sábado, 29 de abril de 2017

LIVRE ARBITRIO

Frequentemente sentimos essa estranha sensação onde a casualidade, o inesperado, vai marcando nosso caminho e nos obrigando a definir nossa vida em uma ou outra direção. Há quem diga que são escolhas do destino, dessa força que está acima de nós e que nos empurra a uma sucessão inevitável de acontecimentos, dos quais não podemos escapar.
Algo assim vai muito além de uma simples sincronia, e significaria que nada ocorre por sorte, e sim por determinação pessoal. O que faz algumas pessoas pensarem assim? Afinal, estamos a mercê do destino ou somos livres para escolher nosso próprio caminho?

Casualidade ou causalidade?

É verdade que, às vezes, acontecem coisas que nos surpreendem: conhecer alguém em determinado lugar e circunstância, uma sorte que, um dia, aparece inesperadamente, uma escolha que fazemos sem saber muito bem por qual motivo… É mera casualidade? Ou deve-se, talvez, a uma misteriosa causalidade?
É verdade que é necessário dispor de uma mente muito aberta, de uma forma de pensar que nos liberte e não crie obstáculos diante de toda informação e todos os estímulos que nos rodeiam. No entanto, a questão se centra no fato de que se aceitamos a existência do destino, assumimos também que grande parte do que nos acontece foge da nossa compreensão e talvez até da nossa própria consciência. Então, onde estão os elos da nossa responsabilidade? Como ser responsáveis por algo que não controlamos?

Livre arbítrio e uma pincelada inexplicável

Há cientistas que afirmam a existência de um destino “quase obrigatório” que está relacionado à herança: a genética dos nossos progenitores, por vezes, determina quem somos em muitos aspectos, como caráter, traços físicos, doenças… o contexto social e pessoal no qual somos educados também pode nos afetar em maior ou menor medida, com probabilidade de 30% a 40%.
Mas, por outro lado, também temos a concepção indispensável do “livre arbítrio”, onde cada pessoa está condicionada pelas suas próprias escolhas, por sua própria história pessoal e pela sua vida, em uma sociedade que lhe permite inclinar-se por uma determinada trajetória ou outra, reconhecendo erros, confiando em si mesmo e assumindo novos desafios ou projetos.
É como disse uma vez um velho escritor italiano, “O destino não reina sem a secreta cumplicidade do instinto e da vontade”; porque a vida de uma pessoa não é tecida nas estrelas, mas sim em nossa própria realidade e no dia a dia que nos testa e nos desafios que nos testam como pessoa. Somos livres para estabelecer metas e conseguir nossas próprias conquistas…mas, sim, a casualidade existe e, às vezes, é tão singular que não podemos evitar sentir esse clima de magia inexplicável. Pois, como pessoas, por mais racionais que sejamos, sempre gostamos dessa pincelada única que contém tudo de estranho e inexplicável…
Nossas vidas, às vezes, são um caos de casualidades e fatos ilógicos, mas o fato de tomarmos as rédeas do nosso próprio destino, de sermos donos da nossa direção, vai nos permitir sermos mais responsáveis.

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