quinta-feira, 14 de abril de 2016

Rebobinando

Fitas cassete conquistam o meio independente e voltam a ser produzidas no Brasil 

Seguindo retomada que já ocorre lá fora, Estúdio paulista FlapC4 passa a investir no formato oferecendo gravações com tiragem e qualidade voltadas ao mercado 

Por: Henrique Coradini


Febre entre as décadas de 1970 e 1990, as fitas cassete estão de volta ao mercado brasileiro Foto: stock.xchng / divulgação
Fitas cassete voltarão a ser produzidas no Brasil. O anúncio foi dado pelo estúdio FlapC4, em São Paulo. Ao que tudo indica, 2016 será o ano em que os aparelhos de Walkman poderão começar a sair do baú.
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A novidade acompanha a onda retrô que recuperou o prestígio dos discos de vinil há alguns anos e também, mais recentemente lá fora, das fitas – nos Estados Unidos, por exemplo, as vendas de cassete por parte da National Audio Company aumentaram em 20% entre 2014 e 2015. Os responsáveis pelo retorno da produção no Brasil são os empresários Luis Lopes e Fernando Lauletta, proprietários do FlapC4, estúdio de gravação que investe em equipamentos vintage. Os sócios compraram uma máquina de gravação de fitas para oferecer o serviço às bandas e aos artistas que buscam o formato.
Segundo Lauletta, o estúdio está negociando com uma distribuidora a compra de fitas junto a fabricantes com a intenção de iniciar a produção de gravações até o final deste mês. Até então, bandas e artistas que queriam fitas cassete para distribuição de seus trabalhos – com tiragem e qualidade técnica – tinham de buscar o serviço na Argentina.
– Nosso interesse se deu após uma parceria com o selo de música eletrônica Beatwise Records, pelo qual produzimos uma tiragem pequena de fitas cassete. A partir daí, identificamos a tendência no mercado e resolvemos investir no negócio – contaLauletta.
Populares do fim dos anos 1970 até meados dos anos 1990, as fitas cassete foram desde então consideradas rudimentares e pouco práticas. Na última década, porém, ganharam status cult e voltaram a conquistar espaço. O principal público, segundoLauletta, vem do mercado independente: bandas de punk e metal, produtores de música eletrônica e grupos de rap. Mesmo entre o público que tem acesso às músicas por meio da internet, há os que não dispensam o contato com o encarte e a embalagem do formato físico, como no vinil.
– É um material bacana para o artista e para o fã. O público (do meio independente) tem bastante ¿fetiche¿ pelo material físico, e o cassete é bem mais barato que o vinil – avalia Lauletta.
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A FlapC4 usará uma máquina da marca Kaba Research & Development, que grava 100 fitas ao mesmo tempo. Fernando garante que a qualidade das fitas produzidas não decepcionará. Segundo o produtor, os modelos antigos eram produzidos com materiais baratos que prejudicavam o som e eram regravados de uma matriz que não levava em conta suas propriedades. Já as gravações da fábrica serão mixadas e gravadas especialmente para o formato.
– Pretendemos reunir uma série de músicos para um teste cego no qual eles poderão julgar a qualidade das fitas. Queremos desmitificar a ideia de que fitas cassete têm má qualidade sonora – avisa Fernando.

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