sábado, 13 de fevereiro de 2016

O zika é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Quem contrai o vírus pode apresentar febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores em articulação) e exantema maculo-papular (erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas.
Como o diagnóstico laboratorial ainda é restrito a poucos laboratórios, além do teste de sangue, que descarta doenças mais graves como dengue, chinkungunya, sarampo e mononucleose, o diagnóstico clínico do médico é imprescindível para identificar a febre.
Foto: Reprodução
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Já a microcefalia é uma condição neurológica em que perímetro cefálico (PC) encontra-se menor que o normal. Muitas vezes o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. A microcefalia pode ser congênita ou adquirida.
Nos casos congênitos, uma série de fatores de diferentes origens podem ser os causadores, como substâncias químicas, agentes biológicos infecciosos (bactérias, vírus e radiação), síndrome de Rett, envenenamento por mercúrio ou cobre, meningite, desnutrição, HIV materno, doenças metabólicas na mãe, como fenilcetonúria, e uso de medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer nos primeiros 3 meses de gravidez.
As crianças com microcefalia podem apresentar atraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo e rigidez dos músculos. A doença é grave e não tem cura, e a criança pode precisar de cuidados por toda a vida, sendo dependente para comer, se mover e fazer suas necessidades, dependendo da gravidade da microcefalia.
A seguir, a neuropediatra Luciana Inuzuka Nakaharada e o infectologista Antonio Carlos de Oliveira Misiara, ambos do Hospital Sírio-Libanês, esclarecem mitos e verdades sobre o zika e a microcefalia:
Verdade
– O vírus pode ter entrado no Brasil com torcedores estrangeiros durante a Copa do Mundo ou com uma equipe de Remo da Polinésia Francesa, que esteve em um campeonato no Brasil. A epidemia começou no Nordeste, no início de 2015.
– Alguns bebês nascem mais gravemente afetados e outros menos, mas isso não parece ter relação com a gravidade da doença da mãe. Algumas mães tiveram quadros virais muito leves e as crianças sofreram danos cerebrais graves. Percebemos que nas gestantes infectadas pelo vírus no segundo e no terceiro trimestre de gravidez os danos tendem a ser mais leves. Entretanto, não podemos dizer que não há mais risco de malformação neste período.
– A síndrome de Guillain-Barré é uma doença muito associada a infecções de uma maneira geral. Não é uma ação do vírus diretamente, mas, sim, uma reação do sistema imune do indivíduo que passa a atacar o próprio organismo, o que chamamos de auto-imunidade. É raro e acontece em qualquer idade.
– Você pode ter sido contaminado pelo zika e não saber.
– Nem todos os repelentes são seguros para gestantes.
– É possível que haja uma vacina contra o zika a médio prazo.
– Se você já pegou o zika vírus uma vez, não pegará de novo. De qualquer forma, ainda poderá pegar outras doenças causadas por vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, como os quatro tipos de dengue e a febre chikungunya.
Mito
– Todas as mulheres grávidas que foram infectadas pelo zika vírus tiveram bebês com microcefalia.

– Comer alho ajuda a afastar o mosquito que transmite o vírus.

– As vacinas de rubéola importadas de Cuba poderiam gerar algum tipo de má formação em bebês.

– Há aumento de incidência de doenças ou complicações neurológicas em crianças abaixo de 7 anos ou idosos devido à infecção por zika.
– Mães com zika devem parar de amamentar.
– Vacinas vencidas contra rubéola causaram microcefalia.
– Repelentes são a forma mais eficiente de evitar a contaminação pelo zika.
– O mosquito do zika só pica de dia.
Nem mito nem verdade
– O vírus pode ser transmitido pelo sêmen. Segundo o Ministério da Saúde, não há estudos consistentes a esse respeito. Houve apenas um caso descrito de transmissão sexual.
– Tomar complexo B espanta o mosquito. Tomar a vitamina é recomendada, contudo, não há consenso sobre sua eficácia.

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