segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Século 19:"Ou o Brasil acaba com a Saúva ou a Saúva acaba com o Brasil" Século 20:"Ou o Brasil acaba com a dengue ou a dengue acaba com o Brasil"

Num ano qualquer do século 19, o naturalista francês Saint-Hilaire cunhou no livro ‘Viagem à Província de São Paulo’ a frase que se tornaria famosa e causaria polêmica durante o governo Getúlio Vargas: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Mário de Andrade fez variação dessa frase, no seu Macunaíma: “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”.
Ao contrário de Mário de Andrade, o estudioso francês em viagem a diversas regiões do País, não usou a frase como metáfora para designar roubalheira e impunidade, mas à saúva em si mesmo, que é uma formiguinha praga danada resistente e destruidora e que, por mais incrível que possa parecer, hoje voltou a ser notícia... Andava até meio esquecida, mas não extinta essa praga capaz de acabar com um roçado inteiro em pouco tempo.
Vejam só, as saúvas eram típicas da região Noroeste do Paraná na época da colonização, na década de 1955 quando foi fundada Umuarama, onde o solo é mais arenoso e propício a escavações e estruturação de seus ninhos. Mas naqueles tempos elas atacavam na zona rural. Agora, as formigas estão migrando do campo para a área urbana, imitando até as populações nos êxodos em passado recente.
Em mais de meio século, muito falatório se ouviu sobre pesquisas e técnicas de combate à saúva, agora chamada de “formiga cortadeira” (talvez para camuflar a incompetência dessa guerra infrutífera ao longo de décadas) e elas continuam causando grandes perdas econômicas à agricultura e à pecuária de Umuarama, do Noroeste e do Paraná, pois diminuem ou acabam com a produção ao cortar as plantas.
Um formigueiro de saúva pode consumir até uma tonelada de folhas verdes por ano, o equivalente a oitenta árvores por ano. Estudos mostram que 10 sauveiros com cinco anos de idade, em um hectare, ocupam uma área de 715 metros quadrados e consomem cerca de 20 quilos de capim por dia. A mesma quantidade que um boi por dia em regime de pasto. Nessas circunstâncias, a saúva reduz em mais de 50% a capacidade dos pastos.
Estudos mostram que as formigas estão fora de controle devido ao desequilíbrio ambiental e pela extinção gradativa da biodiversidade e expansão das monoculturas.
A grande verdade é que alguma coisa não funcionou como deveria no combate às legiões dessas formigas. Provavelmente não fizeram o controle correto da saúva, pois o mau manuseio de iscas ou venenos pode ter efeitos prejudiciais. E, se assim continuar, pelo visto nossas futuras gerações – como nós – vão continuar ouvindo falar muito dessas “formigas cortadeiras”, ops!, digo saúvas! (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

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