geloso,uma revolução técnológica





O aparelho parece um trambolho aos olhos acostumados com players MP3, telefones celulares e qualquer traquitana tecnológica miniaturizada deste início de século 21. Na virada dos 50 para os 60, há quase cinco décadas, é, no entanto, uma maravilha, um tremendo avanço tecnológico para quem trabalha em rádio. Por Luiz Artur Ferraretto

Imagine, sem precisar de um técnico a acompanhar e usando apenas um rolinho de fita magnética, registrar com facilidade a fala de um jogador de futebol no treino da tarde e reproduzi-la no noticiário logo em seguida! O gravador italiano da marca Geloso fez, por isto tudo, muito sucesso entre os repórteres daqueles tempos, talvez mais simples, mas, é certo, sem as facilidades da época da internet e do satélite.

Que tempos eram estes então? Com certeza, de gravadores, quando existentes, enormes, muito caros e sem a confiabilidade necessária à sua utilização freqüente. Usavam um fiozinho enrolado em carretéis que, quando rebentava, saltava com a força de uma mola e tinha de ser, na melhor das hipóteses, emendado. Na pior das possibilidades – quase sempre –, perdia-se a gravação. Tempos de uma rede telefônica reduzida, com pouca abrangência em Porto Alegre. E, é claro, para outros estados, pior ainda. Para falar com o centro do país, recorria-se a telefonistas que iam fechando o contato entre uma e outra cidade. Vale lembrar que uma ligação para o Rio de Janeiro, a então capital federal, podia demorar – Que inferno! – horas para ser completada.

Nesta realidade, no final da década de 50, começam a chegar gravadores de fita rolo mais portáteis e de marcas norte-americanas e européias. É o italiano Geloso, entretanto, que vai se popularizar entre os radialistas de Porto Alegre. Fabricados em Milão, pela Societá per Azione Geloso, os modelos mais usados por aqui – vários deles considerados semiprofissionais pelo fabricante – possuem, então, até 5 kg de peso e permitem o seu manuseio sem a necessidade de recorrer à rede elétrica, registrando o som em pequenos rolos de fita magnética. E ficam na memória de uma geração de profissionais. Antes dos Geloso, o trabalho dos repórteres dependia da existência de telefones instalados próximos ao entrevistado que tinha de ser convencido a falar para o rádio, visto ainda com boa dose de preconceito, como um veículo de entretenimento mundano. No telefone mais próximo, o jornalista colocava, na maioria das vezes, a fonte no ar ao vivo, em boletins de três a cinco minutos, procurando explorar ao máximo opiniões e informações, valorizando, deste modo, a presença de ambos ao microfone. Portanto, que avanço aqueles “pequenos” Geloso com seus 5 kg, seu microfone de mão, sua bolsa a tiracolo e suas pilhas! Estas últimas, vez por outra, estavam fracas e os repórteres perdiam o material também, mas – Ora bolas! – que diferença mesmo assim, deviam pensar eles.

Exatamente, meu caro Luiz Artur, porque para nós (na época eu trabalhava na Rádio Gaúcha de Porto Alegre) não fazia diferença, pois iriamos atrás de outra reportagem.

Luiz, você me fez voltar no tempo com seu artigo.

Até hoje o gravador, seja Geloso ou não, é um amigo inseparável do radialista.

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